Meu CEO de estimação

27 Aos olhos do CEO - parte I


Notas iniciais
E não é que quem é vivo sempre aparece? Pois bem, para não enrolar ainda mais, eu darei as minhas explicações nas notas finais, ok? Aí vocês podem pulá-las também se quiserem, vai de cada um kkkk. Por enquanto, eu só digo uma coisinha: esse capítulo é beeeem diferente do que vocês estão acostumado a ver nessa história, mas vocês vão entender o quão importante ele é quando lerem! Além disso, o narrador também é outro rsss, alguém que já deu as caras aqui uma vez, inclusive. Boa leitura!

Olá.

Primeiramente, eu peço desculpas pela intromissão. Além disso, eu já cheguei quebrando a tradição por aqui de colocar uma pequena reprise do momento no qual a história parou da última vez, não é mesmo? Aquelas letras em itálico que costumam aparecer bem aqui, no comecinho de tudo... Bem, eu sinto muito por isso também, mas nós não as teremos por aqui hoje. Acontece que, pelo o que eu pude perceber, vocês têm acompanhado todo o desenrolar dessa história através dos olhos da Min Min — Min Min para mim, claro, porque para qualquer outra pessoa é Shin Minyoung mesmo — mas que tal uma pequena mudança de perspectiva? Pois bem, é exatamente nesse contexto que eu me encaixo.

Muito prazer, eu me chamo YoonJeonghan. O CEO dessa história, o chefe peculiar, o filhote de estimação adotado pela Min Min e o homem que eu sei que a grande maioria de vocês gostaria de ter um. Eu mesmo, o próprio. Não que eu já não tenha dado as caras por aqui antes, claro, mas é que dessa vez em específico as coisas estão prestes a ser um pouco diferentes. Muito já aconteceu desde a última vez que nos encontramos e, bem, muito ainda está prestes a acontecer.

Eu não quero soar bipolar nem nada do tipo, mas, caso vocês ainda não saibam, existem algumas facetas um tanto distintas da minha pessoa; e sim, todas elas coabitam dentro de mim no meu dia a dia. Até então, creio eu, vocês têm tido a oportunidade de conhecer a melhor das minhas versões: aquela que só aparece única e exclusivamente para a minha Min Min. Porém, infelizmente, eu estou prestes a lhes mostrar uma personalidade bem diferente daquela com a qual vocês, inclusive a própria Minyoung, estão acostumados a conviver. É claro que a Min Min já me viu irritado ou inconformado com alguma coisa antes, afinal, ela tem estado fielmente ao meu lado nesse ambiente caótico de trabalho pelos últimos três anos, mas... Digamos que os meus limites de irritação foram rudemente ultrapassados nesse caso em específico.

Contudo, antes de mais nada, deixe-me contextualizar a situação — pelo menos para que eu não pareça ainda mais louco para vocês, já que eu tenho certeza que a Min Min vem contando algumas coisas não muito agradáveis sobre mim no desenrolar que passou dessa história. Resumidamente, eu não tenho família. Mas por favor, não precisa se sentir mal por mim nem nada do tipo, eu já aprendi a lidar com isso há um bom tempo, sendo sincero, e hoje eu conto essas coisas mais como se estivesse descrevendo um traço da minha personalidade. A minha mãe, de quem eu pouco me lembro, faleceu logo após o meu parto. Pelo o que o ouvi do meu pai conforme crescia, eu fui um bebê teimoso daqueles que não quer colocar a cara no mundo de jeito nenhum e dei muito trabalho na hora de finalmente o fazer. Foi um parto muito difícil e, como a minha família não tinha lá essas condições financeiras naquela época, ela acabou não resistindo; inclusive pela falta de melhores condições hospitalares, mas isso não importa realmente agora.

