Meu Eu Dual

2 O Passado Obscuro de Kate Beckett


Notas iniciais
GENTEEEEEEEEEEEE, 16 comentários e 05 favoritos já logo no Prólogo!!!! UOU, vocês são mesmo incríveis, geez ❤ eu to sem palavras para descrever minha alegria. Nem passou pela minha cabeça que a fic seria tão bem recebida assim, e ver esse feedback de vocês me deu um super ânimo. Então, como uma forma de agradecimento, vai aqui o segundo capítulo. Espero que gostem tanto quanto gostaram do primeiro. * Esse capítulo acontece em 03 épocas diferentes (uma delas é o tempo presente da fanfic), como uma forma de mostrar a vocês o porquê de Kate ser quem ela é e deixar vocês darem uma espiadinha no passado da nossa musa ;) E se preparem para um Jim Beckett totalmente diferente do nosso habitual criado por MilMar Ah, eu esqueci de falar uma coisa quando postei a fanfic: eu planejei essa história para ter de 10 a 15 capítulos. Isso pode mudar? Sim. Tudo depende da vontade de vocês, ou seja, do feedback que eu receber com a fic ^^ Chega de blablabla, se joguem, nenéns. Enjoy :3 — Dedicado a cada um que comentou e que favoritou a fic. Beta: Jana Costa ❤

*Rússia, 1998 | Sede da Red Room, KGB*

Jim Beckett andava impaciente em sua sala, de um lado para o outro, cansara-se de tentar convencer aquela "inútil da Johanna" – como ele frequentemente se referia a sua esposa – a deixá-lo trabalhar o potencial de sua única filha, aquela que seria a sucessora de seus negócios.

Naquela manhã, eles tiveram outra discussão acerca do assunto. Johanna insistia que Katherine deveria ter uma vida normal e decidir por si mesma se iria ou não fazer parte da célula comandada por seu pai. Como ela tinha a petulância de dizer tal absurdo a ele?! Jim Beckett, o líder de uma das maiores organizações do antigo Estado Soviético. Não, isso não ficaria assim. Ele não deixaria uma mulherzinha fraca como ela lhe ditar as regras de sua vida.

Pegou o telefone e discou o número da esposa, já sabia muito bem como iria tirá-la de seu caminho e, enfim, começar o treinamento com a filha. Nenhuma das duas tinha escolha. Já havia deixado essa situação tardar por tempo demais, Kate estava se tornando uma mulher tão fraca e cheia de sentimentos como sua mãe, e ele não poderia deixar que isso acontecesse.

Assim que Johanna atendeu, Jim pediu que ela fosse até ele com sua filha, pois tinha um assunto muito importante e inadiável a tratar com ambas. Johanna, ainda que relutante, acabou cedendo e foi com a criança até o "trabalho" de seu marido.

Não demorou até que ele as visse adentrando sua sala, acompanhadas de um de seus capangas.

— Fico feliz que tenham vindo tão depressa. – Jim disse com satisfação, abrindo um falso sorriso que deixou Johanna bastante incomodada.

Ela sentia um frio nada agradável lhe subir à espinha. Seu marido certamente estava tramando algo, e ela só esperava que ele não ferisse sua doce Kate. Ela era apenas uma garotinha de dez anos que não tinha culpa de ser filha do monstro que era Jim Beckett.

— Qual era o assunto tão importante que tinha para tratar conosco? – Johanna perguntou com frieza na voz.

Há muito tempo deixara de se preocupar em ser carinhosa com seu marido. Ele era sempre bruto e agressivo, sempre a maltratava – física e psicologicamente – sem a menor compaixão. Arrependia-se amargamente do dia em que resolveu casar-se com ele. Mal sabia o destino cruel que escolhera ao colocar aquele arco prateado – que mais simbolizava uma tortura eterna do que o seu sonhado "felizes para sempre" – em seu dedo anelar.

— Andei pensando muito no assunto que tratamos mais cedo, querida. – ele começou a falar, o brilho de maldade já presente em suas íris frias – E encontrei uma solução que será favorável para ambos os lados.

— Adoraria ouvi-la.

— Pois bem. Acompanhem-me até o andar de baixo.

— O quê está havendo, mamãe? – Kate, que até o momento permanecera muda, questionou à mãe quando Jim abriu a porta e saiu andando na frente.

— Não sei, meu amor. Mas não se preocupe, não deixarei que nada de mal aconteça a você.

— Promete?

— Prometo.

