Meu Chefe Uchiha
21 Notícia
Notas iniciais
Minha cabeça girava. Abri os olhos com dificuldade, tudo ao meu redor parecia se mover.
Respiro fundo, puxando o ar com dificuldade. Sabia que não devia ter bebido tanto vinho e depois bebido vodka.
Já era tarde, mas não me importava.
Desde o dia que vi a mensagem de Akari no celular de Sasuke e na mesma hora me aprontei pra ir embora de sua casa, não apareci na empresa.
Não respondi suas mensagens, não atendi suas ligações e muito menos quando veio em minha casa, tocando a campainha freneticamente.
Lembro de ter me obrigado a ficar calada todos os longos dez minutos, sendo torturada por aqueles sons e sua voz desesperada me chamando.
Sem contar também de Tenten, que foi outra que não parou de me procurar. Apenas a respondi uma vez, dizendo que estava bem e precisava de um tempo.
Mesmo com isso tudo, eu ainda tinha a faculdade. E já estava mais que atrasada.
Me levanto, mesmo ainda tonta, e sigo para o banheiro. Tomo um banho rápido, me arrumo e jogo um comprimido na boca.
Saio de casa e em alguns minutos estou no portão.
Vejo Naruto que corre até mim. Estava no primeiro intervalo, entre a segunda e terceira aula.
— Sakura-chan, o que aconteceu com você? — pergunta preocupado. — Está com uma cara horrível.
— Bebi demais ontem à noite, mas estou bem — dou um pequeno sorriso para ele.
Naruto envolve meus ombros com um braço e seguimos juntos para um dos bancos do pátio.
— Você sumiu esses dias.. — ele diz ainda preocupado.
— É.. — respiro fundo. Ele me dá aquele olhar pidão e por fim, acabo cedendo. — Okay, vou te contar.
Conto tudo desde o começo, deixando um Naruto surpreso e ao mesmo tempo pensativo.
— Eu sabia que Sasuke estava.. apaixonado por você — Arqueio uma sobrancelha, não entendendo. — Eu encontrei com ele em um bar uma vez, faz um tempo. Eu te disse que éramos amigos de longa data, o conheço desde pequeno — ele explica rapidamente o fato e me olha, atento. — Ele não me falou nada sobre gostar de você exatamente, mas vi algo nele aquele dia, que eu nunca vi antes.
Paro para pensar um pouco, mas nego com a cabeça. Não queria alimentar nada dentro de mim, sem ter alguma certeza.
— Eu não sei, Naruto — suspiro. — Ele disse que tinha terminado com a Akari, mas lá estava o contato dela escrito amor e mandando mensagem como se ainda estivessem juntos.
— Eu entendo.. — ele diz baixo. — Mas.. você sequer perguntou o que era aquilo?
— Sim.. eu.. — o olho, a testa franzida. Mordo os lábios, as mãos suadas.
— Quero dizer.. se você questionou sobre isso e o deixou falar? — ele diz com mais ênfase.
— Ah bem.. sim, mais ou menos.. — suspiro. — Primeiro eu gritei bastante, coloquei minha roupa, o xinguei até a quarta geração e só depois o ouvi.
— E? — ele arqueia a sobrancelha. Reviro os olhos.
— E aí que ele disse que ele terminou sim e que estava tanto surpreso quanto eu. E tinha esquecido de trocar o nome dela — suspiro mais uma vez, já cansada. — E que provavelmente ela o chamou de amor movida pelo momento em si.. e que resolveria tudo..
— E mesmo assim você foi embora?
— É claro Naruto, é um bebê — digo em irritação, um pouco exaltada.
— Bem, quem sabe ela não fez mesmo um teste? Ela pode apenas achar que está e não estar de verdade.
— Sério, Naruto? — o olho em frustração. — É claro que deve ter feito.
— Sakura, só acho que você deve dar uma chance ao Sasuke, deixar ele resolver isso — ele aperta meu ombro de leve. — Espere ver se é realmente verdade. Não tome uma atitude precipitada, você pode se arrepender depois.
— Nossa — o olho rindo, surpresa. — Desde quando você dá conselhos? E ainda dos bons.
