Meu CEO de estimação
30 A despedida (e nova vida) do CEO
Notas iniciais
Um fato curioso sobre Shin Minyoung era que, quando era mais jovem, a mulher desde sempre nunca fora a maior das fãs dos saltos altos. Bem, primeiramente, ela tinha crescido em uma fazenda no extremo interior da Coreia do Sul, algo que não costumava lhe dar muitas oportunidades de usar os calçados quando criança e, mais tarde, durante a sua adolescência também. Passados alguns anos, já como uma jovem adulta, ela ainda não foi capaz de adquiri tal costume dada a sua rotina agitada — vulgo tendo que passar dias intermináveis correndo de um lado para o outro a mando do seu chefe sádico e sem noção. Até que, finalmente, o interesse pelos saltos desabrochou dentro de si e, aos poucos, Minyoung foi tomando confiança e gosto pelos mais diversos tipos, modelos e cores diferentes do calçado.
E, então, ela foi obrigada a parar de usá-los. Mas não completamente, claro, pois Shin Minyoung não era o tipo de pessoa que se deixava ser obrigada a nada nessa vida, pelo menos não mais. De uns meses para cá, os pequenos saltos quadrados e discretos tinham se tornado a sua marca registrada e, de repente, a grande maioria dos funcionários da Price Entertainment já a reconhecia pelo bater oco e apressado dos mesmos pelos corredores. Bem, agora, devido à sua atual condição, seus passos já não eram mais tão corridos assim, mas ainda era possível diferenciá-la do restante das funcionárias pelo andar firme e obstinado. E, obviamente, ela também tinha ficado marcada pelo seu destino quase sempre certeiro também; afinal de contas, quando a Shin precisava deixar a sua sala particular no décimo segundo andar, era porque ela certamente precisava ir para aquele mesmo lugar de sempre — o escritório confortável, porém igualmente espaçoso e imponente que ficava localizado a poucos metros de distância do seu naquele mesmo andar.
Exatamente para aonde estava indo naquele momento, na verdade.
Assim, o soar dos pequenos saltos só cessou quando a Shin se deparou com a enorme porta de vidro fumê do escritório do Presidente Yoon, dizeres esses que estavam estampados em letras brancas um tanto discretas no meio da mesma. Minyoung deu duas batidas rápidas e não muito sonoras na tal porta e, sem sequer esperar por alguma resposta de dentro da sala, adentrou na mesma tão rápido quanto chegara ali, parecendo estar vindo particularmente acompanhada de um furacão. Assim, ela conseguiu atrair a atenção dos três presentes no ambiente para si: tanto os dois patrocinadores furiosos que ocupavam as cadeiras de um lado da enorme mesa de escritório de madeira e, sentado de frente para os mesmos, também a de Yoon Jeonghan, que ocupava a sua devida cadeira de presidente.
Quando Jeonghan a viu, não conseguiu evitar de suspirar aliviado, ainda que discretamente. Se a sua Min Min estava ali, com certeza as notícias eram boas — ou, pelo menos, conseguiriam transformar magicamente aquela situação na qual ele se encontrava em algo consideravelmente menos pior.
Afinal de contas, agora aquele era o trabalho dela.
Com os seus saltinhos pretos e o seu tailleur nude, Minyoung se aproximou dos três homens, que estavam sentados mais ao fundo da sala, com uma pasta preta em mãos. Pediu licença e se posicionou, ainda de pé, ao lado de Jeonghan enquanto os dois outros executivos a fitavam um tanto espantados.
— Sr. In e Sr. Hwang, deixe-me apresentá-los à solução para o problema do erro de horários na agenda do nosso ator Kwon Soonyoung. — ela disse de forma firme, mas extremamente educada e cordial ao mesmo tempo. — Primeiramente, sinto muito pelo erro da nossa empresa de marcar dois compromissos ao mesmo tempo para o ator Kwon, sendo ambos propagandas publicitárias para as suas respectivas marcas. Peço desculpas pelo transtorno e assumo a responsabilidade em afirmar que isso jamais acontecerá novamente. — prosseguiu e, até então, os dois homens pareciam prestar atenção redobrada no que ela dizia. — Porém, como isso já aconteceu desta vez, creio que posso consertar de um jeito que nenhuma das partes sairá perdendo.
