Meu Anjo
1 Meu Anjo
Notas iniciais
As mãos de Kyungsoo se apoiaram sobre a mesa, tinha que mantê-las firmes, pois o tremor estava demasiado. Luhan afirmara que seu amigo era gentil e amigável e se dariam muito bem, mas Kyungsoo não era bom em fazer amigos, e sua timidez era tamanha que tinha medo de causar vexame.
“Eu já estou me vendo gaguejando feito um idiota perto desse cara.”
Ele ficava mais aflito a cada minuto, e o atraso de Luhan só adiava seus temores.
Os olhos grandes e negros de Kyung se arregalaram ao ver Luhan chegar acompanhado do outro garoto, enquanto eles passavam pela porta giratória seu coração acelerou, e um instante depois ele encontro os olhos do outro garoto. Ele tinha olhos negros, os lábios eram vermelhos e a pele levemente morena, o cabelo despojado e negro.
Desconcertado ao perceber que o garoto também o encarava Kyung desviou os olhos e esperou que Luhan chegasse até a mesa e apresentasse seu amigo.
“Ei Kyung!”
Luhan sentou ao seu lado sem cerimônia batendo com os ombros em Kyung. O outro garoto ficou em pé ao lado da mesa, ainda encarando o jovem tímido.
“Luhan, não vai me apresentar a corujinha não?”
O jeito despreocupado e divertido do garoto arrancou um sorriso de Kyung.
“Ah cara! Me desculpe Kim.”
Luhan bateu com as mãos na testa.
“Esse é o Kyungsoo, meu amigo/irmão.” — Luhan levantou e pressionou a mão esquerda na cabeça de Kyung, daquele jeito que ele detestava. — “E esse é Kim, mas pode o chamar de Kai”. — Luhan disse para Kyung.
“É um prazer Kyung.”
Kai abraçou o desajeitado Kyung, que não sabia o que fazer, e tentava se controlar para que sua face não ficasse avermelhada pelo calor da vergonha.
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E naquele dia nascia um sentimento com que Kyung não podia imaginar-se lidando, mês após mês Kai se mostrava um cara especialmente perfeito, ele era divertido, gentil, e compartilhava dos mesmos gostos de Kyung. Eles começaram a se encontrar sem Luhan, visitando bibliotecas e cafés.
Kai tinha um talento extraordinário de fazer Kyung se sentir a vontade, e fazia com que tudo tivesse um sabor e cor diferente. Kyung não conseguia passar um dia sem falar ao menos por telefone com seu novo melhor amigo.
“Você devia sorrir mais Kyung.”
Kai puxou Kyung pelo pescoço para mais perto de si.
“Você sorri por nós dois”.
Kyung se afastou, não porque o toque e aproximação o incomodavam, mas porque ele ainda não sabia lidar com aquilo.
“Gosto de ver seu sorriso coruja.”
Kai foi até o sofá onde Kyung acabara de se sentar, e em ato súbito que surpreendeu o tímido rapaz, se deitou em seu colo.
“O que você está fazendo?”
Kyung sentiu a face arder, junto com o arrepio que tomou seu corpo.
“Estou me confortando em suas pernas.”
Se confortando? Mas desde quando Kyung era cama ou sofá? Mas ele não podia negar que era bom sentir seu bom amigo tão perto dele.
Os dois ficaram naquele “conforto” por um longo tempo, e Kyung desejava acariciar os cabelos de Kai, tocar a pele macia e morena que o deixava desnorteado. Pouco a pouco criou coragem, e suavemente passou os dedos pala cabeça de Kim, que reagiu positivamente a caricia. Com mais ousadia Kyung passou os dedos pelo rosto de Kim, sentindo a pele macia e quente, e logo seu dedo indicador tocou a boca do lindo moreno.
Kim estava deitado de lado, mas se virou e ficou de frente para Kyung, que mantinha seu dedo nos lábios vermelhos dele. Os dois se encararam por um instante, Kai se sentou e abraçou Kyung, de uma forma que nunca fizera antes.
Kyung sentiu que Kim retribuía seu sentimento, de uma forma ou de outra ele sabia que não estava criando ilusões, e que aquele sentimento era bom, e lhe fazia uma pessoa feliz.
E ele desejava mais do que nunca desvendar mais do que aquele sentimento reservava para ele, queria compreender a dimensão do envolvimento. E queria, acima de tudo, sem nenhuma dúvida, o amor de Kim JongIn, o lindo moreno que lhe conquistou com apenas um olhar.
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O dia estava ensolarado quando Kyung saiu de casa para pedalar em sua bicicleta pelo quarteirão. Ele colocou seus fones de ouvido e deu play na música favorita, Moonlight, do grupo Exo. Estava pronto para colocar seus pensamentos em ordem ou em completa desordem, isso dependeria do quanto ele pensaria em Kai.
