O Yoon finalmente pareceu se dar conta da nossa atual situação — que não era nada favorável, estando ali, discutindo presidências na porta de um banheiro de luxo que incluía música ambiente e tudo — e pigarreou completamente sem graça. Era a primeira vez que eu o via passear por aquela montanha-russa de sentimentos comuns para nós, meros mortais: frustração, confusão e, por fim, vergonha. Eu não fazia ideia de que o poderoso e intocável YoonJeonghan poderia sentir aquele tipo de coisa e, ainda por cima, demonstrar isso.

Aquilo era realmente muito para que eu absorvesse de uma só vez; talvez eu conseguisse melhor na próxima década, quem sabe.

Ou século.

— Está bem, mas... — pausou, fitando o salão do restaurante por um momento. — E o Joshua?

— Você tem certeza disso, Secretária Shin? — Jeonghan finalmente me perguntou, ainda que aquilo não fizesse muita diferença dada a altura do campeonato. — Você não precisava ter vindo embora tão de repente, o Joshua pode tê-la interpretado mal e...

— Não tem problema. — eu o interrompi enquanto o observava virar o volante na direção da rua que dava no meu bairro. Suspirei. — De qualquer modo, eu não tinha a intenção de ficar muito tempo.

O Yoon obviamente não me entendeu, contudo, também não tentou insistir com mais perguntas, o que eu agradeci e muito mentalmente. Depois da nossa breve e nada convencional conversa na porta do banheiro feminino do restaurante — o restaurante o qual eu não fazia ideia de que pertencia ao próprio Joshua Hong, vale a pena lembrar — eu me obriguei a tomar uma decisão de vez, a qual consistia em pôr logo um fim em toda aquela farsa de encontro. Pedi a Jeonghan que me esperasse no seu carro pois eu logo iria encontrá-lo e, retornando ao salão do restaurante, eu encontrei Joshua terminando com tranquilidade e elegância o seu prato, saboreando cada pedaço da comida como o especialista em gastronomia que ele provavelmente era. Quando viu que eu estava me aproximando da mesa, ele sorriu de um modo extremamente acolhedor, o que me fez querer desistir de desistir por um breve momento; porém, como diz aquele antigo ditado, vontade é algo que dá e passa.

E a minha passaria nem que fosse obrigada.

O Hong franziu o cenho quando, ao invés de simplesmente me sentar à mesa, eu parei de pé ao seu lado.

— Aconteceu alguma coisa? — ele foi mais rápido em perguntar, provavelmente notando algo de diferente na minha expressão relutante. — Você parece preocupada.

Respirei fundo. Nunca tinha sido difícil para mim dispensar ou ser dispensada por um encontro às cegas antes, então aquela vez não deveria ser diferente. Joshua tinha me proporcionado breves momentos os quais eu nunca tinha vivido antes e que, inclusive, iam além de uma refeição cara e deliciosa, então já estava na hora de agradecê-lo fazendo a minha parte: parando de mentir.

— Joshua, eu sinto muito, mas eu preciso ir embora. — falei de uma vez, obviamente o pegando de surpresa. — Eu sei que isso é um tanto repentino e rude, mas eu realmente preciso ir. Eu desejo que o seu próximo encontro seja melhor, de verdade.

Tudo bem, eu não tinha de fato contado a verdade, mas não era como se eu visse necessidade naquilo também. Pude ouvir Joshua me pedindo para esperar enquanto me chamava pelo nome de Yoona, mas felizmente eu fui rápida o suficiente para deixar o restaurante sem que ele conseguisse me seguir, deixando para trás aquele encontro que já tinha ido longe até demais — bem, até que viver sendo obrigada a correr de um lado para o outro me deixava mais veloz e tinha lá as suas vantagens...

Espera, o que diabos eu estava pensando?!

Balancei a cabeça na tentativa de excluir de vez aquele pensamento de proletária rendida e, quando me dei por mim, Jeonghan já estava estacionando na frente da minha casa. Eu estava prestes a descer do carro quando, de repente, senti um cheiro mais familiar impossível vindo do banco de trás.

— Espera um minuto. Isso é... — pausei, fungando o interior do veículo algumas vezes e em direções completamente aleatórias. O Yoon, que já tinha levado a mão ao puxador da porta, parou para me fitar com o cenho franzido. — Cheiro de frango frito?

