Meu Falso Namorado
9 Eu queria poder odiá-lo, mas não consigo...
Notas iniciais
Acordei por volta das 10 horas, tomei um banho, me vesti desci e comi alguma coisa, nem Bill, muito menos Tom haviam acordado ainda. Subi para meu quarto e decidi ler um livro. Mais ou menos uns 45 minutos depois alguém bateu na porta.
- Entre. Disse.
- Oi. Disse Tom.
- Oi. Falei. Ele então se aproximou e sentou-se na beira da cama.
- Eu tava criando coragem pra vir falar com você. – Ele fez uma pausa. – Sabe eu queria te pedir des... – Ele desviou o olhar para o criado mudo. – O que minha chave ta fazendo aqui no seu quarto? Ele levantou-se.
- Ah eu me esqueci de te devolver.
- Como assim se esqueceu de me devolver?
- Você não lembra? Eu vim dirigindo ontem po...
- COMO É QUE É? VOCÊ DIRIGIU MEU CARRO? Ele gritou.
- Calma Tom. – Falei me assustando de sua reação. – Eu dirigi sim vo...
- Eu não deixei você dirigir meu carro, ninguém dirige ele além de mim.
- Você não tinha condições de dirigir e, Bill pediu pra eu vir dirigindo. Levantei-me.
- NUNCA MAIS EU QUERO QUE VOCÊ DIRIJA MEU CARRO. – Ele gritou novamente. – Estamos entendidos? Ele voltou ao seu tom de voz normal.
- Sim. Segurei as lágrimas, que deixei caírem assim que ele bateu a porta.
Procurei por meu celular, mas não o encontrei então assim mesmo saí.
Desci em disparada aquelas escadas, achei que fosse acabar tropeçando e caindo. Mas tive sorte isso não aconteceu.
- Lara, o que aconteceu? Onde você va... A porta se fechou e não ouvindo mais o que dizia Bill.
Só queria sair daquela casa, ir para um lugar onde ninguém perguntasse nada para mim, onde fosse desconhecida e pudesse ficar em paz, sem dar explicações a ninguém.
Perdi a noção do tempo, andei por tantos lugares, tantas ruas desertas, até encontrar um parque onde crianças brincavam, sentei-me no chão e lá fiquei por horas, chorei por tudo o que me fazia sofrer, a morte de meu pai, Francesca, a culpa pela morte de minha mãe, que por mais sabendo que não é minha, eu me culpava a dela e de... Eu não podia lembrar isso, era o mesmo que atravessar uma faca em meu peito, não aguentava a dor, enfim, desabafei literalmente.
O lindo céu azul aos poucos foi dando espaço a nuvens carregadas, o sol parou de brilhar e, logo a chuva começou a cair.
Fui andando vagarosamente para a mansão, não tinha pressa alguma em chegar lá.
Eu queria poder odiá-lo, não sei por que, mas eu simplesmente não consigo, ele estava transformando minha vida em um inferno e eu nada sentia contra isso, quanto mais perto dele fico, mais me sinto bem, mesmo ele fazendo tudo o que me faz.
A chuva já havia cessado e, eu ainda continuava ensopada. Depois de mais algumas horas andando cheguei à mansão.
Atravessei a sala, Tom estava lá esparramado no sofá vendo algo na grande TV, me olhou dos pés a cabeça, mas nada disse.
Tomei um longo banho me vesti e fui comer alguma coisa, não havia almoçado e meu estomago implorava por comida.
Novamente passei pela sala e ele estava lá intacto. Preparei qualquer coisa e comi, sai pela porta da cozinha que dava no jardim, dei um pequeno passeio por lá e, então comecei a sentir meu braço doer, desde que coloquei essa bendita placa era assim dias com dores fracas, outros sem, e dias em que aquela dor se tornava insuportável.
Sentei-me na enorme varanda na frente da mansão, fiquei olhando o céu, havia algumas estrelas tão brilhantes, me lembrei então do que minha mãe disse quando meu avô morreu, eu tinha 8 anos de idade.
"Sempre que quiser vê-lo, olhe para o céu, a estrela que mais brilhar será ele..."
Ela falou que ele havia se tornado uma estrela, e que quando sentisse saudade era só olhar para o céu que eu o veria.
Ali olhando aquelas estrelas por alguns segundos me senti feliz, protegida, como se todos ainda tivessem ali comigo.
- Admirando as estrelas? — Bill havia chegado, fazendo com que minha atenção voltasse para ele. Apenas sorri ele então se sentou ao meu lado. – Tudo bem?
- Sim, apenas meu braço que dói um pouco. Respondi.
- Você o machucou?
