P.O.V. Anakin.

Sabendo que ela estaria naquela boate hoje á noite eu me arrumei e saí.

—Pra onde senhor?

—Boate Mansion.

—Sim senhor.

Essa noite promete. Hoje eu pego ela.

Cheguei e entrei sem precisar ficar na fila. Estava tocando Sugar do Flo Rida. Avistei ela e mais duas moças sentadas no bar.

—Vamos dançar.

—Não danço.

—Relaxa Anna, não vai acontecer nada.

—Lembra o que houve da última vez? Eu comecei a cantar e eles ficaram uma semana atrás de mim! Uma rempa de homens atrás de mim.

—Mas, agora você sabe como reverter.

—Sabe? Tem razão.

O que será que houve da última vez? Não demorei muito para descobrir.

A voz dela fez até o DJ parar de tocar. Todos os rapazes largaram as namoradas e todo o resto só pra ouvir ela cantar, eles nem piscavam.

Era como se estivessem enfeitiçados. Um deles foi falar com ela e daí, eles começaram a rolar no chão.

—Já chega! Finitem encantatum!

Eles se levantaram totalmente confusos. Perdidos.

—Falei que não era uma boa ideia.

—Tudo bem. Vamos embora.

—Que nada, pode ficar. Sério.

—Tem certeza?

—Absoluta. Vou voltar pro hotel.

—E eu?

—Fica com o carro. Vou de Táxi.

—Certo. Tchau.

—Até logo.

Ela mexeu os dedos dizendo tchau para amiga enquanto andava. Anna virou a cabeça e deu de cara comigo.

—Aff!

Ela revirou os olhos e passou reto.

—Espera! Qual é o seu problema?

—No momento, você.

—Como você fez aquilo?

Ela parou.

—Você se lembra do que houve?!

—Claro que me lembro.

—Que porcaria! Você realmente se apaixonou por mim.

—É.

—Eu to muito lascada.

—Porque?

—Porque isso nunca aconteceu antes! E eu não faço ideia de como lidar com essa situação e isso me apavora.

—Apavora porque?

—Porque você é um ser humano! É um homem mortal!

—E você não é?

—Você acha que um ser humano consegue nadar como eu? Que um ser humano consegue nadar tirar o oxigênio da água? Que consegue transformar homens mortais em escravos apenas cantando uma canção?!

—O que você é?

—Você sabe.

—Sereia?

—Sim.

—Mas, você não tem rabo.

—Claro que não! Não sou cavalo. Tenho uma cauda.

—Eu vi você nadar e nada de cauda.

—É por causa da névoa.

—Névoa?

—É um produto de beleza. Faz o místico parecer normal.

—E como é? A cauda?

—É azul.

—Azul? Pensei que fosse verde que nem a dos peixes.

—Somos seres sobrenaturais, nada em nós é igual á coisa alguma. É parecido, mas nunca igual.

—Mas, funciona do mesmo jeito. Certo?

—Sim. Na minha forma original eu tenho que ficar molhada da cabeça aos pés ou eu vou ressecando aos poucos.

—Como assim?

—Na antiguidade, os mortais nos caçavam por nossas lágrimas. Eles nos amarravam em piscinas naturais só metade na água. Não basta para viver, mas é o suficiente para tornar a morte lenta. Eramos deixadas para morrer e secar ao sol.

—Que horrível.

—Eu fui capturada pelo lendário pirata Edward Teach, mais conhecido como Barba Negra. Aquele homem era perverso, ele não tinha alma.

—Foi amarrada?

—Sim.

—E como sobreviveu?

—Um jovem clérigo veio e me soltou. Nadei para o fundo e nunca mais voltei para a Baía Da Espuma. O lugar onde eu nasci, onde eu cresci e onde eu quase morri.

—Lamento. Quantos anos você tem?

—Dois mil. Eu conto ano a ano sem falta.

—Onde fica a Baía Da Espuma?

—É o lugar que circunda a Isla de Muerta e a Ilha da Espuma. As areias são negras e lá existe um farol feito pelos humanos para nos atrair e nos capturar.

—E vocês vão?

—Somos predadoras. Famintas por carne humana, nós atacamos juntas e conseguimos afundar caravelas de 20 toneladas pra mais.

—Super fortes?

—Exato.

—Como vocês afundam os barcos?

—Vou mostrar.

Ela soltou um tipo de corda ou teia que se agarrou na árvore e no que ela puxou a árvore caiu.

—Viu?

—Impressionante.

—Claro que para afundar uma caravela é necessário umas vinte de nós. Um cardume inteiro.

Anna vestiu um casaco de couro preto, tirou o cabelo de dentro e enfiou as mãos nos bolsos.

—Tchau. E não conte a ninguém.

—Não vou. Prometo.

—Sabe, quando se ajuda uma sereia... você pode fazer um pedido.

Ela gritou de longe. Como Anna estava andando de costas não viu o carro, mas de alguma forma ele se levantou do chão e passou por cima dela.

Aquilo era fisicamente impossível.

Antes dela ir nós trocamos os telefones. Fui pra casa e pela manhã acordei com o celular apitando. Olhei apenas por olhar e dei um pulo quando vi que a mensagem era dela.

—Hoje você vai almoçar comigo e vou te levar ao parque marinho. XOXO Anna.

Segundos depois chegou mais uma.