— E que solução mágica seria essa? — o Sr. In, presidente e dono da marca de perfumes mais famosa da Coreia do Sul, foi quem se pronunciou primeiro e de uma forma não muito amigável. Mas, no fim das contas, aquele era mais o seu jeito próprio de falar do que qualquer demonstração de resistência à resolução daquele problema. — Pois ambas as empresas têm pressa de gravar esses comerciais e não há disponibilidade para que isso aconteça em algum outro dia em nenhuma das nossas agendas, certo?
Ao seu lado, o Sr. Hwang, coincidentemente proprietário da maior rede de maquiagens do país, concordou com um aceno positivo de cabeça.
Ao ouvir aquilo, Shin Minyoung exibiu um sorrateiro sorriso de canto. Aquela tática em específico tinha aprendido, obviamente, com o próprio Jeonghan.
— Uma colaboração. — a mulher respondeu de forma um tanto simples, o que confundiu os dois executivos diante de si. Ao seu lado, um Yoon confiante apenas a ouvia e esperava ansiosamente pela solução impecável que Minyoung certamente estava prestes a apresentar. — Sr. In, o seu comercial seria sobre o mais novo lançamento da sua empresa, um perfume com essência natural de coco, certo? — perguntou e o executivo fez que sim com a cabeça. Virou-se para o outro. — Sr. Hwang, o seu produto, também lançamento para essa estação, se trata de uma linha de maquiagens com embalagens sustentáveis. Chegou ao meu conhecimento, inclusive, que o elemento principal da composição dessas embalagens é justamente a palha do coco, isso está correto?
— Sim, correto. — o Presidente Hwang concordou enquanto seguia a linha de raciocínio da mulher. — Mas como isso seria feito?
Ótimo, aquela era a exata deixa da qual Shin Minyoung precisava — afinal de contas, tinha aprendido com estudo a prática árdua a transformar a menor das demonstrações de interesse em um recém-assinado contrato de negócios num único piscar de olhos. Particularmente, Jeonghan tinha muito orgulho dela e, óbvio, de si próprio por ter tido lá a sua participação naquela aquisição de uma lábia extremamente afiada da Shin.
Sinceramente, eles tinham se tornado um casal um tanto perigoso, digamos assim, mas aquele não deixava de ser um perigo do bem; afinal, jamais machucariam ou prejudicariam ninguém, pois, em certo momento ao longo dos anos que Jeonghan já tinha passado ocupando a cadeira de presidente da empresa, o lema principal da Price tinha se tornado um ambiente bom e saudável para todos, lema esse instaurado pelo próprio Yoon. E se aquele deveria ser um ambiente bom e saudável para todos, isso incluía qualquer pessoa ou empresa que mantivesse qualquer tipo de relação com a Price, desde os funcionários, prestadores de serviços e até os patrocinadores.
Assim, Minyoung explicou para os dois executivos como funcionaria uma colaboração entre as duas marcas de cosméticos mais famosas do país no momento e o quão lucrativo o lançamento em conjunto dos seus respectivos produtos poderia ser. Claro que, além de um único comercial, aquela parceria envolveria várias áreas de ambas as empresas, desde a de marketing até à financeira, mas Minyoung explicava tão bem e tinha preparado um plano tão bem detalhado que, no fim das contas, fez toda a operação parecer mais fácil do que se levantar de manhã e escovar os próprios dentes. Por fim, ela ainda completou que as empresas só precisariam arcar, cada uma, com metade do valor que tinham negociado antes pela publicidade do ator Kwon, já que o mesmo teria de fazer apenas um único comercial — o que, obviamente, foi a cereja do bolo para aquelas duas pessoas que já conseguiam prever o quanto economizariam e, mais tarde, lucrariam com aquele plano.
E não tardou para que o acordo fosse fechado, estando ambas as partes, obviamente, extremamente satisfeitas depois de protagonizarem a breve eminência de um conflito. Todos agradeceram a Minyoung pela ótima solução e afirmaram que continuariam fazendo negócios com a Price Entertainment, o que finalmente permitiu que a mulher pudesse respirar mais aliviada. Jeonghan, claramente o mais satisfeito de todos na sala, se ofereceu para encaminhar pessoalmente os executivos até a saída do prédio, mas ambos insistiram que acompanhá-los até à porta do seu escritório já seria o suficiente.
