Meu Falso Namorado

29 O relógio estava contra mim


Notas iniciais
Hallo gente...
Bom, pra variar eu demorei mais do que devia. Desculpem-me. Hoje eu estava falando com uma amiga e leitora da fic sobre o último capítulo, e eu disse que estava de certa forma fugindo, o que era verdade, eu não queria escrever esse capítulo, por que não queria que a fic chegasse ao fim, doido eu sei, mas enfim, é difícil dizer adeus, e de algum modo terminar uma fic é uma maneira de dizer adeus a algo. E eu agradeci por ter tido o Enem, milhares de trabalho e provas na escola, tipo falta menos de um mês para minha formatura e ta uma correria que só e com isso eu fui adiando para não escrever esse capítulo, mas aí chegou o feriado e eu não tive como fugir eu precisava escrever. Aqui está ele, o último, espero que gostem e caso o final não seja o que queriam desculpem-me. Mas antes de lerem quero que ouçam essa música Balada do Amor Perdido da banda Papas da Língua (https://www.youtube.com/watch?v=sHM4ROl7lA4) foi nessa música que me inspirei a escrever a fic e o final é como se fosse uma trilha sonora. Enfim, boa leitura.

[Laura]


Cinco dias presa em um quarto de hospital, já estava virando uma tortura. Não sei pra que tanto tempo trancafiada aqui dentro sendo que já estava ótima. As dores não me incomodavam mais, a na ser uma, que, talvez, nunca amenizará. A cratera em meu peito era enorme. Tom havia me magoado tanto. Dessa vez eu não o perdoaria. Nunca mais.

– Sonhando acordada? — A voz de Kika me dispersou de meus pensamentos. – Pensando nele?

– Quê? Não. Eu...

– Não precisa mentir pra mim Lara. Sou sua amiga, me preocupo com você, lembre-se sempre disso, principalmente, quando resolver se atirar na frente de um carro.

– Desculpe. Não foi essa a intenção. Eu só queria fugir, fugir dele...

– E agora está aqui, presa, nesse hospital sentindo a falta dele.

– Eu não estou sentindo falta dele, Érica, ah você aaff...

– Kika, por favor, sabe que detesto meu nome. E não venha me dizer que não sente, Laura, da pra ver em seus olhos a raiva por ele não ter aparecido aqui durante todos esses dias.

– Ta, talvez, eu sinta falta, mas o fato dele não ter vindo me ver, eu fico com muito ódio, ele disse que me amava e basta eu sofrer um acidente que ele me esquece? Eu esperava outra atitude dele.

– Se serve de consolo ele não está em Los Angeles. Por isso, não vem vê-la.

– O quê? Como assim não está em Los Angeles?

– Logo depois que deu entrada no hospital, ele estava muito agitado, ficava repetindo diversas vezes que a culpa era dele e que precisava reparar isso e, derrepente, ele, simplesmente sumiu.

– Pra onde ele foi? Perguntei um tanto desesperada.

– Bill se recusa a dizer.

– Bom talvez isso seja bom. Amanhã eu, finalmente, terei alta e não será bom vê-lo é melhor que esteja viajando.

– Não desistiu de ir embora mesmo? O tom de voz de Kika mudou.

– Estou sendo uma péssima amiga, eu sei, mas cansei de tudo. Sabe durante todo esse tempo Tom só me machucou e eu sempre o perdoei, chega de ser a idiota da história, vou para Magdeburg, pegar Nicholas e voltar pra casa. Destrancar minha faculdade, começar uma nova busca por um novo emprego, essas coisas, seguir em frente.

– Eu vejo o quanto isso está sendo difícil para você. Entendo que tenha que ir. Só não se esqueça de mim, sabe telefonar de vez em quando, ou, mandar um e-mail dizendo “estou bem”, tenho certeza que não fará mal algum. Ela sorriu apagado.

– Não tem como se esquecer de você. Durante esses meses que fiquei aqui você sempre me ajudou, me ouviu foi uma amiga exemplar. Obrigado por tudo, Kika.

– Chega dessa conversa. – Ela riu enxugando uma lágrima. – Isso ta parecendo uma despedida e eu odeio despedida.

Mudamos de assunto, mas logo ela teve que ir trabalhar, as coisas no escritório tinham mudado bastante, ainda mais agora que os G’s estavam em Los Angeles e em breve o novo álbum seria lançado, agora todos trabalhariam de segunda a segunda.

