Meu CEO de estimação

11 O chaveiro da sorte do CEO


Folga. Um dia inteiro sem precisar trabalhar e fazer coisas que me eram ordenadas, apenas fazendo aquilo que fosse do meu agrado e que me desse vontade.

Contudo, o que diabos exatamente eu tinha vontade de fazer?

Digo, o que pessoas normais fazem quando tiram folga?

Respirei fundo e fitei a minha própria imagem, tão diferente do meu habitual e um tanto desleixado retrato de secretária faz-tudo, no espelho do meu quarto. O vestido leve e de estampa floral que eu usava já era quase parte do cabideiro do meu armário de tanto tempo que tinha passado esquecido pendurado no mesmo, contudo, ainda me caía estranhamente bem mesmo depois de tão inutilizado e negligenciado. O fundo preto dava ainda mais vida às flores coloridas de vermelho e amarelo, as mangas compridas desciam soltinhas e contrastavam em perfeita harmonia com o decote em V, esse não muito chamativo, e, por fim, o tecido fino batia a uma altura um pouco acima dos meus joelhos. No meu rosto, uma maquiagem leve, porém que se fazia perceptível sem muito esforço, me fazia parecer mais descansada e alegre do que eu realmente estava, o que não deixava de ser algo bom. Meus cabelos, que há muito tempo não saíam de casa soltos e escovados, tinham sido hidratados há pouco e cheiravam à lavanda, uma das minhas essências favoritas.

Céus, eu mal podia me reconhecer!

Sorri, na verdade rindo de toda aquela situação na qual eu me encontrava. Quando eu tinha me tornado uma pessoa que sequer sabia o significado da palavra folga? Que não tirava sequer um final de semana para cuidar de si própria, do próprio corpo e mente? Pois bem, aquilo estava prestes a acabar. Já que eu finalmente tinha sido contemplada com um dia de folga — e me permitido ser contemplada, na verdade — eu estava disposta a aproveitá-lo como qualquer outra pessoa normal faria.

— Shin Minyoung, hoje nós vamos nos divertir. — falei para a minha própria imagem, firme. — O que você quer fazer primeiro?

Dito isso, como se o meu corpo quisesse me dar uma resposta automática e extremamente barulhenta para a minha pergunta, o meu estômago emitiu um ronco que eu não sabia que podia ser humanamente possível. Pois bem, se é o que o meu sistema digestivo sem fim deseja, partiremos primeiramente para o almoço. Pensando bem, eu estava há tanto tempo sobrevivendo de comidas instantâneas ou congeladas que, sinceramente, eu mal conseguia me lembrar do gosto de uma comidinha caseira e tipicamente coreana. Havia um restaurante bem famoso no centro da cidade, reconhecido pelo cardápio nacional e rendeiro, e era esse o lugar que eu havia escolhido para me alimentar naquele dia de folga — e que, por sorte, não estava tão cheio quanto eu esperava quando cheguei. Logo consegui uma mesa pequena, feita para comportar no máximo duas pessoas, e, fechando os olhos para a sessão de preços, eu escolhi toda e qualquer comida que enchesse os meus olhos ou fizesse o meu estômago roncar naquele momento.

Bem, se eu queria realmente aproveitar a minha folga, não deveria passar o dia inteiro pensando em economizar, certo? E esse pensamento já estava começando a valer a pena, o que eu pude constatar quando o meu pedido de churrasco coreano e todos os outros pratos que o acompanhavam chegou à mesa, me fazendo salivar como se não comesse há quase um mês. Estava tudo pronto e eu só precisava começar a preparar a carne, contudo, uma pequena lâmpada se acendeu sobre a minha cabeça antes que eu fizesse qualquer coisa.

Eu precisava registrar aquele momento tão histórico. A última vez na qual eu tinha comido churrasco coreano tinha sido... Aish, eu sequer me lembro. Por isso, eu saquei o meu celular da pequena bolsa lateral que trazia comigo e tirei algumas fotos daquela mesa tão bem posta, decidida a guardar aquele momento. Na verdade, pensando bem, não existe uma rede social onde as pessoas costumam postar esse tipo de coisa, deixando tudo registrado lá? Qualquer era mesmo o nome? Ah, o Instragram!