E isso era uma missão impossível, pois todo seu mundo parecia girar ao redor do garoto de pele morena, em cada garoto na rua ele identificava um ato ou traço de Kai. As músicas pareciam falar dele, ou então diziam a Kyung que ele devia correr atrás do que seu coração ansiava.
Luhan afirmava que Kai estava envolvido, que falava de Kyung o tempo todo, mas parecia que ambos tinham medo de se revelarem. E enquanto isso a vida lá fora continuava, e um dia um não estariam mais perto um do outro, o tempo se esgotaria.
“Vocês estão perdendo tempo! Suas famílias nem são conservadoras.”
Luhan disse a Kyung na noite passada, quando os dois voltavam de seus cursos noturnos.
Enquanto Kyung caminhava próximo ao lago, respirando o ar verde das árvores, pensava em como agir com Kai, em como mostrar pra ele que estava apaixonado, e que nunca sentira nada igual pra ninguém. Pensava em como chegaria perto do corpo quente de Kai e o tocaria, e depois em como seria a sensação de provar aqueles lábios.
Passara um ano desde o primeiro dia em que se viram, eles já se conheciam melhor do que qualquer pessoa, eles sempre se faziam felizes, sempre compartilhavam de uma sintonia perfeita.
“Eu preciso do Kai. Preciso viver esse amor.”
Kyung concluiu.
Poucos minutos depois estava na frente da casa de Kai o gritando feito um louco. Kai foi até ele em um minuto.
’’O que houve?”
Kai olhou para os lados com a expressão preocupada.
“Desculpe, não quis te assustar, mas quero falar com você.”
Kim sorriu, sabe-se lá porque, mas não era um riso debochado, era um tipo de riso que você solta quando seu desejo se realiza, e ve-lo assim manteve Kyung forte para continuar.
Os dois se sentaram na grama do quintal da casa de Kim, na frente deles a grande cidade se estendia.
“Todo dia, o que mais desejo é ficar com você, é te ver sorrir e sentir seu toque. Todos os dias pensos em como nós poderíamos ser mais felizes, porque confio em você com meu coração.”
Kyung disse sem olhar para Kai, envergonhado e tomado pelo tremor.
“ Eu estava planejando o que dizer a você, faz muito tempo. Desde os primeiros meses que nos conhecemos eu senti algo surpreendente por você, era como se eu tivesse encontrado a parte de mim que faltava, sei que isso parece tolo e romântico, mas é a verdade. Eu simplesmente não sei viver sem você.”
Kyung segurou a mão de Kai, e sentiu que ele estava gelado e tremia, mas ainda não tivera coragem de olhar nos olhos do homem que amava.
“Eu te amo.”
Ele disse por fim, esperando pela resposta de Kai.
“Quando eu coloquei meus olhos em você, foi como se eu tivesse renascido, uma criança que não sabe de nada. Eu pensei que era um sonho, ou uma loucura sentir uma magia tão grande, mas você estava lá parado na minha frente, com a expressão assustada.”
Kai disse, e então tocou o queixo de Kyung, erguendo o rosto do garoto para encara-lo.
“ Eu quero andar lado a lado com você, mostrar pra todo mundo que eu estou apaixonado pelo cara mais doce e gentil, mas inteligente e bom que já conheci. Porque se eu estiver com você tudo será um paraíso. Eu quero proteger você sempre, estou apaixonado eternamente.”
Os dois rapazes deixaram lágrimas correrem pelos olhos, lágrimas de alegria, tão doces como uma chuva de verão. E então seus lábios se encaixaram, o encaixe perfeito, o contato quente e apaixonante.
E ninguém no mundo teria o direito de dizer que amor deles era menos importante, pois era um sentimento verdadeiro, e puro, era um amor que nasceu da beleza de ser humano.
“Como seu anjo da guarda, irei bloquear esse vento forte
Mesmo se todos se virarem contra você
Em dias difíceis, eu irei enxugar todas as suas lágrimas
Se ao menos eu posso ser esse tipo de pessoa
Onde quer que formos, será o paraíso.”
“Eu te amo sempre, e sempre. Nunca irei deixar você. Eu prometo. Eu te amo.”
Kai acariciava o rosto de Kyung que sorria e chorava, completamente perdido no paraíso do amor.
“Eu nasci para te amar, e você é minha eternidade.”
Kyung disse e beijou e abraçou o homem de sua vida.
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Sugados pela brisa do amor, Kyung e Kai viveram sua história por toda vida, assim como se prometeram na juventude. Eles adotaram uma garota e lhe deram o nome de Angel, por que mesmo não sendo de sangue, era fruto do amor deles. Um amor que enfrentou o preconceito, o assedio, e a incompreensão, e superou a tudo, pois era real, e estava além da compreensão das pessoas.
Eles estavam juntos, nas lágrimas, na doença, na saúde, na alegria, e acima de tudo estava unidos pelo laço mais forte do mundo: O AMOR!
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