Ele ri, me empurrando de leve.
— É a Hinata, aprendi com ela.. — ri baixo, abaixando a cabeça, parecia vagar em pensamentos. Logo me toco do que se trata e sorrio. — Ela é uma pessoa maravilhosa, Sakura.
— Estou vendo o quanto você parece apaixonado — Ele me olha, um sorriso mais largo e brilhante que já vi em seu rosto.
— Você não sabe o quanto! — suspira, se recostando no encosto do banco. — Eu a chamei para jantar ontem à noite e a pedi em namoro.
— Uau — digo cobrindo a boca com as mãos, contendo minha surpresa. — Caramba Naruto, isso é ótimo. Meus parabéns, estou tão feliz por vocês!
O abraço, sendo correspondida por um Naruto bobo, feliz e sem jeito.
— Obrigado — ele diz já vermelho.
— Eu sabia desde o começo — rio para ele.
E assim ficamos jogando conversa fora, até o alarme soar e entrarmos para o prédio.
¥¥¥
Assim que a última aula acaba, saio rapidamente da sala e sigo pelo corredor, a ressaca me atacando de novo.
Precisava de cama. Queria apenas deitar e dormir o dia inteiro.
Mas meus planos ficariam pra depois, pois fui interceptada por Tsunade que tocou meu ombro, me olhando e me chamando para seguí-la.
Fomos para a sala dos professores, sentamos em um sofá no canto da sala. Assim poderíamos ficar mais à vontade para conversar.
— Tenho sentido muito sua falta, Sakura — ela me analisa, tomando um gole do seu café. — Suas notas caíram ultimamente. O que está acontecendo?
Suspiro, repousando no encosto do sofá, tentando relaxar meu corpo tenso.
— Eu sei, me desculpe.. — minha voz sai rouca, minha cabeça já explodindo. — Tenho andado muito atarefada com os trabalhos da empresa, quase não tenho tempo pra estudar.
— Você sabe que os estudos é mais importante, não é? — ela franze a testa. Aceno positivamente. — Você lutou muito pra chegar até aqui Sakura, essa faculdade é o sonho de qualquer pessoa que quer medicina.
— Eu sei — sinto meus olhos marejados. — Eu estou apenas tão.. cansada. Tem muita coisa acontecendo, Tsunade. Minha vida parece estar de cabeça para baixo.
— Você sabe que pode contar comigo — ela toca minha mão, seu olhar reconfortante sobre o meu. — Pode me chamar a hora que quiser. Eu estou aqui por você, minha querida.
Comprimo os lábios e meneio a cabeça. Tsunade era como uma mãe para mim. Sabia que podia contar com ela. E a agradecia mentalmente por isso.
Ainda mais agora, que realmente percebi o quanto meu trabalho como secretária de Sasuke havia me sugado a maior parte dos meus dias e atrapalhado meus estudos.
O que era pra ser uma ajuda para alcançar meus sonhos, se tornou uma pedra no meio do caminho.
¥¥¥
Fui para casa por fim. Depois de muito insistir, Naruto me acompanhou. Eu precisava mesmo de um amigo, então resolvi ceder.
Mas não esperava que o loiro tivesse segundas intenções com isso.
Meu dia já havia sido agitado demais. Além da ressaca mortal que me consumia e todo o estresse das aulas, tive que entrar em meu apartamento e dar de cara com ela.
A loira, minha amiga de anos, a qual não vejo há meses desde o ocorrido, estava sentada na minha poltrona. O olhar preocupado e ansioso.
— O que faz aqui, Ino? — digo direta e séria.
— Sakura — ela se levanta, mordendo os lábios em nervosismo. — Sei que você me odeia, mas não dá mais pra ficar assim. Vamos conversar!
— Não quero conversar, Ino. Eu quero ficar na minha casa e sozinha — digo com firmeza, olhando também para Naruto. Tinha dedo dele nisso, e meu olhar para o loiro já demonstrava meu descontentamento. — Pode por favor sair?