— Céus, Minyoung, você virou uma secretária das cavernas... — murmurei para mim mesma enquanto caçava o tal aplicativo, que já havia sido esquecido em alguma pasta do meu celular.

Encontrei o quadrado rosado e fiz o meu login pela primeira vez depois de dois longos anos — sim, era isso mesmo, pois eu tinha ido conferir a data da última postagem. Eu até poderia ter dito que havia muita coisa diferente devido às atualizações e tudo mais, contudo, eu sequer me lembrava de como as coisas costumavam ser há dois anos. Eu vergonhosamente devo admitir que levei uma baita surra de todas aquelas configurações e edições de fotos, contudo, depois de muito insistir, eu finalmente pude compartilhar com as poucas pessoas que ainda me seguiam naquela rede o meu apetitoso churrasco coreano. Sorri satisfeita e, deixando o celular de lado, pude finalmente aproveitar o meu banquete.

E que banquete, eu devo dizer. Não havia espaço dentro do meu estômago para sequer um pouco de ar e, sendo sincera, fazia muito tempo que eu não comia tanta comida boa daquele jeito. Eu me encontrava em um estado de êxtase tão grande que, quando me dei por mim, estava caminhando pelas ruas sem rumo e com um largo sorriso exposto no meu rosto. Então aquilo era o que as pessoas costumavam chamar de folga? Que idiota, eu deveria ter aproveitado mais disso antes...

E por falar em aproveitar, eu decidi que simplesmente faria aquilo que aparecesse na minha frente daquele momento em diante, deixando a própria vida dar um rumo para o restante do meu dia de folga. Assim, eu acabei por assistir a algumas apresentações musicais de rua, fui ao cinema e até andei em uma bicicleta alugada em um parque arborizado famoso em Seul — atividade essa felizmente possível por conta do comprimento mais folgado do meu vestido, devo ressaltar. Quando percebi, o céu já tinha ganhado os tons escuros da noite e já se passava das sete horas. Céus, como o dia tinha passado rápido! Bem, acho que os momentos bons e proveitosos realmente costumam passar como um flash diante dos nossos olhos... Digo, se eu estivesse trabalhando, tenho certeza de que ainda seriam umas três da tarde.

E se eu pedisse algumas férias? Jeonghan não deveria precisar tanto assim de mim, certo? Agora, com a minha vida financeira um pouco mais estabilizada, um descanso cairia realmente bem. Ter tirado aquele dia para mim e mais ninguém, apenas cuidando de mim mesma e aproveitando a minha própria companhia, tinha feito aquela ideia surgir na minha mente pela primeira vez em três anos.

— Se ele me deu um dia de folga, não deve se importar com alguns dias de férias. — murmurei para mim mesma, pensando em voz alto sobre como Jeonghan poderia reagir àquele pedido. — Não é possível que ele não consiga sobreviver um mês sem mim. Talvez eu possa indicar alguém para me substituir e...

— Shin Minyoung?

Fiz uma parada brusca ao ouvir o meu nome por completo, talvez um trauma ou lembrança de quando Jeonghan costumava berrá-lo pelo escritório. Contudo, daquela vez em específico, apesar de também se tratar de uma voz masculina, o tom usado parecia mais gentil e, arrisco eu a dizer, até mesmo um pouco hesitante. Eu estava a poucos passos da minha casa, caminhando distraída pela calçada, quando o tal chamado me fez erguer a cabeça e, consequentemente, levar um baita susto com a visão que encontrei. Havia um carro — muito luxuoso, por sinal — estacionado de frente para o meu portão e, recostado no mesmo, uma silhueta alta e dona de um porte visivelmente elegante, apesar da pouca luz que nos rodeava.

— Joshua?! — eu exclamei surpresa e ainda paralisada onde estava. — Como você me encontrou? O que está fazendo aqui? Espera... como você sabe quem eu sou?

