Meu CEO de estimação
20 O celeiro do CEO
Notas iniciais
— Muito prazer, Diretor Yoon. Eu me chamo Seokmin. — o mais novo disse, simpático. — Sou amigo de infância da Min Min-noona e, também, um futuro membro da família Shin.
Dito isso, Seokmin me deu um esbarrão camarada de ombros e os olhos de Jeonghan quase saltaram para bem longe do seu rosto diante aquela cena. Seokmin tinha um sorriso travesso no rosto enquanto me fitava e, se o Yoon não tinha interpretado as coisas de forma equivocada antes e já estava estupidamente com ciúmes, agora ele devia estar imaginando o meu noivado com o Lee.
O diretor se engasgou e, quando finalmente se recompôs, fitou Seokmin com os olhos esbugalhados em choque.
— O que você disse?!
Como qualquer outra pessoa sensata teria pensado em fazer em um momento como aquele, o meu primeiro impulso instintivo ao me deparar com a expressão de completo choque estampada no rosto de Jeonghan foi de agarrar Seokmin pelo braço e puxá-lo para baixo para que o seu ouvido esquerdo conseguisse ouvir com nitidez o meu cochicho desesperado.
— Você enlouqueceu?! — eu o repreendi em um murmúrio o mais contido possível, aproveitando-me da oportunidade de que Jeonghan parecia distraído demais com o seu próprio caos de pensamentos para nos notar naquela posição. — Como você pode se apresentar assim para alguém que não nos conhece?
— E o que tem demais no que eu disse? — o mais novo rebateu, realmente confuso. Mesmo sem entender nada, Seokmin me acompanhava no quesito sussurros. — É a mais pura verdade, oras. Eu nunca vou desistir do meu objetivo de vida de me casar com...
— O problema é que ninguém de fora sabe quem faz parte desse seu objetivo, Seokmin–ah! — resmunguei, frustrada.
De repente, Seokmin mudou a sua expressão de uma testa franzida e confusa para olhos mais estreitos e sagazes. Fitou Jeonghan dos pés à cabeça de escanteio e, em seguida, fez o mesmo comigo; só que de forma mais descarada, obviamente.
— Esse tal de Yoon Jeonghan é mesmo só o seu chefe? — questionou enquanto frisava a palavra chave de toda aquela história. — Porque a noona não teria motivos para se preocupar tanto com a ideia do seu chefe acreditando que nós temos alguma coisa a mais acontecendo entre nós dois. Como seu chefe, ele não tem nada a ver com a sua vida pessoal, certo? A menos que as coisas funcionem diferentes em Seul, mas eu não acho que...
— Está bem, está bem. Você venceu. — eu disse um par de vezes de forma agoniada, percebendo que Jeonghan já tinha notado a nossa troca de sussurros e que não parecia nada feliz com aquilo. Bufei. — Quando foi que você ficou tão inteligente, garoto?
Seokmin segurou uma risada travessa, mesmo que eu não estivesse exatamente o elogiando naquele momento. Na verdade, o Lee sempre tivera fama de ser uma pessoa extremamente ingênua e dono de um raciocínio um tanto lento — certa vez, no colégio, os outros garotos da sua turma lhe pregaram a mesma peça três vezes em um único dia e, em todas as três, ele caiu feito um patinho sofrido — então muito me admirava ter sido justamente ele a primeira pessoa a notar que, na verdade, Jeonghan e eu não éramos mais apenas patrão e empregada.
E isso também acendia o alerta vermelho da preocupação dentro da minha cabeça, claro. Se Seokmin, a pessoa mais devagar para notar e processar as coisas que eu já tinha conhecido, tinha percebido que havia algo a mais entre mim e o Yoon tão rapidamente, quanto tempo demoraria para os nossos colegas de trabalho notarem? Porque, pelo visto, eles não teriam grandes dificuldades para notar.
Céus! E se isso logo começasse a circular pelos corredores da Price?! Como ficaria o meu emprego e, ainda pior, a candidatura à presidência de Jeonghan?
— Noona. — Seokmin me chamou num cochicho, me puxando momentaneamente para fora das minhas já antecipadas paranoias. — Então quer dizer que esse hyung rico aí está lhe roubando o coração?
— Bem... — eu iniciei, sem jeito. — É algo mais ou menos assim.
O mais novo ergueu o canto da boca num sorriso mal-intencionado, o que só podia significar que algo nada bom estava por vir.
— E eu posso brincar um pouco com isso? — pisquei algumas vezes, confusa, e ele deu de ombros. — Eu preciso saber que tipo de homem é o meu futuro cunhado, oras.