Jeonghan me encarou e, um tanto sem jeito, balançou a cabeça positivamente.

— Eu já estava chegando na sua casa quando me dei conta de que não seria muito educado da minha parte aparecer sem avisar e, ainda por cima, de mãos vazias. — explicou. Como se ele se lembrasse de educação quando se tratava da minha pessoa. — A barraca de frango frito era o comércio mais próximo que ainda estava aberto, então... Bem, dizem por aí que não há nada melhor para estreitar os laços entre as pessoas do que frango frito e cerveja, certo?

Estreitar os laços?

Foi a minha vez de franzir o cenho.

— E por um acaso você já experimentou frango frito com cerveja? Digo, aquele frango tão gorduroso que chega a pingar óleo e a cerveja mais barata da loja de conveniência da esquina... — eu o alfinetei de propósito e, quando vi sua expressão facial mudar para um completo desgosto, tive que me segurar para não gargalhar.

Era óbvio que ele nunca tinha comido algo tão banal e barato e eu, como já era de se esperar, sabia muito bem disso.

— Já deve ter esfriado, não é mesmo? — ele questionou na tentativa de queimar o filme do pobre frango. — E outra, nós acabamos de jantar.

— Ah, mas na barriga de um bom coreano sempre há espaço para um frango frito requentado no micro-ondas! — exclamei, assistindo com deleite o piorar da sua expressão. — Vamos entrar, lá dentro eu esquento tudo.

Não pensei duas vezes antes de saltar do veículo e, por cima do ombro, vi Jeonghan fazer o mesmo, porém rodeado de uma áurea completamente diferente da minha de divertimento: a do puro arrependimento. Ri sozinha e logo já estava abrindo espaço para que ele entrasse, calçando o par de chinelos que já tinha ficado pela sapateira para que ele usasse quando viesse. Tomei a sacola com o frango e o engradado de cervejas da sua mão — só então percebendo que se tratava da mesma sacola que ele tinha em mãos quando eu o encontrei no meu portão, mais cedo — e fui até a cozinha, enfiando as cervejas no lugar mais frio do congelador e o frango no famigerado micro-ondas.

Ah, aquilo estava prestes a ser tão divertido...

Caminhei até a sala com tudo já pronto e devidamente arrumado, encontrando o Yoon sentado no meu sofá com a postura mais ereta do que a das modelos da Victoria Secrets em dia de desfile — tão diferente da relaxada última vez que estivera aqui, não é mesmo, YoonJeonghan? — um retrato nítido de que ele se encontrava no seu mais alto estado de alerta. Coloquei o prato com o frango sobre a mesinha de centro e as cervejas no chão, sentando-me ao lado das latinhas agora geladas e cruzando minhas pernas. Fiz um gesto para que Jeonghan fizesse o mesmo, mas ele simplesmente fingiu não ver e seguiu sentado no sofá. Céus, como eu estava rindo internamente daquela sua cara preocupada. Abri uma latinha de cerveja e o entreguei e, sem escolha, ele foi obrigado a tomar pelo menos um gole tímido.

Que por pouco não voltou para dentro da lata em formato de cuspe, eu devo ressaltar.

— Então... — eu iniciei enquanto discretamente o observava lutar contra aquele mísero gole de cerveja barata para conseguir engoli-lo. — O que foi toda aquela conversa no restaurante?

Aproveitando a deixa, Jeonghan se esticou para colocar a latinha de volta no chão e me encarou como se nada tivesse acontecido.

— Eu sempre soube que, além do conselho da empresa no geral, alguns funcionários também não levavam muito a sério a minha candidatura à presidência da empresa... Mesmo com todos os meus esforços e os meus feitos dentro da Price, eu sentia essa distância. — disse e, pela primeira vez, permitiu que seus ombros caíssem. — Hoje no hospital, quando eu percebi que não sabia mais do que um par de informações sobre a minha própria secretária, alguém que está ao meu lado quase vinte e quatro horas por dia, eu também me dei conta de que essa distância, na verdade, sempre foi causada por mim mesmo.

