Meu Anjo da Guarda.
5 Marcas de amizade.
Notas iniciais
A primeira coisa que Elena fez no dia seguinte a aquela conversa com Damon na fila do refeitório foi procurar por Caroline ao adentrar o colégio. No dia anterior, havia enviado uma mensagem a Damon dizendo que furaria com ele logo no primeiro dia daquela droga de semana que ela tanto queria que terminasse, antes mesmo de começar. Ficou receosa que ele não tivesse lido a mensagem, e até se arrumou um pouco pro caso de ele passar pela casa dela, já que não havia respondido seu sms. Mas deu sete horas, sete e meia, oito horas e nada. Agradeceu mentalmente por poder adiar um dia; descansar um dia. Por que logo após aquilo seus dias seriam bem cheios, e a noite, já teria o que fazer por uma semana.
Matt ainda estava estranho com ela, porém ela decidiu não insistir muito nisso. Havia acordado bem cedo e falado a mãe que daria seu nome para as lideres de torcida, mas que não seria necessariamente uma líder de torcida, já que teria de ser classificada primeiro. Colocou sua usual calça e sua blusa da semana toda e seguiu entediada por todo o caminho. Ele nem sequer me esperou. Tentou focar neste pensamento o caminho todo, enquanto tentava sentir raiva do amigo. Havia passado na casa de Matt e a mãe dele disse que ele já havia saído. Isso por que era a primeira vez que Elena ia na casa dele e não ele na casa dela. Além de que estava, por incrível que pareça, vinte minutos adiantada.
Não haviam muitos alunos do lado de fora por que estava bem cedo, porém avistou o carro de Bonnie em uma vaga perto da entrada e concluiu que para sua sorte a amiga havia chegado. Queria contar a alguém sobre a aposta e sobre a semana que teria com Damon, e essa pessoa tinha que ser Bonnie, pois não aguentaria ficar mais vinte minutos sem dividir aquela chateação toda com alguém.
Mas ao entrar pela porta do colégio no lugar em que ficava seu armário para guardar seus livros, viu que Bonnie não teria a mesma opinião que ela. Na verdade, não esperava que ninguém tivesse. Mas era Bonnie. Rolou os olhos ao ver que a amiga conversava com Damon, logo com o idiota do Damon, encostada consequentemente no armário de Elena. O que significa que vou ter de respirar o mesmo ar que ele logo pela manhã. Não vou aguentar de dor de cabeça pela tarde se continuar encontrando-o com essa frequência todos os dias. Caminhou até próximo dos dois que pareciam se divertir e parou a meio metro deles, como se pedisse licença, estando prestes a interromper uma conversa tremendamente pessoal.
–Óh, oi Elena, chegou cedo. –Bonnie gaguejou, desencostando do armário e deixando a posição confortável em que estava falando com Damon, para voltar à atenção para a amiga ao lado. Damon não se moveu, apenas virou os olhos para Elena que sorria para Bonnie como se não houvesse reparado na presença dele ali.
Sorriu para amiga e assentiu em expressão irônica para Damon, que sorriu sem mostrar os dentes.
–Tinha algumas coisas pra resolver. –Bonnie saiu de frente dos armários e Elena colocou os livros lá dentro, retirando apenas uma pasta de lá de dentro.
–Alguma coisa importante?
–Por que furou ontem senhorita E. Gilbert? –Damon ergueu uma das sobrancelhas e deu alguns passos, confrontando Elena contra o armário dela. Se desse um passo para a frente, ficaria mais próxima dele do que gostaria. Foi sua vez de encostar no armário e assumir uma expressão desleixada no rosto. Expressão logo seguida de choque, ao ver Bonnie arregalar os olhos perante a revelação. Provavelmente um “furou”, deve ter soado bastante intimo para ela, que não sabia da historia. Olhou para Damon com os olhos semicerrados, e se antes já tinha vontade de mata-lo, agora queria não só mata-lo. Queria estapeá-lo, esquarteja-lo, arrancar a cabeça dele daquele corpo inutilmente belo. Contou até três mentalmente antes de olhar para ele. Teria que mata-lo mais tarde, por que agora Bonnie a encarava com olhos acusadores. Porque Elena havia mentido. E na regra de amizade entre Rebekah, Bonnie e Elena, mentiras não eram nada legais. Nunca havia guardado um segredo das duas, ainda mais quando fora questionada por elas. Ontem, quando as duas a viram conversando com Damon, perguntaram-na se por acaso eles estavam envolvidos de alguma forma.
