Notas iniciais
Mais uma historia pçra vocês ficarem felizes...
digo....vcs que nao querem meu mal.
Beijos açucarados.

Ruki's POV

Ele tinha um dom. Eu não podia negar. O dom de me tirar do sério apenas com sua existência. O dom de me irritar ao extremo.

O dom de fazer o meu coração doer tanto e tanto. Tanto que parecia que doeria menos se eu simplesmente arrancasse ele do peito.

Doeria muito menos. Muito menos do que se eu continuasse ali, olhando arregalado para aquela maldita cena.

Sabe o que me revolta mais?

Não. Não era a mão daquele cara entrelaçada na mão dele. Não era o sorriso dele pro cara. Não era a gargalhada. Não era o beijo.

Era saber que ele estivera mentindo pra mim por esse tempo todo.

Saber que ele tivera a audácia de mentir pra mim. Sem motivos. Sem porra de motivo nenhum!

Aquele filho da puta maldito tinha mentido pra mim. Me feito acreditar como um idiota que ele nunca, NUNCA, iria fazer isso comigo. E olha só! Lá estava ele, alegre e despreocupado. Lá estava ele. Fazendo justamente o que ele disse que não faria.

O meu coração doía.

Muito.

Eu tinha me agarrado à ideia de que ele não me amava pelo simples fato de ser hétero. Mas não. Ele não era hétero. E ele continuava não me amando.

E isso significava que o problema era comigo, não é?

E isso era massacrante. Saber que eu estivera esse tempo todo...amando tanto alguém...me esforçando tanto só pra fazê-lo rir todos os dias....e ele era apenas um maldito mentiroso.

Filho da puta.

Eu voltei pra casa realmente irritado. Eu só queria ir tomar um sorvete. Só isso. Eu não precisava ter presenciado aquela maldita cena. Eu não precisava ter visto tudo aquilo.

Eu só queria a porra de um sorvete.

E ganhei um coração despedaçado.

Irônico o modo como a vida recompensa a gente, não é?

Eu encarei o teto do meu quarto durante quase toda a madrugada. A escuridão me acolhia, me embalava, e me garantia que ninguém estava me vendo chorar.

Vergonha.

Vergonha de ter sido idiota ao ponto de dizer a ele o quanto eu o amava. De ter sido idiota por ter a mínima esperança de que ele diria que me amava também. Vergonha por ter acreditado quando ele disse que não se relacionava com homens.

– FILHO DA PUTA! — eu gritei pro silêncio – Filho da puta.....seu bastardo, filho da puta!

Eu tinha tanta dor vibrando dentro de mim, que eu pensei seriamente que iria explodir.

E no dia seguinte, enquanto eu tomava banho, eu prometi a mim mesmo que devia me afastar dele. Não deixar que ele chegasse mais perto de mim, porque se ele o fizesse, eu iria me machucar mais ainda.

Me olhei no espelho antes de sair, tendo a certeza de que não conseguiria lidar com isso sozinho. Mas eu não tinha a quem recorrer.

Eu não ia sair contando os meus problemas pra ninguém.

Reita's POV

Eu passei o dia inteiro com o Atsushi ontem. Fizera todas as vontades dele. Nós andamos, conversamos, tomamos sorvete, rimos e tudo que um casal normal faria. E eu juro que gostaria de sentir por ele, ao menos, um por cento do que eu sinto por outra pessoa.

Mas ele era sim um cara muito bom. Tinha senso de humor, era inteligente. Sabia o que queria na vida, e era feliz com tudo que tinha. Ele era fantástico.

O problema era que ele era só mais um cara.

Ele não era o Takanori, e essa era a grande questão.

Porque tinha sido o Taka, quando eu achei que nunca mais iria amar ninguém, que tomara o meu coração de vez. E eu tinha tanto medo de que, um dia, ele fosse embora...

E la estava ele, descendo do carro a poucos metros de mim. Será que algum dia eu conseguiria não me sentir nervoso na presença dele? Não sentir que meu estomago estava dando pulos...não senti como se meu coração fosse rasgar o meu peito e pular pra fora...

Eu não estava sendo exagerado....era assim que eu me sentia todas as vezes que sequer pensava nele.

Eu o amava tanto, que doía.

E doía também saber que ele me amava. Saber que ele havia tido coragem de me dizer tudo que sentia, enquanto eu o mantinha afastado de mim. Tudo porque eu não sabia lidar com a ideia de amá-lo e não ter a certeza de que ele nunca me deixaria...

Certo. Eu podia estar agindo como um idiota medroso, só que eu não conseguiria me recuperar outra vez.

Já tinha sido doloroso perder a Cassie.

Se eu perdesse o Ruki...eu nunca mais me levantaria do chão.

Arqueei a sobrancelha quando ele passou por mim sem me cumprimentar. Deve ter acordado com o pé esquerdo hoje.

– Vai mesmo me ignorar, Taka-chan? — eu provoquei, beliscando de leve a cintura dele, do modo que eu sempre fazia com ele.

Só que, ao invés de rir e me chamar de idiota, ele virou o corpo, meteu a mão no meu peito e me empurrou – Tira a mão de mim, porra!

AI CARALHO!

O que deu nessa porra desse anão de jardim agora?

– Que foi, Taka? Tá azedo, é?

– Tô. E dai, Suzuki? Você tem algum problema com isso? — ele me respondeu, debochado e agressivo.

Eu nunca, nunca mesmo, vira o Takanori agir assim comigo.

Mesmo quando a gente brigava, e passávamos dias sem nos falar....mesmo assim...ele nunca tinha me dado uma resposta tão agressiva assim.

– Que bicho te mordeu, porra? — eu perguntei, agarrando o braço dele.

– Não é da sua conta....

Desvencilhou-se da minha mão com rapidez e saiu caminhando. E então virou-se, apontou o dedo em minha direção e disse – E não põe a mão em mim, seu puto!

E, a partir daí eu não entendi mais porra nenhuma.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.