Meu CEO de estimação

29 A segunda-feira do CEO


Notas iniciais
Voltei e não voltei sozinha, pois trouxe comigo a nossa narradora suprema dessa fanfic kkkkk. O POV do Jeonghan foi bom enquanto durou (ótimo, inclusive, eu tenho que agradecer a vocês por terem sido tão fofos nos comentários quanto aos dois últimos capítulos terem sido narrados pelo Jeonghan)! Espero que gostem. Boa leitura!

— Min Min-ah!

Cerca de mil e noventa e cinco dias atrás — ou três anos, mais especificamente — eu me lembro de escutar Yoon Jeonghan exclamando o meu nome completo pela primeira vez pelo escritório. Eu me recordo com perfeita nitidez de tremer dos pés à cabeça com o susto, já que ele parecia irritado enquanto me chamava da sua sala, que desde sempre fora ao lado do meu cubículo, ou vice-versa, no caso, já que o meu cubículo certamente fora colocado lá depois. Eu corri até ele o mais rápido que pude e, entrando esbaforida no escritório do meu chefe — mas não sem antes de cometer a bela gafe de não ter batido na porta primeiro, inclusive — eu me apressei para lhe perguntar o que havia de errado e, para a minha surpresa, Jeonghan me olhou com a cara de pau mais bem lustrada do mundo e me mandou descer para comprar um café gelado para ele na lanchonete da Price, que ficava no térreo do prédio naquela época.

E foi assim, logo na minha primeira semana de trabalho, que eu descobri como seriam os próximos três anos da minha vida, que se resumiram basicamente a ser a secretária em tempo integral do diretor executivo da Price Entertainment, Yoon Jeonghan.

Três anos mais tarde, chegava a ser cômico ver aonde nós tínhamos chegado. Nesse exato momento, ao invés de estar gritando pela sua Secretária Shin enquanto assusta todo um andar da empresa com o seu berro, Jeonghan me chama do segundo andar da minha própria casa — muito provavelmente do meu quarto, a julgar pela sua voz abafada — pelo apelido que, sinceramente, eu sequer me lembro mais como foi parar na boca dele, mas que hoje eu confesso adorar ouvi-lo dizer. Enquanto isso, vale a pena ressaltar que, no lugar de correr em tempo recorde a curta distância do meu cubículo até a sua sala, eu estava fazendo o nosso café da manhã quando ele me chamou e, bem, continuei exatamente assim ao ouvir a tal exclamação.

— Sim? — eu dei um sinal de vida enquanto terminava de arrumar as panquecas recém-preparadas em um prato grande de louça branca, alguma das diversas peças antigas deixadas pela minha avó naquela casa.

Ultimamente eu estava me saindo uma cozinheira muito melhor do que o esperado, se vocês me permitem tirar esse espaço para um autoelogio.

— Você lembra aonde eu coloquei as minhas gravatas? — perguntou ainda do andar de cima e parecendo estar à beira de um colapso de desespero. — Eu não consigo achar em lugar nenhum, Min Min-ah!

Ri sozinha e sequei as mãos no avental que usava para não deixar resquícios de café da manhã pela minha roupa de trabalho. Se nós continuássemos naquele nível, ou volume mais corretamente dito, logo mais chegariam as reclamações dos vizinhos idosos por estarmos fazendo muito barulho àquela hora da manhã.

Dei de ombros. Problema era deles.

— Elas estão na segunda gaveta da cômoda, Jeonghan! — exclamei um tanto frustrada, mas, no fundo, estava segurando uma risada da situação completamente perdida do Yoon. — Foi você mesmo quem escolheu colocá-las lá!

Ah, eu contei que hoje já era segunda-feira? Não uma segunda-feira qualquer, mas aquela específica após a mudança de Jeonghan aqui para casa. Sim, ele tinha se mudado para cá nesse final de semana, por fim. Não trouxera muita coisa além das suas próprias roupas — o que por si só já era muita bagagem, mas tudo bem — e alguns móveis que nós tínhamos entrado em um consenso de não deixar para trás em desuso no apartamento dele, já que seriam bastante úteis para ambos estando aqui.

De repente, eu ergui os olhos e me deparei com aquela maravilhosa geladeira duplex de inox bem ali ao meu lado, posicionada com toda a sua magnitude no meio da minha cozinha. Por favor, façamos um minuto de silêncio em homenagem a esse belíssimo consenso.

Porém, interrompendo o mesmo, eu logo ouvi os passos apressados de Jeonghan descendo as escadas.

