P.O.V. Anna.

Estou tão nervosa. Hoje vou conhecer os pais dele, mas e se eles não gostarem de mim? E se eles acharem que não sou boa o suficiente para o filho deles?

—Calma Anna. Eles vão amar você.

Assim que chegamos á mega mansão onde eles moravam fomos recebidos por uma senhora muito educada.

—Oi. Os seus pais estão esperando você filho.

—Obrigado Marie.

—Você deve ser a Anna, acertei?

—Sim senhora.

Nós entramos e um casal muito bonito estava a nossa espera.

—Olá, você é Anna certo?

—Sim senhora. É um prazer conhecê-la senhora Skywalker.

—Jones.

—Oh! Desculpe.

—Tudo bem, todo mundo faz isso.

—Mesmo assim.

—Por favor, me chame de Elizabeth.

—Elizabeth.

—Eu sou Edward. É um prazer conhecê-la.

—Igualmente senhor Jones.

—Sente-se, fique á vontade.

—Posso lhe oferecer algo?

—Não obrigado.

—Então Anna, fale sobre você.

—O que deseja saber?

—Os seus pais, você mora com eles?

—Não. Moramos apenas eu e a minha amiga Erica.

—Você é de fora?

—Sou brasileira. Nasci no Rio de Janeiro, mas moro em São Paulo.

—Ora vejam! Uma brasileira.

—Sim senhora.

—E essa sua amiga Erica? Ela faz o que?

—Nós acabamos de nos formar no colegial. Ela quer cursar veterinária e eu quero ser bióloga marinha.

—Bióloga marinha? Você gosta do mar?

—Adoro. É a minha segunda casa.

Anakin riu.

—Qual é a graça meu filho?

—A ironia da frase.

—Bom, como se chamam os seus pais?

—Poseidon e Atena.

—Onde eles moram?

—No Rio de Janeiro. Bom, só o meu pai.

—O que houve com a sua mãe?

—Ela morreu num acidente de barco.

—Meus pêsames.

—Obrigado.

—O que você gosta de fazer?

—Eu cozinho, faço artesanato, danço, luto. Bom, eu faço um pouco de tudo.

—Isso é bom. Uma garota multifuncional.

—Isso mesmo. E a senhora? O que gosta de fazer? Bom, se não se importa que eu pergunte.

—Não mesmo. Eu também adoro cozinhar e cuidar de animais.

—Mesmo? A senhora tem algum animal de estimação?

—Infelizmente não. Edward e Annie tem muita alergia.

—Nossa! Que pena.

—É.

—Soube que um golfinho fugiu do parque marinho essa semana.

—Não fugiu. Eu o soltei. Ele estava morrendo de saudades, literalmente.

—Como pode saber?

—Eu falo todas as línguas conhecidas pelo homem, peixe, crustáceo e muitas variedades de animais.

—Pode se comunicar com eles?

—Sim.

—Como?

—É um dom.

—É um dom muito especial.

—Com certeza.

—Eu adorei esse seu cabelo. Como consegue deixa-lo tão brilhante?

—Eu faço hidratação uma vez por semana, vou ao cabeleireiro regularmente, uso shampoo específico para o meu tipo de cabelo, não o lavo com água muito quente, evito prender, usar escova ou pentes muito finos, quando vou fazer escova ou chapinha passo um creme termo protetor etc.

—Isso são muitos cuidados.

—É, mas vale a pena. Todos elogiam o meu cabelo.

—E a pele também.

—Creme, óleo pra hidratar, sabonete só Dove e protetor solar todos os dias.

—Uau!

—A senhora também tem um cabelo e uma pele muito bonitos.

—Obrigado.

—Você fez uma boa escolha meu filho. Essa Anna me parece ser uma boa menina.

Senti o calor nas minhas bochechas.

—Como vocês se conheceram?

—Na rua. Erica e eu estávamos passeando e vimos um aglomerado de pessoas e nós fomos lá ver o que estava se passando. Daí nos nos conhecemos.

—Ela não sabia quem eu era. Não fazia a menor ideia.

—Não há televisão de onde você vem?

—Não. Meus pais são contra televisão, por que dizem que é perda de tempo e um desperdício de energia elétrica.

—Sei.

—Como era a sua mãe?

—Ela era a minha cara. Nós eramos muito parecidas, praticamente clones por isso o meu pai gostava mais de mim.

—Você tem irmãos?

—Irmãs. Tem eu, Aquamarine, Amara, Amina, Afrodite, Ariadne, Ariana, Arabela e Ariel.

—Uau! São muitas irmãs.

—É. Eu tenho uma família grande.

—Você gostaria de ter filhos?

—Sim. É o que eu mais quero, mas não agora. Quero me formar bióloga e ter estabilidade financeira, uma casa própria.

—Muito inteligente da sua parte pensar assim.

—Eu fiz um voto de castidade. De onde eu venho todas as moças fazem.

—Interessante. Pensei que não se fizesse mais isso.