Johanna apressou o passo com Kate agarrada à sua mão. Jim andava mais à frente, acompanhado de dois homens altos e fortes. A menina seguia olhando para todos os lados, aquele local lhe causava arrepios temerosos por todo o corpo. Detestava ter que ir até seu pai e andar pelos corredores estreitos daquele horrível lugar.

Ao virarem outro corredor, Kate ouviu murmúrios de alguém que parecia agonizar. Virou seu rosto na direção do som e viu um jovem rapaz amordaçado, provavelmente largado ali para sangrar até a morte. Ele parecia ter sido cruelmente espancado; as paredes do cômodo onde ele se encontrava jogado estavam ensopadas do vermelho vivo de seu sangue.

— Não olhe, Katie. – Johanna falou ao notar que sua garotinha tremia – Feche os olhos e finja que está em um belíssimo lugar.

A garota agitou a cabeça em afirmação e engoliu o choro. Seu coração doía e a imagem do rapaz ensanguentado não queria deixar sua mente, por mais que tentasse se esforçar para visualizar um lugar lindo e tranquilo como a mãe sugerira.

— Estamos quase lá. – Jim informou, descendo as escadas.

Kate levantou seu olhar para encarar a mãe e esta, em contrapartida, lhe ofereceu um sorriso reconfortante, apertando suas pequenas mãos como se quisesse dizer "tudo ficará bem".

Ao final da escada, havia um cômodo amplo e abafado, com apenas uma pequena janela no alto que, certamente, não fora colocada ali para circular o ar. O lugar também estava lotado de capangas de Jim, havia, pelo menos, uns 15 homens ali. Kate sentiu seu corpo todo tremer, tinha um péssimo pressentimento sobre o que o pai preparara as levando até aquele local.

— Venham. – Jim falou, estendendo a mão para chamar as duas.

— E então? – Johanna questionou o olhando nos olhos e se aproximando receosa, ainda com Kate agarrada à sua mão.

— Segure a menina.

Com a ordem, um dos capangas – considerado o braço direito de Jim – aproximou-se a agarrou o braço de Kate à força, arrancando-a de perto da mãe.

— Solte-a, seu desgraçado!

— Acalme-se, querida, nossa princesa não será machucada. Já você... – ele deixou a frase inacabada e deu um olhar significativo a outros dois de seus homens.

No mesmo instante, os 15 homens presentes naquele cômodo apontaram suas armas na direção de Johanna Beckett. A mulher deixou escapar um grito de desespero e seus olhos fixaram-se em Kate. Grossas lágrimas escorreram por seu rosto e ela não conseguia reagir, sabia que seu fim havia chegado e sua menina seria obrigada a assistir tudo.

— Mamãe! – Kate gritou em desespero, sua voz saindo aguda e demonstrando toda a dor que ela sentia naquele momento.

Também havia entendido que aquele era o fim de sua mãe.

— Segure-a firme, quero que ela presencie o que acontecerá aqui. – Jim disse com sua habitual frieza.

— Por favor, não faça isso. – Kate ainda tentou interceder pela vida da mãe, mas aquilo apenas causou ainda mais prazer em Jim.

Ele sorriu maliciosamente e disse: "Agora".

O clique das armas sendo engatilhadas saiu em uníssono, Johanna sentiu seu coração falhar uma batida, não havia nada que pudesse fazer, apenas aceitar seu triste fim. Porém, não podia deixar que sua filha visse aquilo. Ela olhou para Kate, que já tinha os olhos ensopados pelas lágrimas e gritava desesperadamente para soltarem-na, e disse com a voz embargada.

— Pique-esconde, Katie.

Ao ouvir aquela frase, a menina fechou os olhos com força e prendeu a respiração, e menos de um segundo depois ouviu os disparos. Era isso. Perdera a pessoa mais importante de sua vida, perdera sua mãe, perdera seu porto seguro.

Ela abriu os olhos e a imagem à sua frente a fez soltar um urro de pura angustia. Johanna Beckett, sua doce e amada mãe, agora se encontrava desfalecida diante de si. O seu refúgio agora não passava de um corpo sem vida e ensanguentado jogado no chão sujo do mundo sombrio em que seu pai vivia. Mundo este que ela sabia que logo seria o seu também.

— Isso é o que acontecerá a qualquer pessoa que você ousar amar, Katherine.

— Eu odeio você! – ela gritou em resposta, quase cuspindo as palavras.

— Ótimo. Esse é o único sentimento que quero dentro de você. – Jim direcionou seu olhar para o corpo de sua esposa e depois olhou para um de seus homens – Livre-se disso. Não quero porcarias no meu piso.

A menina deu uma última olhada para o corpo de sua mãe antes de sentir-se carregar pelo capanga que ainda a mantinha agarrada pelo braço.