Ele coçou a nuca, nitidamente sem jeito.

— São várias perguntas. — murmurou com um riso tímido e se desencostou do carro, endireitando-se. — Mas acho que eu mereço por ter aparecido assim, sem avisar.

De repente, eu me dei conta do modo como havia o metralhado com questionamentos e também tratei de consertar a minha postura.

— Bem, é que... — pausei e dei alguns passos, ainda que extremamente hesitantes, na direção do Hong. — Você me chamou pelo meu nome completo, o que significa que sabe quem eu sou. E se você sabe disso, obviamente sabe que eu não sou...

— Kim Yoona? — me interrompeu. — Sim, eu sei. Na verdade, eu sempre soube.

Tudo bem, agora sim eu estava surpresa. E nada bem, para ser sincera.

— Como assim? — questionei, confusa.

Joshua pensou por alguns segundos, talvez decidindo o melhor jeito de me explicar toda aquela história.

— Quando a minha mãe marcou aquele encontro às cegas para mim, inclusive sem eu sequer saber, ela me enviou uma foto da Yoona querendo se gabar do quão interessante era a pretendente que ela tinha me arrumado. — ele admitiu, mudando o tom de voz das últimas palavras para se parecer com uma senhora de idade, o que me fez segurar uma risada fora de hora. — Então, quando você entrou pela porta da frente do restaurante, eu já sabia que você não era a Yoona.

— E por que você não disse nada? — eu perguntei pausadamente, ainda processando aquela informação.

Era a minha primeira vez sendo descoberta como uma falsa pretendente e, sinceramente, eu não sabia sequer como reagir diante do fato de que fui pega no pulo.

— De primeira, eu confesso que fiquei apenas intrigado. Por que você estava se passando por outra pessoa em uma situação como aquela? E de bônus, você nem parecia querer estar ali. — respondeu. — Contudo, conforme nós começamos a conversar, eu apenas deixei isso de lado. Quero dizer, você parecia... mais interessante do que a minha mãe poderia imaginar, digamos assim.

Aquilo era um elogio? A julgar pelo modo tímido, porém igualmente risonho, com o qual Joshua simplesmente me revelava algo como aquilo, eu poderia dizer que sim, eu acho; inclusive, tinha feito com que eu me sentisse melhor do que esperava.

— E como você me achou, então?

Ele riu.

— Eu precisei ir atrás da verdadeira Kim Yoona, que acabou me contando tudo. — explicou. Espera, o que ele queria dizer com tudo? Será que Yoona tinha contado que me pagava para... — Ela contou que já tinha um namorado, mas a mãe dela não o aceitou e, por isso, continuou marcando esses encontros às cegas para ela. Como ela não queria ir, implorou para que você fosse no seu lugar e, bem, você acabou se apiedando e foi.

Ah, pelo menos essa bola você tinha acertado dentro do gol, Kim Yoona. Digo, Joshua não deixava de ser um estranho, contudo, quantos menos pessoas soubessem do meu trabalho informal, melhor.

— Mas não a culpe, ela não queria me passar o seu contato sem a sua permissão. — Joshua logo emendou. — Ela tentou ligar várias vezes para lhe contar tudo, mas o seu telefone sempre dava desligado. No fim das contas, eu insisti tanto que ela me passou o seu endereço... Desculpe-me se eu passei dos limites de alguma forma, de verdade.

— Bem, eu confesso que fiquei um pouco surpresa, mas não é como se você estivesse invadindo o meu espaço pessoal e nem nada. — eu raciocinei em voz alta e, em seguida, o fitei com o cenho franzido. — Na verdade, por que você resolveu me procurar?

Dito isso, o Hong deu um passo para frente de um modo um tanto sutil, mas que não se deixou passar despercebido por mim.

— Eu queria encontrá-la como Shin Minyoung. — ele respondeu, agora mais sério. — Digo, conhecê-la de verdade. — alguns segundos de silêncio depois, enquanto eu ainda processava aquela informação, Joshua acabou rindo, desconfortável. — Isso soa um tanto estranho, não é mesmo?

