Meu Anjo

4 Demônio a Solta


“Por quê eu estou convidando um menino para a minha casa?”— perguntava. Eu não sabia o que estava fazendo. Por quê eu vou deixar um garoto de 16 anos entrar na casa de um detetive maluco, e que esse detetive maluco sou eu? Não, tem alguma coisa errada.

— Sua casa é bem bonita – Eren fala tirando os sapatos na porta de casa e deixando em um canto – Não tem uma sujeira.

— Eu tenho mania por limpeza – falo observando cada movimento que o pirralho fazia – Você quer explorar minha casa?

— Bom, eu gostaria – o pirralho fala dando um sorriso encantador.

— Moleque insolente – falo indo em sua direção e o empurrando em um canto e apoiando minhas mãos na parede, para que assim ele não fugisse – Você está na casa de um “completo-estranho” e ala que quer explorar minha casa? Há, corta essa...

— Você fala como se fosse bem mais velho do que eu... – Eren fala revirando os olhos – Você é um idiota.

— Olha quem fala – falo olhando diretamente em seus olhos – Um garoto que entra na casa de um completo estranho.

— Desculpa – ele fala cabisbaixo – Eu devo ir embora?

— Não, claro que não – falo me afastando dele – Fica um pouco aqui, sei lá, toma um pouco de café comigo?

— Ok – ele fala indo em direção a cozinha, e aproveito para admirar um pouco seu corpo – Quer que eu faça o café?

— Claro que não, você é meu convidado, e aliás, você sujaria toda a minha cozinha.

— Hum, palhaço – ele fala se sentando na cadeira da cozinha enquanto eu fazia o café – Bom, você... Mora sozinho?

— Sim, meus pais morreram – falo em um tom seco – Eles morreram quando eu ainda era criança, fui criado nas ruas junto com Farlan e Isabel, dois amigos meus inseparáveis.

— Desculpa se te magoou por ter feito essa pergunta – ele falou meio envergonhado – Não foi minha intenção...

— Não, tudo bem – falo servindo café para ele – Eu me acostumo com esse tipo de pergunta.

— Você realmente é bem sério – ele fala olhando pra mim – Eu nunca vi você rindo, será que você pode... Pode dar um pequeno sorriso para mim?

— É sério isso? – pergunto tomando um gole de café – Eu não vou dar uma risada!

— Há, vai – ele fala dando um sorriso pra mim – Pelo menos um sorriso de canto.

“Estranho, era como se eu realmente conhecesse ele a muito tempo, como isso faz com que nós nos damos melhor, como se fossemos melhores amigos”— pensava. O sorriso dele era encantador, com isso, melhorava meu dia.

— Tá bom, tá bom – falo suspirando – Só um sorriso de canto – Com isso, dou um pequeno sorriso, bem rápido, durante um segundo, o que faz Eren sorrir.

— Seu sorriso é lindo – ele sussurra e eu quase não ouço, começo a olha-lo intensamente e ele começa a corar muito – Q-quer dizer, bom, eu nunca vi você sorrindo então... Bom, me impressiona...

— Eu quero que você veja esse vídeo – falo mudando de assunto rapidamente e pegando meu celular – Bom, quando eu estava entrando no vestiário, eu me deparei com isso = falo mostrando o vídeo que tinha gravado do garoto das asas – Você conhece ele?

“Por quê eu estou mostrando isso para o garoto, já que isso tecnicamente é confidencial?” – pensei.

— N-não, não conheço ele n-não – ele fala virando para o lado desviando o olhar no dele – Será que é dá nossa s-sala?

— Eu não sei... – falo enquanto meus olhos ainda vidravam nas asas do garoto do vídeo – Só sei que isso é muito estranho e....

— Bom, acho que eu vou indo – ele fala se levantando e colocando o tênis dele – Muito obrigado pelo café e....

— Ficou incomodado com alguma coisa? – pergunto desconfiado um pouco da atitude dele.

— Não é isso... – ele ia falar mas me olha assustado, parecendo que iria sair correndo a qualquer momento – Eu estou indo, adeus!

“Será que ele é esse garoto?” – pensei.

— Entregou a blusa para o seu namorado? – Armin falou enquanto eu me sentava na minha mesa na sala de aula.

— Armin, ele não é meu namorado – falo olhando para o Levi que se sentava na minha frente – Esquece isso, tá? É besteira!

— Argh, eu vou tentar – ele fala se sentando na cadeira dele.

— O Jean não veio? – pergunto olhando para a carteira dele, que estava vazia, sem ninguém – Ele não é de faltar.

— Ele deve estar doente, só isso – Armin fala dando um sorriso simpático para mim – Não se preocupe, ele não está morto.

— Está preocupado com ele? – Levi me olha por cima de seu ombro bem sério.

— Sim, ele é meu amigo, eu preciso me preocupar – falo olhando para ele assustado – Você não entende?

— Não, eu não entendo – ele fala mantendo a expressão séria – Se eu fosse você, não me preocuparia com esse Jean, porque talvez ele nunca se importe com você.

— Eu nunca faria isso! – grito já com raiva chamando atenção de todos na sala – Você nunca teve amigos? Eu sei que você já teve amigos! A Isabel e Farlan, eles não eram seus amigos?! Eu sei que você me entende!

— Eren, se acalma – Armin fala se aproximando de mim mas eu o olho com raiva – Eren...