“Odeio o Damon e eu nunca me envolveria com ele. Ele só estava me irritando. Nada demais!” – esta foi a resposta de Elena ontem. E agora, Bonnie havia acabado de testemunhar que não era apenas mentira, como que ela iria sair com ele, o que era, de certa forma, algo muito mais que envolvida no conceito dela.
Eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio. Se pudesse entrar na cabeça dele, repetiria isso eternamente, até que ele ficasse louco o suficiente para se jogar de uma ponte sem dó nem piedade de si mesmo. Por que ela não teria.
–Bonnie, acho que não tive a oportunidade de conversar com você sobre isso. Digo, sobre eu e Damon. E não é o... não é o tipo de eu e Damon, quer dizer... Nós... Eu, ele, eu e ele. –Elena gaguejou, e apesar de ter na mente as palavras certas a serem ditas, não conseguia forçar sua boca a coloca-las para fora. Não conseguia tirar da mente e explicar-se. Suspirou fundo para clarear e mente e continuou. –Não estamos saindo nem nada do tipo.
–Corrigindo: Não estamos saindo ainda. Vamos começar hoje. –desta vez foi a vez de Elena arregalar os olhos. Filho da mãe. Bonnie apenas ouvia atentamente, ainda de olhos arregalados e expressão desentendida.
–Você ia me contar o que mesmo Elena? Por que me lembro de ter te perguntado sobre isso ontem, e você disse que ODIAVA o Damon. –Bonnie deu ênfase no odiava, enquanto sorria ironicamente para a amiga.
–Isso não é novidade mais eu tenho que ouvir sempre né? –Damon ergueu uma das sobrancelhas e se voltou para Elena. As vezes pensava que ela não o odiava de verdade, mas cada vez estava mais convencido de que mesmo que não odiasse, ele não era uma pessoa com quem ela compartilhasse alegria em ter por perto.
–Damon, será que você podia dar licença pra gente? Sabe né... Se você tá incomodado talvez fosse melhor se retirar. Porque com a sua vontade de colaborar hoje, você ainda vai acabar ouvindo muitos “eu te odeio”. –Elena piscou para Damon, mas ele pode ver um olhar de suplica nos olhos dela para que ele se retirasse. O primeiro olhar sincero que ela lançava a ele em todos os anos em que estudaram juntos. A primeira vez que não escondia que precisava de um favor dele. A primeira vez que via ela implorando e mostrando que precisava falar com Bonnie, por que eram amigas. A primeira vez que via que ela se importava com alguém. E foi a primeira vez que Damon se perguntou se o que estava fazendo era certo. E que se mudasse de ideia, poderia ser amigo dela de verdade, e receber mais olhares como aqueles. Talvez até conhecer a Elena manhosa que ela aparentava ser. Mas mais importante de tudo: receber o olhar mais verdadeiro que já havia visto novamente.
–É claro. –foi apenas o que disse antes de lançar um olhar de concordância para Elena. Virou-se para Bonnie e sussurrou com os lábios um “ouve oque ela diz”, mas tinha certeza que ela não havia ouvido. E se retirou a procura de Caroline, na busca por tirar de sua cabeça todas as ideias que estava tendo.
–*-
–Eu já falei que eu ia te contar hoje de manhã. –Elena revirou mais uma vez os olhos. Não costumava das muitas explicações. Costumava ter o lema de que se a pessoa quer acreditar, acredite, se não, que se dane. Mas era Bonnie. E estava repetindo que era Bonnie muitas vezes ultimamente. Talvez por se sentir mais longe da amiga do que nunca e pela primeira vez Rebekah estava sendo de mais ajuda que a morena. Havia pedido a amiga que desse uma força a Matt, e ajudasse-o com Clary. Mesmo que não gostasse dela e achasse que Matt merecesse coisa melhor, queria que ele tivesse a chance de gostar de outra pessoa que não fosse ela. Assim como ela pode fazer.
–Não ia Elena. Não venha com essa por que não cola. Se fosse contar teria me dito ontem. E nem venha me falar que é porque não pretendia contar para Rebekah por que eu sei que você confia muito mais nela que em mim. Ela já sabe né?