Eu o encarei, séria. Em todos aqueles anos indo a falsos encontros às cegas, eu sempre tinha respeitado a minha única e intransigível regra: não me envolver com nenhum dos pretendentes. Contudo, naquele momento, enquanto eu fitava Joshua com toda a sua sinceridade e gentileza estampados na sua expressão facial desconcertada — e um tanto fofa, eu devo admitir — algo simplesmente me fez fechar os olhos e, pela primeira vez em todo aquele tempo, tomar uma atitude um tanto irresponsável da minha parte.

— Na verdade, nem tanto. — eu respondi, por fim, o que aumentou o sorriso no rosto do Hong. Respirei fundo e de forma decidida. — Pois bem, se você quer conhecer a verdadeira Shin Minyoung, gostaria de me acompanhar em uma refeição?

Joshua endireitou a postura ao ouvir a minha proposta, nitidamente mais animado.

— Claro. — respondeu e logo sacou as chaves do carro do bolso da calça cargo que vestia. — Para onde vamos?

Eu ri diante da sua inocência. Ele mal sabia o que lhe esperava.

— Para um dos meus restaurantes favoritos. — afirmei. — E nós não vamos precisar de um carro para isso. Vamos, siga-me.

Dito isso, o Hong franziu o cenho, confuso. Porém, quando eu comecei a andar pela calçada sem dizer mais nenhuma outra palavra, ele tratou de se apressar para me seguir e sem questionar mais nada. Nós passamos a caminhar lado a lado e, vez ou outra, eu podia vê-lo saltitando nas pontas dos pés em animação. Por um momento, eu cheguei a ter a estranha sensação de estar sendo observada, contudo, não seria algo viável num momento como aquele.

Digo, quem diabos poderia estar me vigiando àquela hora da noite?

***

Quando o cachorro-quente, esse recheado com milho, batata palha e mais alguma meia dúzia de outros acompanhamentos que praticamente escorriam pelo comprido pão, foi entregue na nossa mesa pela amável Sra. Jung, eu fiz questão de observar com cuidado a reação de Joshua. Inclusive, deixo aqui uma dica valiosa sobre um dos melhores jeitos de analisar a personalidade de alguém sem precisar fazer nenhuma pergunta: observe o que e como essa pessoa come. Pois bem, se a intenção de Joshua era conhecer a verdadeira Shin Minyoung, ali estava a mesma; em uma barraquinha familiar de rua enquanto empanturrava-se de um cachorro-quente de trinta centímetros. E, de bônus, eu também seria capaz de descobrir quem era o Joshua Hong de verdade e se todo aquele seu interesse em mim era mesmo real.

Todo mundo sai ganhando, certo?

Ao contrário do que eu esperava do dono de um dos restaurantes mais refinados e famosos de Seul, o Hong ergueu as mangas do suéter que usava — muito parecido com o que eu tinha usado no nosso primeiro encontro, devo ressaltar — e, sem nenhuma cerimônia, pegou o cachorro-quente com certa experiência. Em silêncio, ele provou o primeiro pedaço e não tardou a arregalar os olhos, parecendo surpreso.

— É realmente delicioso! — exclamou, ainda com a boca ocupada por um resquício de comida. — Agora eu entendo o porquê de você gostar tanto desse lugar.

Foi a minha vez de arregalar os meus olhos, incrédula. A barraquinha da Sra. Jung ocupava um pequeno espaço de uma calçada há duas quadras de distância da minha casa e, sinceramente, era o lanche noturno mais delicioso e bem preparado de toda aquela região — pelo menos de acordo com o meu senso particular. Feita toda de alumínio e decorada por alguns enfeites tradicionais, a tal barraca, apesar de nitidamente limpa e bem cuidada, ainda espantava alguns preconceituosos de nariz em pé justamente por se tratar de algo de rua.

O que não parecia nem um pouco ser o caso de Joshua.

— Você gostou mesmo? — indaguei ainda desconfiada.