— Eu preciso beber um pouco de água – falo indo em direção a porta e olhando para o professor entrando na sala de aula – Eu já volto!

Vou em direção ao banheiro masculino e já vou em direção a pia, lavo meu rosto intensamente, com muita raiva. Por quê Levi falaria aquilo para mim? Jean pode estar morto! E deveria ser por isso que ele faltou.

“Inferno, o que eu faço? O Jean não sai da minha cabeça, nem mesmo o Levi sai da minha cabeça, por quê o Levi falou aquilo? Ele realmente está preocupado comigo?” – pensava.

— Inferno... – sussurro pondo a mão em meus cabelos tentando me acalmar.

— Eren... – ouço uma voz rouca e baixa chamando meu nome.

— Quem está ai? – pergunto olhando para a porta dos banheiros para onde parecia vir a voz.

Me aproximo lentamente da porta e abro ela lentamente. A visão que eu via era inevitável, não havia jeito de aceitar aquilo. O sangue havia invadido minha mente por completo; fiquei desesperado. Jean estava no chão, sangrando, sua pele estava quase toda carne viva, seus olhos me olhavam intensamente. Me agachei em seu lado e comecei a abraça-lo, perguntando o que havia acontecido. Tentei levanta-lo para leva-lo para a diretoria. “O que havia acontecido? Por quê ele estava daquele jeito?” – pensava.

— Garoto, qual é o seu nome? – o policial perguntou para Jean enquanto estavam tentando investigar o que aconteceu.

O diretor havia chamado a polícia quando viu o Jean naquele estado, não pensou duas vezes e ligou para a polícia, com isso, estamos aqui, eu sentado ao lado de Jean enquanto o policial ficava perguntando um monte de coisas.

— Jean – ele fala com calma.

— Certo, Jean, você se lembra do que aconteceu? – o policial perguntou.

— Eu só me lembro de ter entrado no banheiro para lavar meu rosto... E de repente tudo ficou preto – Jean fala olhando pra mim – Depois de um tempo, eu ouvi a voz do Eren, e eu chamei ele e ele me ajudou.

— Eren, realmente você ajudou ele?

— Sim, eu vi ele naquele estado e eu não pensei duas vezes, fui ajudá-lo, ele é meu amigo, não podia deixar ele sofrendo – falo passando a mão nas costas de Jean – Acham que fui eu que fiz isso com ele?

O policial me olha com arrogância, não tira os olhos de mim. E bom, eu acho que sabia que aconteceria.

— Eren Jaeger! Você está preso em nome da lei! – o policial fala partindo pra cima de mim e me jogando no chão e me algemando.

— O quê? Não! Senhor policial, ele não fez porra nenhuma! Ele me ajudou! – Jean fala tentando impedir o policial mais é inútil – Ele não fez nada!

— Vamos ver isso no tribunal! – o policial fala me levantando no chão, e vejo Levi se aproximando de mim mostrando um distintivo da polícia, o que é claro, me impressionou por completo.

— Eren Jaeger, você é acusado de ter torturado Jean Kirschtein, e deixar totalmente sua pele carne viva – o juiz fala enquanto alguns policias me algemam em um tipo de ferro e me deixam de frente com o juiz.

— É mentira! – grito – Eu vi o Jean no banheiro e fui ajuda-lo! Por favor acreditem em mim! Porra! Se aqueles que não possuem força não lutarem, quem poderá fazer isso? Se vocês estão assustados demais porque acham que eu fiz isso com ele, então pelo menos não me privem desse jeito! Seus bandos de covardes! Calem logo a merda da boca de vocês e me deixem carregar todo esse fardo sozinho!

Depois dessas palavras, todos ficam quietos. Mas com isso, um garoto de mais ou menos 1,62 metros de altura vem em minha direção e começa a me chutar intensamente, tirando sangue de minha boca. Começa a cuspir o sangue e sentindo a dor dominar meu rosto, o garoto chuta minha cara com o joelho, e depois disso, pega eu pelo cabelo e me joga no chão, pisando em minha cara. Eu tento olhar para ele e me surpreendo por ter sido ele que fez justamente isso. “Por quê?” – perguntava.

— Por quê quer carregar todo esse fardo sozinho? Não pode ter um companheiro ao seu lado? – Levi perguntou me olhando nos olhos – Você pode ter um final feliz.

— Não se pode esperar um final feliz da minha história de terror – falo sério olhando pra ele – Eu fiz minha escolha, Levi...

— Só esperamos que a sua escolha seja a certa – ele fala tirando o pé dele de cima de minha cabeça – Juiz, tenho certeza de que ele é inocente, por quê não me deixa “cuidar” dele?

— Vigiar ele? – o juiz pergunta.

— Sim, eu vigio ele – ele fala olhando para o juiz.

— Ok, eu declaro, Levi Ackerman, como o vigia de Eren Jaeger, até descobrirmos, quem foi o culpado de fazer isso com Jean Kirschtein! – e assim, o juiz bate com o martelo na mesa, declarando o final.

— Vem, eu vou cuidar de você – Levi fala tirando minhas algemas e me levantando.

— Por quê me bateu? – resolvi perguntar.

— Para que eu pudesse cuidar de você, pirralho – ele fala me ajudando a andar.

— Eu não entendo, você me bate, agora quer cuidar de mim?

— Apenas cale a boca, ok? Eu vou cuidar desses ferimentos.