–O que? Não! –Elena jogou a bolsa no banco que estava sentada e se levantou. As pessoas começavam a chegar e a aproveitar os últimos dez minutos antes das aulas se iniciarem para colocar as novidades em dia, cada uma com seu grupinho. Bonnie fez cara de ofendida e semicerrou os olhos. –Eu ia te contar porque não aguentei não contar pra ninguém. Eu tinha que compartilhar minha infelicidade com alguém. Não pretendia, confesso. Mas eu ia. –Elena jogou as mãos para o alto e suspirou. Seus argumentos haviam acabados e sua queridíssima amiga não demonstrava acreditar. –Você sabe que você e Rebekah são minhas melhores amigas e que eu confio igualmente nas duas. Mas ela não sabia, Bonnie.
–Tá, acredito em você mesmo Elena. Até porque você decidiu me deixar te procurando uma hora na festa de segunda pra depois descobrir que o Mason reapareceu e que você resolveu ir embora com ele. Super normal. Nada estranho, Elena. Sou Bonnie, não te conheço. Estou convencida, serio. –de todas as vezes em que teve de se explicar a amiga, aquela era a vez mais difícil de convence-la. E era verdade. Contou tudo, desde a festa até a conversa no refeitório. Não esperava que ela acreditasse que iria contar, ainda mais depois que Bonnie descobriu sozinha, achava que até ela mesmo não acreditaria se ouvisse isso. Mas estava sendo realmente complicado. Parecia que não entrava na cabeça de Bonnie que era Damon Salvatore. Ela estava com problemas não em acreditar na historia, mas sim que era Damon. Talvez se fosse Tyler ela ficaria menos ofendida em não saber.
Decidiu ignorar aquela paranoia toda da amiga assim que Rebekah chegou com Matt e Tyler e indicou para Elena que tinha que falar com ela. Bonnie pareceu esquecer da historia toda e respondeu normalmente todas as vezes em que Elena fez algum comentário. Não parecia haver nada de errado.
A primeira aula era de Inglês e era com Matt. Elena agradeceu mentalmente por poder falar com ele. Sentava na frente dele e durante as chamadas poderia irrita-lo até que ele falasse o que o estava incomodando. Rebekah sempre foi boa informante, mas ouvir da boca dele o que era seria 100% mais seguro.
–Passei na sua casa hoje, e você já tinha saído. –Elena apressou-se em colocar-se ao lado de Matt, que voltou-se para ela apenas uma vez e voltou a olhar para frente.
–Eu realmente não te intendo, cara. –Matt revirou os olhos e Elena parou de andar. Lançou lhe um olhar desentendido. –Você diz que eu tenho que te esquecer, que tenho que sair da sua, mas vive atrás de mim. Colocou até a Rebekah pra vir falar comigo por que tem medo de vir e me perguntar alguma coisa. Me fala, Elena... Tá com medo de se apaixonar por mim de verdade? –Elena arqueou as sobrancelhas enquanto ouvia o amigo prosseguir. As palavras se repetindo em seus ouvidos desordenadamente. –E você não me merece, Gilbert. Era por isso que queria falar comigo né? E eu todo contente, ganhando meu dia por pensar que você queria saber, por que gostava o mínimo que fosse de mim. E não. Era uma droga de aposta com o Salvatore. Aquele que você mentia e dizia que odiava. Ai você quer que eu fique normal todo risonho pra você e que eu te trate normalmente? Como? É querer demais, não é? Se coloca no meu lugar. Ouvir da pessoa todo dia que não tenho uma chance com ela, enquanto essa pessoa vive metade do dia comigo. E quando finalmente decido tentar me afastar você me puxa de volta?
–Matt eu... Eu não pensei que... Eu só queria que você fosse feliz. –Elena pôde observar as emoções que se passavam no rosto do garoto. Desde raiva, até carinho, compaixão, e a expressão branca com as lagrimas nos olhos. Fraqueza esta que Elena não permitia a si mesma. Mas era Matt, e era como se fosse seu próprio irmão, e tudo o que ela menos queria era vê-lo sofrer.
–Então Elena, me deixa. Porque eu te deixei em paz faz tempo, mas você mede tanto minhas atitudes que não pensa nas suas. É você que tá aqui, não eu. –Matt virou a cabeça para o lado e segurou-a pelos ombros. –Se você me deixar, eu também te deixo.