Eu senti muita falta de ter uma mãe, obviamente, em especial quando ainda era criança, mas eu também não tenho do que reclamar sobre a criação que o meu pai me deu. Sendo completamente honesto com vocês, já que nem tenho porque mentir mesmo, eu tive tudo o que precisava; desde amor, carinho e ensinamentos de bons valores, até o conforto e o luxo que o meu pai trabalhou duro para me proporcionar. Após a morte da minha mãe, ele percebeu que precisaria cuidar de mim sozinho e, por isso, se uniu ao meu tio para fundar a própria empresa. Depois de muita discussão, eles escolheram o ramo do entretenimento — uma sacada de mestre da parte do meu pai, eu devo ressaltar, já que foi ele quem teve a observação visionária de que aquele seria o ramo do futuro — e, mesmo que o meu tio estivesse com o pé atrás por conta de toda aquela áurea sonhadora até demais que o meu pai sempre tivera, ele resolveu injetar o capital do qual o seu irmão mais velho precisava para a fundação da Price Entertnaiment.

Ah, é aqui que a história fica curiosa. Vocês querem saber o real motivo para o meu tio, naquela época conhecido por ser o “irmão Yoon rico”, ter feito um investimento tão alto em uma ideia tão incerta? Porque não, não foi por confiança no próprio irmão dele que estaria no comando do projeto, mas sim porque ele estava falindo. O irmão Yoon rico, na verdade, tinha sido muito rico um dia, mas a sua rede de lojas de materiais de construção estava à beira da falência naquela época. Mas por que? Vocês me perguntam enquanto os seus neurônios começavam a dar nós uns nos outros, e eu entrego a resposta que está descansando deliciosamente na ponta da minha língua: porque Yoon Byungho era e sempre foi um péssimo administrador. Mas é claro que ninguém além dos acionistas da Price podem saber disso, então por favor, guardem esse precioso segredo para mim. Ou o dividam com a Dispatch também, sinceramente, eu não me importo.

Nesses últimos anos presidida pelo meu tio, a Price só não faliu por causa do conselho de acionistas, os quais vêm trabalhando duro para segurar as pontas soltas que Byungho vive deixando pelos cantos; e, como eu não sou nada humilde, devo dizer que eu também tenho grande participação nisso. As suas ideias são péssimas, os seus planos econômicos são horríveis e o seu jeito no geral de lidar com os problemas que surgem diariamente na empresa é um verdadeiro pesadelo, mas... De onde veio o capital inicial da empresa mesmo?

Exatamente.

A eleição presidencial nunca foi sobre a minha idade, porque, na verdade, nunca realmente houve uma eleição presidencial. O acordo era um tanto simples de entender, apesar de nunca ter sido dito em voz alta por ninguém: o capital inicial pertencia a Byungho, portanto, a presidência da empresa também pertence a ele. Como sócio majoritário, ele ainda consegue assustar o restante dos acionistas muito bem com a sua lógica deturpada, o que também sempre me assombrava em todas as eleições nas quais eu me candidatava — porque eu sabia que iria perder. Até mesmo agora, com todo o apoio que Minyoung vem me dando de forma tão inocente e fiel, até mesmo com a sua ideia do comercial e o possível apoio dos próprios funcionários da Price, eu ainda me sentia inseguro. Eu queria continuar o legado do meu pai, lógico, tudo o que eu mais queria era devolver a ele o título de verdadeiro fundador da Price, mas eu sempre soube, no fundo, que essa era uma luta perdida.

Mas não mais. Porque não bastava o meu tio ser um péssimo administrador, ele também contava com o bônus de ter um caráter ainda pior. Porque, por mais que nós não considerássemos um ao outro como membros da família — por isso eu digo que não tenho uma, no caso — ele ainda não tinha o direito de jogar tão baixo e de me passar a perna daquele jeito, ainda mais envolvendo pessoas inocentes as quais ele coagiu descaradamente.

Mas Yoon Byungho não iria mais passar dessa eleição.