— Prepare-a. O treinamento dela começa ainda hoje. – foi tudo o que Jim disse antes de se retirar do local.

#

*Rússia, 2006 | Sede da Red Room, área de treinamento*

— Kate, já está tudo pronto. – Will se aproximou rapidamente, falando em um sussurro.

Beckett estava na área dos fundos da "sede de horrores" – como costumava chamar aquele local –, treinando alguns golpes. Costumava ir para lá quando queria fugir da vigilância constante de seu pai e dos "irmãos" da célula.

Há oito anos havia perdido sua mãe, seus sonhos, sua vida, seus desejos. Há oito anos vinha sendo treinada para matar friamente. Foi castrada, castigada, amordaçada; recebera praticamente uma lavagem cerebral. Era cruelmente ferida quando ousava demonstrar qualquer sentimento e, com o tempo, toda a bondade que havia dentro de si foi começando a desaparecer, até que, há um ano – em seu aniversário de 17 anos – um jovem rapaz entrou para a célula, Will Sorenson.

Os dois se apaixonaram perdidamente no primeiro contato que tiveram e, desde então, viviam o romance às escondidas, já que ambos sabiam que qualquer pessoa que Kate ousasse sentir um apresso que fosse, era barbaramente assassinada em sua frente.

— Will, você ficou maluco?! – ela disse no mesmo tom baixo, repreendendo a atitude do namorado – Se alguém nos ver conversando, você sabe muito bem o que pode acontecer.

— Não se preocupe, ninguém me viu.

— Ainda assim, todo o cuidado é pouco aqui.

O rapaz se aproximou ainda mais, levantando a mão e acariciando delicadamente o rosto dela. A cada minuto se encantava mais pela mulher à sua frente. Ela era forte e determinada, sofrera inúmeros golpes da vida e, ainda assim, conseguiu forças para dar a volta por cima e tornar a amar.

Kate Beckett era inigualável.

— Não me faça perder outra pessoa que eu amo, eu não vou suportar. – ela disse em um fio de voz, os olhos já começando a lacrimejar – Por favor.

— Você nunca mais precisará ter esse medo, Kate. Nós iremos fugir amanhã, pela noite.

— Como?

— Confie em mim, eu já tenho tudo pronto.

Will plantou um beijo rápido nos lábios dela e se afastou. Já havia se arriscado demais indo atrás dela naquela hora do dia, não podiam facilitar tanto assim ou alguém acabaria descobrindo o amor dos dois e os castigaria, para não dizer coisa pior.

Alguns minutos após a partida de Sorenson, Tom Demming – braço direito de Jim Beckett – se aproximou da moça.

— O senhor Beckett quer te ver. – ele disse com sua habitual voz de tédio.

A cada momento que Kate ouvia aquela voz, ela sentia seu estômago embrulhar de tanto asco. Ele fora o monstro que a arrastou para longe de sua mãe e a forçou a vê-la sendo assassinada. Porém, para evitar os castigos que sempre recebia ao se recusar a seguir seus comandos, passou a fingir simpatia por ele.

— Tem uma nova tarefa para você. – Demming tornou a falar.

— Tudo bem, avise que trocarei de roupa e já sigo para lá.

— Ele já está aqui.

— Se está aqui, por que precisam de mim? É só alguém fazer o serviço e pronto.

— Diga isso ao chefe. – a voz tediosa adquiriu um tom hostil – Vai me acompanhar ou precisarei arrastá-la?

— Não me encoste. Eu vou!

— Ótimo. Siga-me.

Demming se virou e saiu andando em direção aos fundos da área onde estavam. Kate bufou, revirando os olhos, e o seguiu. Mal via a hora de se livrar de toda essa porcaria em que seu genitor – recusava-se a se referir a Jim como "pai", ele nunca o seria – a metera. Odiava ter que matar aqueles pobres desgraçados com as próprias mãos, mas, ou fazia aquilo, ou era punida e outro terminaria seu serviço. Não tinha muita escolha.

Ao chegarem ao local, apenas Jim e mais um de seus homens estava ali, Joshua Davidson, segurando outro homem que estava amordaçado e com um capuz preto tampando-lhe a face. Demming deu mais alguns passos e se deslocou para o outro lado de Jim.

— Olá, Katherine. Como está?

— Deixe de baboseiras, Beckett. – ela respondeu rispidamente, recusava-se a fingir que sentia carinho por aquele homem – Para que me chamou se, claramente, já tem a situação toda resolvida?

— Nem toda. Ele ainda está vivo.