Assim, já próximos da mesma, o Sr. Hwang foi quem parou primeiro sob a soleira da porta e, com um sorriso contente estampado em seu rosto já um tanto enrugado pela ação do tempo, fitou Jeonghan, que vinha logo atrás da dupla.
— Sabe, Presidente Yoon, você é um ótimo presidente para esta empresa. Eu mesmo tenho feito negócios com a Price há mais de vinte anos e, sendo honesto, posso dizer que você herdou toda a sabedoria e liderança nata do seu pai. Mas... — o homem ponderou e, por um momento, fitou a mulher que ficara para trás por cima dos ombros esguios de Jeonghan. — Você também está cercado de ótimos funcionários, o que melhora ainda mais o desempenho da empresa. O meu conselho é que você não perca a Gerente Shin de vista, mas, se um dia o fizer, devo dizer que automaticamente tentarei roubá-la para a minha empresa.
A declaração espontânea e bastante inesperada arrancou uma risada genuína de Jeonghan. Por um outro lado, o Presidente In pareceu um tanto estarrecido ao ouvir aquilo.
— Aigoo, como você ainda consegue sobreviver no mundo dos negócios sabendo tão pouco? — resmungou para o outro, que não entendeu a reclamação. Apesar dos negócios, ambos eram amigos já de longa data, círculo de amizades esse que já tinha abrigado, um dia, o pai de Jeonghan. — A Gerente Shin, além de funcionária da Price, é a esposa do Jeonghan-ssi!
— Sério?! — o executivo exclamou um pouco alto demais, o que acabou atraindo a atenção até da própria Minyoung. Ainda surpreso, ele sorriu extremamente sem jeito para ela e voltou-se para o presidente mais novo. — Eu realmente não sabia... Desde quando?
— Bem, esse ano nós iremos completar oito anos de casados. — Jeonghan respondeu de bom grado e, no fundo, com uma pitada de orgulho presente em sua voz. — Eu entendo que o senhor não tenha ficado sabendo antes, afinal, foi uma cerimônia bem discreta e aberta apenas para os familiares e amigos mais próximos. Além disso, felizmente, a mídia raramente nos perturba, o que nos permite viver tranquilos e sem perturbações na maior parte do tempo.
Ah, como Jeonghan se sentia em paz consigo mesmo e extremamente feliz em poder dizer aquelas palavras. Já fazia oito anos que ele acordava, diariamente, ao lado da mulher mais encantadora de todo o mundo, mas ele sentia que jamais deixaria de se orgulhar em dizer que ela era sua e que, juntos, eles formavam a família que Jeonghan um dia achou que jamais voltaria a ter, especialmente depois da morte dos seus pais.
— Eu entendo, teria feito o mesmo. — o Presidente Hwang respondeu, parecendo realmente compreensível. — Ainda mais nesses tempos atuais que as informações correm mais rápido do que maratonistas olímpicos, não é mesmo? Espera... — pausou e, de repente, voltou a encarar o mais novo da forma mais chocada possível. — Então... a barriga...
— Sim. — o Yoon afirmou e, automaticamente, seu sorriso orgulhoso se alargou ainda mais. — São dois, ainda por cima. E meus.
— Meu Deus, meus parabéns! — o presidente mais velho exclamou genuinamente alegre e cumprimentou o mais novo com um par de tapinhas no ombro. — Eu realmente não sabia, mas fico feliz em ver que você está construindo uma família assim e, ainda por cima, comandando essa empresa como há anos nós não víamos alguém comandar. Seu pai ficaria muito orgulhoso de você, Yoon Jeonghan.
— Obrigado, Presidente In. — Jeonghan agradeceu de coração e, em seguida, cumprimentou ambos os mais velhos com uma reverência respeitosa.
Desse modo, os dois presidentes se despediram do Yoon e saíram sozinhos corredor afora. Antes mesmo que Jeonghan pudesse fechar a porta da sua sala, ele viu o Hwang cutucar o In com a ponta do cotovelo.
— Você realmente não sabe de nada, não é mesmo? — resmungou, sério. — Ele não está construindo família nenhuma agora, porque ele já...