— No que diabos você está pensando, Lee Seokmin? — devolvi o sussurro e logo ouvi Jeonghan pigarreando, nervoso.
Seokmin imediatamente alargou o seu sorriso travesso, o que, o conhecendo desde quando ele ainda usava fraldas e comia a terra do quintal dos fundos de casa como se fosse uma sobremesa como eu o conhecia, significava que algo ainda pior estava por vir.
— Vou aceitar isso como um sim. — respondeu, ignorando completamente a minha pergunta e, de bônus, a minha cara de cego perdido no meio do tiroteio. Em seguida, Seokmin se endireitou e me puxou para fazer o mesmo, logo lançando um braço abusado por cima dos meus ombros e me fitando. — Noona... — chamou-me de novo, porém, agora repentinamente mais manhoso e sacudindo o meu tronco sem nenhuma explicação lógica. — Você sabe há quanto tempo eu não visito a minha futura família? Eu tenho andado tão ocupado ajudando os meus pais com o plantio da nossa fazenda... Céus, meus sogros devem estar me odiando! — contou como um tio distante e quarentão contava algo que tinha acontecido na pescaria da semana passada e, em seguida, me fitou com uma sobrancelha erguida. — Você, por acaso, já estaria voltando para casa?
— Casa? — eu repeti, ainda confusa, e a sobrancelha do Lee se moveu para cima novamente, sugestiva. — Bem, nós só íamos pagar pelas roupas e já estávamos voltando, até porque...
— Ótimo! — exclamou de repente, assustando tanto a mim quanto a Jeonghan. — Então nós podemos voltar juntos, não é?
— Voltar? — foi o próprio Jeonghan quem perguntou, dando um passo para frente para se intrometer melhor e com mais autoridade na nossa conversa. — Voltar para onde, exatamente?
Não diga que nós estamos indo para a minha casa, Lee Seokmin. Por favor, não seja essa a sua ideia de teste...
— Para a casa da noona, oras! — o mais novo respondeu, animado.
Se isso fosse uma cena de dorama, esse seria o exato momento no qual a vida estaria me dando um belo de um tapa de kimchino rosto. Digo, do fundo do meu coração, eu gostaria de saber qual divindade eu tinha possivelmente irritado para ser castigada com um Yoon Jeonghan que por pouco não estava realmente soltando fumaça pelas orelhas naquele momento — e ele estaria, se isso fosse mesmo um dorama. Meu chefe deixou a cabeça pender para o lado e eu imediatamente soube que aquilo era um sinal do ápice da sua pane mental, porém, infelizmente, não havia muito o que eu pudesse fazer para consertar aquilo.
Na verdade, havia sim, mas por algum motivo eu simplesmente ainda não tinha o feito. Eu conhecia Jeonghan bem o suficiente para identificar que ele estava sim com ciúmes de Seokmin e que, se o Lee continuasse o provocando daquele jeito, o seu cérebro logo estaria acusando tela azul tamanha era a mistura de ira e confusão mental estampada em seu rosto; porém, nada até aquele momento tinha me feito impedir Seokmin de continuar alimentando aquele completo mal entendido. Eu não sei ao certo, talvez eu só quisesse ver até onde a versão ciumenta do Yoon era capaz de ir. Não que eu gostasse daquele tipo de coisa e, mesmo nunca tendo estado em um namoro de verdade antes, eu tinha plena convicção de que detestaria ter um parceiro que não confiasse em mim o suficiente para ter que viver enciumando e me questionando sobre coisas simples do meu dia a dia. Por isso, eu não achava certo que Jeonghan sentisse ciúmes justamente de Seokmin, um amigo de infância por quem eu tinha um carinho de irmã mais velha enorme, mas...
Era simplesmente intrigante vê-lo daquele jeito.
O punho esquerdo levemente cerrado, a mandíbula rígida e imóvel e a expressão desnecessariamente dramática em seu rosto de quem acabara de ser apunhalado pelas costas... Céus, como aquilo era engraçado! Jeonghan já tinha se mostrado como uma pessoa possessiva no que desrespeitava ao trabalho, como nas vezes nas quais ele fazia questão de tomar a frente de certos projetos ou, ainda, ter o controle de tudo que acontecia na empresa bem na palma da sua mão, mas eu não fazia ideia de que ele poderia agir do mesmo modo com pessoas também — e quem dirá comigo.
