Meu Amor

8 Capítulo 7


Notas iniciais
Não me matem!
Eu sei que atrasei. Desculpem. Escrevo nos fins de semana, mas fiz um workshop de cinco dias que foram intensos demais, e não deu tempo. E hoje (ontem foi o ultimo dia) tive aula da faculdade e mais um monte de coisas... Resultados? Passei o texto e o corrigi todo agora à noite, por isso a demora.
Espero que gostem.
Vamos lá!

CAPÍTULO 7

Quando Andhras lhe mandou que corresse, Nalla ficou sem entender por um segundo. Mas então, os homens que vinham do outro lado da rua sorriram de um jeito agourento, e continuaram em sua direção. Ela viu que eles colocaram as mãos dentro dos casacos. Sua pele se arrepiou, o corpo travou. Não vivo, seus instintos gritaram. Redutores.

O corpo de Andhras se moveu para a frente, lhe dando cobertura, e ela o acompanhou, se inclinando para trás e girando sobre seu próprio eixo, dando a volta e correndo por onde haviam vindo.

D. e Aggie estavam um pouco longe, à frente, com Sam. Nalla, um pouco para trás.

Ouviu um grunhido, um grito, e olhou de volta para...

Andhras estava sendo encurralado em um beco, enquanto os outros guerreiros lutavam bravamente numa parte da rua longe dos olhos dos humanos.

Ela estacou no lugar. O peito apertou. Não deixaria seu macho sozinho. Foi em direção a ruela.

Andhras estava muito ocupado com seus inimigos, desviando e atacado, para perceber que ela vinha chegando.

Nalla pegou impulso e derrubou um deles no chão, mas o redutor lhe deu uma rasteira. O ar escapou dos pulmões da fêmea com um barulho seco. A dor foi um choque. Antes que pudesse se recuperar, o redutor estava em cima dela.

Foi o tempo que Andhras se ocupou do outro. Houve mais barulhos, explosão.

Nalla se contorcia e gritava, tentando acertar socos e chutes no redutor. Mas ele se esquivava, puxando seu cabelo, tentando mantê-la parada. Ele sentou sobre o quadril dela, a mantendo presa ao chão.

Andhras gritou por ela, preocupado, desesperado.


Nalla conseguiu levantar uma das pernas, desequilibrando o redutor, empurrando-o para o lado, e saiu rastejando. Porém, o monstro ainda segurou seu corpo, segurando sua perna e o puxando para ele. Puxou uma adaga. O brilho refletiu a luz da lua, e o coração perdeu uma batida.

Viu-se sendo jogada pra longe repentinamente, então: Andhras a separara do redutor, e lutava bravamente, lhe dando cobertura.

“Vá embora!” ele gritou por cima do ombro.

Nalla respirou fundo, o pânico de ver o Irmão lutar e correr um risco a dando forças para se levantar e...

Um outro apareceu das sombras, apontando um revólver.


*

O desespero consumiu o guerreiro: estavam em terrível desvantagem. Não via seus Irmãos em lugar algum, embora, se quisesse, poderia ouvi-los nos outros becos ao redor...

Ele quebrou a coluna do redutor, derrubou-o no chão, depois o apunhalou.

A tempo de ver o terceiro apontar o revolver para Nalla.

O macho se jogou sobre ela, entrando no trajeto da bala. A ideia de perder sua fêmea suplantando tudo.

Dois tiros foram feitos.

O impacto o derrubou, expulsando o ar e a força de seu corpo. Tudo saiu de foco...


*


Xhex correu para o inimigo baleado no chão, dando-lhe cabo da vida com sua adaga negra.

Debaixo do Irmão, Nalla gritou e esperneou, chamando por ele. Balançou seu ombro.

“Saia de cima de mim, Andhras” mas ele não respondeu. Sua respiração era nada.

Xhex se aproximou e chiou.

“Fique onde está, Nalla.”

Gahel e Spohr se aproximaram correndo. Nalla, virando a cabeça, viu seus rostos lívidos, os corpos sujos com uma mistura dos sangues deles próprios e dos redutores.

Ela chamou Andy mais uma vez.

O desespero... Oh, Virgem do Fade, o desespero... Ele não se mexia...

“Andhras? Aandhraaas!!” ela gritou. Seu peito pesava, estava com falta de ar.

Os rapazes tentaram movê-lo pouco. Ela se sentou. E viu o buraco nas costas dele.