— Claro que sim. — ele respondeu sem hesitar. — A textura do molho é perfeita e combina perfeitamente com o sabor forte da maionese. Além disso, os acompanhamentos estão muito bem distribuídos e servidos, o que é essencial em qualquer prato bem preparado, até mesmo um lanche de rua.

Eu ri.

— É, você realmente é dono de restaurante. — comentei diante de todas aquelas conclusões gastronômicas sobre um mero cachorro-quente. — Não tem nem como negar.

De repente, o Hong se endireitou em sua cadeira de plástico, parecendo mais sério e surpreso.

— Você sabia?

Já era de se esperar que eu soubesse de algo tão grandioso como aquilo, contudo, Joshua me parecia mais afetado pela sua descoberta do que eu esperava; e até mesmo chateado, eu diria.

— Bem, eu não sabia desde o começo, mas descobri enquanto estávamos jantando. — eu tratei de lhe explicar para que ele não achasse que o motivo de eu ter aceitado ir ao encontro fora justamente pelo seu status. Digo, eu tinha, de fato, ido até lá por dinheiro, mas ainda assim se tratavam de coisas diferentes. — Eu encontrei o meu chefe quando fui ao banheiro e ele me contou.

— Seu chefe? — ele perguntou. — Espera, foi por isso que você foi embora daquele jeito?

— Não! — eu neguei com mais veemência do que esperava. — Algo urgente surgiu e eu precisei voltar para casa, foi isso.

Algo que não consistia em ter que ajudar, madrugada afora, o meu chefe no seu plano repentino e sem muito fundamento de assumir a presidência da sua própria empresa, claro.

Joshua balançou a cabeça em concordância, não parecendo muito ligado àquele assunto.

— E por acaso eu conheço o seu chefe? — indagou casualmente enquanto dava mais uma mordida no seu cachorro-quente.

— Na verdade, eu sou secretária do diretor da Price Entertainment. — eu lhe respondi quase que num murmúrio, já que aquele era o último assunto no qual eu desejava entrar naquela minha tão preciosa noite de folga. — Yoon Jeonghan.

— Jeonghan–ah?! — o Hong exclamou e quase se engasgou no meio do processo. — Você trabalha para ele? De verdade? Nossa, eu o conheço há tantos anos, mas jamais imaginaria que você era a tal secretária de quem ele tanto falava!

Eu estava segurando o meu cachorro-quente no meio do caminho entre a mesa e a minha boca e, ao ouvir aquela frase, fui obrigado a suspendê-lo no ar e encarar Joshua.

De quem ele tanto falava? — eu indaguei, frisando o máximo que pude aquela última parte.

— Exatamente. — ele concordou, limpando os dedos no seu guardanapo. — Toda vez que nós nos encontrávamos, eu tinha que ouvir algo do tipo “não sei, preciso perguntar à minha secretária” ou “não sei, a minha secretária é quem decide melhor essas coisas”. Certa vez, quando ele me disse que era você quem lhe indicava os melhores restaurantes da cidade para que ele pudesse almoçar, ele tinha me dito que o meu fora a sua primeira indicação. Muito obrigado por isso, à propósito.

Eu deveria ter me sentido constrangida com o fato de ter sido pega no flagra pelo Hong, contudo, o que ele estava me contando me deixava em choque demais para me dar conta de qualquer outra coisa. Então Jeonghan falava de mim para as outras pessoas, incluindo para os seus amigos? Digo, aquilo fazia com que ele parecesse reconhecer mais o meu trabalho do que eu sequer esperava, o que era algo muito novo para mim.

— Não é por nada que ele nunca aparecia com você. — Joshua comentou enquanto eu ainda tentava processar as suas afirmações anteriores. — Você sabe como o Yoon é possessivo com aquilo que ele considera importante, não é?

Importante?!

Sinceramente, aquela conclusão na qual Joshua chegara não fazia o menor sentido na minha cabeça.

— Você deve estar confundindo as coisas. — fitei o chão, sem jeito. — O Diretor Yoon não costuma me levar para os seus almoços de negócio porque, de fato, não deveria haver espaço à mesa para uma secretária.