Já era tarde da noite, quase início da madrugada, porém, quando eu toquei o interfone do portão principal da mansão de Byungho, a governante automaticamente o abriu de dentro do interior da casa. Eu havia sido criado naquela casa, já que o meu pai se mudara para ali comigo quando os dois irmãos resolveram fundar a Price, e só saíra de lá após o falecimento do meu pai — quando as coisas se tornaram insustentáveis de vez entre mim e o meu tio e eu, felizmente, já era independente financeiramente dele ao ponto de poder ter o meu próprio apartamento — por isso, todos os funcionários ali já me conheciam e gostavam da mim. A governanta, a Sra. Zhuo, abria o portão para mim sem pensar duas vezes toda vez que me via pelas câmeras de segurança, ainda que sempre insistisse que eu poderia entrar quando quisesse, já que sabia a senha do painel de segurança.

Contudo, aquela casa nunca fora realmente minha.

Depois de percorrer o enorme jardim que decorava a frente da casa, estando esse muito bem cuidado e iluminado, eu logo alcancei a porta da frente, onde a Sra. Zhuo já me esperava com o seu uniforme perfeitamente costurado e passado de governanta, como sempre fora. Ela me lembrava bastante o Sr. Boo, talvez pelas idades similares e pelos sorrisos sempre acolhedores. Ou, talvez, porque ambos vinham cuidando de mim desde quando eu me entendo por gente.

— Jeonghan–ah! — a mais velha exclamou de forma contida, provavelmente por causa do horário, mas ainda igualmente animada. — Há quanto tempo eu não lhe vejo, querido.

Gentilmente, eu peguei uma de suas mãos e beijei o topo da mesma, algo que sempre tivera o costume de fazer pela mais velha. Começou como uma demonstração de respeito quando eu ainda era apenas uma criança, mas hoje, quando as suas mãos já estão mais enrugadas e calejadas pela vida, eu o faço com todo o carinho.

— Desculpe, Nana. — eu me desculpei, sem jeito. Zhuo Chen Xuan era uma imigrante chinesa que viera para a Coreia ainda muito nova fugida de uma guerra, mas que jamais havia deixado a cultura do seu país de origem de lado. Por isso, eu costumava chamá-la de Nana, uma forma carinhosa chinesa de se chamar mulheres mais velhas, na maioria das vezes avós. — A empresa tem me deixado muito ocupado, mas eu prometo vir visitá-la mais vezes assim que essa correria toda passar.

E quem me garantia que aquilo passaria? Eu estava, na verdade, fazendo uma promessa sem fundo, mas valia a pena se o resultado da mesma fosse aquele enorme sorriso aconchegante estampado no seu rosto.

— Não se preocupe, querido. Pelo menos, você me parece bem mais saudável do que da última vez que eu o vi. — comentou me dando uma rápida olhada. — Você tem se alimentado melhor, não é mesmo?

Bem, eu estava sendo melhor alimentado, no caso. Sorri, lembrando-me da minha dona tão prestativa e cuidadosa, aquela que eu passei a última semana inteira encontrando preparando um delicioso café da manhã ao acordar.

Eu mal podia esperar para aquela ser a primeira cena que eu veria durante todas as minhas próximas manhãs.

— Algo do tipo. — respondi e dei de ombros, o que a fez erguer uma sobrancelha na minha direção. De repente, me lembrando do que tinha ido fazer ali, instintivamente fechei o meu semblante. — Yoon Byungho está?

Eu nunca o chamava de tio na sua presença e a Sra. Zhuo, por mais que não gostasse de nos ver vivendo brigados daquele jeito, sabia que a nossa relação não tinha mais jeito; por isso, ela apenas entristeceu o seu olhar e fitou o interior da casa.

— Ele ainda está no escritório, apesar do horário. — respondeu. — Você quer que eu o anuncie?

— Não precisa. — afirmei, firme. — Hoje eu vim para surpreendê-lo.

Dito isso, a mais velha abriu passagem para mim e eu comecei a caminhar a passos firmes pelo interior da luxuosa casa. A minha tia, quem vivia viajando de um canto para o outro do mundo, trazia objetos de decoração de todos os lugares os quais visitava, o que tornava a decoração de cada ambiente daquela casa bem rica e diversificada. Ela não era uma pessoa de todo ruim, mas também não se preocupava com nada do que acontecia ao seu redor, apenas com o dinheiro que o meu tio lhe dava todo mês para que ela gastasse como bem quisesse. Ela era um tanto fútil, eu devo admitir, apesar de nunca ter me tratado mal durante os anos que eu tinha vivido naquela casa.