—Me pegue ao meio-dia.

Eu ri. Ela não me convidou pra sair com ela, me intimou a sair.

Quanto mais eu queria que as horas passassem depressa, mais devagar aquele ponteiro se mexia.

—Que relógio!

—Algum problema Annie?

—Não Marie, apenas que as horas passam extremamente devagar.

—Algum motivo para estar com pressa?

—Sim.

—Esse motivo tem nome?

—Anna.

—Own! O meu menininho tá apaixonado.

Quem me teve foi minha mãe, quem me criou foi a minha empregada Marie. Quando o meio dia finalmente chegou eu já estava no hotel a um bom tempo.

—Oi.

—Oi. Você está linda.

—Obrigado. Você também está.

Nós vimos o show dos golfinhos, comemos algodão doce.

—É macio. O que é?

—Algodão doce.

—Pra que serve?

—Pra comer.

—E como se come isso?

—Assim.

Ela experimentou e os olhos dela se arregalaram.

—Ele derrete!

—Nunca comeu algodão doce?

—Não.

—A quanto tempo você está aqui? Na terra?

—A alguns séculos. Desde 1700 e alguma coisa.

—Vamos ver os golfinhos?

—De novo?

—Agora vamos ver mais de perto.

Passamos por um tanque onde estava um golfinho doente. Anna parou e se aproximou do animal.

—Moça? O que está fazendo? Pode ser contagioso.

Ela nem ligou. Tirou as roupas ficando de maiô e entrou dentro do tanque.

Anna começou a soltar sons agudos e o golfinho respondia.

—O que tá acontecendo?

—Acho que... estão se comunicando.

—Ele não está doente. Está com saudades.

—Com saudades de que?

—Da companheira. Vocês tem que deixar ele ir.

—Deixar ele ir?

—Essa coisa tem ligação com o mar?

—Tem.

Anna submergiu e abriu a porta do tanque pela qual o golfinho escapou.

—Pronto. Problema resolvido.

—Você deixou o meu golfinho fugir?!

—Ele não te pertence! Cada planta, pedra ou criatura está viva e tem alma é um ser! E todos os seres tem o direito de serem livres!

Anna saiu do tanque e começou a fumegar. Depois de muita fumaça ela estava seca e fez alguma coisa para a funcionária que simplesmente continuou o passeio sem dizer mais nada sobre o ocorrido.

Depois de uma tarde super divertida eu a convidei pra sair outra vez amanhã.

—Infelizmente não vai dar. Prometi pra Erica que iriamos no spa juntas.

—Então saímos pra jantar.

—Tudo bem. Combinado.

—Sobre o pedido é verdade?

—É. Porque?

—É que a minha tia foi diagnosticada com leucemia e...

—Você quer que eu a cure.

—Sim.

—Vou ver o que posso fazer, afinal o pedido não pode violar as leis da natureza, mas acho que posso curá-la.

—Obrigado.

—De nada. Você mereceu. Guardou meu segredo.

—Claro. Mas, eu ainda quero ver a cauda.

—Vem comigo.

Ela me levou para um lago que eu nem sabia que existia.

—Como achou esse lugar?

—Viva dois mil anos e você aprende a encontrar coisas bonitas. Os verdadeiros tesouros estão bem na nossa frente o tempo todo, mas as pessoas não conseguem enxergar.

Anna pulou dentro da água azul que parecia mágica.

—Linda.

—Obrigado.

—De nada.

—Entra. Eu não mordo.

—Mas, afoga.

—Eu não vou te afogar. Não tenho motivo para isso.

—Motivo?

—Você não é ladrão, nem assassino, estuprador, não maltrata animais e nem coisa parecida. Por isso eu não vou te afogar e te devorar.

—Tudo bem.

Aqui estou eu, nadando com uma sereia de verdade. Ela começou a cantar.

—Você disse que não ia me afogar.

—Posso cantar perto de você porque você me ama, não entende?

—Não.

—Se... um mortal se apaixona verdadeiramente por uma sereia ele fica imune ao canto dela. Porque o amor verdadeiro é mais forte do que tudo.

—É mesmo?

—É.

—Essa sua cauda parece feita de lantejoulas.

—São escamas. Escamas em vários tons de rosa, cada cauda é unica e elas refletem a nossa personalidade.

—E o que a sua cauda diz sobre você?

—Que eu sou amorosa, receptiva e dócil. Mas, se pisar no meu calo eu espano.

—Todos fazem isso.

—Se você diz. Vou embora de Miami depois de depois de amanhã.

—Embora?

—É. Nós vamos ao parque de diversão e fazer tratamentos no spa para estarmos lindas para viajar.

—E pra onde vão?

—Nova York. Depois nós vamos pra Orlando, pra São Francisco, Washington D.C., Nova Orleans, Las Vegas, Chicago, Boston, L.A., Charleston, Seattle,Palm Springs, San Diego,Saint Louis, Sedona, Nashville e daí sim vamos sair do país.

—Pra onde vão depois daqui?

—Londres e de lá nós vamos viajar a Europa inteira de metrô.

—Então é tipo uma volta ao mundo?

—Isso. Meu presente de aniversário de 18 anos.

—O que os seus pais fazem?

—São donos da Cardoso Eletronics.

—A Cardoso Eletronics?! Eles fazem desde computadores até equipamento médico.

—Eu sei.