E pela primeira vez, durante a aula de inglês, não houve nem sequer uma conversa entre os dois. Nada. Somente o angustiante silêncio que ambos sempre temeram.
–*-
Elena abaixou a cabeça na mesa do pátio, enquanto mantinha-se torta, sentada em um banco. Precisava pensar. Em tudo. Inclusive, forçar-se a lembrar de que ainda tinha que encarar Caroline Forbes.
–Fazendo o que ai? –A não. Esse idiota não. Tudo isso é culpa dele.
Damon sentou-se no banco, ao lado de Elena. Porém, virou-se para ela. Pensou que novamente veria aquele olhar sincero, já que ela parecia tão abatida, mas tudo que viu foi ódio. Puro ódio. E sim, era um verdadeiro olhar sincero, só que de ódio. Se os olhos matassem, imaginava-se sendo fuzilado por ela neste momento.
–Pensando, Damon. Meditando. Meditando no que você fez. –Damon arqueou as sobrancelhas e Elena prosseguiu. –Por que foi que você contou ao Matt que tínhamos uma aposta? Eu perco tudo Damon. Você sempre me tira tudo. Até meu melhor amigo, Damon. E a culpa é sua.
–Eu não contei ao Matt, contei a Clary. Mas eles nem estão se falando. –Elena gargalhou ironicamente e depois virou-se para ele, cruzando as pernas.
–E você acha que pra me incriminar sua amiguinha não faria qualquer coisa? –Damon pareceu considerar a ideia, que para Elena parecia obvio. Mas agora tinha que ignorar esses fatos, como sempre fizera, e pretendia continuar fazendo. Era forte e demonstrava isso para Damon. E continuaria demonstrando. –Posso inventar mais uma desculpa para não sair hoje?
–Não, eu nem sei por que você não foi ontem. –Damon bateu as pontas dos dedos na mesa, fazendo com que Elena percebesse sua inquietação. Aquele gesto irritou-a.
–A senhora Ellie disse que iria me aplicar a prova de gramatica que você fez com que eu perdesse. E eu preferi ficar estudando. Não foi bem uma desculpa. Foi bem convincente até para mim, me pareceu justo. –Elena sorriu vitoriosa, mas não era um sorriso de verdade. Caroline sorria daquele jeito quando queria seduzi-lo, mas não achava que aquela fosse a verdadeira intenção de Elena. Pensava que era mais por ela saber que causava aquela impressão. De poder. De que estava no controle.
–Sem querer me gabar, mas... Confessei pra ela a minha culpa. Até por que você tem a obsessão por notas que eu não tenho, então... –Damon sorriu e Elena pareceu realmente surpresa. Ontem havia pensado nessa possibilidade mas desconsiderou, até por que não acreditava nem que Damon estivesse se lembrando disso.
–Sabe que não querendo dizer que você está se gabando, mais... não deveria estar dizendo isso. É muito feio, não deveria me contar. –agora Damon não pode deixar de pensar como ela seria seduzindo, já que agora não estava e sua voz era completamente sexy para ele.
–Então, diga a senhorita E. Gilbert que o senhor Damon Salvatore é o culpado por ela estar fazendo esta prova. Ele fugiria. –Damon usou a voz mais sedutora que conseguia. Ela estava fazendo um joguinho e ele estava doido para brincar, chegou mais perto dela, tocando as pernas dela com seus joelhos.
–Diga ao senhor Salvatore que eu estou muito agradecida. –disse Elena sorrindo abertamente. E desta vez não era um sorriso falso para ele, mesmo sendo Damon. Por que ela precisava de nota, e mesmo que o odiasse, não podia deixar de agradecer. E estava surpresa. Apenas uma vez não faria mal.
–Diga a senhora E. Gilbert que ela tem um sorriso lindo. –o jeito como ele pronunciava seu nome deixava Elena estranhamente estranha. Ninguém pronunciava sem nome assim, como se fosse uma dadiva.
–Diga ao senhor Salvatore que ele é um chato mentiroso, mas que tem lindos olhos. –Elena apoiou a cabeça nas mãos e sorriu.
–Só os olhos? –agora foi Damon quem interrompeu a brincadeira, decidido a se gabar de sua beleza nada comum. Elena riu.
Passaram assim todo o tempo que Elena tinha entre a prova que havia feito e sua próxima aula. Quando o sinal bateu, ambos se levantaram rindo, e Elena não pôde deixar de pensar que talvez a semana não fosse ser assim tão chata. Porém logo expulsou esse pensamento. Não podia cultivar simpatia por ele.