Ou seja, não fazia muita diferença, no fim das contas.

A porta do escritório do meu tio era exageradamente grande e chamativa, exatamente como ele gostava de ter as suas coisas. Com o resquício de educação que ainda me restava em relação àquele homem, bati na porta duas vezes antes de abri-la.

— Pode entrar, Sra. Zhuo. — eu o ouvi dizer sem muito ânimo. Quando bati a sua porta preciosa logo atrás de mim com um pouco mais de força, Byungho finalmente ergueu a cabeça na minha direção e arregalou os olhos quando me viu. — Jeonghan? O que você está fazendo aqui?

Ele estava sentado à sua mesa de madeira maciça, confortavelmente acomodado na sua cadeira caríssima e acolchoada de escritório, e sequer cogitou se levantar da mesma por mais surpreso que pudesse estar com a minha presença.

Dei alguns passos para frente, adentrando no escritório sem muita pressa.

— Eu vim para discutirmos algumas coisas. — disse, simples.

Ele riu.

— Olha, se você ainda está se remoendo por conta do que aconteceu hoje mais cedo, saiba que a culpa não foi minha. — começou a dizer da forma mais descarada possível. — A sua secretária deveria ter checado melhor a agenda daqueles atores, oras. Eu, como presidente da Price, não poderia permitir que...

Enquanto Byungho me lançava as suas mentiras, eu calmamente tirei do bolso interno do meu paletó um pequeno gravador preto. Sem se dar conta do que estava acontecendo, meu tio continuou a sua fala, mas logo interrompeu a si mesmo quando apertei o play do aparelho. De dentro dos alto-falantes, saía a sua voz.

O que o Diretor Yoon está tramando com você e mais todos aqueles novatos? — a pergunta deixou o gravador de forma ríspida. O tom de voz era exatamente o de Byungho, o que o fez arregalar os olhos. — Vamos, a quantia que eu estou lhe oferecendo em troca dessa informação não é de se desperdiçar... Assim como o seu emprego aqui também deve ser muito precioso para você, certo? Você deveria preservá-lo bem.

— O que significa isso?! — Byungho brandou e finalmente se levantou, empurrando com tudo a cadeira para trás até que a mesma atingisse a estante de livros gigantesca atrás de si.

Ótimo. Era exatamente assim que eu o queria.

Ergui um indicador ao alto num pedido bastante ousado de silêncio.

— Ainda não acabou. — eu disse e pulei para próxima gravação salva no pequeno aparelho, já que apenas o começo da primeira havia sido o suficiente.

Wen Junhui, encha esses atores de trabalho. Não importa o que seja, eu não posso deixá-lo filmar esse comercial para o Jeonghan amanhã. — a voz do meu tio voltou a surgir de dentro do gravador, séria. — Mexa o que precisar mexer, pague o que e quem precisar pagar... Amanhã eu estarei fazendo uma surpresinha para o meu sobrinho.

— O que... — Byungho murmurou, sem reação.

Instintivamente, eu não pude evitar que o canto dos meus lábios se erguesse em um sorriso bastante irônico.

Eu disse que essa não era exatamente a minha melhor versão.

— Surpresa. — falei enquanto aproveitava a sua reação muito mais do que eu deveria, talvez.

— Como você conseguiu isso? — questionou num misto de irritação e confusão. — Você andou me espionando, Yoon Jeonghan?

O mais engraçado de toda aquela história? Yoon Byungho jamais desconfiaria de Wen Junhui, o seu próprio secretário e também quem havia me dado todas aquelas gravações de voz. O fato era que Junhui trabalhava para o meu tio há muito mais tempo do que, por exemplo, a Minyoung trabalhava para mim, o que acabou deixando o presidente um tanto acostumado com a submissão do secretário — e, consequentemente, fez com que Junhui atingisse o seu limite de humilhações sofridas diariamente dentro daquela empresa.

