Meu Anjinho Da Guarda.

3 III - Minha nova família


Estava muito escuro. Não conseguia ver nada, só uma luz tênue no final daquele lugar. Achei que estava no meio do nada. E estava. Tentei achar algo sólido para tocar, mas só sentia o chão sob os meus pés e uma corrente fria de ar batendo nos meus braços. Procurava seguir a luz, mas quanto mais chegava perto dela, mais longe ela se distanciava. Andei por horas — ao menos acho que eram horas -, até que desisti e sentei no chão, já que era a única coisa que eu sabia que estava ali. Fechei os olhos com bastante força, esperando que tudo aquilo fosse um sonho e, quando abrisse, tudo voltasse ao normal: eu, em casa, com meus pais. Abri os olhos apenas quando uma forte luz brilhou na minha frente. Em fração de segundos, a luz foi formando a sinueta de um humano. Era Pazuzu. "O que aconteceu comigo?" perguntei. "Você me abandonou quando eu mais precisei de você! Por quê você fez isso?". "Fiz isso porque era preciso. Você está morta, mas talvez, eu possa ressuscitá-la" disse Pazuzu, eu gostaria de ver como era seu rosto, qual era sua expressão facial, mas via apenas a sombra de um homem. Era para amedrontar-me? Acho que não. "Me ressuscitar como? Você é só mais um espírito, certo?". "Não!" gritou ele. Como não podia ver seu rosto, apenas imaginei como seria sua expressão naquele momento: raiva. "Você pode pensar que está aqui por horas, mas na verdade está aqui há anos. Se você quiser, posso trazer você de volta à vida e poderemos cumprir nossa missão. Eu falhei em te procurar desta vez, mas não terá uma próxima." ele me falou, tentando deixar o tom de sua voz mais amena. "Eu aceito", disse, sem nenhum medo do que estava por vir. Neste momento, vi que a sinueta da mão de Pazuzu chegando perto da minha e então, segurei em sua mão. Instantaneamente, fomos transportados para um outro lugar. Estávamos em casa, no quarto da mamãe. Ela estava na cama, mas papai, não. Olhei para trás e vi papai com uma faca na mão. Eu conhecia aquela faca. Ele veio em minha direção. Tinha algo diferente nele: seus olhos, estavam brancos, sem a pupila. Segurei mais forte na mão de Pazuzu. Papai atravessou meu corpo e, então, notei o que era tudo aquilo, apenas um flashback. Ele chegou ao lado de onde mamãe estava deitada e levantou a faca. Sem pensar duas vezes, atravessou-a no corpo de mamãe até que ela parou de gritar. Assim, me lembrei do que tinha acontecido naquela hora. Olhei para trás e me vi, segurando Teddy. Papai olhou para mim e cortou seu pescoço. Então, eu saí correndo para a sala em busca de ajuda e deixei o corpo dos dois ali. "Era isso que você queria me mostrar?" perguntei, chorando. "Na verdade não. Quero mostrar para você o que aconteceu depois que você foi para a sala" Pazuzu disse, enquanto ouvia os passos de alguém chegando em casa no andar de baixo. Neste momento, ouvi um estrondo debaixo da cama dos meus pais. De lá, vi sair duas garras enormes que arrastaram todo o tapete, levando o corpo do meu pai para o desconhecido. Após papai desaparecer, observei a cama tremer com muita força, até que o corpo de mamãe também caiu no chão. Vi novamente as garras puxando o corpo dela para debaixo da cama. Quando a cama parou de tremer e não havia nada ali, além de sangue, alguém abria a porta do quarto. Abria muito lentamente. Era o nosso vizinho, sr. Ben que estava chamando pelo nome dos meus pais, enquanto pisava na poça de sangue. "O resto você já sabe", disse Pazuzu, me transportando novamente para a escuridão. "O que eram aquelas garras? Que monstro era aquele? Foi ele que matou meus pais?" eu gritava, estava furiosa e queria respostas imediatas. "Aquele monstro é Lamasthu. Uma inimiga que eu tenho há milênos. Infelizmente, ela