Meu Anjo 3: Rumo ao Paraíso
6 Capitulo 6 - Os portões do Purgatório
Ichigo não sabe como reagir, Rukia estava irritada e culpando ele pelo que ela havia passado esse tempo todo. Ichigo começa a tentar se aproximar para poder tentar conversar.
– Mas eu...
– Não espera mesmo que eu vou esquecer tudo o que eu passei apenas porque você decidiu se desculpar. Você sabe o que é sentir o desejo de morrer Ichigo?
Ichigo apenas observa o rosto de Rukia enquanto ela desabava.
– Por acaso você sabe o que é ter medo de uma porta abrir? Pois não tem como saber quem viria e o que ele faria, tudo o que eu tinha certeza era que ele iria me torturar. As risadas deles me deram pesadelos durante todo esse tempo que estive aqui. Tinha medo dos meus sonhos, de dormir e acordar com eles já prontos para me torturar. Você quer mesmo que eu te perdoe por tudo isso apenas porque você sente muito.
– Aquele desgraçado me enganou.
– E por que não confiou em mim? Nem mesmo me deu uma chance de explicar o que houve.
– Será que pode me dizer agora? – diz Ichigo.
– Por que se importa?
– Apenas me diga, quero saber o que você escondia e o que foi que a motivou a não me dizer.
– Já que quer saber. – diz Rukia já irritada. – Jessica me fez um desafio, “falta pouco para o plano final se concretizar, quando acontecer seus amigos estarão em perigo, isso irá incluir o Ichigo. Você deverá ser capaz de proteger o seu amado Ichigo”, foi o que ela me disse. Ela me disse também que tinha uma condição, eu não poderia dizer a você, ou então, eles iriam mata-lo.
Ichigo começa a sorrir, o que irrita a Rukia e acaba acertando um soco no rosto de Ichigo.
– Como você tem coragem de sorrir, você ouviu o que eu disse?
– Será que agora você pode se sentir um pouco melhor?
– O que?
– O Aizen havia me dito já, mas eu queria poder te dar a chance de jogar na minha cara o que foi que houve.
– Por quê?
– Não consegui pensar em algo melhor para poder fazê-la me perdoar, eu sei que isso não é o suficiente, mas eu realmente espero que possa ser um começo.
Rukia observa o Ichigo caído ao chão com aquele sorriso e começando a tremer, parecia que ele estava com medo de algo.
– Ichigo, do que você está com medo?
– O que?
– Eu posso ver que está tremendo. Está com medo?
Ichigo se levanta e começa a se aproximar dela.
– Sim. Estou. – Ichigo se aproxima de Rukia e acaba por colocar suas mãos em seus ombros. – Eu tenho medo de que por minha vontade de me vingar pelo que o Aizen fez conosco eu tenha acabado perdendo você.
– Então não tem medo por sua vida.
– Não veria motivo para viver se para conseguir sobreviver eu acabe te perdendo Rukia.
– Não acha mesmo que apenas isso vai me fazer perdoa-lo.
– Não estou pedindo isso, eu espero que você me perdoe por achar que eu mereço.
Ichigo solta os ombros de Rukia e se afasta dela e vai caminhando para a porta, Rukia apenas observa seu amado sem a menor emoção.
– O Gin me explicou como usar essas passagens e me disse que tem uma passagem secreta por trás que você pode usar e escapar.
– Do que está falando?
– Eu estou dizendo que quando passarmos pela porta eu vou escolta-la até a saída e depois você poderá fugir daqui.
– E você?
– Eu não posso deixar o Aizen continuar com seus planos, Hitsugaya está aqui para enfrenta-lo, mas eu não sei se ele poderá vencê-lo.
Rukia nota o desejo de Ichigo, a vingança, não parecia ter o mínimo de interesse em fugir ou de sair de lá vivo, mas Rukia ainda não conseguia perdoá-lo e apenas observa enquanto pensa sobre o que ele iria fazer.
No meio do caminho ela começa a perguntar o que houve.
– Você veio para cá apenas com o Hitsugaya?
– Não, nossos amigos me ajudaram a entrar na mansão, espero que eles estejam bem.
– Mas que amigos?
– Todos. Ishida, Inoue, Renji, Keigo, Chad, Tatsuki e Matsumoto.
– Nossa, eu achei que eles me odiassem ainda.
– Você salvou a vida deles. Não tem como eles ainda terem raiva.
– Nem mesmo a Inoue?
– Ela também.
