Meu Eu Desprezado

1 Meu eu desprezado


Vivi há muito e de nada valeu

Sonhos desestruturados, planos desarrojados

Um viver não concretizado

Onde o protagonista apenas sofreu

Meu eu retorcido!

Parentes nunca me importaram

Cresci numa familia em parte moderna

Sentimentalismo, uma caracteristica inexistente, um tanto megera

O que se tinha na herança mais valia que o afeto

Meu eu ambicioso!

"Amigo mesmo" só tive dois: lápis e papel; embora travessos sempre dispersos, ajudaram-me no sufoco

A borracha, minha arquiinimiga, deleta até hoje os meus desvios;minhas fugas de principios

Me deixando a mercê do vazio

Meu eu falsidade!

Admirei sempre os astutos

Meu desejo de apoiá-los apenas resiste em meu consciente

A concretização do ato, no entanto, nula!

Vergonha que comigo sempre carregarei

Meu eterno fardo incompreensivel

Minha singela vontade inacessível

Meu eu desajustado!

Valorizar meu proximo?

Meu eu amargurado!

Não convém a minha conduta amar quem não me pertence

Sofrer por desilusão amorosa, viver no imaginário

Livrar-me da razão, ambigua imcompreensão

Meu eu solitário!

Sigo adiante sem nada almejar

Abro a alma com minhas escritas, meus devaneios literários

Amarguro essa existência sombria

Sem realizações, ou estrelas, que a mim iluminassem

Apenas aguardo a morte certeira me levar por teu ventre maculado

E assim poder dizer,

O meu eu desesperado!

Que até por mim considero

O meu eu desprezado!

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