— Obrigado, Min Min-ah! Eu realmente tinha me esquecido de onde tinha colocado as gravatas... — a voz familiar e nitidamente mais aliviada veio detrás de mim e, por estar ocupada terminando de guardar a louça que tinha usado para preparar o café, eu acabei não me virando para o Yoon. — Mesmo que eu já esteja tão familiarizado com a casa, ainda me perco de vez em quando e... Espera, isso são panquecas?

Ri com a abrupta interrupção da sua fala. Eu sabia que Jeonghan adorava panquecas tanto quanto eu, mas a sua reação quando se deparava com um prato cheio das mesmas era sempre impagável — e eu nem precisava estar olhando diretamente para ele para saber disso. Contudo, eu estava prestes a me virar para encarar os seus olhos brilhantes e famintos pelas panquecas quando, de repente, senti um par de braços envolverem o meu tronco por trás do meu corpo. Abraçado à minha cintura, o Yoon depositou um beijo rápido, porém igualmente carinhoso, na curva do meu pescoço.

— Isso é pelas gravatas ou pelas panquecas? — eu perguntei brincando, ainda de costas para ele.

— É por você ser absolutamente maravilhosa. — ele sussurrou, soando pacífico e feliz naquele momento.

Sorrindo, eu me virei na sua direção ainda dentro do seu abraço, agora nos colocando um de frente para o outro. Imediatamente reparei que ele estava mais bem arrumado do que o normal, com os cabelos perfeitamente penteados para deixarem à mostra a sua testa e usando um terno branco impecável. Bem, Jeonghan costumava se vestir bem diariamente, mas aquela segunda-feira específica exigia aquele tipo de traje bem mais social e, digamos assim, até um tanto imponente.

Pois aquela também era a segunda-feira da eleição presidencial da PriceEntertainment.

Ajeitei a sua gravata preta, colocando-a no seu devido lugar de origem.

— Disso eu sei. — comentei e dei de ombros, ainda assim não conseguindo esconder aquele sorriso abobalhado. — Agora, vamos comer antes que as panquecas murchem. Ah, o restante da louça é com você.

— Sim, senhora. — Jeonghan concordou prontamente e, em seguida, riu daquela situação tão boba; mas que muito provavelmente se tornaria rotineira daquela segunda-feira em diante em ambas as nossas vidas.

Desvencilhando os seus braços de mim, ele abriu espaço para que eu caminhasse até a mesa na sua frente e assim eu o fiz. Nós nos sentamos um de frente para o outro no pequeno móvel de madeira antiga, ele agradeceu pela comida e, logo em seguida, nós começamos a atacar sem nenhuma misericórdia as panquecas e os seus acompanhamentos que eu havia acabado de preparar.

— Delicioso. — o Yoon comentou com a fala toda embolada, já que estava de boca cheia.

Naquele momento, atracado a uma panqueca e já começando a se lambuzar de calda, ele se parecia uma criança. Ri daquela cena, o que atraiu a sua atenção e, de repente, o fez endireitar os ombros.

— Shin Minyoung, você está rindo do futuro presidente da Price Entertainment? — questionou com um tom de voz sério e ergueu uma sobrancelha acusadora na minha direção. — Como secretária do futuro presidente, esse é um comportamento inaceitável.

Percebendo a brincadeira, eu entrei na mesma e copiei a sua postura ereta, me curvando por um breve momento.

— Desculpe, Presidente Yoon. — eu disse, formalmente. Em seguida, porém, eu me inclinei na sua direção com um sorriso de canto exposto em meus lábios. — Mas eu confesso que gosto dessa confiança.

Ao ouvir aquilo, o Yoon estufou o peito.

— E por que eu não estaria confiante? — perguntou, firme. — Eu tenho os funcionários da empresa ao meu lado e, também, ótimos resultados como diretor executivo ao meu favor para expor hoje ao conselho de acionistas. Além disso, claro, eu tenho o apoio da melhor mulher do mundo, então, como eu poderia não exalar confiança num dia como esse?

De repente, eu me peguei sorrindo de forma completamente orgulhosa daquele homem que Jeonghan havia se tornado. Ele sempre se demonstrava confiante e seguro de si, claro, mas ultimamente ele vinha se mostrando muito mais maduro, o que eu admirava bastante nele — era nítido como, naquele momento, o Yoon realmente acreditava nas palavras que estavam saindo da sua boca.

— Exatamente. — concordei, o apoiando. — Além disso, o seu tio também não irá mais tentar atrapalhar.

