Notas iniciais
Antes de mais nada, eu tenho uma história cômica e trágica ao mesmo tempo para contar para vocês (prometo ser rápida). Lá estava eu, escrevendo esse capítulo a todo vapor, quando cheguei na metade e percebi que estava o escrevendo EM TERCEIRA PESSOA! Sim, a autora que vos fala é desatenta a esse ponto (e essa nem foi a primeira vez que isso aconteceu). Aí, com dó de mudar tuuuuudo o que eu já tinha escrito, acabei fazendo um capítulo especial: aqui, em terceira pessoa, vocês serão agraciados tanto pelos sentimentos da Shin, quanto pelos do Jeonghan também. Pois é isso mesmo: futucar os pensamentos e sentimentos dos dois num único capítulo. Quando a vida te der um limão, faça uma caipirinha (se você for maior de idade, claro). Enfim, espero que gostem desse capítulo diferentão! Boa leitura!

De volta ao estacionamento do shopping, Jeonghan presenciou o meu nervosismo após a chamada da minha mãe e fez questão de me trazer pessoalmente para casa, pois insistiu que não me deixaria sozinha em um momento como aquele. Um tanto fora de órbita, eu acabei aceitando a sua ideia.

Contudo, vendo o olhar da minha mãe naquele momento, eu estava começando a achar que aquela tinha sido uma péssima ideia.

— Você não quer me contar quem é aquele bonitão escondido ali?

Céus, essa será uma longa noite...

— Então... — Shin Sowon iniciou com o seu típico tom desconfiado. — Você é o chefe da minha filha?

A mulher trazia da cozinha a velha bandeja de prata da família, uma relíquia que visivelmente já circulava de uma geração para a outra há mais de duas décadas, com alguns biscoitos amanteigados, pedaços de bolo de milho, chá de hortelã e café preto cuidadosamente posicionados sobre a mesma, tudo recém-preparado e cheirando à comida caseira do interior. Posicionou o objeto sobre a mesinha de centro da sala com maestria, como quem tinha a prática de fazer aquilo todo dia, e acenou positivamente para que Jeonghan se servisse como bem quisesse.

— Por que quando eu venho sozinha não sou recebida com essa fartura toda? — Minyoung resmungou num sussurro enquanto via o Yoon, timidamente, se esticar para alcançar uma pequena xícara de café.

Conhecendo o próprio chefe, a Shin sabia muito bem que aquela quantidade de cafeína, por menor e mais inofensiva que pudesse parecer, provavelmente seria o suficiente para mantê-lo acordado durante grande parte da noite e também madrugada — afinal de contas, Jeonghan sempre fora extremamente sensível a café. Por isso, ela chegou a pensar em alertá-lo, contudo, se conteve quando percebeu que só estaria dando mais um motivo para a sua mãe continuar a fitando com aquela sua sobrancelha mal-intencionada erguida na sua direção.

E bem, mesmo que a mais velha ainda não soubesse, motivos para desconfiar daqueles dois ela já tinha e até de sobra.

— Sim, senhora. Sou eu o chefe da Minyoung. — Jeonghan respondeu e balançou a cabeça em um gesto educado.

Em um ato de nervosismo, ele tomou o primeiro gole de café sem pensar nas consequências e por muito pouco não queimou a própria língua.

— Aigoo, senhora são aquelas velinhas que ficam horas na porta da igreja todo domingo depois da missa! — a Shin mais velha rebateu e sorriu abertamente. — Pode me chamar só de Sowon.

Conhecendo sua mãe e as artimanhas da mesma, Minyoung sabia que aquela não era a sua habitual simpatia. Pelo visto, tinha se encantado, ou talvez apenas cismado, com Jeonghan e estava nitidamente se esforçando para parecer acolhedora e simpática; o que seria engraçado, se aquela não fosse justamente a sua mãe.

— Está bem, senho... Digo, Sowon-ssi. — o Yoon disse com um sorriso nervoso nos lábios e, em seguida, tomou um longo gole de café já sem se importar mais com a alta temperatura do mesmo.

Lidaria com as queimaduras na boca mais tarde, quando a sua adrenalina já estivesse mais baixa.