“Oh, querida Virgem...” começou a soluçar, chamando pelo macho. Ele havia levado uma bala... Por ela.

Alguém falava, e havia outros, muitos outros.

Mas ela só sentia o vazio. Arrastou-se para perto dele, desesperada por tocá-lo.

Ele estava desacordado, de bruços, no chão. Nalla segurava sua cabeça com as mãos, para que seu rosto não ficasse na calçada. Havia chuva caindo.

E era quente, lavando todo o seu rosto.

Seu corpo tremia.

Seguraram-na pelas axilas, mas ela se debateu. Não iria deixá-lo. Havia voltado para salvar sua vida, mas não adiantara de nada, ele é quem a havia salvado. De novo e de novo.

Chamou-o mais uma vez. Ele ia ouvir.

Não ia?

“... coração, vamos tentar movê-lo...”

“Qhuinn e Zsadist estão...”

“...Preciso que alguém...”

Fragmentos de conversas se perdiam ao vento. Para Nalla, só havia o corpo inerte.

Alguém tocou seu ombro, mas ela não tinha forças para se mover. Encarava a ferida aberta como se seu olhar pudesse curá-la. Sangue vazava...

Puxaram seu rosto para seu lado direito, e Xhex estava em seu campo de visão... Nalla ofegou, sentindo-se perdida... Não podia mais vê-lo... Seus olhos vasculharam a calçada. Ela ainda segurava sua cabeça. Então olhou de relance para Xhex.

“Preciso que se afaste, Nalla.”

“Não.”

“Preciso alimentá-lo.”

“Não, não vou me afastar...”

A Dra Jane estava lá, então, tocando nele, medindo sua pulsação.

“Está muito fraca.” Murmurou, então encarou Nalla. “Ou você deixa que Xhex o alimente para que eu possa fazer meu trabalho, ou ele morrerá em alguns minutos, nos seus braços.”

O pânico a paralisou. Seus olhos se arregalaram. Nalla soltou o macho hesitante, sentindo o corpo dormente.

Xhex se moveu pra o lugar em que a pré-trans estava. Spohr e Gahel ajudaram a Dra Jane a virar o corpo. Então o pulso de Xhex estava na boca de Andhras.

A dor em seu coração foi intensa. Doce Virgem, era o pulso dela que deveria estar ali. O pulso dela...

Um carro cantou pneus, e houve mais comoção, gritos. Nalla viu o corpo de Andhras ser arrastado para um dos carros. Jane, Xhex e Vishous acompanhando tudo de perto. Então, quando ele desapareceu, ela correu e se enfiou na parte traseira, segurando uma das mãos dele.

Não ouviu quando Z a chamou.

Nem sentiu quando ele a tocou de leve nos ombros.

Ou quando lhe disseram para ficar longe.

Aos seus olhos, só havia o guerreiro baleado.



Durante o caminho inteiro ela acompanhou impotente, Vishous e Jane tentarem conter o sangramento. Mas a cada curva e freada de volta para o Complexo era uma verdadeira batalha.

Quando finalmente chegaram, Butch a arrancou do carro. Marissa estava ao seu lado, assim como sua mahmen. Elas a seguraram quando Xhex tirou seu pulso e uma Escolhida tomou seu lugar. O corpo do macho deu um solavanco, tamanha a força do sangue. Na maca, Jane finalmente conseguiu estabilizá-lo.

Xhex correu para a mansão, se despedindo de todos e dizendo que voltaria logo que possível para ter notícias. Tohr estava segurando John em seu quarto.

Uma onda de fúria invadiu Nalla quando ela viu a Escolhida correr com Dr Manello, Jane, V e Ehlena para a Sala de Operações. Ela não poderia perdê-lo. Não.

Mas a raiva foi devidamente contida enquanto seu grupinho caminhava, apertado e ansioso, pelos corredores.

A Irmandade ficou esperando do lado de fora da SO por noticias. Nalla, que não se aguentava de pé, caiu sentada quando Marissa a soltou por um segundo. Todos convergiram para a fêmea pálida e fraca na parede.


*


Z tentou falar com a filha, mas ela estava encolhida, tremendo.

Ele reconheceu a posição: era a mesma que ele ficava quando estava em cativeiro. Ela sentou-se escorada num canto entre duas paredes, abraçada aos joelhos encolhidos. Olhava para o nada, seus olhos amarelos vidrados e sem brilho. Seus lábios estavam azulados. Ela estava molhada da chuva, o rosto inchado de lágrimas. A maquiagem desfeita. Destruída. Como ele foi um dia.