De repente, mesmo com toda a atmosfera otimista que nos rodeava, Jeonghan deixou os ombros caírem numa ação um tanto hesitante ao ouvir a minha fala.

— Você... — iniciou, repentinamente mais cauteloso. — Realmente não quer saber o que eu fiz com o gravador que o Junhui me entregou?

Já fazia uma semana que Jeonghan vinha pisando em ovos sobre aquele assunto comigo e, sinceramente, eu não via a menor necessidade daquilo. Ele parecia sim um tanto transtornado quando Junhui lhe entregou o gravador naquele dia da reunião com os funcionários, isso eu confesso, mas eu confiava nele e no seu senso de justiça — e tinha, inclusive, verbalizado aquilo quando ele me deixou na porta da minha casa naquela mesma noite e saiu sem me dizer exatamente aonde ia. Jeonghan tinha ficado estranhamente silencioso e pensativo naquela noite, além de um bônus de mais uns dias um pouco reclusos após aqueles acontecimentos, mas eu em momento algum o questionei sobre o que acontecera. Eu imaginava, claro, que ele tinha ido até o seu tio confrontá-lo sobre as gravações, mas o que acontecera após isso eu acreditava que pertencia apenas a eles dois. Ele poderia me contar quando se sentisse confortável em fazê-lo — e só se se sentisse — mas eu jamais o pressionaria a dizer algo que nitidamente o incomodava tanto. Sendo uma pessoa que preferia carregar algumas dificuldades sozinha, eu o entendia completamente.

Apoiei ambos os meus cotovelos sobre a mesa e o encarei, séria.

— Você cometeu algum crime usando as gravações? — questionei e ele arregalou os olhos.

— Não. — negou de prontidão, nitidamente sendo sincero em sua resposta.

— Machucou fisicamente alguém com aquelas gravações?

— Não.

— Então, pensando nisso, você se orgulha do que fez com elas?

Um momento de silêncio se fez presente entre nós dois e, durante o mesmo, Jeonghan abaixou o olhar para a mesa que nos separava.

— Não... — murmurou.

Respirei fundo.

— Por que? — voltei a indagar, o que fez com que ele me fitasse com o cenho da testa franzido em confusão. — Se você não cometeu nenhum crime e nem machucou ninguém, então o que exatamente você fez de errado com o gravador?

— Não é que tenha sido errado, é só que... — iniciou e se remexeu na cadeira onde estava sentado, claramente sem saber como terminar aquela frase. — Não é o tipo de coisa que eu normalmente faria, porque não foi exatamente certo também...

De repente, silenciosamente o interrompendo, eu estiquei o meu braço sobre a mesa e, com cuidado, segurei uma de suas mãos.

— Isso faz parte da vida, Jeonghan. — afirmei e ele me fitou, sério. — Às vezes, nós precisamos fazer coisas que, mesmo que não sejam legalmente erradas, ainda soam erradas para nós mesmos. É por isso que nós não nos orgulhamos dessas ações, ainda que as mesmas tenham sido a nossa única opção. — pausei e, como forma de confortá-lo, lhe ofereci um sorriso tranquilo. — E é também por isso que eu jamais exigiria que você compartilhasse comigo esse tipo de coisa. Eu gostaria que você o fizesse, claro, até porque eu não gosto de vê-lo carregando os seus fardos sozinho, mas você é forte o suficiente para fazê-lo se quiser. Além disso, eu confio em você. Tenho certeza de que o que você queira ou não me contar jamais afetaria essa confiança.

Durante alguns longos segundos, Yoon Jeonghan apenas continuou me encarando silenciosamente, como se estivesse perdido nos próprios pensamentos. De repente, ele retribuiu de volta o meu aperto na sua mão e sorriu.

— Um abraço seu agora seria o grandfinale perfeito. — ele disse, por fim, exibindo um sorriso que misturava o descarado com o inocente.

Podem me chamar do que for, mas, sendo completamente franca... Como eu poderia resistir àquele homem?

— Não seja por isso. — afirmei.

Após soltar a mão do Yoon, eu me levantei da cadeira e dei a volta na mesa sem nenhuma pressa, apenas observando o modo como ele me observava. Parei de frente para ele que, apesar de não ter se levantado da sua cadeira, já estava virado na minha direção, e abri os braços com o melhor dos meus sorrisos exposto nos meus lábios. Obviamente já entendendo a mensagem, Jeonghan aconchegou a cabeça na minha barriga e envolveu a minha cintura com os seus braços, conseguindo fechar uma volta ao redor da mesma sem nenhuma dificuldade.