Por isso, eu ignorei completamente todos os sinais lógicos que apitavam na minha cabeça naquele momento e, num ato impulsivo, acabei tomando a decisão mais estúpida de todas: embarcar no jogo de Seokmin.
— Então vamos! —exclamei enquanto imitava a animação do Lee e, ironicamente, até o próprio se assustou com a minha atitude. — Você pode aproveitar e ficar para almoçar logo, que tal?
— Sério? — ele perguntou rindo, mas obviamente não de felicidade nem nada do tipo, mas sim, da minha cara mesmo.
Fitei Jeonghan de escanteio, seu queixo parecendo que poderia cair até o chão a qualquer momento.
Por que diabos eu estava achando aquilo tão engraçado?
— Sério, oras. — dei de ombros. — Vem, vamos logo.
Dito isso, eu dei as costas para os dois esperando que, em algum momento, fosse acabar sendo seguida até o lado de fora da loja. Na verdade, eu estava apavorada em olhar para trás e encontrar alguma cena cuja qual eu não queria ver — como Jeonghan atracado ao pescoço de Seokmin, por exemplo. Eu estava realmente tentando ser mais ousada ao ponto de, olhem só isso, provocar Jeonghan fazendo aquele tipo de brincadeira, mas o meu lado de gato assustado ainda estava mais do que presente me fazendo correr daqueles dois feito um relâmpago.
Céus, que o santo das secretárias que tentam ser ousadas me proteja.
***
— Seokmin–ah! Quanto tempo, meu amor! — a minha mãe veio exclamando da cozinha quando ouviu a voz nada discreta de Seokmin tomar conta da sala de estar. Ele falava animado sobre a colheita de milho da sua família daquele ano quando, de repente, a figura maternal que passava grande parte do seu dia na cozinha veio caminhando até nós enquanto enxugava as mãos no avental. Minha mãe se apressou até o Lee e o segurou pelo queixo, virando-o para um lado e depois para o outro sem nenhuma cerimônia. — Como você emagreceu tanto assim, menino?
Shin Sowon era sempre exagerada daquele jeito, ainda mais com quem ela considerava parte da família. Na verdade, desde a última vez que eu tinha visto Seokmin, alguns músculos inocentes tinham surgido em seus braços compridos e ele tinha esticado um bocado, o que fazia parecê-lo realmente com um homem maduro, apesar dos traços infinitamente adolescentes do seu rosto. Mais magro era, definitivamente, algo que ele não estava — mas nunca aos olhos da minha mãe.
— É que ninguém faz uma comida caseira deliciosa igual à da minha sogrinha. — Seokmin, que já não gostava de um drama também, bajulou minha mãe com um sorriso no rosto. — Mas não deixe a minha mãe saber disso, certo?
— Então hoje você almoça aqui. — a Sra. Shin intimou. — Que tal?
Não era como se o Lee tivesse outra opção, então, ele apenas riu e acenou positivamente com a cabeça. O clima estava levemente pacífico — lê-se por muito pouco — quando a minha mãe resolveu pedir um favor a Seokmin que ninguém sabia, porém, mais tarde, resultaria no princípio de uma terceira guerra mundial.
— Seokmin-ah, já que você já está aqui, poderia ajudar na limpeza do celeiro? — ela perguntou. — É porque hoje seria o dia para o meu marido fazer isso, mas ele machucou a coluna e está na cama, então...
— Mas é claro que posso! — Seokmin se prontificou a ajudar antes mesmo de a minha mãe terminar de falar. Eu já tinha lhe contado sobre o acidente do meu pai no caminho, então, ele estava perfeitamente ciente de que seria explorado assim que colocasse os pés naquela fazenda. — Bem, eu já sei o caminho, então vou indo lá resolver isso para a minha sogrinha.
— Eu posso ajudar! — outra voz masculina se voluntariou logo atrás de mim e, me virando na sua direção, eu encontrei Jeonghan já erguendo as mangas da sua camisa jeans como se estivesse pronto para esticar uma massa de pizza ou algo do tipo.
De repente, eu voltei o meu olhar para a minha mãe e nós nos entreolhamos com o mesmo pensamento em mente: não, isso com certeza não vai dar certo.
— Imagina, Diretor Yoon. — ela se apressou em tentar impedi-lo, dando alguns passos até o mesmo com o sorriso mais falso do mundo estampado em seus lábios. Até formal com Jeonghan ela estava sendo, tudo na tentativa de evitar um desastre eminente. — Você pode ficar aqui com a Minyoung. Ela pode levá-lo para dar uma volta na fazenda, conhecer o...