–Sabe que eu gosto quando você esquece a raiva que eu não sei por que que você tem de mim? Fico me perguntando... O que eu poderia fazer para que você mudasse a sua opinião?
–Eu tenho a resposta Damon. –não queria ser amiga dele. Mas ele por um lado pensava na possibilidade de que ela fosse propor uma trégua a sua raiva. Mas o que ela disse foi a coisa mais inesperada depois de todas aquelas risadas a cinco minutos atrás. –Esquece essa aposta, esquece tudo... E me deixa em paz. Eu não gosto de você Damon, nem um pouco. Não quero ser sua amiga e tudo que eu mais desejo é que você esqueça isso. Não quero passar nem o que for quinze minutos com você. Por que não é de verdade. –e virou as costas para ele.
–*-
Não sabia se estava arrependida por ter descarregado todo o ódio que estava, mais a magoa pelo que ouvira de Matt em Damon, mas assim que chegou em casa esqueceu tudo, ao ver Mason sentado no banco do lado da porta. Não esperava que ele fosse deixa-la em paz logo, mas também não esperava que ele viesse procura-la tão rápido.
–O que tá fazendo aqui Mason? –perguntou Elena jogando a bolsa no lugar ao lado dele.
–Deixa as perguntar pra mais tarde. Eu conversei com o Matt. Você arriscou tanta coisa Elena. A amizade comigo, com o Tyler, com todo mundo. E se quer saber, ele te merece sim. Vocês ficam lindo juntos. Deixa eu começar fazendo o bem, que é te avisar que ele te ama e que você não pode perder ele, não agora.
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Damon havia acabado de ter uma ideia. De algum modo sabia que havia algo incomodando Elena. Algo que estava magoando. E que o que ela havia falado não era verdade. Era apenas um reflexo do que ela estava sentindo e que queria que ele sentisse também.
Mas a muito tempo usava daquela tática e usaria também agora com ela. A primeira pessoa. Pelo bem do seu plano e de si mesmo. Caroline não podia nem desconfiar.
Colocou uma camiseta e uma calça jeans escura. Colocou um tênis e passou seu irresistível perfume. Isso logo após tomar o banho que julgou como o mais rápido de sua vida inteira.
Pensou em desistir de todos os planos contra ela. Não sabia por que. Resolveu tudo.
Mas aquilo não compensou o que viu ao chegar na porta da casa de Elena. Ou melhor, na porta da casa de Matt.
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Elena se sentia nervosa quando tocou a campainha que estava acostumada a tocar. Não entendia muito bem o por que de Mason estar envolvido nessa historia toda, mas parou para refletir em como no dia de hoje já havia brigado com Bonnie e Matt e percebeu que o fato de que Bonnie não acreditava nela a irritou, mas o fato de Matt tê-la ignorado e tê-la dirigido aquelas palavras a magoou. Palavras que ela dirigia sempre a ele.
–Elena? Você de novo? Eu já disse que...
–Matt cala a boca e me deixa falar. –disse Elena o interrompendo. –Me convence de novo Matt. Seja meu amigo como você era antes e me faça amar você de novo como eu amava antes. Me convence que nós dois somos ótimos juntos e que a gente da certo. Mas não com palavras, mas atitudes. –e ambos sorriram.
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Ao longe, Damon avistou aquela cena tão pacifica entre os três sentados no jardim da casa de Elena. Mason, Elena e Matt. Sentados na escada com Matt no primeiro degrau, Elena no segundo e Mason no terceiro. O riso cortante da garota enquanto exibia um belo sorriso. Damon podia ouvi-los rindo de longe, relembrando, provavelmente, os velhos tempos.
Caiu em si e viu que era uma surpresa para si mesmo o que estava fazendo. Olhou para baixo e se viu jogando o buque de rosas brancas que havia comprado sabe-se lá para que. O que iria dizer para ela? “Oi Elena, aqui na sua porta é o idiota do Damon que você odeia. Mas eu tive a ideia idiota de que hoje você se divertiu comigo antes de me dizer um monte de merda, então eu vim aqui selar a nossa paz com estas rosas brancas por que eu sei que posso comprar uma trégua desse jeito”. Rolou os olhos em discordância a si mesmo e voltou a observá-la.