— Eu amo você, Shin Minyoung. — ele sussurrou contra o meu suéter cinza.

Eu não precisava olhar para baixo para ter certeza de que ele tinha uma cópia igual ao meu sorriso naquele momento estampado no seu rosto, então, eu não o fiz. Ao invés disso, acariciei os seus cabelos loiros e, com a minha mão livre, o abracei pelos ombros.

— Eu amo você, Yoon Jeonghan. — eu respondi no mesmo tom de voz que o seu.

Aquelas palavras significam demais para mim e, por isso, eu só as tinha dito pela primeira vez na semana passada — e, exatamente como dessa vez, Jeonghan tinha sido o primeiro a dizê-las, mesmo que parecesse tê-lo feito um tanto inconscientemente. Mas acontece que sim, eu amava o Yoon, então por que não verbalizar aquilo? Por que não o deixar saber que existe sim alguém que o ama e com quem ele pode contar para qualquer situação? Eu jamais banalizaria aquelas palavras também dado o tamanho da importância que elas tinham para mim, porém... Deixar de dizê-las por timidez, hesitação ou o que quer que fosse, seria puro egoísmo da minha parte.

Por isso, enquanto eu pudesse deixar bem claro que amava aquele homem, eu sempre o faria.

— Min Min-ah. — ele me chamou rompendo o silêncio, ainda encostado na minha barriga. — Os nenéns fazem barulho quando ainda estão na barriga da mãe?

Franzi o cenho, confusa.

— Bem, eu nunca tive um neném dentro da minha barriga, então não sei ao certo... Talvez sim? Eu chutaria que sim. — respondi, ainda que vagamente. — Mas que tipo de pergunta é essa?

— É porque a sua barriga está fazendo alguns barulhos estranhos e...

— Isso é panqueca, Yoon Jeonghan. — eu tratei de interrompê-lo antes que aquelas ideias absurdas começassem a tomar conta da sua mente. De repente, comecei a rir, o que fez com que ele se afastasse de mim e risse também enquanto me fitava. — Vamos terminar logo esse café, pois ainda há uma pia de louças esperando por você antes do trabalho, Sr. Futuro Presidente.

Dito isso, o Yoon apenas balançou a cabeça positivamente e eu logo retornei para o meu lugar. Logo em seguida, nós terminamos de forma pacífica o que seria um dos últimos momentos relaxantes do nosso dia.

***

— Bom dia, Secretária Shin. Bom dia, Jovem Mestre. — o Sr. Boo nos cumprimentou com a sua típica simpatia matinal, o que era um tanto raro de se ver no meio empresarial e corporativo. Jeonghan logo parou junto às catracas para cumprimentar o homem de volta e eu, que vinha logo atrás, fiz o mesmo. — Boa sorte na eleição hoje, Jovem Mestre. Nós estamos todos torcendo por você.

Nitidamente absorvendo aquela energia positiva e regrada de confiança que o mais velho exalava, eu pude perceber como o sorriso de Jeonghan se tornou mais nítido e radiante — agora, ele sabia que nós, funcionários da Price, estaríamos lá por ele.

— Muito obrigado, Sr. Boo. — Jeonghan agradeceu da forma mais sincera e gentil possível. — Eu prometo que vocês serão os primeiros a saberem o resultado da eleição, está bem?

Com um sorriso no rosto, o homem fez que sim com a cabeça e permitiu a nossa passagem. Logo, nós estávamos esperando junto à fila de funcionários pelo primeiro elevador que aparecesse, o que eu particularmente gostava de presenciar nas manhãs que aquela cena fosse possível. Acontece que, eu não sei exatamente como isso começou — pois já era uma espécie de regra antes mesmo de eu me juntar à Price como secretária — mas nenhum funcionário além de Junhui e aqueles de maior escalão dentro da empresa podiam entrar no mesmo elevador que o Presidente Yoon; e ele também não enfrentava filas para pegar um, obviamente. Sendo sincera, eu achava até cômico o modo como os demais funcionários eram obrigados a dar um passo para trás para, enquanto continuavam esperando infinitamente pelo próximo elevador, permitir que apenas o presidente e o seu secretário tomassem conta de um elevador inteiro só para os dois. E depois eu ficava tomada por revolta, claro, mas não era como se eu fosse capaz de mudar aquela norma tão estúpida e arcaica.