— Eu quem digo imagina, Sra. Shin. — o Yoon retrucou e, o conhecendo bem como eu conhecia, sabia que o seu sorriso naquele momento também era um tanto forçado. — Eu prometi que ficaria para ajudar com o que precisasse, certo? Então, se é na limpeza do celeiro que a senhora precisa de ajuda, eu ajudarei.
Céus, que desastre.
Como nenhum ser humano na face da Terra era capaz de segurar Yoon Jeonghan quando o mesmo estava determinado a fazer algo, tudo o que eu pude fazer foi partir atrás dele quando ele saiu porta afora atrás de Seokmin. O Lee, muito ao contrário de mim, caminhava saltitante e logo atravessou o quintal dos fundos até o celeiro da fazenda, enquanto isso tendo Jeonghan o seguindo como um cordeiro cego — e furioso, diga-se de passagem. As enormes portas de tábuas de madeira já estavam sem o enorme cadeado que as trancavam toda noite, por isso, Seokmin apenas precisou empurrá-las para que o ambiente rural fosse iluminado pela luz do dia. O cheiro era péssimo e sempre fora, eu tinha que confessar, mas parecia que tinha se tornado pior para mim depois de ter ficado tanto tempo longe da fazenda.
Então imaginem para Jeonghan, que nunca sequer tinha estado lá. Era naquele galpão enorme que as vacas e os seus bezerros passavam a noite, por isso, o lugar cheirava basicamente a leite vencido, placenta e esterco, o que nitidamente não era a fragrância que o Yoon estava esperando. Eu cheguei a notar uma provável volta do café da manhã até o topo da sua garganta, porém, ele conseguiu se conter ao ponto de apenas lacrimejar diante daquele odor tão forte e atípico. Aquilo realmente apertou o meu coração e me fez, imediatamente, querer desistir de toda aquela brincadeira envolvendo Seokmin. Caminhei até ele e o segurei pela mão, que acabou se surpreendendo com o meu toque.
— Você não precisa fazer isso. — eu disse já o puxando para fora do galpão logo da porta. — Não é algo com que você esteja acostumado e...
— Shin Minyoung. — interrompeu-me, sério, e puxou sua mão de volta para si. — Eu não sou o tipo de pessoa que quebra as minhas promessas.
Bufei.
— Escuta, eu sei o porquê de você estar fazendo isso. — insisti e apontei com a cabeça na direção de Seokmin que, naquela altura do campeonato, já estava ocupado atrás das grandes vassouras de aço e de uma pá para começar a limpeza. — Você sabe que não precisa provar nada para ninguém e, em especial, para mim, não é? Além disso, você entendeu tudo errado sobre mim e o...
— Por onde eu deveria começar? — interrompeu novamente, o que me fez revirar os olhos instantaneamente diante da sua teimosia. — Eu também deveria pegar uma pá, certo?
Não era possível que existisse um outro ser humano tão teimoso e cabeça-dura feito Jeonghan nesse planeta. Sinceramente, como uma única Terra conseguiria abrigar no mesmo espaço-tempo não um, mas dois, seres com aquela personalidade tão irritante?
Era impossível.
— Pegue a ferramenta que você quiser, Yoon Jeonghan. — eu rebati e lhe dei as costas, logo em seguida batendo o meu tênis contra o chão de terra feito uma criança birrenta durante todo o caminho de volta até a casa principal.
Também acabei batendo a porta da cozinha e, num piscar de olhos, minha mãe já estava entrando na mesma com um olhar de quem cortaria ambas as minhas mãos fora caso eu fizesse aquilo novamente. Respirei fundo e a fitei com os olhos caídos, silenciosamente pedindo desculpas por descontar minha frustração numa velha porta de madeira.
— Problemas com o chefe bonitão? — perguntou, curiosa.
— Mãe! — eu a repreendi por falar daquele jeito. — Por favor, ele é meu chefe.
— Só? — questionou com uma sobrancelha acusadora erguida na minha direção, o que imediatamente me fez emudecer. — Por favor digo eu, Shin Minyoung. Eu criei você, acha mesmo que não sei que está caidinha pelo diretor?
— Mãe! — exclamei novamente, constrangida o suficiente para não conseguir dizer mais nada além daquilo.
— E o jeito que ele olha para você? — suspirou. — Aigoo, nem o seu pai me olhava assim quando nós nos casamos!
— Mãe!
— Eu sei que sou sua mãe, menina. Está na sua certidão de nascimento e tudo, não é mesmo? — rebateu, irritada. — Agora, será que dá para me dizer qualquer outra coisa que não seja o meu título materno?
