Meu Eu em Você.
13 Capítulo 13 - Velha conhecida
POV DA BELLA
– Você sempre facilitando. Estou decepcionada, pensei que fosse me dar um pouco mais de trabalho.
Uma voz aveludada, feito sinos badalou em minha mente, enviando ondas "magnéticas" negativas por todo o meu corpo. Senti meu cérebro perder o movimento do meu corpo... Em instantes estava petrificada. Minha respiração falhando e meu coração pulsava descontroladamente.
A única coisa que consegui mover foram meus olhos... Percorri por toda a festa aquele que pudesse ao menos me servir de alerta, mas não encontrei ninguém, todos se divertiam perfeitamente entregues aquele momento... O som alto da música, era tudo o que poderia ser ouvido. E mesmo se outra coisa pudesse ser ouvida, duvido muito que eu conseguiria ao menos gritar... eu tentei, mas minha voz não saia.
O cheiro de vampiro... Os meninos já deveriam ter sentido, porque ==-ainda não vieram me salvar? Eu agora fazia parte da grande família deles, não fazia? Então porque ainda não vieram ao meu socorro. E mais importante onde esta Jacob?
Eu devo ter tacado pedra na cruz!Como posso ser tão azarada assim? No dia do meu casamento ser encontrada desprotegida por um vampiro... Edward estava certo quando me disse que se juntasse todo o meu azar, teríamos uma arma de destruição em massa, mais potente que a bomba atômica!
– Você poderia ao menos ter me avisado. Não havia necessidade de mandar convite...
Espere um minuto... Eu conheço essa voz. Mas... NÁO. Não è possível! Como ela conseguiu? Como ela descobriu? O que ela estava fazendo aqui?
– E eu achando que iria te fazer uma surpresa. Vejo que nessa você me superou!
Aquela figura angelical posicionou-se graciosamente sobre a ponta dos pés bem na minha frente. Senti o palpitar do meu coração vacilar um pouquinho antes de finalmente retomar seus batimentos normais... Minha respiração já estava regular... E o pânico finalmente tinha partido, deixando no controle uma doce, desejada e tímida tranqüilidade, acompanhada de uma avassaladora dúvida.
– Alice!
Foi tudo o que consegui dizer. Meus olhos a analisaram anestesiados. Contemplativos. Olhos saudosos daquele belo par de olhos castanho-dourados, daquele sorriso encantador, daqueles movimentos graciosos.
– Estou muito triste com você Isabella Swan, ou devo dizer Isabella Black. – Seu rosto franziu ao dizer a minha mais recente aquisição (o sobrenome do meu marido).
– Continuo sendo só a Bella.- Respondi timidamente...
– È creio que sim. Sempre escolhendo as coisas mais estranhas para se amar. Quem mais teria esse gosto estranho?!
– Não vejo como isso possa soar como ofensa a somente um dos lados...
Alice sorriu, um sorriso tímido e decepcionado.
– Ai Alice, senti tanto a sua falta! – Dei-lhe um abraço apertado que Alice não retribuiu.
– Vejo que me substituíram muito bem. – Alice olhava o meu vestido, e os detalhes do meu cabelo. Típico de Alice...
– Ah! Não seja dramática. Ninguém jamais poderá substituir você. És única!- Tentei encorajá-la a se animar um pouquinho, mas Alice não estava muito humorada.
– Porque não me contou? Eu poderia ter...
– O que? Vindo diretamente de sei lá aonde... Exclusivamente para me ajeitar?
– Ou impedir...
– Impedir? Como assim impedir? Meu vestido esta tão ruim assim?
– Não Bella, impedir o seu casamento.
Ela só pode estar brincando.
– Mas Alice eu estou feliz! – Alice não poderia estar falando sério. Impedir meu casamento?! Por quê?
– Desculpe Bella... Eu percebo o quanto esta feliz. Por isso estou aqui... Tinha que ver com meus próprios olhos. Já que não consigo ver de outra forma... – Alice fitava o chão o tempo todo.
– Alice. Achei que você estaria feliz em me ver feliz. Não è isso que importa para os amigos? Que seus amigos estejam felizes?
– Ah! Bella desculpe. È que eu ainda tinha esperanças...
– Esperanças? Do que Alice?
Esse rodeio todo da Alice estava começando a me deixar confusa e irritada. Porque os Cullen têm essa mania de falar as coisas pela metade?! Por isso que tudo com Jake fluíam mais naturalmente, ele sempre diz as coisas como são.
– De que ainda pudéssemos ser irmãs! – Alice finalmente concluiu, e ela estava visivelmente decepcionada.
Eu já tive esse sonho... Um dia! Um dia, que já ficou esquecido com outros tantos desejos, frustrados e ignorados. Houve um tempo em que ser um Cullen era tudo o que eu mais queria. Vivi em função desse desejo, lutei para que ele se realizasse até que um belo e dolorido dia isso foi me tirado , arrancado da forma mais cruel e vil.
– Alice, essa não foi bem a minha escolha... Quer dizer pelo menos não no princípio. – Tocar neste assunto não estava me fazendo bem. Era como cutucar fundo em uma ferida já cicatrizada na tentativa de deixá-la novamente exposta. Eu não podia, e não queria falar sobre isso.