Horas se transformavam em eternidades, o tempo parecia não passar, o relógio estava contra mim.

Finalmente, a noite parecia ter chegado, depois de o dia ter se arrastado o máximo possível. Eu estava sozinha, completamente sozinha. Até mesmo minha própria companhia era insuportável, eu não estava mais aguentando isso.

– Oi. Posso entrar? A suave voz de Bill soou após duas leves batidas na porta.

– Claro, entre, Bill.

– Sei que parece estranho minha visita, ainda mais sem Kika, mas eu precisava falar com você a sós. Achei que a noite seria um ótimo horário.

– Falar comigo? Aconteceu alguma coisa? Perguntava já preocupada.

– Não. É sobre você. Sobre Tom. Sobre vocês dois.

– Ah. Eu não sabia o que dizer. Estava surpresa.

– Eu me sinto culpado, sabe. De certa forma, você só está aqui nesse hospital... – Ele olhava em volta. – Por minha culpa.

– Não é culpa sua, Bill. Foi um acidente. Não tinha nada a ver com você. Não estou te entendendo.

– Se eu não tivesse proposto a você, a ideia maluca de ser a falsa namorada do Tom, vocês não teriam brigado tanto, ele não teria feito nada do que fez, você não estaria aqui.

– Nós não saberíamos se tudo isso aconteceria. Eu acredito que era pra acontecer. Como uma lição. Uma experiência que tínhamos de passar.

– Mesmo assim, eu me sinto culpado...

– Por favor, Bill, não se sinta. Acho que não existem culpados nessa história. Como eu disse foi como uma experiência que no final cada um terá aprendido algo... Eu o interrompi.

– Eu sei, mas me sinto na obrigação de pedir que me perdoe. A mim e meu irmão, por ter sido tão idiota quando se tratava de você.

– Se eu disser que te perdôo se sentirá menos culpado? Ri.

– Ah, com certeza. Ele riu também.

– Então está perdoado.

– Bom, sendo assim já posso ir com a consciência tranquila. Deve ser um tédio ficar aqui, né? Gostaria de ficar lhe fazendo companhia, mas tenho um compromisso agora.

– É, é um tédio, mas amanha isso acaba. Sorri fraco.

– Ah, antes de ir eu quero dizer que não se surpreenda quando ver suas coisas, Tom ficou um tanto descontrolado quando soube que ia embora.

– Descontrolado? Perguntei espantada.

– Quando Kika contou a ele o que realmente tinha acontecido com você e, bom aquele cara e o porquê saiu antes da festa acabar, ele se sentiu um completo idiota por ter brigado com você e quando viu as malas prontas ele desmanchou todas. Ele acha que você o perdoará e que tudo ficará bem. Eu não sei o que pretende fazer, mas, sinceramente, eu acho que não devia perdoá-lo, Tom precisa aprender que não se deve brincar com os sentimentos de uma mulher.

– Eu não sei se um dia eu conseguirei perdoar ele, mas de uma coisa tenho certeza nada será igual.

– Acho que já me intrometi demais na vida de vocês, preciso ir, amanha Kika e eu viremos te buscar.

– Tudo bem, até amanhã.


(...)



[Narrador on]


Na manhã seguinte, Bill e Kika haviam ido buscar Laura no hospital, depois do médico assinar a sua alta, seguiram todos para o estacionamento. Bill havia ido um pouco à frente, deixando as garotas para trás.

– Acho que devia saber, Tom voltou ontem à noite e, não voltou sozinho. Kika sussurrou para a morena ao seu lado.

– Quem está junto dele? Ela perguntou curiosa.

– Eu não sei, ouvi Bill ao telefone falando de outras pessoas que viriam junto, mas ele não disse nada a mim, de acordo com ele você não podia ficar sabendo disso antes da hora.

Laura queria saber mais sobre isso, mas Bill estava perto demais para continuar perguntando e, não se sentiu encorajada a perguntar algo a respeito para ele, poderia colocar a amiga numa situação difícil.

Durante o trajeto até em casa, poucas palavras foram ditas. Laura estava com medo, e ao mesmo tempo curiosa para descobrir quem estava com Tom. Se eles se encontrariam. Ele podia, muito bem, ter saído, ou estar no estúdio, não queria admitir, mas preferia ir embora sem olhar para ele uma última vez.