E, assim, Jeonghan fechou a porta diante de si antes que acabasse rindo daquela dupla um tanto cômica e sendo flagrado pelos dois espiando a conversa. Quando se virou para trás, de volta para o interior da sua sala, viu Minyoung literalmente se lançar sentada na sua cadeira de presidente e riu.
— E, mais uma vez, o dia foi salvo graças à melhor e única Gerente de Crises Internas dessa empresa, Shin Minyoung. — ele brincou enquanto se aproximava da sua mesa. — Não é à toa que você é a única dentro de todo esse prédio, além de mim, claro, que pode se sentar tão confortavelmente nessa cadeira.
— Você faz ideia do quão difícil é ter que gerenciar dois miniJeonghan’s brigando dentro da minha barriga e, no meio tempo, resolver os problemas dessa empresa? — a mulher resmungou falsamente e girou a cadeira até parar exatamente de frente para o marido. — Além de merecer essa cadeira, eu merecia também uma massagem nos pés...
— Não seja por isso. — o Yoon concordou e sorriu travesso, uma característica sua que jamais mudava, não importava quantos anos se passassem.
Em seguida, Jeonghan se abaixou de frente para a confortável cadeira de escritório onde a esposa estava sentada e, gentilmente, colocou o pé direito dela sobre uma das suas pernas. Retirou o pequeno salto quadrado e iniciou uma massagem em seus pés sem nenhuma cerimônia, exatamente do jeito que ela mais gostava. Eles estavam inchados, o que significava que ela não estava tendo um dia fácil.
— Os meninos estão te dando muito trabalho hoje, não é mesmo? — Jeonghan questionou, pois sempre gostava de estar atento à esposa e ao seu estado de saúde, ainda mais estando ela no seu sexto mês de uma gestação de gêmeos.
Antes de respondê-lo, Minyoung deixou escapar um gemido baixinho devido ao quanto relaxante e confortáveis eram os movimentos dos polegares do Yoon pelos seus pés.
— Você acredita que eles não paravam de chutar enquanto eu fazia a pesquisa sobre as empresas do Presidente In e do Presidente Hwang agora há pouco? — ela comentou e inevitavelmente riu. Por instinto, acariciou a barriga já alta, muito maior do que a primeira vez. — Sabe, a cada dia que passa eu tenho mais certeza de que esses dois vão me dar mais trabalho do que você e a Myumi juntos.
Ao ouvir aquilo, Jeonghan não conseguiu segurar uma gargalhada. Quando, em seus mais de trinta anos de vida, ele poderia imaginar que sua esposa o compararia com seus filhos gêmeos, ainda sequer nascidos, e sua filha de cinco anos ao mesmo tempo?
Ele ainda era tão infantil assim?
— Por falar nisso, nós vamos buscá-la amanhã na fazenda dos seus pais, certo? — o Yoon questionou animado, pois estava morrendo de saudades da pequena.
Já fazia três dias que os pais de Minyoung tinham vindo buscá-la para passar algum tempo com eles na fazenda, já que a menininha adorava aquele ambiente de interior e vez ou outra reclamava de estar sentindo a falta dos avós. Mesmo com o coração apertado, Jeonghan permitiu que ela fosse, pois sabia que não haveria lugar nesse mundo onde ela pudesse estar sendo melhor cuidada, assim como ele mesmo foi. A relação dele com os sogros era uma das melhores, sempre muito harmoniosa e até divertida. Toda a família Shin tinha o acolhido com bastante carinho quando Minyoung finalmente anunciou seu noivado para os familiares, sentimento esse que Jeonghan jamais esqueceria. Ele era extremamente grato por ter — além de sua Min Min, sua Myumi e, dentro de poucos meses, mais dois novos integrantes — uma família tão acalentadora e carinhosa como aquela.
— Sim, iremos amanhã à noite. — a Shin respondeu, ainda aproveitando a massagem divina que seus pés recebiam. — E como é uma sexta-feira, eu pensei de nós passarmos o final de semana por lá, o que você acha? Ah, a propósito, eu contei que o jantar de noivado da minha irmã será no sábado, não contei?
— Sim, contou. Nós podemos aproveitar e ficar para o jantar sim, por mim tudo ótimo. — o homem concordou com facilidade e, em seguida, soltou outra gargalhada. — Eu não acredito que o Seokmin vai finalmente conseguir entrar para a família Shin.