Então, eis aqui mais um motivo para a lista de características da péssima gestão de Byungho: ele preferia acreditar em espionagem corporativa a perceber que o seu próprio secretário havia se rebelado contra si e os seus maus-tratos.

Porque ele não fazia ideia de quão péssimo presidente ele era.

— Eu acho que posso dizer que aprendi com o melhor, não? — eu rebati e ergui uma sobrancelha na sua direção. — Afinal, foi você quem começou a bisbilhotar os meus assuntos primeiro, eu só fui obrigado a contra-atacar.

Tentando esconder o seu nervosismo, Byungho riu sarcasticamente.

— Você acha mesmo que vão acreditar que essa é a minha voz? E se eu alegar que isso não passou de uma montagem? — indagou, agora mais confiante. — É a sua palavra contra a minha.

— Exatamente. — foi a minha vez de rir. — Há quantos anos você é o presidente da Price, Yoon Byungho? Há quanto tempo exatamente aqueles acionistas anciãos conhecem você? — eu perguntei, o que pareceu deixá-lo confuso. — Acho que já deu para eles perceberem que tipo de pessoa você é, até mesmo que tipo de pessoa eu sou. E, então, será a sua palavra contra a minha.

O questionamento fez Byungho estremecer. Ele sabia que a grande maioria dos acionistas já estava farto de si e de ter que viver para acobertar os seus erros e deslizes, por isso, todos eles estavam apenas esperando que o meu tio cometesse a falha perfeita para o expulsarem da presidência da empresa. Eles não podiam tornar público o fato de que um gestor tão ruim havia estado afrente da empresa mais famosa no ramo do entretenimento no país apenas por causa de dinheiro, mas... Que o poder havia subido à sua cabeça e lhe tornado o tipo de pessoa capaz de subornar as outras apenas para manter a sua posição de presidente? Era a narrativa perfeita.

E Yoon Byungho sabia disso.

— O que você quer? — ele disse, por fim. — Porque você não está mesmo planejando me chantagear, ou está?

— Eu não sou igual você. — eu respondi e, sem nenhuma pressa, caminhei até a sua mesa. Não que eu esperasse que ele o fizesse, porém, em momento algum o meu tio recuou. Ele estava disposto a defender a presidência da Price com unhas e dentes tanto quanto eu, por isso, a minha proposta era bem mais simples do que ele poderia imaginar. — Eu vim propor um jogo limpo.

Surpreso ao ouvir aquilo, ele arregalou os olhos e me fitou.

— Você só pode estar brincando comigo. — comentou, incrédulo.

Mantendo a firmeza na minha postura, eu depositei o pequeno gravador sobre a sua mesa, deixando de fitá-lo por um momento. Em seguida, voltei a encará-lo nos olhos novamente.

— Eu não poderia estar falando mais sério do que isso. — afirmei. — Você quer a presidência, eu quero a presidência. Você acredita que é capaz de mantê-la, eu tenho certeza de que sou capaz de conquistá-la. Então, por que não lutamos de forma honesta pelo posto?

Meu tio franziu o cenho.

— O que você quer dizer com isso?

Honestidade, Yoon Byungho. É tão difícil assim para você de entender o que isso significa? — questionei frustrado, o que obviamente não o agradou nem um pouco. Porém, antes que ele pudesse se manifestar, eu continuei a minha fala. — Nós não vamos nos meter na candidatura um do outro e apenas focaremos nas nossas próprias. Será um jogo honesto, sem chantagens ou trapaças. E que o melhor vença essa disputa.

Hesitou. Claramente estava sendo difícil para ele entender o porquê de eu estar fazendo aquilo e, pelo seu olhar desconfiado, eu sabia que ele deveria estar pensando nos oitenta e quatro jeitos diferentes que eu poderia apunhalá-lo pelas costas.

Como se eu fosse igual a ele.