Por um momento, eu me senti um tanto satisfeita por Jeonghan ter reconhecido que eu sempre estava ao seu lado, o que significava que ele, ainda que do seu jeito torto, enxergava o meu trabalho e o meu esforço para manter o mesmo — contudo, a sua lógica ainda não me estava tão nítida assim.

— Mas o que isso tem a ver com os funcionários? — indaguei, confusa. — Você pretende fazer uma ficha sobre cada um para conhecê-los melhor?

A minha insinuação tinha sido um tanto irônica e eu não acreditei que Jeonghan fosse sequer levá-la a sério, porém, quando eu o vi balançar a cabeça cima e para baixo com firmeza, fui obrigada a arregalar os olhos.

— Exatamente. — confirmou, me espantando ainda mais. — E é por isso que eu preciso da sua ajuda, Shin Minyoung. Eu quero conhecer melhor os meus funcionários, saber das suas preferências, necessidades e opiniões. Não só visando a minha candidatura à presidência da Price, mas também como um modo de entender quem eu quero presidir. Acho que isso me ajudará a cuidar melhor da empresa, entende?

Pior que eu entendia. Fazia sentido na minha cabeça que Jeonghan quisesse se aproximar mais do corpo de funcionários da Price e não somente pela presidência — até porque, não seriam os funcionários quem votariam para finalmente nomeá-lo ou não ao cargo — mas sim por estar confiante de que alcançaria o seu objetivo e, quando isso acontecesse, gostaria de presidir a empresa da forma mais pacífica e humana possível. Era uma novidade para mim vê-lo demonstrando tanta empatia e predisposição a se dar bem com as pessoas no geral, contudo, eu devo confessar que aquilo me parecia uma boa ideia. Além disso, tê-lo prestando mais atenção a quem o rodeava certamente seria um benefício para mim também, mas...

— E como exatamente eu posso ajudá-lo com isso? — perguntei dando ênfase à palavra certa e, infelizmente, pressentindo que havia uma avalanche de trabalho descendo bem na minha direção.

— Bem, eu pensei que, para começarmos, nós poderíamos fazer uma espécie de ficha reunindo algumas características básicas e conhecidas sobre cada funcionário. Depois, com o tempo, eu iria preenchendo essa ficha conforme fosse conhecendo-os melhor. — respondeu, parecendo um tanto determinado.

— Ficha? — questionei. — Não seria melhor pegar a ficha de cada um com o pessoal do RH logo?

— Não é bem desse tipo de informação que eu preciso... — comentou parecendo pensativo. De repente, me fitou com o ânimo de quem tinha tido a ideia do século, o que significava que algo de não muito bom para o meu lado estava por vir. — Shin Minyoung, arrume algumas folhas de papel e umas canetas, pois nós estamos prestes a começar a colocar o meu plano em prática.

— Agora?! — exclamei. — Você sabe que só no prédio da Price trabalham quase trezentos funcionários, não é? Pensar em uma única característica ou informação sobre cada um levaria, no mínimo, a noite inteira.

O Yoon se inclinou na minha direção e descaradamente exibiu seu típico sorriso orgulhoso, arqueando uma sobrancelha sugestiva para complementar com a cereja no topo do bolo.

— Então talvez seja melhor nós trocarmos a cerveja por um café bem forte.

***

Acordei — digo, acordar era uma palavra muito forte para o meu atual estado de espírito, ou talvez da ausência do mesmo — e a primeira coisa que pude sentir naquela manhã era uma sensação muito parecida com ter sido atropelada por um caminhão de frango frito na madrugada passada.

Espera, frango frito? Por que isso me lembra alguma coisa?

A minha cabeça doía e eu tinha certeza de que a mesma poderia explodir a qualquer momento, ainda mais quando eu a forçava a se lembrar de alguma coisa da noite passada. Minha garganta estava extremamente seca e, quando eu me movi pela primeira vez, percebi que eu não estava na minha habitual posição de dormir ou sequer deitada na minha confortável cama rebaixada. Na verdade, mesmo sem ainda ter aberto os meus olhos, eu pude sentir que estava debruçada sobre algo duro e que cheirava à madeira velha. Pois bem, quando eu finalmente consegui os abri, percebi que de fato se tratava de madeira velha, mais especificamente da qual era feita a minha mesinha de centro da sala. Em algum momento da noite passada, eu tinha pegado no sono ali mesmo, no meio da minha sala de estar e depois de beber quase um engradado inteiro de cerveja sozinha.