- No acidente em que meu pai morreu, eu tive que por uma placa e, daí é assim às vezes meu braço dói, mas logo a dor passará.
- Isso é ruim. Ele sorriu fraco. Nada respondi e, continuei olhando para o céu.
- Não foi uma boa ideia esse namoro. Ele então falou depois de alguns minutos de silêncio.
- Porque não? O olhei.
- Você está sofrendo. Tom é um idiota por fazer isso com você, foi um erro ter feito aquela proposta a você. Desculpe-me. Ele fitou o chão.
- Não é culpa sua. – Ele me olhou. – Sabe eu aceitei isso, não se culpe pelo que está acontecendo.
- Fico triste por vê-la assim, não pensei que Tom fosse fazer isso.
- Não fique Bill, sabe ele tem tido atitudes que me magoaram, mas tudo ficará bem, você verá.
- Espero que sim.
- Vou entrar Tom com certeza vai querer sair. Sorri.
Ele nada disse apenas deu um leve sorriso.
Me arrumei vagarosamente, derrepente escutei meu celular berrando. Sai a sua procura, achei-o em baixo da cama, isso explica porque não o achei mais cedo, devia ter deixado cair ontem quando fui dormir.
- Alô?
- FINALMENTE LAURA! — Isa gritava do outro lado. – Onde se meteu que não atendia o celular?
- Não precisa gritar Isa, eu sai e deixei ele em casa.
- Pra que celular se é pra deixar em casa? Eu tentei te ligar o dia todo.
- Aconteceu alguma coisa? Preocupei-me com o que ela havia dito.
- Enquanto você se divertia teu irmão está no hospital.
- O QUÊ? Gritei.
- Calma Laura, ele está bem, só foi internado antecipadamente.
- MAS POR QUÊ? Desesperei-me e as lágrimas já borravam toda minha maquiagem.
- O medicou achou melhor, e a cirurgia está marcada para amanhã.
- Amanhã? Não esperava tão cedo. Disse ainda chorando.
- Laura calma, não se desespere, ele vai fiar bem.
- Eu sei, mas eu queria estar aí ao lado dele. É isso eu vou para Magdeburg.
- Não Laura! Não faça isso, não é necessário. Não vá abandonar seu emprego.
- Mas eu preciso ficar ao lado dele Isa...
- Não adiantaria nada você vir, o médico não iria deixar você vê-lo, depois da cirurgia se quiser aí você vem.
- Ta bom. Mas me mantenha informada, quero saber de tudo, cada detalhe, tudo o que o médico falar não me esconda nada.
- Tudo bem Lara, agora eu preciso ir para o hospital, se cuida e não vá se desesperar, certo?
- Ta. Tchau.
Desliguei o telefone e desabei a chorar novamente. Por que isso está acontecendo tudo ao mesmo momento? Queria estar ao lado de Nicholas no hospital, mas não posso um oceano nos separa. Achei melhor fazer o que Isa disse não me desesperar. Lavei meu rosto, e o enchi de maquiagem novamente, para esconder qualquer sinal de que havia chorado.
Desci e Tom não estava mais no sofá, fiquei esperando-o e não demorou muito ele apareceu sem dizer nada o segui até o carro e em silêncio fomos até a mesma boate de sempre.
Ficamos por alguns minutos no bar, pedi a bebida mais forte que tinha, queria esquecer todos os problemas, mesmo que fosse só por uma noite.
Não demorou muito e Tom foi dançar, e logo que ele saiu vi Giulian o cara da noite anterior, vindo em minha direção. Convidou-me pra dançar não hesitei e fui.
[Tom]
Aquela festa estava uma droga, pela primeira vez detestei todas aquelas garotas se atirando para cima de mim, mesmo assim continuei dançando.
Em algum momento olhei para o bar, mas Laura não estava lá. Fui até o lugar que ela sempre ficava e também não se encontrava lá.
Comecei a procurá-la até vê-la dançando com o mesmo cara de ontem, vendo aquela cena me fez ficar com muita raiva. O jeito que dançavam aquele babaca ficava agarrando-a e, mas parecia que queria arrancar o vestido dela, que, aliás, mostrava seu corpo todo modelado, eu não tinha reparado, mas que corpo.
Só que... Ela estava bêbada, completamente bêbada e, parecia estar drogada, o quê? DROGADA? Não podia deixá-la ali, naquela situação com aquele idiota ele poderia fazer o que quisesse com ela, precisava fazer alguma coisa e, já.
Notas finais
Então ganhei mais leitoras que não deixaram review, poxa isso me desanima a continuar a fic, então, por favor, peço que deixem um comentário dizendo o que achou é muito importante saber o que estão achando. Enfim até o próximo capítulo ;*
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