Ao ouvir aquilo, Minyoung acompanhou o marido na risada. Sua irmã tinha enrolado o rapaz até o último minuto, mas não conseguiu mais fugir dele depois da sua formatura. Atualmente, sendo a neurocirurgiã formada e prestigiada que a mesma sempre sonhara em ser — e estando completamente caidinha pelo atual noivo, Lee Seokmin — ela tinha decidido que já tinha passado da hora de cuidar da sua vida amorosa com a mesma atenção e zelo com que ela tinha cuidado dos seus estudos durante todos aqueles anos.
— E você ainda sentiu ciúmes dele na primeira vez que esteve lá na fazenda... — Minyoung provocou e sorriu de lado. — Logo você, Yoon Jeonghan, que conseguiu entrar para a família quase uma década antes do pobre coitado do Seokmin.
Ao ouvir aquilo, o Yoon automaticamente assumiu o seu ar natural de convencido. Terminou a massagem nos pés da esposa e, gentilmente, calçou de volta os seus sapatos.
— Eu tenho os meus truques. — afirmou, se gabando, e logo voltou a se colocar de pé. Recostou-se na própria mesma e próximo a Minyoung e, ao se inclinar para frente, encostou o ouvido na grande barriga da mulher. — Meninos, o que vocês querem almoçar hoje? Já está na hora!
— Lula frita com sopa de arroz. — a própria Shin respondeu num sussurro, como se estivesse tentando se passar pelos próprios filhos.
Acompanhando-a no teatro, Jeonghan balançou a cabeça positivamente.
— Então, lula frita com sopa de arroz será. — afirmou e se desencostou da mesa. — Vamos ao restaurante do tio Joshua?
— Sim! — a Shin exclamou extremamente animada. Apesar de ainda ser relativamente cedo, o fato de estar se alimentando por três a fazia sentir fome já poucas horas depois do café da manhã.
— Espera um pouco, eu achei que estava conversando com os meus filhos... — o Yoon disse como quem pegava alguém no flagra e franziu o cenho, segurando o riso ao mesmo tempo. — Min Min, por acaso você está tentando me persuadir para nós almoçarmos no restaurante do Joshua?
Ao ouvir aquilo, a gerente se colocou de pé e riu travessa.
— Mas é claro que estou, oras. — afirmou. — Sabe quando foi a última vez que nós comemos a comida do restaurante do Joshua que, por um acaso, é uma das melhores e mais deliciosas de toda a cidade? — questionou e o marido balançou a cabeça negativamente, por mais que já soubesse a resposta para aquela pergunta. — Foi na recepção do casamento dele, o que já faz meses! Yoon Jeonghan, se você não me levar lá hoje para almoçar, os seus filhos podem nascer com a cara de uma das franquias do restaurante do Hong... É isso o que você quer? Bebês que se parecem com restaurantes?
Por um momento, Jeonghan foi ousado o suficiente para fingir ponderar sobre a situação.
— Dependendo do ponto de vista, até que não é uma má ideia. — disse, por fim, e deu de ombros logo em seguida.
Sentindo-se realmente ofendida, Minyoung acertou um tapa certeiro no braço esquerdo do marido, que resmungou de dor, mas logo voltou a rir da reação dela. Aproximou-se dela e envolveu sua cintura — ou tentou, no caso, dado o quão esticada a mesma estava por conta da gestação — com um dos seus braços. Com a mão livre, começou a acariciar a barriga da Shin.
— Você se lembra de como eu lhe pedi em casamento? — o Yoon indagou ainda reproduzindo gestos extremamente ternos sobre a barriga que abrigava os seus filhos.
Ainda nos primeiros meses da relação dos dois, mais especificamente quando se tornaram noivos, Jeonghan passou a adquirir o hábito de, vez ou outra, simplesmente puxar Minyoung para mais perto de si, acolhe-la em seus braços e, logo em seguida, começar a relembrar algum momento agradável do passado do casal. No começo, a Shin achou estranho e ficou curiosa sobre o porquê do Yoon fazer aquilo com uma certa frequência e tão repentinamente, então, ela um dia lhe perguntou diretamente. Depois de ouvir a resposta, porém, ela passou a apreciar o gesto e a jamais negá-lo de ter aqueles momentos.