Tanto a Shin mais nova quanto a sua mãe já tinham notado o nervosismo do rapaz e, sendo sangue do mesmo sangue, tinham o interpretado exatamente do mesmo modo: nem a quilômetros de distância Minyoung era apenas a sua secretária. Primeiramente, um chefe normal, ocupado e rico, jamais deixaria o seu escritório e gastaria o seu precioso tempo para dirigir por horas e mais horas somente para levar a sua secretária em casa, mesmo se tratando de uma possível emergência de família. Segundo, porém não menos importante, não havia nenhum motivo para o Yoon estar nitidamente nervoso daquele modo em conhecer a mãe de sua simples secretária — a não ser que Shin Sowon estivesse prestes a se tornar, ou talvez já até fosse, a mãe de uma algo a mais que uma mera secretária de Jeonghan.

Ao pensar naquela possibilidade, a mais velha inconscientemente deixou um risinho de felicidade escapar por entre os seus lábios, o que não passou despercebido pela sua filha.

— Mãe, como o meu pai está? — Minyoung indagou rapidamente, antes que a mãe continuasse pensando besteiras. — Eu quero vê-lo.

— O seu pai está todo travado, mas está bem. — a Shin respondeu, lembrando-se do médico da família, que tinha sido despachado de volta para o seu consultório pela mulher há pouco, atestando que alguns dias de repouso seriam o suficiente para resolver o problema do Sr. Shin. — Mas agora ele está dormindo no quarto, descansando do susto, então por enquanto nada de visitas.

— Mas...

— Então, Jeonghan, me conte uma coisa. — Sowon interrompeu a filha e voltou-se para o Yoon com um sorriso descarado estampado em seus lábios. — Quantos anos você tem? Não é muito novo para já ocupar um cargo tão alto dentro de uma empresa tão famosa?

— Mãe! — Minyoung automaticamente a repreendeu, atraindo o olhar de ambos na sua direção. — Se o Jeonghan tem o cargo que tem, é porque batalhou por ele. Não faça nenhuma insinuação, por favor.

Ao ouvir aquilo, a Sra. Shin automaticamente se retraiu e encarou a filha, arqueando uma sobrancelha falsamente confusa na sua direção. Minyoung notou o espanto da mãe e, ao fitar o Yoon pelo canto do olho e se deparar com um pequeno sorriso orgulhoso estampado em seus lábios retraídos, ela percebeu o que tinha feito; para quem não queria sequer comentar com Jeonghan sobre o café que ele estava bebendo para não levantar mais nenhuma suspeita da parte de sua mãe, ela tinha perdido completamente a noção de profissionalismo ao defendê-lo daquele modo. E os dois se tratando apenas pelo primeiro nome daquele modo?

Céus, os planos de Minyoung de não deixar transparecer que havia algo rolando entre ela e o seu chefe eram um verdadeiro caos.

— Eu não quis insinuar nada, oras. Estava apenas curiosa. — a mais velha se defendeu. — Mas tudo bem, peço desculpas se lhe ofendi, Jeonghan.

Por um momento, quando percebeu o olhar sugestivo de sua mãe passar de relance sobre si, Minyoung constatou a trágica verdade: era impossível esconder alguma coisa daquela mulher, fossem as notas vermelhas na sua adolescência ou, ainda, o fato de que ela tinha beijado o próprio chefe naquele mesmo dia e ainda o trazido consigo para casa.

— Tudo bem, não me ofendeu de maneira alguma. — o Yoon respondeu e, pela primeira vez desde que pisara naquela casa, conseguiu exibir um sorriso completamente sincero e sem nenhum resquício de ansiedade. — Eu realmente sou muito novo para o meu cargo, mas isso se deve ao fato de eu ter começado a trabalhar bem cedo na empresa. O meu pai era o presidente naquela época, mas insistiu que eu começasse de baixo e fosse sendo promovido de acordo com o meu desempenho no trabalho, o que aconteceu rapidamente. Por isso, em breve, eu pretendo estar ocupando o cargo que um dia foi dele.