—É raro, mas tem gente que faz. Acho isso bom, evita problemas como gravidez indesejada e transmissão de doenças. Porque depois de casados temos mais maturidade e fazemos testes antes de ter relações.

—Com certeza.

—Você é muito madura para a sua idade.

—As aparências enganam e muito no meu caso.

—O que quer dizer?

—Sou muito mais velha do que aparento.

—Quantos anos tem?

—Muitos.

—Muitos?

—Se eu contar, a senhora não vai acreditar.

—Tente.

—Eu tenho exatamente dois mil anos de idade. Nasci na Baía da espuma que circunda a Isla de Muerta.

—A Isla de Muerta existe?

—Sim.

—Onde fica?

—Em um lugar onde a senhora não quer estar. A ilha é um lugar muito perigoso, é muito raro algum humano passar da baía. Todos morrem no antes de chegar á praia.

—Porque?

—Sereias. Nós os afogamos e comemos.

—Sereias? Não acredita mesmo nessas coisas não é querida?

—Só porque não vemos não quer dizer que não esteja lá Edward. Elas devem ser criaturas magníficas, quem me dera poder estar na presença de uma delas.

—Mas, você já esta senhora Jones.

—Você? Você é uma sereia?

—Sou.

—Incrível!

—Não acredita nessa maluquice não é?

—Acredito. Eu posso ver?

—Porque não. Vocês tem piscina ou banheira?

—Temos os dois.

—Ótimo. Vamos lá então.

P.O.V. Elizabeth.

Não acredito no que estou vendo. Ela tirou as roupas e pulou na água.

—Inacreditável.

A enorme cauda azul se movia de um lado para o outro sem parar. Ela nadou até a borda e apoiou os braços na mesma.

—É lindo. Realmente um milagre.

—Não sou um milagre. Nós temos um ancestral em comum.

—Tem certeza disso?

—Absoluta. Parte dos homo-sapiens foram viver na terra e deram origem a espécie de vocês e a outra parte entrou na água e originou a minha espécie.

—Extraordinário!

—Você sabe que tem que manter segredo né?

—Porque?

—Imagine o que a sua raça não faria comigo. Me colocariam em aquários para servir de entretenimento aos turistas ou pior, me colorariam em um tanque e me encheriam de fios, me picariam com agulhas e me transformariam em cobaia.

—Sim. Mas, você contribuiria para o avanço da ciência, poderia curar doenças e salvar vidas.

—Mas, eu não quero contribuir para o avanço da ciência, curar doenças ou salvar vidas. Eu quero viver!

Ela submergiu e nadou a piscina de ponta a ponta numa velocidade alucinante.

—Uau!

—Eu vou sair. Se vocês meninos pudessem virar de costas eu agradeceria.

Eles se viraram e ela saiu. No que Anna saiu as pernas voltaram e ela começou a fumegar. Em segundos estava completamente seca e vestiu suas roupas.

—Pronto. Podem virar agora.

—Como fez isso?

—Sereias tem poderes sob a água. Como você acha que se formam as ondas? Acha que são as tais placas tectônicas?

—Você faz as ondas?

—Eu consigo fazer ondas pequenas, mas o meu pai faz ondas enormes. Tsunamis e essas coisas.

—O seu pai fez as ondas de ontem á noite?

—Fez. Ele deve estar muito bravo com alguma coisa.

—Com o que?

—Sei lá. Como vou saber?

—Você não tem contato com ele?

—Tenho. Ele liga todo dia.

—Liga?

Um toque de telefone antigo sai da bolsa de Anna.

—É ele.

Ela pegou uma concha enorme.

—É uma concha?

—É. Sabia que dá pra ouvir o mar nelas? Funciona das duas formas, o mar também escuta você.

Anna atendeu a concha.

—Annabel, onde você está?! Ela está com você?

—Ela quem papai?

—Aquamarine! Ela fugiu, igual a você. Bando de filhas ingratas!

—Papai eu vou encontrá-la agora fique calmo!

Enquanto eles falavam nuvens negras povoavam o céu. Mas, quando ela desligou as nuvens se dissiparam.

—Isso foi estranho.

—Meu pai também faz as tempestades.

—Legal.

—Bom, infelizmente eu tenho que ir procurar a minha irmã caçula antes que ela faça alguma besteira.

—Eu levo você.

—Obrigado.

—Podemos ir também?

—Claro.

Fomos para a praia onde encontramos a garota. Ela estava nua no meio de todos.

—Que droga.

Assim que nos viu ela acenou animadamente e começou a chamar a irmã.

—Annabel! Annabel!

Anna foi até a irmã e a cobriu com o casaco.

—Vamos pra casa. Você tem que se vestir.

—Passa os braços aqui.

—Assim?

—Isso.

Elas vieram até onde estávamos.

—Quem são eles Anna? São seus amigos?

—São. Esses são o senhor e a senhora Jones e este é o filho deles e meu namorado Anakin.

—Prazer. Sou Aquamarine.

—É um prazer conhecê-la.