Mas Jeonghan era. Ao contrário do que acontecia diariamente com o seu tio, Jeonghan nunca se importara em esperar na fila do elevador junto ao restante dos funcionários — na verdade, eu acho que ele nunca sequer cogitou fazer o mesmo que o Presidente Yoon — e eu mesma já havia o acompanhado em elevadores que mal davam para você mover um dedo lá dentro, especialmente nos horários empresariais de pico de movimento de funcionários. Os outros sempre o cumprimentavam com todo o respeito e cautela do mundo, claro, afinal Jeonghan ocupava o segundo cargo mais alto e importante da empresa, mas ninguém nunca parecia desconfortável ao seu lado. As pessoas iam descendo nos seus andares específicos normalmente e o cumprimentavam novamente quando o Yoon era quem deixava o elevador e, dali por diante, a vida seguia normalmente. Na minha visão, os outros funcionários o enxergavam como parte do quadro de funcionários, por mais que ele estivesse hierarquicamente acima do restante — ao contrário do seu tio, que parecia estar ali como alguém à parte para mandar no restante dos empregados.

E, no fim das contas, um detalhe aparentemente tão pequeno como aquele se tornou algo tão decisivo naquela segunda-feira específica.

Não havia muitas pessoas ali no salão naquele momento, porém, as mesmas pareciam emitir uma energia diferente conforme iam cumprimentando Jeonghan naquela manhã; mais positiva e, diria eu, até um tanto esperançosa. Eu estava extremamente satisfeita por ver como aquilo parecia aumentar ainda mais a confiança do Yoon em si próprio e, por isso, apenas permaneci em silêncio logo atrás dele enquanto o elevador nos levava até o nosso andar. Desembarcamos e, aos poucos, os acionistas foram dando as caras ao longo do curto corredor que levava até a principal sala de conferências da empresa — o local aonde a eleição presidencial sempre acontecia. Ao contrário dos demais funcionários, porém, os conselheiros demonstravam uma áurea completamente diferente conforme Jeonghan caminhava por entre os mesmos e ia os cumprimentando educadamente; incerta e até mesmo hesitante.

Malditos tubarões velhos de gravata.

Contudo, para restabelecer a minha paz interior naquele momento, o Yoon não se deixou abalar pelos olhares tortos e cochichos, seguindo o seu caminho com os ombros erguidos e o andar confiante. Assim, nós caminhamos juntos até a enorme porta de vidro do salão de conferências, onde eu automaticamente parei de caminhar. Confuso ao perceber a minha pausa, Jeonghan imediatamente olhou na minha direção com o cenho franzido.

— É aqui que eu o deixo. — falei e respirei fundo.

Sendo completamente sincera, eu estava com o coração partido em pedaços na minha mão enquanto fazia aquilo, mas aquela era a decisão mais certa a se tomar naquele momento.

— Como assim? — ele questionou, sério, e só então percebeu sobre o que eu estava me referindo. — Shin Minyoung, você esteve ao meu lado como minha secretária quase que integralmente durante os últimos três anos... Como agora eu poderia deixá-la aqui, do lado de fora, enquanto lá dentro os acionistas decidem o nosso futuro?

— Você está certo, eu estive aqui por três anos. Mas e quanto a você? Por quanto tempo você esteve aqui, Yoon Jeonghan, esperando por esse momento? — questionei calmamente. — Apesar de tudo, esse momento não é nosso como você pensa. Ele é seu.

— Mas você...

— Eu estarei esperando exatamente aqui. — eu o interrompi gentilmente, com um sorriso no rosto. Eu queria segurar a sua mão naquele momento, porém, tinha certeza de que o meu olhar já seria o suficiente para transmitir tudo o que ele precisava ouvir. — Eu confio em você.

Ainda hesitante, Jeonghan me fitou à contra gosto, mas foi exatamente naquele momento que ele entendeu o que eu estava lhe dizendo. Quando os nossos olhares se encontraram, ele soube que eu jamais o deixaria sozinho em um momento como aquele, porém, também não poderia dar os próximos passos ao seu lado — porque aquele não era o meu caminho, no fim das contas.

Respirou fundo.

— Eu volto logo. — afirmou com confiança e, segundos depois, desapareceu do meu campo de visão sala adentro.

E eu realmente esperava que ele voltasse logo, mas, principalmente, que voltasse acompanhado de uma boa notícia.

Notas finais
E então, o que acharam do nosso penúltimo capítulo? ESPERA NINGUÉM ME BATE AINDA, POR FAVOR! Sim, se tudo correr como o planejado, esse será o penúltimo capítulo da fanfic sim, então eu logo mais começarei a trabalhar no último! Mas não se afobem, pois eu também tenho uma ótima surpresa preparada para vocês rssss. Até breve!