Maldito YoonJeonghan que me enganou e bebeu só duas latinhas.

Eu estava começando a me lembrar de tudo, mesmo que aos poucos. Eu não tinha tido outra opção a não ser embarcar naquela loucura do meu chefe e, depois de buscar um caderno velho no quarto da minha irmã e algumas canetas, nós começamos a anotar o que sabíamos sobre os funcionários da Price Entertainment, ou pelo menos sobre aqueles que trabalhavam de fato na sede da empresa, já que os artistas já eram mais do que conhecidos. Decidimos começar por andares: do primeiro, dominado majoritariamente pela do audiovisual, até o décimo sexto, onde estavam as salas corporativas e de onde partiam as ordens para todos os andares abaixo — e no qual eu trabalhava, no caso. Aquilo parecia um trabalho sem fim e, inclusive, eu me lembro de chegar ao décimo quarto andar, o me marketing, quando o ponteiro do relógio no meu pulso marcou exatamente quatro e meia da manhã. Céus, que horas nós teríamos acabado todos os funcionários até o último andar, então?

E o pior: que horas seriam agora?

Ergui meu tronco num impulso impensado que logo em seguida me rendeu um enorme arrependimento, dado o fato de que eu deveria estar torta naquela posição há algumas boas horas, e olhei para o meu relógio de pulso espantada. Uma maldita hora da tarde. Eu estava ferrada em todos os sentidos, cores e jeitos diferentes e essa realidade me atingiu como o soco no estômago necessário para que eu esquecesse qualquer sinal de ressaca que até agora habitava o meu corpo. Não vi nenhum sinal de Jeonghan ao meu redor e, sinceramente, eu não me lembrava de tê-lo visto ir embora. Será que ele estava dormindo em algum lugar da casa? Se não, por que diabos não tinha me acordado?

Se ele estivesse na empresa, eu certamente seria uma pessoa morta e desempregada.

— Jeonghan?! — gritei aleatoriamente e não obtive nenhuma resposta. Eu não sabia onde estava o meu celular, então sequer tinha como ver se havia algumas duzentas ligações perdidas do Yoon no mesmo. Subi as escadas correndo e saí abrindo todas as portas possíveis enquanto chamava o seu nome, mas ainda assim não o encontrei.

Aquele salafrário tinha mesmo saído para trabalhar sem mim?!

A última porta que abri foi a do banheiro e, sem ter pensado em bater antes de entrar, eu dei graças a todas as entidades e seres benignos desse mundo por não o ter encontrado justamente ali — imaginem a cena que eu poderia encontrar, pelos céus. Entrei no pequeno cômodo majoritariamente bege e, ao passar em frente ao espelho, uma coisa me chamou a atenção o suficiente para me fazer parar bruscamente: colado bem no meio da minha testa, estava um post-it amarelo fluorescente com alguns poucos dizeres escritos com caneta preta. Eu sabia que aquela era a letra de Jeonghan antes de sequer começar a lê-la, mas também pudera... De quem mais seria?

“Obrigado pela ajuda de ontem, você realmente trabalhou duro, ShinMinyoung. Na verdade, considere isso como o seu dia de trabalho e fique em casa hoje. Que tal uma folga?

Assinado: Hannie”

Folga?

Folga?!

Daquelas que você não precisa sequer dar as caras no trabalho por um dia inteiro?

Esse tipo de folga?

Descrente e ainda com o post-it colado na minha testa — me perdoem, mas eu estava atordoada demais para me incomodar com o pedaço de papel de cor berrante naquele momento — eu lembrei de que tinha deixado o meu celular na cozinha e desci as escadas correndo atrás do mesmo, esperando encontrar todas aquelas ligações perdidas de um Yoon que certamente teria mudado de ideia. Afinal de contas, aquela seria a primeira vez em três anos que eu não iria trabalhar e, muito provavelmente, ele não conseguiria sobreviver sem mim.

Alcancei o aparelho sobre a bancada da cozinha e, ao contrário do que eu esperava, na tela do mesmo havia uma única mensagem de texto.