“Eu tenho medo de esquecer as coisas boas que vivemos juntos, por isso gosto de relembrá-las. Meus melhores momentos, até então, pertenciam todos à minha infância, mas eu não me lembro mais de nenhum deles com clareza. Pode parecer bobo, mas eu realmente não gostaria de esquecer nenhum minuto passado ao seu lado, Min Min-ah.”
Minyoung fitou o marido e sorriu.
— É claro que eu lembro. Você pediu a minha mão na frente de todo mundo! — ela respondeu com um resquício de repreensão em sua voz, já que relembrar aquele momento ainda faziam as suas bochechas arderem mesmo depois de tantos anos. — Eu me lembro muito bem da expressão tensa que você tinha no rosto quando saiu da sala de conferências naquele dia da eleição presidencial. Os funcionários decidiram esperar comigo, então estavam todos ali, do lado de fora da sala, e você parecia que tinha perdido a eleição de novo. Céus, eu fiquei tão nervosa quando o vi pela primeira vez!
— Eu estava em choque. — ele tentou se defender. — Depois de verem o comercial gravado pelos funcionários, os acionistas votaram quase em unanimidade a meu favor. E, quando eu finalmente pude deixar aquela sala como presidente da Price, todos os funcionários estavam ali, esperando por mim e me apoiando. Você estava lá, sendo que você era justamente a pessoa que eu mais queria ver naquele momento.
— Foi por isso que você veio diretamente até mim, me ergueu pela cintura e me rodou no ar feito um maluco? — a Shin questionou, acusadora.
— Maluco de felicidade, isso sim. — o presidente rebateu e riu. — Mas, em minha defesa, eu posso até ter feito o pedido na frente de todo mundo por causa do calor do momento, mas eu sussurrei no seu ouvido para que só você escutasse. Eu tentei ser discreto, você quem estragou tudo.
— Eu me assustei, oras! — foi a vez dela de tentar se defender. — Eu não estava entendendo nada. Uma hora você parecia triste e apreensivo, depois me gira no ar e sussurra no meu ouvido um pedido de casamento. Como eu deveria supostamente reagir a isso?
“— Casar com você?! — a Shin exclamou diante do considerável grupo de funcionários, tão alto que até o próprio Jeonghan se surpreendeu e arregalou os olhos. Quando a colocou no chão, a secretária quis cavar um buraco e se esconder para sempre dentro do mesmo; porém, sua felicidade era proporcional à vergonha.”
— Eu fiquei realmente contente pelos funcionários terem a aceitado tão tranquilamente. — o Yoon admitiu e, de repente, a mão que acariciava os seus pequenos meninos foi até o queixo da mãe dos mesmos, segurando-o com gentileza. — Quando fiz o pedido, eu estava tão feliz que não pensei nas consequências que tornar a nossa relação pública poderia ter, ainda mais para você. Mas, no fim das contas, todos nos acolheram tão bem. — disse e pausou. Ao se lembrar de outro acontecimento daquele mesmo dia, seu sorriso diminuiu alguns milímetros de tamanho. — Bem, quase todos.
Minyoung respirou fundo e retribuiu o carinho do marido enquanto contornava a bochecha do mesmo com o seu polegar.
— Nenhuma notícia do seu tio? — ela perguntou, por mais que já soubesse a resposta para aquela pergunta.
Como esperado, Jeonghan sacudiu a cabeça negativamente.
— Depois do dia que ele perdeu a eleição, ninguém nunca mais o viu. — o homem respondeu, sério. — Eu ainda me lembro perfeitamente bem da expressão que ele tinha no rosto quando percebeu qual seria o resultado da votação. Ele parecia outra pessoa, sabe? Alguém completamente transtornado e descontrolado. Gritou para os quatro cantos que aquilo não ficaria assim e até tentou agredir fisicamente um dos acionistas...
— Não foi por nada que ele acabou sendo banido da empresa. — a Shin completou. — A última notícia é de que ele teria se mudado para a China, não foi?
— Sim, mas ninguém sabe dizer ao certo. Nem mesmo a minha tia, quem ele deixou para trás sem pensar duas vezes. — Jeonghan explicou com certo pesar em sua voz.
— Eu sinto muito. — Minyoung disse e acariciou seu rosto mais uma vez. — Vocês tiveram os seus problemas no passado, mas eu sei que eles dois ainda eram a única família que você tinha.