Rukia fica feliz ao ouvir que Orihime havia perdoado ela pelo que houve no passado. Parece que ela poderia voltar a ter as suas amizades de volta, tudo poderia voltar a ser como era, ou quase.
Quanto mais o tempo passava e eles iam seguindo o caminho ela sentia que devia fazer algo, seu mundo estava voltando ao normal, mas algo estava para ser perdido.
Enquanto isso, Hitsugaya continuava a sua luta contra Aizen, mas ele estava levando a pior, Aizen estava em perfeito estado, mas Hitsugaya já estava ofegante.
– Será que você não planeja lutar? – diz Hitsugaya.
– Não sou muito bom no corpo-a-corpo. Prefiro luta com espadas, mas não sou do tipo que gosta de ser injusto.
– Não me venha com essa.
Hitsugaya parte para cima de Aizen e tenta acerta um soco, mas ele esquiva logo depois ele tenta acertar um chute, mas Aizen esquiva para trás o que faz Hitsugaya começar a sorrir.
– O que foi?
– Entendi. Você não tenta lutar corpo-a-corpo não por não ter força, mas por não saber se defender.
– Como assim?
– Tudo o que você faz é se afastar cada vez mais, você poderia tentar conseguir alguma brecha, mas nunca nem pensa nisso e se afasta antes de ter alguma chance de ser pego.
– Hmm, parece que entendeu o meu ponto fraco. Que garoto inteligente, mas o que isso pode te ajudar?
Hitsugaya volta a sorrir e se aproxima de Aizen para um golpe direto o que faz Aizen se preparar para esquivar, Hitsugaya tenta acertar um soco, mas Aizen esquiva e tenta atingi-lo com um golpe no pescoço, mas Hitsugaya recua seu braço e o usa como escudo para se proteger.
– Como você não sabe como defender um golpe também não sabe as formas de se proteger dos próprios golpes. Contra um grande lutador que possa entender isso e manter a calma você é inútil.
Hitsugaya já aproveita a posição que estava e tenta fazer um giro e acerta um chute na cintura de Aizen.
– Parece que você não é tão forte quanto pensava.
– Você se sente muito apenas porque acertou um golpe.
– Você vai ver, eu vou acabar com você Aizen.
Hitsugaya parte para cima de Aizen que esquiva novamente e tenta acerta-lo mais uma vez e recebe outro contra-ataque.
– Essa luta já está ganha Aizen. Desista.
– Convencido.
Aizen parte para cima de Hitsugaya que tenta defender o golpe, porém, a velocidade de Aizen acaba o surpreendendo e ele não consegue reagir a tempo.
– Achei que tinha dito que luta estava ganha.
– Seu maldito.
– Posso não saber como defender um golpe, mas possuo velocidade e força suficiente para compensar, não deveria me subestimar.
– Não se preocupe, não vou fazer isso.
Hitsugaya tenta achar uma brecha na defesa do Aizen, mas o mesmo acaba partindo para cima dele de novo e após esquivar de três socos o quarto acaba atingindo no rosto o deixando sem reação, logo Aizen acerta um chute na cintura dele e o derruba.
– Você deveria ter acabado comigo quando teve a chance. – diz Aizen.
– Seu maldito, eu ainda não perdi.
Aizen segura os cabelos de Hitsugaya e o levanta enquanto observa ele se debatendo tentando escapar.
– Tem razão, ainda não perdeu.
Aizen começa a acertar socos na barriga de Hitsugaya até que ele começa a não conseguir respirar e o Aizen finalmente o joga no chão completamente indefeso.
– Como eu disse, não sou injusto.
– Seu... mon... – Hitsugaya não consegue falar por causa da dificuldade para respirar.
– Acho que você quer dizer “monstro”.
Hitsugaya tenta encarar Aizen, mas apenas consegue ficar a tentar respirar. Aizen puxa uma adaga e começa a observar o rosto de Hitsugaya e acaba por levantar a adaga.
– Agora sim eu posso dizer que acabou. Pelo menos para você, grande detetive Hitsugaya Toushirou.
Aizen desce seu braço e a adaga acaba por quebrar a ponta com tanta força. Hitsugaya fica sem reação ao observar a adaga quebrada ao lado de seu rosto, quase acabando com as poucas forças que ele havia reunido para tentar respirar.
– Fique ai, não se levante. Não quero ter que sujar minhas mãos com o seu sangue também. – diz Aizen.
Aizen começa a caminhar para fora, mas primeiro ele acaba por apertar um botão na sua pulseira e a joga na sala.