— Até parece que você não conhece o chefe que tem. — ele insistiu, rindo. — Uma vez eu o perguntei se, já você era tão essencial assim, por que diabos ele não andava com você pendurada a ele como um chaveiro da sorte. Sabe o que ele respondeu em seguida? — indagou e fez uma pausa, ainda que aquela fosse uma pergunta retórica. — Jeonghan fez um bico enorme e disse “não quero que nenhum engravatado a roube de mim”. Foi tão engraçado, que eu passei um dia inteiro rindo da expressão birrenta que ele tinha no rosto quando disse aquilo.

Joshua continuou a contar mais algumas histórias, contudo, não era como se o meu cérebro ainda estivesse disposto a prestar atenção no mesmo. Digo, ele não podia simplesmente me contar algo como aquilo e esperar que eu reagisse perfeitamente bem, certo?

Não, aquilo não podia ser verdade. Ou o Hong estava brincando comigo ou, ainda, Jeonghan tinha o feito quando disse aquilo. Eu, importante? Alguém que ele não queria ter roubada de si? Não, aquilo me parecia surreal demais para que eu pudesse acreditar. Eu aceitaria se tivesse acabado de descobrir que o Yoon valorizava o meu trabalho e, por isso, ainda não tinha me demitido, mas dizer o que disse? Com aquelas palavras? Aquilo era impossível.

Era impossível, certo?

Em seguida, tanto Joshua quanto os meus pensamentos extremamente confusos e em choque foram interrompidos pelo toque do meu celular. Eu tinha o desligado ao entrar na sala de cinema e o esquecido assim ao longo do dia, me lembrando novamente da existência do aparelho apenas quando o Hong me contou que Yoona não tinha conseguido falar comigo justamente por aquele motivo — e, à propósito, o celular ainda estava repleto de ligações perdidas e mensagens surtadas da Kim, as quais eu ainda nem tinha respondido.

Contudo, não era o nome dela que aparecia no visor naquele momento.

Arregalei os olhos e pedi licença a Joshua, me levantando apressada na velha mesa de plástico onde estávamos sentados e me afastando alguns passos do Hong. Quando me senti em uma distância segura o suficiente para não ser ouvida por ninguém, finalmente atendi à chamada.

— Diretor Yoon? — acabei o fazendo num questionamento, surpresa pela ligação de Jeonghan.

Digo, ele tinha me dado o dia de folga e ficado em completo silêncio o dia inteiro, então o que diabos deveria querer comigo àquela hora da noite?

— Por quanto tempo mais você pretende deixar o seu bichinho de estimação trancado do lado de fora da sua casa? — foi a primeira coisa que ele disse e, sinceramente, a sua voz não soava nem um pouco feliz ou satisfeita. — Isso é desumano, Min Min.

Ah, como era estranho ouvi-lo me chamar pelo meu apelido. Digo, aquela história de pet play por si só já era bizarra, mas ele ainda insistia em...

Céus, a história do pet play!

— Hoje é quarta-feira! — eu exclamei num impulso, me arrependendo logo em seguida. Eu tinha simplesmente esquecido do meu acordo com Jeonghan e, na verdade, já estava mais de meia hora atrasada para encontrá-lo lá em casa. Era hoje que eu seria guilhotinada. — Digo, eu tive um imprevisto, mas já estou chegando em casa.

Imprevisto? — ele indagou, seguido por um riso amargo do qual eu não entendi muito bem o que significava. — Shin Minyoung, você tem cinco minutos para abrir esse portão para mim, caso contrário, pode estender o seu dia folga por tempo indeterminado.

Guilhotinada e demitida, eu devo me corrigir. Olhei para trás e fitei Joshua, quem eu já tinha deixado para trás sem nenhuma explicação uma vez, que terminava com vontade o seu cachorro-quente.

Diabos, o que eu faço agora?

Notas finais
Demorou um pouquinho, mas cheguei com esse capítulo novinho em folha para vocês! E então, o que acharam? Eu tenho recebido um feedback beeeem bacana nessa história e, sinceramente, adoro ouvir a opinião de vocês nos comentários! Até breve ♥