Quando o carro parou na garagem da mansão, seu coração acelerou, sentia um frio na barriga. Queria ficar no carro, mas não podia.

Desceu com cuidado, e pensou seja o que Deus quiser.

Os três entraram na casa, que até então parecia deserta, a não ser por Tom que no exato momento voltava da cozinha.

Quando os olhos de Laura encontraram os dele, uma corrente elétrica passou pelo corpo dos dois, um filme em suas cabeças, mas a atenção da morena foi desviada pelo pequeno ser que aparecera atrás de Tom, e quando enxergou a garota correu em sua direção de braços abertos.

– Lauraaaaa. O pequeno gritava.

– Nicholas, il mio amore. Mi manca piccola. (Nicholas, meu amor. Que saudades pequeno.) Ela o abraçava fortemente.

– Ho pensato che mi aveva abbandonato, come mamma e papà. (Achei que tinha me abandonado, como a mamãe e o papai.)

– Mai. Mai. (Nunca. Nunca.) — A garota enxugava as lágrimas. — Io non lo farei mai con te. (Eu nunca faria isso com você) Ma come... (Mas como...) — Olhou em volta e viu a amiga parada, sorrindo para ela. – Isaa? As duas se abraçaram intensamente.

– Você nunca, nunca mais faça isso comigo, ouviu moçinha? Isabella dizia limpando as lágrimas do rosto.

– Desculpa. – Laura ria e ao mesmo tempo chorava, jamais esperava encontrar os dois ali. – Não dá pra acreditar que estão aqui, como vieram? Quando chegaram? As perguntas eram tantas.

– Bom aquele bondoso rapaz. – Isabella apontou para Tom. – Foi nos buscar. A ironia de Isabella era notável, ela não aprovava os dois, não por ele, mas pelo o que ele fez com a amiga.

Laura, por um instante, ficou sem saber o que fazer, não queria dirigir a palavra a Tom, mas precisava agradecer.

– Obrigado. – Sua voz saiu meio falha. – Obrigado por trazer meu pequeno até mim.

– Eu te devia isso. Ele deu um leve sorriso. Os dois se encaravam.

Mas antes que a conversa continuasse, Isabella interrompeu:

– Bom, Laura, eu não vim apenas para te ver, creio que vai voltar para a Alemanha, comigo e com Nicholas, certo?

– Sim. Ela disse, ainda o encarando, a dor em seus olhos por dizer aquilo era tamanha, apesar de tudo não queria ficar longe de Tom.

– Vamos pegar suas coisas então.

– Eu preciso arrumar ainda, me ajuda? Ela olhou para a amiga.

– Claro. Isabella respondeu. E as duas foram em direção a escada.

– Laura. – Tom segurou seu braço, levemente. – Não vá. Praticamente suplicava, com os olhos cheios de lágrimas.

E ela não queria. A vontade era de gritar dane-se tudo, eu o amo, eu vou ficar. Mas a mágoa que sentia falava mais alto, ela precisava partir.

Ignorando-o ela subiu, quando chegou ao quarto desabou a chorar. Estava sendo difícil demais dizer adeus.

Depois de um longo tempo arrumando suas coisas, as duas desceram. Todos estavam na sala. Kika brincava com Nicholas, Bill e Tom conversavam, parecia mais que Bill tentava consolar o irmão.

Laura deixou sua mala perto da porta e foi se despedir dos outros, enquanto Isabella chamava um táxi.

Kika quando viu que a amiga se aproximava levantou-se, já chorando, e abraçou a morena fortemente.

– Vou sentir saudades. Disse.

– Eu também.

Ela foi em direção a Bill.

– Sinto muito por tudo. Ele sussurrou a ela.

Laura sorriu.

– Obrigado por tudo Bill, foi bom trabalhar com vocês e diga aos G’s que mesmo não tendo a oportunidade de conviver mais com eles sentirei falta dos dois.

– Pode deixar, eu digo. Bill sorriu.

Laura respirou fundo, tinha chegado à vez de Tom. Ela não sabia o que fazer ao certo.

– Eu achei que seria diferente. Ele falou.

– Eu achei que nunca precisaria te dizer adeus. Ela completou.