Se tinha uma coisa na qual Yoon Jeonghan era especialista, essa coisa era em vender o seu próprio peixe. E, na verdade, o diretor ainda só não tinha o feito porque se sentiu automaticamente inseguro ao colocar os pés na casa dos pais de Minyoung, pessoas de quem ele certamente queria alguma aprovação. Independente das suas intenções com a secretária — que não estavam muito claras sequer para si mesmo — passar uma boa impressão para o casal Shin e conquistá-lo seria essencial, o que fez com que Jeonghan se sentisse pressionado para fazê-lo direito. Por isso, nervoso, o máximo que ele estava conseguindo fazer até então era dar respostas curtas para as perguntas da Sra. Shin e beber goles exagerados daquele café quente.

Mas isso só até Minyoung defendê-lo daquele modo. Não tinha se sentido ofendido nem nada do tipo pela fala de Sowon, pelo contrário, já tinha escutado coisas muito piores e realmente maldosas sobre aquele assunto, mas ouvir a Shin dizendo aquelas coisas sobre si com tanta propriedade e segurança finalmente o fez sentir a confiança da qual estava necessitando. Porque, como sempre, Minyoung era a primeira a acreditar nele e no seu potencial sem nunca questioná-lo — e Jeonghan sabia que ela o fazia de verdade e não somente por ser sua funcionária.

Porque Minyoung era e tinha sido, pelos últimos três anos, a sua maior fonte de autoconfiança, mesmo que o Yoon só estivesse descobrindo aquilo agora, tão tardiamente.

— Pois bem, conflitos resolvidos à parte, vamos ao que realmente interessa. — Sowon disse e se levantou animada do sofá, de repente. — Sinto muito, mas tenho que deixá-los sozinhos a partir de agora. Afinal de contas, a cama de vocês não vai se arrumar sozinha, certo?

— Cama?! — o chefe e sua secretária exclamaram ao mesmo tempo e, pela primeira vez, Minyoung agradeceu por não ter feito como o Yoon e aceitado alguma bebida de sua mãe, caso contrário, estaria a cuspindo longe naquele momento.

— Claro, oras. Vocês já viram que horas são? — a mais velha perguntou e, indignada, apontou para o relógio vermelho que decorava uma das paredes da sala de estar. Os ponteiros escuros indicavam o começo da madrugada, o que pegou os dois recém-chegados de surpresa. — Como eu poderia deixar vocês pegarem a estrada tão tarde da noite? De jeito nenhum! Essa noite, pelo menos, vocês passarão aqui.

— Mãe... — Minyoung iniciou com um leve tom desesperado. — O meu chefe é uma pessoa ocupada, não pode se dar ao luxo de...

— Por mim, tudo bem. — Jeonghan a interrompeu, atraindo para si um olhar que misturava confusão e vontade de fuzilá-lo ao mesmo tempo da parte de sua secretária. — Eu estava mesmo pensando em tirar alguns dias de férias.

— Férias? — a Shin mais nova rebateu, incrédula. — Dias?!

— Exatamente. — o loiro concordou. — Seria bom ter alguns dias de descanso antes da eleição para presidente, você não acha? Assim, poderei relaxar antes de ter que enfrentar o conselho da Price. — continuou a sua explicação e, de repente, a mãe de Minyoung balançava a cabeça fielmente para cima e depois para baixo, concordando. — Além disso, os seus pais vão precisar de ajuda aqui na fazenda, certo? O seu pai não poderá cuidar do trabalho pesado e a sua mãe, dona de mãos tão delicadas, não pode fazer tudo sozinha.

— Exatamente! — a Sra. Shin concordou em voz alta, por fim e extremamente animada. — Você será muito bem-vindo, Jeonghan. Fique o tempo que precisar.

— Mas...

— Shin Minyoung, você fica mais de um ano inteiro sem aparecer em casa e, quando finalmente dá as caras, já quer ir embora no dia seguinte? — Sowon questionou. — Quanto descaso com a sua família, sinceramente...