— Tinha. Exatamente. — ele reforçou e voltou a sorrir, como se a simples presença da Shin fosse tudo o que ele precisava para fazê-lo. — Porque, agora, eu tenho a minha própria família, a melhor do mundo.
No total, Shin Minyoung tinha passado exatos doze anos ao lado de Jeonghan — três como sua secretária, um como sua namorada e noiva e, por fim, quase oito completos de casamento — e, até aquele presente momento, ela ainda se espantava com o quanto o amava, cada dia mais um pouquinho. Tinha amadurecido bastante ao longo daquele tempo, visto sua irmã se formar e realizar seu sonho de infância e, logo depois, encontrado o seu próprio. Tinha estudado em uma das melhores faculdades da cidade com uma bolsa por bom desempenho acadêmico, ajudado seus pais e, ainda, dado à luz a uma linda menininha tão sapeca quanto o pai. Tinha visto a sua antiga casa, aquela deixada pelos seus amados avós, ficar pequena para a sua família e tomado a decisão de deixá-la, por mais que aquilo lhe apertasse o coração. Ela tinha, até mesmo, doado a propriedade para uma ONG que acolhia e cuidava de animais de rua — pois sentia que, talvez, fizesse parte do seu destino cuidar dos bichinhos, ainda mais do seu próprio. Tinha se formado, sido promovida e, atualmente, era dona do seu próprio escritório dentro da empresa. Tornara-se uma das funcionárias mais bem respeitadas de toda Price e, no meio disso tudo, recebera a notícia de que mais dois menininhos estariam chegando para aumentar a sua tão amada família.
E tinha, por fim, vivido tudo isso ao lado de YoonJeonghan.
De chefe sem noção e um tanto sádico, Jeonghan passara a ser a pessoa mais importante da sua vida. Seu principal pilar, seu farol para se abrigar durante as tempestades mais severas, mas também admirar o pôr do sol nos fins de tarde mais bonitos. E, obviamente, a situação era a mesma para ele. O Presidente Yoon tinha se apaixonado pela sua secretária, sua dona e, principalmente, a mulher com quem ele pretendia passar o resto dos seus dias. E, graças a ela, ele tinha chegado aonde chegou.
Porque Shin Minyoung e Yoon Jeonghan eram aquele tipo de casal. Amantes, parceiros comerciais, pais de três crianças e, por fim, dona e bichinho de estimação.
— Na verdade, já faz algum tempo que eu não lavo o seu cabelo, não é mesmo? — a Shin questionou e sorriu de canto. — O que você acha de fazê-lo hoje à noite?
— Mas você ainda consegue? Com esse barrigão todo? — ele questionou bastante espantado, já que realmente parecia difícil para Minyoung completar tarefas mais básicas do seu dia a dia conforme os gêmeos iam crescendo dentro de si.
— E o que a sua dona não consegue fazer, Hannie-ah? — ela rebateu e, então, esticou-se na sua direção para roubar um selinho. Jeonghan, obviamente, o deixou ser furtado de ótimo grado. — Agora vamos, porque nós três estamos morrendo de fome.
Jeonghan não conseguia evitar de sorrir diante daquela cena. Sua esposa era realmente a mulher da sua vida, o que só se comprovava cada vez mais.
Segurou-a pela mão.
— Sim senhora, Min Min.
E, assim, eles foram almoçar naquele dia no restaurante de Joshua Hong, que agora era proprietário de uma das maiores redes de restaurantes do país. No dia seguinte, como programado, foram para a fazenda buscar Myumi, que já esperava pelos pais na soleira da porta e correu animada até os mesmos quando os viu descer do carro — e questionou, inclusive, quando poderia brincar com os seus irmãozinhos, reclamando do fato de que os dois pareciam nunca sair da barriga de sua mãe. Mais tarde, ocorreu o jantar de noivado de Shin Songyoung e Lee Seokmin, que não poderiam estar mais felizes juntos. Na verdade, Minyoung vez ou outra olhava para o casal e lembrava de si mesma e do marido.
E, alguns meses depois, Myumi pode finalmente conhecer os irmãozinhos. Entre problemas no trabalho e diversões particulares em casa, Minyoung e Jeonghan criaram os três da melhor maneira possível.
E, assim, eles viveram felizes para sempre.
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