Dito isto, Jim deu um chute nas pernas do rapaz fazendo-o cair ao chão. Ele tentou gritar e se mexer, mas tinha a boca selada por baixo do capuz e os braços e pernas muito bem amarrados. Kate não conseguiu entender o porquê, mas ver o tratamento oferecido àquela pobre criatura lhe causou uma angústia no peito. O que era estranho, pois, depois de um tempo, já não sentia mais remorso ao matar as vítimas da KGB.

Jim puxou o homem pela gola da camisa e o forçou a ficar de joelhos, depois, impulsionou sua cabeça para trás, ainda sem permitir que Kate visse seu rosto, expondo o pescoço dele. Tirou uma pequena adaga dourada da cintura, contendo a estrela soviética cuidadosamente desenhada na lâmina, e estendeu o braço para entregá-la à moça.

— Faça. – ele disse em um tom ríspido.

Kate respirou profundamente e pegou a adaga das mãos do pai, ainda sem entender o motivo de ele fazer tanta de vê-la matando aquele homem. Afinal, quem era ele?! Por que não podia ver seu rosto? Nunca fora incumbida a realizar um trabalho dessa maneira.

Bom, não iria discutir. Não valia a pena receber outro castigo por alguém que ela sequer sabia quem era. E, ademais, seria a última vez que mataria. Logo estaria há milhas daquele lugar imundo e ao lado da única pessoa que ainda amava na vida, seu namorado, Will Sorenson.

Só queria acabar logo com aquilo.

Kate se aproximou do homem e puxou a cabeça dele para trás, tomando o lugar do pai, e perfurou a fina pele com a adaga, sentindo a carne e os músculos do pescoço ser mutilados e o sangue jorrar, respingando uma grande quantidade em sua própria roupa. Ela endireitou seu corpo e soltou o homem no chão. Olhou para suas mãos banhadas daquele vermelho vivo e depois voltou os olhos para o corpo sem vida jogado aos seus pés.

E, foi então que o viu.

O impacto do corpo ao cair ao chão fez o capuz sair da cabeça, revelando a face daquele que ela acabara de ceifar a vida. Quando seus olhos bateram no rosto do homem, ela sentiu seu sangue esvair de todo o seu corpo. Não. Não podia ser verdade. Jim não podia ter feito aquilo com ela, ele não podia ter feito ela mesma fazer aquilo consigo.

Mas sim, ele o fizera.

— Eu disse uma vez, e tornarei a dizer: isso é o que acontecerá a qualquer pessoa que você ousar amar, Katherine. – Jim falou com frieza e saiu do local, sendo acompanhado por Josh e Tom.

Caído aos seus pés, estava o corpo sem vida de Will Sorenson. Kate olhou para as próprias mãos, a adaga banhada do sangue de seu único amor, as curvas desenhadas da estrela acumulando uma pequena quantidade daquele líquido vermelho que, há poucos minutos, corria pelas veias de seu amado. E, então, ela se deixou cair de joelhos ante o corpo sem vida do namorado.

Não gritou, não chorou, não conseguia sentir mais nada. No momento em que Sorenson perdeu a vida, Kate perdeu o resto de seu coração.

— Eu te amo e, com você, se foi toda a minha capacidade de voltar a amar. Perdoe-me, Will. Perdoe-me.

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Naquela mesma noite, Kate conseguiu distrair a vigilância e fugiu da prisão que era viver naquele lugar. Juntou-se ao pior inimigo de Jim Beckett – seu novo chefe, Vulcan Simmons – e jurou fidelidade a ele. Prometeu, também, acabar com o pai e toda a célula da Red Room com suas próprias mãos.

"Você queria uma assassina, Jim, e agora você tem uma assassina. Sua futura assassina".

#

*Nova Iorque, 2017*

Kate adentrou o quarto acompanhada de Castle. Ficara realmente impressionada com o quão agradável era a companhia do escritor. No caminho do evento até o hotel, os dois conversaram sobre muitos assuntos e o clima que se instalou entre eles a agradou bastante.

"Você não é só um par de olhos azuis e um sorriso cafajeste, senhor Castle... seria tão mais fácil se o fosse", ela pensou consigo mesma, vendo o escritor fechar a porta atrás de si.

— Então, Kate. – Rick tornou a falar, roubando a atenção dela de volta para si – Você me disse que mora no país há dez anos?

— Onze.

— Onze. E, pelo seu sotaque, imagino que seja... russa?

— Uau. Conseguiu descobrir minha nacionalidade apenas pelo meu sotaque? – ela comentou com um sorriso sedutor – Estou impressionada.

— Eu faço muita pesquisa para os livros que escrevo. Isso me faz ter contato com pessoas de todo tipo.