– Espero que um dia me perdoe e, também, que um dia possamos nos encontrar novamente. – Ele chorava. – Posso ao menos lhe dar um abraço?

– Pode. Sua voz estava embargada pelo choro.

Ela não se conformava em aquele ser o último abraço que daria nele, que nunca mais o veria que outra garota iria ocupar o seu lugar. Que aquele era o fim. Ela queria poder dizer que esperava que ele encontrasse alguém que o fizesse feliz. Que fosse merecedora do seu sorriso, do seu olhar, dos seus lábios, dos seus beijos, do seu toque, do seu cheiro, do seu corpo, do seu abraço, do seu amor. Mas não teve coragem, porque ela queria que esse alguém fosse ela.

Talvez, uma das coisas mais difíceis que ela fez até agora, foi se despedir de Tom, mesmo tendo passado por muitas coisas ruins, dizer adeus era o pior. Mas, mesmo assim ela partiu.


(...)


Feche os olhos meu amor

Sei que você pode me escutar

Não consigo mais dormir

Tanta coisa eu tenho pra falar

Vem a noite saio a procurar

Outros lábios pra me consolar

Chega o dia e eu me sinto só, tão só

Você se foi, você se perdeu

O amor que eu guardei pra nós dois

Você sumiu num dia de sol

Mas sei que você não está feliz...

Todas as noites ele saía para um lugar qualquer, às vezes ia à praia, ficava a pensar nela, ele podia sentir o mesmo dela, mesmo estado longe, eles tinham uma conexão. Era difícil para Tom não lembrar-se um dia se quer de Laura, sofria muito com sua ausência. Os dois sofriam. Ele saía atrás de algo que o fizesse esquecer-se dela, mesmo que apenas por um segundo. Tentava sair com outras garotas, buscar em outras mulheres, Laura, mas ninguém era igual a ela. Ele sabia que por um bom tempo iria doer toda vez que pensasse nela, toda vez que se lembrasse de seus momentos juntos, até de suas brigas. Mas ele também sabia que um dia eles se encontrariam.


Feche os olhos meu amor

Sei que você pode me escutar

Não consigo mais dormir

Tanta coisa tenho pra falar

Vem a noite saiu a procurar

Outros lábios pra me consolar

Chega o dia e eu me sinto só, tão só

Você se foi, você se perdeu

O amor que eu guardei pra nós dois

Você sumiu num dia de sol

Um dia você vai voltar...

Pelas ruas de Milão Laura andava cabisbaixo, chorando, sofrendo por ele. Mesmo tendo Nicholas e Isabella, que havia vindo morar com Laura e o irmão na Itália, ela se sentia só. Faltava uma companhia. Faltava alguém. Faltava ele. Ela tinha voltado a frequentar a faculdade, sua herança havia sido desbloqueada, tudo conspirava ao seu favor, agora. Tinha arrumado um trabalho em uma pequena gravadora de Milão, mas mesmo assim não se sentia completa. Ela sentia sua falta. Às vezes tinha uma enorme vontade de pegar o primeiro vôo e ir de encontro com ele, jogar tudo para o alto e dizer que sem ele, ela não vive. Mas o orgulho dava a última palavra, ele não a merecia. E, ela também sabia que essa dor iria diminuir com o tempo e, por mais que, achasse que nunca mais o veria, lá no fundo sabia que a história dos dois não tinha acabado ali, naquele abraço. Ela sabia muita coisa estava por vir.

Vai voltar, vai voltar, vai voltar, vai voltar..

Você se foi, você se perdeu

O amor que eu guardei pra nós dois

Você sumiu num dia de sol

Mas sei que você não está feliz...

Papas da Língua – Balada do Amor Perdido

Notas finais
Então? Gostaram? Sim? Não? Reviews? Como sendo o último capítulo queria pedir que vocês, leitores fantasmas, aparecessem pelo menos no último digam o que acharam, o que gostaram, o que não gostaram, sei lá apenas apareçam...
Sobre a segunda temporada, como já disse eu irei postar ela, apenas, no AnimeSpirit e não sei bem certo a data a qual começarei a postar, enfim, pra quem quiser acompanhar vou deixar meu endereço do perfil meu lá no site ok? http://animespirit.com.br/lille e se alguém quiser que eu avise quando será o início das postagens me digam ta? Enfim, até breve gente ♥