Na verdade, quando Shin Sowon inventou toda aquela mentira de que o pai de Minyoung havia sofrido um acidente — o que não tinha sido, de fato, uma mentira, mas apenas um leve exagero de um acontecimento — ela não esperava que as consequências acabassem sendo tão agradáveis. A mulher de meia idade só sentia falta da filha mais velha e, se sentindo preocupada e sozinha em casa, viu na sua pequena mentira a sua única oportunidade de trazê-la de volta para casa, nem que fosse baseado no seu desespero. Sabia que Minyoung estava trabalhando feito louca para conseguir pagar as suas despesas básicas e grande parte da mensalidade da faculdade da irmã e que, por isso, não tinha tirado um único dia de férias sequer para visitar a família, o que lhe doía o coração só de imaginar. Por isso, ela resolveu apelar pela falsa emergência que, no fim das contas, acabou funcionando bem até demais.

Minyoung tinha voltado para casa e, de bagagem, tinha trazido consigo um chefe impecavelmente bonito, educado e bem-sucedido — e que não parecia ser somente um chefe, de bônus. E ainda por cima, perspicaz como era, Jeonghan tinha se aproveitado da oportunidade para passar logo alguns dias na fazenda da família Shin.

Pelo o que mais a Sra. Shin poderia ter pedido aos deuses?

— Pois bem. — a mulher finalmente disse, aceitando o silêncio da filha como um sinal do reconhecimento da sua derrota. — Irei preparar a cama de vocês.

— Mãe! — Minyoung exclamou, morta de vergonha. — Nós não vamos dormir juntos, pelos céus.

— E quem aqui falou em dormir juntos, menina? Preparar a cama é só um jeito de falar. — a Sra. Shin logo rebateu. — Você vai dormir no seu antigo quarto e o seu chefe no quarto de hóspedes, obviamente. A não ser que vocês não queiram, claro, aí podem...

— A senhora estava indo preparar as camas, certo? — a secretária rebateu, um tanto sem nexo, e deu um pulo do sofá para conseguir interromper a mãe antes que a mulher conseguisse a proeza de deixar o seu rosto ainda mais vermelho do que já estava. — Pode ir lá, sem problema.

Assim, Minyoung conseguiu empurrar a própria mãe sala afora, voltando para o cômodo sem conseguir encarar Jeonghan diretamente nos olhos tamanho o constrangimento que sentia.

Já o Yoon, por um outro lado, se permitiu exibir um pequeno sorriso abobado ao se deparar com a Shin toda vermelha e sem graça, exatamente como tinha ficado outras vezes naquele mesmo dia.

Ela era tão fofa.

***

O único lado bom em viver no limite do seu cansaço era, para Shin Minyoung, não ter nenhum tipo de problema para dormir no fim do dia. Como sempre chegava esgotada do trabalho em casa, tudo o que a Shin precisava fazer antes de capotar em um sono profundo e exausto ao simplesmente deitar em sua cama era, rotineiramente, tomar um rápido banho e colocar o pijama mais confortável que visse pela sua frente. Até mesmo nos domingos, dias nos quais não precisava trabalhar — pelo menos não fisicamente, na empresa — ela gostava de fazer as tarefas domésticas acumuladas para, ao cair da noite, conseguir pegar no sono tão rápido quanto em um dia de semana normal. Apreciava e muito essa facilidade, caso contrário, duvidava seriamente de que teria a disposição necessária para acompanhar as maluquices de Jeonghan no seu dia a dia.

Contudo, não tinha sido agraciada por aquela benção naquela noite em específico.

E ela não entendia o porquê daquilo, já que aquele tinha sido um dia particularmente diferente e estressante, mas apenas não conseguia pregar os olhos. Estava em casa, na sua saudosa fazenda, no seu querido quarto, na amada cama na qual tinha passado ótimas e tranquilas horas de sua infância e adolescência, mas... simplesmente não conseguia dormir. A cama parecia fria e o quarto, apesar de decorado por diversos pôsteres e algumas pelúcias pelas paredes, estranhamente vazio. Era como se faltasse alguma coisa para o seu corpo entender que já estava na hora de descansar, mas o que poderia ser?