Castle comentou com naturalidade, indo até uma bandeja com uma garrafa de vinho tinto e duas taças que pedira para deixarem no quarto. Serviu aos dois e voltou-se para Kate.

— E em quê você trabalha, Kate?

— Achei que havia me convidado para falarmos de seus livros e não da minha vida particular, Rick. – ela falou, esforçando-se para manter a docilidade na voz.

Detestava quando tinha que se tornar íntima de suas vítimas e elas insistiam em querer saber de sua vida. Nunca falava de si, nunca falava de seu passado e não seria agora que mudaria isso.

— Está certa. Sobre o que quer falar, especificamente?

— Acho que... – ela disse se aproximando lentamente e mordendo o lábio inferior – não quero falar.

Dito isto, Kate enlaçou os braços em volta do pescoço de Rick e puxou para si, colando suas bocas e lhe dando um beijo faminto que foi correspondido com a mesma intensidade.

A intenção dela era apenas distrair o escritor e fazê-lo acreditar que ela estava totalmente rendida a ele, porém, ao ter seus lábios colados e sentir as mãos dele espalmadas em suas costas, ela perdeu o controle de si mesma. Entregou-se ao beijo e, por um momento, esqueceu-se de quem realmente era e do porquê de estar ali num quarto de hotel com autor de livros de mistério.

O beijo foi ganhando intensidade e, quando Kate deu por si, já estava sendo carregada por Castle nos braços e sendo colocada delicadamente sobre a cama.

— Você é tão linda, Kate. – ele falou em um sussurro após interromper os beijos.

Os olhares dos dois se cruzaram e Beckett sentiu um arrepio por todo o seu corpo, algo que ela já não sentia há pouco mais de uma década.

O que diabos havia dado nela para agir daquela forma?! Não podia deixar que suas emoções falassem por si. Ela não era mais um ser humano comum. Não existia mais sentimentos bondosos dentro de si. Na verdade, já não existia mais qualquer sentimento dentro de si, apenas um enorme oco no lugar onde deveria bater o seu coração.

— Isso é errado. – ela falou tentando empurrá-lo para longe, sem sucesso.

Não podia fazer isso, esse não era seu propósito ali. Como pode deixar aquele homem tomá-la daquela forma?! Não podia, precisava interromper aquilo antes que fosse tarde demais.

Porém, já era tarde demais.

— O que pode ter de errado nisso, Kate? – ele disse acariciando-lhe a face, passando o polegar delicadamente pelo lábio inferior dela, levemente vermelho e inchado pelo beijo trocado recentemente.

— Nós somos adultos, não há nada de errado nisso. – Castle tornou a falar, a voz saindo tão delicada que a atingiu intensamente e fez remexer tudo dentro dela.

— Não, Rick...

Ela ia revidar, mas Castle a impediu colando novamente seus lábios e tirando dela o pouco de juízo que ainda tinha.

Ele devorou os lábios de Kate e colou ainda mais seus corpos, prendendo as mãos dela acima da cabeça e descendo os beijos por seu pescoço. Achando, justamente, seu ponto fraco. Ela suspirou pesadamente e se deixou levar.

Aquele homem ainda seria sua perdição.

"Quer saber?! Que se dane, vai ser só por uma noite. E, quando ele adormecer, eu acabo com isso de uma vez. Não é como se eu fosse me apaixonar se permitir que isso vá adiante", Kate pensou ao se entregar aos beijos e carícias que Castle lhe dava por todo o corpo.

Ela sentiu uma das mãos do escritor soltar seus braços e ir de encontro às suas pernas, subindo vagarosamente para seu ponto mais sensível. Kate prendeu a respiração sentindo-se ficar úmida com aquele toque. Se antes não iria impedi-lo, agora mesmo é que essa ideia já não fazia parte de seus pensamentos.

"Vamos brincar um pouco na sua última noite de vida, senhor Castle", esse foi o último pensamento dela antes de se render completamente ao homem que lhe acariciava de forma tão deliciosa. Richard Castle, além de ter seu belo par de olhos azuis e um sorriso cafajeste, também soube lhe tocar e causar um efeito que ela jamais sentiu em sua vida.

Era realmente uma pena ter que lhe ceifar a vida.

Notas finais
E então?! Comentemmmmm, por favor :3 Eu vou viajar para o interior de Minas hoje e lá a internet não colabora comigo, eeeentão, para aqueles que também me acompanham em Ficarei Ao Seu Lado, postarei o próximo capítulo de FASL no final de semana que vem. E dessa fanfic aqui também no próximo fds ;) Até logo.