jogou um feitiço em algo que era meu e agora não posso mais ajudar outras pessoas. Você foi a última pessoa a quem consegui proteger e, depois, quando seus pais planejaram de esconder meu objeto, Lamasthu matou seus pais, e isso me deixou mais fraco. Agora, cabe a você procurar a placa". "Mas como vou procurá-la? Me ajude a procurar essa placa, por favor". "Para encontrar a placa, você terá que encontrar as 7 crias de Lamashtu. Elas nasceram de um encantamento e é só a partir dele que você pode enfrentá-las". "Mas como vou matá-las?" eu estava apavorada, porém queria vingar pela morte dos meus pais. Eu sabia que muita coisa ruim ainda estava por vir. "Você não irá matá-las, mas irá prendê-las em uma jaula. Nesta jaula, você deve perguntar a elas aonde está a placa. Elas odeiam umas às outras e, por isso, vivem em locais diferentes. Você deve encontrá-las, aprisioná-las e interrogá-las até que lhe digam aonde está a placa. Depois disso, nos veremos novamente". "E você pode me dar alguma dica?" "Não, mas estou procurando por algumas delas. Esta busca deve demorar um pouco. Enquanto isso, você ficará sob o cuidado de um dos meus amigos. Ele vai ser muito legal com você, mas para isso, preciso que você aceite minha proposta". "E qual é ela?" "Sacrifique uma criança..." "O quê? Como assim? Não posso fazer isso!" "...e então, com mais força, eu voltarei para te ajudar" disse Pazuzu, fingindo que não ouviu o que eu disse. "Eu... aceito". E então, a luz que estava atrás de Pazuzu fortificou-se e veio em minha direção. "Tenho ótimos planos para você, garotinha" a voz de Pazuzu — a única coisa que me dava certeza de que ele estava ali, já que ele era uma sombra -, foi se tornando cada vez mais baixa, até que sumiu e, então, a luz tomou conta de meus olhos. Uma chama quente percorreu meu corpo até que me vi deitada em uma cama muito aconchegante. O quarto aonde eu estava era todo rosa, com várias pinturas na parede e brinquedos jogados no chão. "O café está na mesa!" ouvi uma voz masculina vindo do chão. Sem medo, abri a porta e me deparei com um pequeno corredor que levava à uma escada, ligada ao andar de baixo da casa. Olhei para a direita, e vi um outro corredor, com uma porta na parede à direita e, mais à frente, uma estante com TV e sofás. Deduzi que era a sala. Olhei agora para a esquerda e vi a cozinha. Fui me aproximando para descobrir quem era o dono da voz. Um homem saiu de trás da porta da geladeira com uma caixa de leite em uma mão e um prato de queijo na outra. "Me ajude a fechar a porta, por favor." disse ele, enquanto o ajudava. Ele se sentou na mesa e me sentei à frente dele. "Quem é você? É amigo do Pazuz..." "Shhh!" ele me interrompeu. "Não podemos dizer esse nome aqui em casa. Há algo nos observando e ela não pode saber que você está aqui." "Ela? Mas quem é..." "Meu nome é James" disse ele, me interrompendo novamente. "Estou aqui para te proteger até que cumpra sua missão. Agora, coma um pouco." Sem pensar duas vezes, peguei o pão com queijo que estava à minha frente e comi rapidamente. De repente, ouvi um barulho de porta se abrindo atrás de mim. Estava vindo da sala. "Finalmente ela chegou" disse James. "Venha conhecer nossa hóspede, amor!" James gritou, enquanto uma loira alta, de olhos azuis fortes, vestindo um terno preto e saia, calçando um tamanco baixo colocava sua bolsa no sofá. "Olá, garotinha. Tudo bem?" disse ela, sorrindo pra mim. "Meu nome é Louise, acho que a partir de hoje seremos sua família, certo?" "Sim... eu acho que sim". Tudo isso era novo para mim, mas não me sentia diferente, surpreendida ou mesmo assustada, afinal, vi meus pais morrerem, tem coisa pior que isso?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.