Bufou, frustrada, e se levantou da cama. Sua avó costumava dizer que um copo de leite quente era o remédio ideal para qualquer problema da vida adulta, então ela resolveu testar aquela teoria da mais velha naquela noite que se recusava a passar em claro. Foi até a cozinha a passos cuidadosamente silenciosos, já que o piso de madeira já bem antigo da casa costumava denunciar os assaltantes de geladeira das madrugadas, e separou uma caneca que costumava usar nos seus tempos de colégio para colocar o leite. Estava indo buscar o mesmo na geladeira quando, de repente, notou que a tranca da porta da cozinha estava na posição de destrancada — o que não era tão incomum na casa, já que seus pais acreditavam que a vizinhança remota era tão segura que, vez ou outra, simplesmente esqueciam de trancar as portas quando iam dormir. E, felizmente, nada de mal havia os acontecido até então, mas Minyoung não gostava de brincar daquele jeito com a sorte, o que imediatamente fez com que ela se dirigisse até a porta para trancá-la.

E quase trancar o próprio chefe do lado de fora, no caso. Jeonghan estava sentado no chão da área externa da casa, na beirada da mesma, e tinha os chinelos emprestados do pai de Minyoung repousados sobre a grama do quintal — na verdade, todo o pijama que lhe tinha sido emprestado pertencia ao Sr. Shin, um conjunto de flanela que tinha ficado comicamente enorme no diretor. Em silêncio, ele estava simplesmente olhando para o céu, mas de forma tão entretida que sequer ouviu a aproximação de Minyoung. O Yoon só a notou, na verdade, quando a Shin já estava se sentando ao lado dele.

— O que você está fazendo aqui fora a essa hora? — ela perguntou e, mesmo que tivesse a intenção de repreendê-lo, sua voz calma acabou demonstrando apenas cuidado. — Está muito frio.

— Acho que eu tenho pano suficiente aqui para manter a mim e às minhas próximas duas gerações aquecidos. — o Yoon brincou e sacudiu a manga do pijama que usava, deixando claro como ali caberiam mais três do seu braço. O pai de Minyoung era um homem grande em todos os aspectos físicos possíveis, por isso, suas roupas eram todas daquele mesmo tamanho exagerado. — Diferente de você, na verdade.

O pijama de Minyoung era de um tom de lilás que tinha se tornado bem clarinho por conta dos seus anos e mais anos de uso. Além disso, como era um pijama que ela deveria ter desde os seus quinze anos guardado no fundo do armário, faltava pano em algumas áreas específicas do seu corpo, como nos tornozelos e nos pulsos. Reparando naquilo e na finura que o tecido tinha tomado, Jeonghan automaticamente se preocupou de Minyoung não estar usando o suficiente para aguentar aquele frio todo do interior.

— Esqueceu que eu cresci aqui? — ela riu. — Eu poderia estar correndo de maiô debaixo desse sereno agora e, ainda assim, estaria confortavelmente em casa.

Por um momento, Jeonghan precisou se esforçar para não imaginar a indecente cena da Shin correndo de maiô em qualquer lugar que fosse. Pigarreou e logo conseguiu recobrar sua consciência.

— Acho que agora eu entendo o porquê de você adorar tanto esse lugar. — ele disse e voltou seu olhar para o céu. — Eu moro em uma cobertura há anos e, ainda assim, nunca vi um céu tão limpo e estrelado em toda a minha vida. Meu apartamento é à prova de som, mas eu nunca estivesse em um lugar tão silencioso e reconfortante ao mesmo tempo. No fim das contas, se for para poder admirar um lugar assim, vale a pena não conseguir dormir.

— Você também não consegue dormir? — a Shin indagou, espantada, e só então percebeu que tinha reagido intensa demais. — Digo, eu estava rolando na cama até agora, por isso levantei. Não sei porque, mas eu simplesmente não consegui pegar no sono.

— Mas eu sei porque eu não consegui. — o Yoon afirmou, atraindo o olhar de Minyoung para si. — Estava faltando algo.

— Faltando? Como outro cobertor ou algo do tipo? — perguntou. — Bem, se for algo que eu tenha aqui em casa, eu posso procurar e...

— O seu cafuné. — Jeonghan a interrompeu e pendeu a cabeça para conseguir cruzar o seu olhar com o da Shin. — Estava faltando o seu cafuné.