— É que... — eu iniciei a ponto de sofrer uma implosão. Céus, até a minha mãe já sabia! — Ele é meu chefe... Não seria algo bem visto...
— Bem visto? — minha mãe questionou. — Você enlouqueceu, Minyoung? Por acaso alguém precisa bem ver o seu relacionamento para vocês dois serem felizes juntos?
Arregalei os olhos instintivamente, espantada.
— O que? — balbuciei. — Isso significa que você nos aprovaria?
— Aprovar? — ela repetiu e, em seguida, gargalhou alto. — Não que você precise da minha autorização para namorar quem bem quiser, mas por que diabos eu recusaria um genro bonito, educado, rico e que, ainda por cima, faz a minha filha tão feliz? — dito isso, minha mãe veio até mim e, pela primeira vez em toda aquela conversa, assumiu uma postura mais séria. Porém, ainda assim, ela segurou o meu rosto e sorriu da forma mais doce possível. — Minyoung, você só está preocupada com essas coisas porque, com certeza, ainda não viu o próprio olhar no espelho quando o assunto é Yoon Jeonghan.
Nossa, aquela frase tinha me atingindo em cheio — minha mãe conseguia ser uma ótima aprendiz de filósofo quando queria, sinceramente. Eu sorri de volta para ela, aproveitando o seu toque quente envolvendo o meu rosto.
— Eu realmente gosto dele. — eu disse, por fim. — Muito.
— Eu sei, bobinha. — ela rebateu, rindo. — Mas, agora que você sabe, por que não volta lá e faz as pazes com aquele homem maravilhoso? Porque olha, se eu fosse uns vinte anos mais nova, eu juro que...
— Mãe! — voltei a exclamar antes que ela acabasse dizendo algo que me traumatizaria pela próxima década inteira.
Ela gargalhou e, sem outra saída, eu acabei acompanhando. Quando minha mãe soltou o meu rosto e balançou a cabeça em direção à porta, eu logo soube o que deveria fazer em seguida. Por isso, num piscar de olhos, eu estava atravessando novamente o quintal dos fundos; porém, agora, cheia de coragem nos meus passos e com um sorriso estampado no rosto. Abri a boca para chamar Jeonghan assim que coloquei os pés dentro do celeiro, contudo, a cena que eu encontrei fez o meu coração gelar e todos os sentimentos bons que antes palpitavam dentro do mesmo se esvaírem por todos os meus poros.
— Jeonghan! — exclamei e corri até ele, que estava sentado no chão ao lado de uma pilha de palha.
O Yoon estava com o rosto vermelho e uma expressão de dor indisfarçável estampado no mesmo, além do pé direito todo ensanguentado que era o principal motivo para me fazer perder toda a cor do meu próprio rosto em um mísero segundo.
— O que aconteceu? — perguntei assim que me joguei de joelhos ao seu lado, inconscientemente alcançando a sua mão ao fim do processo.
— Ele acabou pegando uma enxada velha demais e, quando ergueu a mesma, a lâmina se soltou do cabo e caiu direto no pé dele. — foi Seokmin, que estava de pé ao lado de Jeonghan, quem explicou. — Eu sinto muito, noona. Eu devia ter visto. Eu realmente sinto muito...
O Lee parecia realmente chateado e nervoso com a situação, o suficiente para não saber sequer onde enfiar as próprias mãos. Eu o fitei por um breve instante, já que um gemido de dor vindo do Yoon me fez voltar os olhos para ele imediatamente.
— Tudo bem, não foi culpa sua. — foi o próprio Jeonghan quem respondeu. — Eu estou bem, foi só um corte.
— Só um corte?! — exclamei, revoltada. — Tem sangue para todos os lados! Vem, nós vamos levar você para o hospital agora.
— Não precisa, eu...
— Yoon Jeonghan. — rosnei seu nome completo, o que fez com que ele se calasse imediatamente. — Não me faça ficar ainda mais preocupada com você.
Dito isso, a expressão de dor aguda deu lugar a um sorriso largo no rosto do Yoon, ainda que também dolorido.
— Preocupada? — perguntou, travesso, e eu realmente quis entender como ele conseguia fazer aquele tipo de brincadeira naquele momento, inclusive enquanto eu quase arrancava os meus cabelos diante de tanto sangue. — Então, você está mesmo preocupada comigo?
— Claro que sim, oras. — respondi. — Como eu não me preocuparia com o homem que eu gosto?
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