– È, eu sei... Eu fui totalmente contra, mas ele...
Não. Definitivamente eu não queria falar sobre isso. “Ele” já estava superado, pelo menos deveria. Não se desenterra o defunto... deve-se deixar que ele descanse em paz.
– Creio que o “passado” tem um motivo para se chamar assim! – Cortei Alice antes que a ferida viesse a ficar novamente em carne viva.
– Tudo bem! Eu só...
– Precisa me dizer como fez para entrar aqui! A essa altura você já deve saber que meu marido (Dizer isso soou estranho, mas não me incomodou, ao contrário fez meu coração pulsar de satisfação – Alice percebeu!)... bem... Já deve saber que ele è um lobisomem.
Alice franziu o cenho e ficou levemente desconfortável. Demorei alguns instantes até descobrir o motivo de sua reação.
– Ela teve permissão do Alpha para estar aqui. Afinal de contas, ela è sua amiga, não è?
Jacob! As palavras pareceriam amistosas, se não fosse pelo tom no qual foram pronunciadas.
Ele aproximou-se de nós, vindo do mesmo canto da floresta por onde Alice saiu. Seu sorriso era lindo, vivido, encantador... Era como se o sol estivesse enclausurado em cada curva dos seus lábios. Quente. Aconchegante. Iluminado. De tirar o fôlego!
Meu coração ficou satisfeito com sua presença, minha pele relaxou anestesiada ao seu toque. Não havia uma só parte de mim que não desejasse Jake.
Alice que já não estava muito confortada, ficou menos ainda quando Jake beijou calorosamente meus lábios, me puxando para seus braços e me levantando para que eu pudesse ficar aninhada em seu colo.
Fiquei perdida por alguns instantes, encantada com Jacob até que finalmente desviei minha atenção a Alice. Ela nos olhava em silencio, o rosto reprovando, mas se conformando. Jacob estava tão desconfortável quanto ela.
– Mas e Sam, ele não se opôs?
– Como eu disse, ela teve permissão. –
Fiquei surpresa em saber que Sam permitiu a entrada de Alice na reserva.
– Vamos voltar a festa então? – Perguntei feliz realmente por ter Alice ali.
– Não creio que a trégua e a permissão seja tão generosa assim. — Alice disse já se levantando. -- Importa-se?
Alice estava com os braços esticados, então entendi que o pedido era para que Jake autorizasse um abraço.
Mas antes que ele pudesse responder, fui em direção a Alice e dei-lhe um abraço.
– Meus parabéns Bella! Espero mesmo que seja feliz. – Alice deu uma longa pausa e então concluiu – O tanto quanto for possível.
– Relaxa. Eu tenho o que Bella precisa para se sentir feliz! — Jacob colocou-se de pé e me pegou pela cintura. – Além do mais, estar ao meu lado è como estar em um parque de diversões.
– Um dia o parque sai da cidade... – Alice respondeu mal humorada.
– Sim. Mas isso não importa quando se é dona do parque! – A paciência de Jake tinha data de validade, e o prazo estava prestes a expirar. -- Agora se não se importa quero aproveitar um pouco mais a minha festa.
Ignorei a atitude de Jacob e lancei a ele apenas um olhar pedindo um pouco mais de calma e modos, pelo menos tanto quanto fosse possível! Ele revirou os olhos como resposta.
Quando voltei os olhos para Alice, ela já havia partido.
– Você vem, ou vou ter que carregá-la? – Jake sussurrou em meu ouvido.
Meu Deus! Quando meu corpo ia parar de se arrepiar ao ouvir os sussurros de Jake?!Era uma sensação maravilhosa, mas me deixava um pouco vulnerável.
Ele sorriu quando percebeu a reação do meu corpo ao seu sussurro... E então resolveu me “torturar” ainda mais.
– Estou tentando guardar as minhas energias para a nossa noite juntos, mas você agindo assim... – Ele deu uma leve pausa, mordeu seu lábio inferior – Não sei se conseguirei me controlar.
Já estava inebriada com o som de sua voz, mas acabei assumindo uma espécie de “transe” quando pensei em nossa lua de mel... Os lábios de Jake percorreu meu pescoço, no mesmo instante em que uma de suas mãos acariciava meu cabelo... enquanto a outra diminuía a distancia dos nossos corpos de uma maneira deliciosamente selvagem.
Os braços de Jake me soltaram lentamente, ficando rapidamente rígidos ao lado do seu corpo, um “bramido” raivoso saiu por entre seus dentes enquanto ele fitava a floresta.
Já passava das oito da noite, e a floresta estava escura demais para os meus olhos humanos. Se havia algo ali, só ele poderia ser capaz de sentir... Ouvir ou até mesmo ver. Isso é extremamente frustrante. Estar ao lado de pessoas geneticamente mais capacitadas que você às vezes se torna irritante!
A reação de Jake durou apenas alguns segundos, tempo suficiente para que eu pudesse perceber seu desconforto. Mas seu desconforto logo desapareceu e com a mesma rapidez que seu rosto formou uma careta, ele se desfez em um belo sorriso.
– Vamos, nossos convidados nos esperam.
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