— Por que você está fazendo isso? — perguntou, exatamente como eu esperava. — Você tem a faca e o queijo na mão, então por que não acabar logo com isso? Por que está me dando uma chance?

— Eu não estou lhe dando nada. Na verdade, eu estou me dando uma chance. — expliquei. — Pela primeira vez na vida, nós iremos concorrer em uma eleição justa e de igual para igual. Assim, também pela primeira vez, eu finalmente terei a chance de provar que eu sou sim mais do que capaz de assumir a presidência da Price, independentemente da minha idade ou qualquer outro fator do tipo. — dito isso, eu me inclinei na sua direção e terminei em um sussurro de dizer aquilo que estava entalado na minha garganta desde cedo. — Porque derrotar você em uma eleição justa será muito mais prazeroso do que apenas deixar o conselho de acionistas expulsá-lo.

Afastei-me extremamente satisfeito, o que só melhorou ainda mais quando eu me deparei com o seu olhar completamente perplexo.

— O que faz você ter tanta certeza de que pode ganhar essa eleição? — ele indagou e ergueu uma sobrancelha desafiadora na minha direção.

— O mesmo que faz você ter tanto medo de perdê-la: eu conheço o meu próprio potencial. — respondi com firmeza. Satisfeito comigo mesmo e dando aquele assunto por encerrado, eu finalmente endireitei a minha postura, me afastando por completo da sua mesa. Fitei o gravador depositado sobre a mesma. — Aproveita que é todo seu. Contudo, eu devo lembrá-lo de que essa é apenas uma cópia. Não me obrigue a divulgar a original antes da eleição, está bem?

Sem lhe dar tempo de responder — na verdade, o meu tio parecia atordoado demais para rebater qualquer coisa — eu lhe dei as costas e calmamente caminhei até a porta do seu escritório. Antes de sair pela mesma, porém, eu dei uma última olhada para trás. A sua figura me dizia tudo o que eu precisava saber naquele momento: YoonByungho não voltaria mais a me perturbar e sabotar. Bati a porta atrás de mim e esperei pacientemente.

De acordo com a minha contagem, cinco segundos se passaram até que o barulho de coisas sendo quebradas e lançadas longe — o gravador provavelmente estando no meio das mesmas — foi nitidamente ouvido do outro lado da porta. Pois bem, se Byungho estava irado e inconformado, o meu trabalho ali tinha sido feito.

Agora, só me faltava terminar o restante do mesmo: ganhar aquela eleição.

Porém, antes, havia um lugar ao qual eu precisava recorrer para recarregar as minhas energias.

Notas finais
E então, o que acharam? Então, deixa eu justificar o meu sumiço aqui porque eu acho que estou sendo um pouco injusta com vocês em desaparecer sem dizer nada: eu não gosto de falar da minha vida pessoal, mas as coisas tem estado um pouco difíceis ultimamente (e isso envolve até a autora que vos fala jogando tudo pro alto e cogitando seriamente trocar a sua carreira no meio do nada). Por isso, o que eu tenho pra dizer agora é, infelizmente, que é muito provável que eu continue demorando a atualizar essa história. Eu simplesmente odeio escrever quando estou me sentindo sob pressão ou frustrada, então prefiro ser do tipo que demora uma vida, mas entrega o trabalho bem feito que vocês merecem. Pra vocês terem noção, eu passei duas semanas inteiras encarando a página em branco do Word sem saber direito o que escrever, até que resolvi ser radical e trazer o Jeonghan para esse capítulo (e para clarear as minhas ideias kkkk). Ele também será o narrador do próximo, inclusive, como já deve ter dado pra notar pelo título. Enfim, é basicamente isso. Eu não expliquei muita coisa porque sei que vocês estão aqui para se divertirem com a minha história e não para ouvir as lamúrias dessa autora, mas espero que vocês possam continuar me entendendo e esperando por mim! Prometo que, assim que escrever algo bom, que eu goste e vocês mereçam, eu volto aqui, combinado? Até breve ♥