Seu coração parou. Ele sabia como ela se sentia. Oh, Virgem, ele temia isso: que ela se apaixonasse e algo acontecesse. Ela perderia a vida...

Ele falhara como pai. Permitira que sua nalla sofresse assim...

Seu coração doía demais.

Bella se aconchegou a ele. O guerreiro abraçou a cintura de sua fêmea e a beijou na testa. Queria poder colocar Nalla no colo e a abraçar forte, como sempre fizera desde que superara o medo que tinha dela perto das marcas de escravo. Queria poder dar-lhe forças e mostrar que não estava sozinha, que podia contar com ele... Mas havia uma barreira entre os dois, naquele momento. O tipo que, mesmo que você estivesse ao lado da pessoa, quilômetros os separavam. E tudo porque ela estava apavorada demais, e Z. tinha medo de estragar tudo brigando com ela, tamanho seu medo de perder a filha.

Vira Bella e Marissa tentarem fazer a fêmea pré trans se mover, falar. Mas ela só ficava lá...

Olhou ao redor do corredor:

Aggie e Dhread estavam assustados, abraçados com seus pais. Sameera tinha se enroscado em Qhuinn e não o largaria tão cedo. A fêmea tinha olhos vermelhos e inchados, e os meninos estavam tensos, com os nós dos dedos apertados. Seu sobrinho segurava tão forte o tecido da blusa de Cormia que parecia que ia rasgá-lo...


*


Andhras ouviu muitos sons confusos. Tentou abrir os olhos, mas uma forte luz branca o impediu. Estaria no Fade?

Falaram com ele, mas não conseguiu responder. Tudo era borrão e mistura. Indefinição.

Tentou abrir os olhos de novo, e viu cabelos compridos e escuros sobre sua cabeça. Alguém lhe oferecia o pulso.

Nalla?

“Tome meu pulso...”

Nalla. Suas presas formigavam. Estava muito fraco, mas a ideia que ela estava bem, e tentava mantê-lo...

“Guerreiro, pode me ouvir? Sou Pheonia.”

“Ela não está aqui”, Manello disse.

Como? Andy franziu o cenho.

“Ela não está aqui, Andhras. Está com Jane. Vamos agora, cara, pegue o pulso.”

“Onde? Onde ela...?”

“Sinto muito, sinto muito mesmo. Mas vou tratar de você antes de te responder qualquer coisa”

O pulso da fêmea foi empurrado contra sua boca. Andhras tentou lutar, mas sufocou.

Oh, droga, não. A voz de Manny tinha sido clara como cristal.

Ele havia falhado.

Ela estava morta.

A bala deveria tê-lo atravessado, e agora ele teria que olhar pra Z. e ver a dor.

E a sua própria. Ele não poderia viver....

A escuridão o envolveu, enquanto lutava contra o sangue que lhe colocavam garganta abaixo.


*


A Dra Jane estava na sala de espera, com Z, Bella, Nalla, que ainda estava parada no mesmo canto, e Rhage e Mary, quando Ehlena entrou correndo.

“Precisamos de você, Jane.”

A médica se desmaterializou para a SO e viu o que acontecia: Andhras estava convulsionando sobre a maca, enquanto seu hellren e Manello tentavam mantê-lo quieto para que o sangue da Escolhida pudesse deixá-lo mais estável para a cirurgia.

“Jane...” Vishous a olhou com os olhos parecendo dois pratos. “Jane, traga Nalla.”

Ela voltou para o corredor, e colocou seu braço sobre o ombro da fêmea. Nalla levantou seu olhar lentamente.

“Preciso de você. Pode vir comigo?”

Como um zumbi, Nalla assentiu e seguiu a Dra Jane. O tempo estava contra eles.

Notas finais
Oi, gente! Espero que tenham gostado! Esse capítulo estava bem formado há semanas. Todo o esboço estava feito, mas ainda não tinha passado à limpo, e foi isso que ajudou a sair ais rápido. Imaginem se eu não tivesse feito o esboço? Só ia ter postagem no final de semana. :p
Então, to caindo de sono, vendo trocado, mas postei o capítulo. Cumpri minha meta (com 4 horas de atraso, é verdade, maaaaas...).
Espero que tenham gostado. Espero seus comentários.
Beijão