— Não! — ela cruza os braços, a voz irritada. — Para com isso, Sakura! Somos amigas há tempos e você quer destruir isso por causa de um erro que já me arrependi. Eu te dei tempo, respeitei seu espaço, mas você já passou dos limites.
— Se arrependeu? — franzo a testa, não acreditando em suas palavras. — Eu não acredito nisso! Você dormiu com meu ex! — digo com raiva.
— Olha, eu poderia deixar pra lá e simplesmente não te procurar mais — a loira diz já com lágrimas caindo por sua face. — Você é muito infantil e orgulhosa quando o assunto é perdoar o outro. Eu vim até aqui, procurei todas as palavras, mas continua uma cabeça dura.
Suspiro, a olhando. Ino estava certa. Já fazia muito tempo. E eu estava destruindo minha amizade com a loira porque não a perdoava e nem dava uma chance dela mostrar que estava arrependida.
Sentei no sofá, próximo a ela e abaixei a cabeça, refletindo. Era difícil, mas eu devo admitir, sentia falta dela e também de seu apoio em momentos difíceis.
— Desculpe.. — digo baixo. — Sei que estou sendo um pouco rude demais, mas você me magoou, Ino.
— Tenho consciência disso, Saky — ela se abaixa segurando minhas mãos. — Mas ficar longe de você, não ouvir mais suas chatices e nem zoar com a sua cara, me mata a cada dia.
Rio balançando a cabeça. A puxo para um abraço.
— Me perdoa! — ela pede, entre lágrimas.
— Sim, tudo bem.. — suspiro a olhando em seguida, quase chorando também. — Eu realmente tenho um sério problema com meu orgulho..
— É, isso eu sei bem.. — ela dá língua e eu rio. — Que tal fazermos como nos velhos tempos? Eu durmo aqui, a gente assiste filme até tarde e fica falando mal dos homens enquanto atacamos um balde enorme de sorvete?
— Ei — Naruto, que antes estava satisfeito pela nossa reconciliação, se pronuncia descontente. — Vocês ficam falando mal da minha espécie?
— Ah qual é Naruto — rebato rindo. — A Hinata com certeza faz isso também.
Brinco e ele bufa, revirando os olhos.
— Vem cá, pode participar também — o puxo para um abraço coletivo. — Quero vocês aqui comigo hoje — olho para ambos, suspirando. — No momento preciso de vocês..
Suspiro, já sentindo meu corpo pesar de novo e as lágrimas virem. Meu peito doía.
Eu precisava do colo daqueles que sempre estiveram comigo quando eu mais precisava.
— Estamos aqui, Saky — Ino diz com um pequeno sorriso.
¥¥¥
Cinco e quinze da manhã e fomos os três acordados pelo barulho estridente do meu celular.
Fazia nem vinte minutos direito que resolvemos deitar e dormir, quando me levantei retrucando e peguei o celular, olhando o visor, estranhando o fato de Mebuki, minha mãe, me ligar, ainda mais àquela hora.
Meu relacionamento com meus pais não era dos melhores. A última vez que falara com eles foi há duas semanas atrás. E ainda assim discuti com eles, por causa das mesmas histórias: eu não querer a ajuda deles para pagar a faculdade e morar longe.
Mas ver a ligação da minha mãe às cinco da manhã — se bem que no Japão deveria ser quase noite — fez meu coração se apertar. O medo batia à minha porta.
O que pode ter acontecido pra dona Mebuki me ligar de repente?
Engulo em seco e deslizo o dedo para atender.
Meu dia já havia sido ruim o bastante. Não poderia piorar. Certo?
Errado.
Mebuki falava do outro lado da linha, desesperada, a voz embargada quase não me deixava entender o que dizia. Mesmo assim consegui compreender o que ela queria dizer com aquela ligação inesperada.
A única coisa que sei foi que um soluço engasgado se rompeu pela minha garganta e fui tomada pelo desespero.
Naruto e Ino me olhavam preocupados e perguntando o que havia acontecido. Assim que desliguei, os olhei, meu coração parecia sair pela boca.
— Meu pai — começo ofegante, o rosto molhado, puxando o ar com força. — Ele sofreu um acidente. Está internado em estado grave.. e em coma!
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