Com Matt e Mason, ela era ela mesma. Fazendo caretas, balançando as mãos. Rindo de verdade. Na verdade gargalhando. Com Damon, ela podia até se divertir. Mas era como uma mascara que quando retirada mostrava uma Elena diferente. Tão diferente que Damon nem imaginava que existia e sentia uma vontade irresistível de conhecer. Por que ele queria mais olhares sinceros dela. Mas o olhar que ela lhe lançou foi de suplica, e o que ela lançava aos dois amigos era de alegria, amor, carinho, amizade, tudo. Mesmo a Mason, que Damon não fazia a ideia de onde havia ressurgido.
E novamente, xingou a si mesmo por ser tão egoísta. Elena estava bem com todo mundo. Não havia dito aquilo por que estava magoada. Havia dito que o odiava por que o odiava. E estava jogando seu jogo de sedução com ele o tempo todo. Podia ter se divertido, mas era as custas dele, e para ela era apenas como uma vitória.
Abaixou-se e recolheu o buque que estava no chão. Talvez servisse para presentear Caroline, apesar de que ela preferia as vermelhas a brancas. Mas eram rosas e mulheres amam rosas. A programação da tarde de alegria continuaria de pé, mas com sua loira preferida, que se importava com ele de verdade. E não com Elena, que ele nem conhecia direito. E pensar que pensou na possibilidade de passar na casa de Caroline e acabar com o plano fazia com que Damon sentisse ódio da garota, mas também dele mesmo por tamanha estupidez.
De Elena, nunca seria amigo.
–*-
Elena se despediu de Mason, que rapidamente foi embora. O que ele esperava era que Elena dissesse a Matt que o amava e que ele era tudo que ela queria e que não gostaria de perde-lo, mas o que ela lhe contou foi que havia sugerido que ele deixasse o tempo dizer, assim como antes, se os dois deveriam “ser” ou não ser. Pelo visto nenhum beijo. Mas Elena não seria tão precipitada a esse ponto. Teria que reaprender a gostar de Matt, e não ser forçada a isso. Mesmo que aquilo magoasse ambos mais tarde, estavam no terceiro ano, e teriam que se separar um dia. Mas isso não seria agora e nem podia ser. Dizem tanto que deve se pensar no presente e não no futuro.
Elena adentrou a casa e Matt a seguiu, sentando-se na bancada da cozinha, enquanto a garota pegava um copo de agua. Ainda tinha que sair com Damon, mas havia uma curiosidade pulsando em sua mente.
–Matt... Sei que está tudo bem agora e que você não quer falar disso... E eu também não quero, mas... Quem foi que te contou sobre minha aposta com o Damon? Entre você e... Clary? –não tinha um pingo de confiança em Damon, mas quando ele a viu preocupada na mesa, pareceu tremendamente sincero ao dizer que não havia sido ele a contar. E não conseguia pensar em outra pessoa tão ridiculamente ridícula a ponto de contar para Matt. Pensou em Clary, isso era do nível dela. Mas agora que ele estava na sua frente de novo e falando com ela, ela queria saber.
–Se não quer por que fala, Elena? –Elena deu de ombros. Ele conhecia o quão curiosa e quanto a fundo de uma situação ela poderia ser quando queria.
–Por que to curiosa pra saber quem foi o fofoqueiro idiota que contou sobre isso pra você. Por que era obvio que essa pessoa tinha alguma intenção com isso. E a intenção era fazer a gente brigar, claro. –Elena se colocou ao lado dele, colocando o copo na bancada para olha-lo nos olhos. Matt vincou a testa como se não se importasse muito com aquilo. Na verdade não fazia diferença mesmo pra ele.
–Que nada Elena. –Matt riu descontraído.
–Por que “que nada, Elena”? –Elena perguntou seria. O amigo balançou a cabeça em negação, ainda sorrindo. Podia não ser serio para ele, mas para ela era. Porque queria no momento matar quem havia feito isso. Por que Matt se sentiu usado e ela também se sentiria. Sabendo que sua vida pessoal era alvo de apostas entre dois adolescentes. Além de que ela mentiu sobre isso para ele. E os dois eram amigos acima de tudo. Acertaria as contas com a pessoa. Pelas marcas de amizade que ela deixava. Principalmente se Damon estivesse mentindo.
–Porque quem me contou foi a Bonnie.
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