– Eu realmente espero que ele tenha conseguido resgatar a garota, porque daqui a cerca de 3 minutos, não terá mais o que resgatar.
Hitsugaya não consegue fazer nada para impedir Aizen que vai saindo da sala e apenas fica a observar, encarando o seu adversário.
Hitsugaya implora para que Ichigo e Rukia estejam a salvo e possam sair daquela mansão amaldiçoada com vida, tudo aquilo que ele suportou ele espera que tenha sido o suficiente para conseguir ajudar o Ichigo a cumprir sua missão.
Ichigo e Rukia conseguem chegar à porta no final do caminho e ao abri-la eles notam que o caminho estava vazio, mas aquilo ainda não era a saída, ainda havia um caminho enorme que separava Rukia da liberdade.
– Parece que teremos que passar por esse jardim para conseguir chegar a saída. – diz Rukia ao observar o caminho.
– Tudo bem, vamos indo então.
Ichigo e Rukia começam a caminhar pelo enorme jardim enquanto Ichigo começa a se lembrar do que aquele jardim parecia, era parecido com o jardim da escola aonde ele fez a escolha que acabou causando todos os problemas dele, mas ao mesmo tempo ele ainda conseguia se sentir feliz lá.
– Rukia, percebe o que esse lugar parece? – diz Ichigo.
– Do que está falando?
– Esse jardim, parece o jardim da escola. O mesmo jardim que você caminhava quando eu te salvei pela primeira vez.
– O que?
Rukia olha ao redor e começa a se lembrar daquele lugar, um jardim quieto e sereno, ela caminhando preocupada e sem entender os seus sentimentos para com o Ichigo. Logo depois Ichigo aparecendo para falar com ela e dizendo que ela estava sendo seguida. Poucos passos depois, Ichigo se vira e vê um homem com roupas pretas se aproximando tentando ataca-los e Ichigo o derrota.
Logo depois daquela lembrança ela começa a perceber que novamente ela esta com seus sentimentos confusos, ela sente ódio do Ichigo pelo que houve por tudo o que ela sofreu por culpa dele, mas ainda assim não consegue odia-lo a ponto de querer que ele morra para salvá-la.
Ichigo continua a seguir caminho com ela até os portões da mansão, mas no meio do caminho ela continua a se questionar sobre o que houve. Logo ela para no meio do caminho.
– Ichigo, o que você faria no meu lugar? – diz Rukia.
– Como assim?
– O que você faria, se tivesse recebido uma informação de que tentariam me matar, mas fosse dito que você não poderia me contar o que você faria?
Ichigo fica um momento calado, não consegue entender o raciocínio dela nem o porquê da pergunta.
– Eu não sei. Eu com certeza faria o que fosse necessário para proteger você, mas não sei dizer se conseguiria manter em segredo ou se iria conseguir ariscar a sua vida e te contar.
Rukia nota que ele sofre da mesma duvida que ela sofria, não tem uma resposta certa. Não poderia ariscar a vida dele contando, mas também não conseguiria ficar tranquila mantendo segredo.
– Eu acho que manteria segredo apenas de você.
– O que?
– Já que a única pessoa que não poderia saber era você, então eu contaria para quem eu pudesse para mantê-la a salvo e manterá segredo apenas de você para não colocar a sua vida em perigo.
Rukia nota que ele conseguiu pensar em uma resposta mais fácil, mesmo que não situação dela poderia não ser tão fácil.
Ichigo se aproxima dela de novo e tenta mantê-la calma, mas ele nota que ela ainda sente medo, enquanto estiverem na mansão ela não vai conseguir se acalmar e Ichigo sente deve se apressar para sair de lá.
Ichigo estende sua mão para Rukia.
– O que?
– Vamos, eu vou te proteger.
– Ichigo... Eu...
Ichigo segura à mão de Rukia e a puxa para perto dele, logo ele acaba por abraça-la.
– Eu quero que saiba Rukia. – diz Ichigo. – Eu te amo. Eu prometo que vou sempre estar por perto para te proteger.
– Ichigo... Prometa-me que não vai morrer aqui.
– O que?
– Você quer que fuja sozinha não é?
Ichigo fica calado, pois ele sabe que ela está certa.
– Eu não quero te deixar para trás, mas não posso te impedir. – diz Rukia começando a abraça-lo e aconchegando seu rosto de lado no peito de Ichigo. – Não quero que me prometa que vai me proteger ou que me ama. Apenas quero que me prometa que vai voltar vivo.
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