“YoonJeonghan: ShinMinyoung, você está de folga hoje. Se aparecer para trabalhar, eu vou demiti-la.”

— Então... Eu corro o risco de perder o meu emprego se eu for trabalhar hoje? — concluí em voz alta, pois sentia a necessidade de verbalizar aquilo para entender com clareza o que estava acontecendo. — Isso é normal nos dias de hoje?

Céus, então o que eu era, uma trabalhadora prestes a se aposentar por conta da idade avançada? Acorda, Shin Minyoung! Pessoas normais tiram folga com a frequência que lhes é de direito, que na verdade é um direito de todos os trabalhadores. Não é porque você praticamente mora no seu emprego que não tenha esse mesmo direito a um dia de descanso.

Mas espera, por que diabos eu estou falando comigo mesma na terceira pessoa?

Respirei fundo e caminhei até o sofá da sala, sentando-me no mesmo ainda um tanto atônita. Lembrei-me do post-it colorido ainda colado em minha testa e o arranquei de lá, encarando a letra de Jeonghan novamente. Ele tinha assinado o bilhete como Hanniee, por um breve momento de falta de lucidez, aquilo fez rir. Encarei as latinhas de cerveja espalhadas pelo chão da sala e o prato sujo de frango frito abandonado sobre a mesinha de centro, agora cheio apenas de ossos. Infelizmente, eu ainda não me lembrava da cena do Yoon experimentando um pedaço da carne gordurosa e requentada pela primeira vez, mas tinha certeza de que daria umas boas gargalhadas vitoriosas quando finalmente conseguisse lembrar. Mas espera, ele tinha mesmo experimentado? Pelo modo como eu o conhecia, não seria surpresa se o fato de eu não ter memórias sobre aquele episódio ocorria pelo mesmo nunca ter acontecido. Infelizmente, ele ainda era muito bom em me passar a perna...

Suspirei. Talvez Yoon Jeonghan não fosse tão mau chefe assim, no fim das contas. Digo, ele ainda testava a minha paciência diariamente e vez ou outra me mandava realizar tarefas que estavam longe da minha obrigação de secretária, mas... Não sei, algo nele parecia diferente de uns tempos para cá. Tinha sido depois de eu tê-lo flagrado na boate de pet play e descoberto o seu segredo? Ou depois da torsão do meu pulso por sua causa, quem sabe? Bem, isso ainda tinha sido ontem, então eu não deveria contar como um motivo. Contudo, de um jeito ou de outro, ele vinha se mostrando um pouco mais prestativo e parecia reconhecer melhor o meu trabalho, isso eu não podia negar. Longe de mim defendê-lo, mas bem, era a segunda vez que uma folga me era oferecida em menos de vinte e quatro horas; dessa vez me imposta, na verdade. Ele poderia ser pior, do tipo carrasco de verdade igual alguns outros chefes dentro da própria Price, mas o pior que ele fazia era me gritar por café da sua sala uma meia dúzia de vezes por dia.

Céus, aquilo deveria ser o resto do álcool ainda presente no meu corpo tomando conta dos meus pensamentos. Eu não poderia estar possivelmente defendendo Yoon Jeonghan dentro da minha própria cabeça, certo?

Levantei, sacudindo a cabeça. Deixei o bilhete do Yoon colado em algum canto da mesinha de centro e comecei a recolher o lixo da mesma, já que era o que me restara por hora. Arrumei a sala e a limpei como pude, dado o meu pulso ainda imobilizado, e novamente voltei a encarar o post-it amarelo berrante sobre o velho móvel de madeira, agora sendo a única coisa que ainda restara ali.

Folga. Um dia inteiro sem precisar trabalhar e fazer coisas que me eram ordenadas, apenas fazendo aquilo que fosse do meu agrado e que me desse vontade.

Contudo, o que diabos exatamente eu tinha vontade de fazer?

Digo, o que pessoas normais fazem quando tiram folga?

Notas finais
E então, o que acharam do capítulo? A Shin vendo folga pela primeira vez na vida, tadinha kkkkkk achou que era de comer. O próximo capítulo será bem especial, a espera valerá a pena! Até ♥