Completamente pega de surpresa pela afirmação do Yoon, Minyoung arregalou os olhos e chegou a deixar o queixo cair por um breve segundo. Pensando melhor, se ela fosse olhar para si mesma e para o próprio dilema para pegar no sono naquela noite, encontraria a resposta bem diante dos seus olhos: o que lhe faltava era Jeonghan. Ambos reconheciam que tinham dividido uma cama por apenas uma única noite até então, porém, tinha sido o suficiente para que sentissem falta do calor do corpo do outro já na noite seguinte. Por mais que tentasse, a Shin não conseguia substituir por um travesseiro o apoio perfeito que o tronco de Jeonghan podia lhe oferecer e ele, por sua vez, não conseguiria trocar por nada a sensação calorosa e aconchegante de ter os dedos tão delicados de Minyoung se espalhando pelos seus cabelos.

Inconscientemente, o que faltava para eles era, na verdade, um ao outro.

— Mais cedo, ainda na loja de vestidos, você me disse que era apenas a minha secretária e eu perguntei se você tinha certeza disso. — o Yoon iniciou e, mesmo que fosse um homem naturalmente confiante, estava precisando reunir certa coragem para dizer aquelas coisas diretamente e estando tão perto de Minyoung. Contudo, se não fizesse aquilo naquele exato momento, poderia nunca mais encontrar um tão ideal quanto aquele. — Eu não tenho certeza de qual seria a sua resposta e, sinceramente, fiquei ainda mais confuso depois daquele beijo no estacionamento, mas... Eu sei da minha resposta. Porque para mim, Shin Minyoung, você está longe de ser só a minha secretária.

Pela primeira vez em toda a sua vida, Jeonghan estava sentindo o seu coração acelerar daquele jeito, mas não tanto quanto o de Minyoung. De modo completamente desgovernado, o coração da Shin batia de um jeito que a fazia sentir medo de que o Yoon pudesse acabar o ouvindo. Ela desviou o olhar para grama e abriu e fechou a boca algumas vezes, sem ter certeza nenhuma do que deveria dizer em uma situação como aquela.

Coçou a nuca, sentindo-se ansiosa.

— Isso não está certo. — murmurou para si mesma, confusa. — Eu não deveria ter esse tipo de sentimentos por você, afinal de contas, você é o meu chefe. Mas eu não consigo, porque o meu coração simplesmente dispara e não me obedece mais quando você... — estava perdida nos próprios pensamentos quando, de repente, sentiu os dedos compridos do Yoon alcançarem o seu queixo e gentilmente virarem o rosto dela na sua direção. Jeonghan sorria, parecendo uma criança inocente, e a fitava do modo mais terno possível. — Me olha assim.

O final da sua frase tinha sido dito num fio de voz, mas fora o suficiente para que Jeonghan visse ali que suas fracas esperanças não tinham sido em vão. Não sabia ao certo o que sentia pela Shin, porém, o fato de ter os seus sentimentos confusos retribuídos pela mesma já bastava para que o seu peito quase explodisse de alegria. Ainda sorrindo e segurando o queixo da secretária, o Yoon aproximou o seu rosto do dela e, gentilmente, selou os lábios dos dois mais uma vez naquele dia. Com o consentimento de ambos, o beijo foi calmo e singelo, como se eles estivessem necessitados daquilo para acalmarem os seus corações perdidos e igualmente eufóricos.

Jeonghan foi o primeiro a quebrá-lo, afastando o rosto do de Minyoung apenas o suficiente para conseguir fitá-la, o que ainda deixava os seus narizes quase colados um no outro. O diretor sorriu abertamente, o que acabou contagiando a Shin.

— Min Min. — ele a chamou. — Você aceitaria, por acaso, ser a minha dona de verdade?

Notas finais
E então, o que acharam? Eu confesso que tô nervosa porque o capítulo acabou saindo beeem diferente do que eu costumo trazer pra vocês, mas, ao mesmo tempo, é um dos meus capítulos favoritos até agora kkkkkkk. Socorro, me contem as opiniões de vocês! Até breve ♥