Meu Amor

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Muito beeem!!
Bem-vindas!
Gostaria de indicar uma música para começar:

http://www.youtube.com/watch?v=1fU0FgFNMYA
"Way in the World - Nina Nesbitt."

Aproveitem a leitura!!

Capítulo 1

A grama sob seu corpo era macia e brilhava, refletindo a luz do sol.

Ela passou as mãos sobre as folhinhas e suspirou. Em breve, sentir o calor do sol seria impossível.

O vento soprou e levou consigo folhas das árvores, a saia de seu vestido branco e os fios soltos de seus cabelos. Ela deu uma leve risada, que ecoou baixinho pelo jardim.

Olhando para o céu, viu a luz sola diminuir lentamente, até só restar a brisa fresca e a escuridão da noite que chegava.

As placas de aço deslizaram sobre as janelas, liberando-as, e a luz foi acesa dentro da casa.

A porta do terraço foi aberta.

“Você vai entrar?” A voz melodiosa da fêmea chegou até ela. O tom era carinhoso

“Daqui a pouco” suspirou e sentou-se, arrumando os cabelos.

“A Primeira Refeição está quase pronta. Entre e vá se lavar.”

“Sim, tia.”

A moça levantou seu corpo magro e curvilíneo, envolto o vestido primaveril, e dirigiu-se para dentro da casa.

Lá, no quarto que lhe havia sido designado, tomou um banho rápido e analisou seu corpo no espelho do banheiro. A transição se aproximava. Ela sentia cada vez mais incômodo na pele, e menos apetite, com uma agitação difícil de explicar. E seus pais sabiam disso. Todos da família sabiam, por isso ela estava na casa de campo de seus tios, nas Montanhas Adirondacks.

Depois de se vestir, arrumar o cabelo, e enrolar por mais cinco minutos, desceu as escadas para a Primeira Refeição.

Um toque suave no ombro a fez se virar antes de chegar à sala de jantar.

“Oi” o garoto que a tocara tinha lindos olhos verdes e cabelos louros e lisos, o corpo magro de pré-trans que todos os machos tinham.

Ela sorriu e pulou em cima dele.

“Aggie! Olá!” Separou-se e continuou a andar.

“Como está, prima?” Ele tinha uma voz suave e clara. Acompanhou a moça até a sala, de braços dados com ela.

“Estou bem. Passei a tarde lá fora. E você?”

Ahgony sorriu e puxou a cadeira para ela.

“Te conto depois.” Murmurou baixinho, enquanto algumas Escolhidas, e seus tios se uniam à eles na mesa.

O jantar passou tranquilo, agora que havia poucas pessoas morando no rancho.

Durante a noite, as Escolhidas iam ajudar no Abrigo de Marissa, assim, Nalla tinha muito tempo sozinha com Ahgony. Mesmo ele sendo seis anos mais novo, os dois eram muito unidos, e passavam o tempo quase todo juntos. Seus pais nunca colocaram empecilhos, mas nos últimos meses, duas horas das noites de Nalla eram destinadas a receber os remanescentes das famílias da Glymera, para escolher quem a alimentaria quando passasse pela transição.

O que não tem sido muito empolgante, visto que todos os rapazes que ela viu até agora são praticamente mauricinhos comportados ou muito convencidos, que se acham acima de todos. Os únicos que se salvam desse seleto grupo são os que estão sendo treinados no Complexo da Irmandade. Os que um dia, seu primo fará parte. Assim, seu pai abomina a ideia de apresentá-la aos soldados pós transição, e nega que ela deva se encontrar com os filhos da glymera fora do rancho de Rehvenge, seu tio.

Então, aqui ela está, se preparando para mais uma rodada de duas horas de conhecer algum cara chato que se acha uma delícia. Querida Virgem Escriba, uma garota não deveria passar por isso.

Depois do jantar, na sala de estar, sentada no tapete e rodeada por revistas de moda e catálogos de novas coleções das maiores grifes, Nalla ouvia seu primo entoar uma canção.

Ele nascera com uma voz limpa, parecidíssima com a de seu papa, embora não tão forte. Z. era um tenor, Aggie, um barítono.

“Você não me ouviu, não é, Nalla?”

Ela deu um pulo e olhou para ele.

“Não, primo, desculpe. O que disse?”

Ele respirou fundo e sentou-se no sofá em frente a ela.

Olhou nos olhos dela e murmurou.

“Não aguento mais isso. Todos esperam tanto de mim, e ainda nem estou perto da transição. E nós temos que ficar aqui, presos.” Ele passou a mão nos cabelos, o qual conservava longos para que se parecesse com os de Phury, seu pai. “Quero dizer, você já viu como os garotos do Complexo saem sempre? E os rapazes que você conhece? Estão sempre nas boates. Nós ficamos aqui. Tratam-nos como crianças...”

Ahgony suspirou e olhou irritado para o tapete Aubusson que Nalla estava sentada. Ela se sentia assim, também. Presa numa armadilha. Mas, aos 25 anos, e ansiosíssima para sua transição, não havia mais como lutar para sair. Poderia implorar a seu pai que a deixasse sair depois. Agora, a ideia de sair e o processo começar a assustava.

Bateram na porta da frente e uma doggen atendeu rapidamente. No arco de entrada da sala de estar, seu pai apareceu, acompanhado de Butch e seu tio. Ela sentiu seu peito se comprimir de amor pelo macho enorme e ameaçador de pé, ali à sua frente.

Ele dava uma primeira impressão e tanto, com a cicatriz em forma de 5 que ocupava seu rosto todo, da testa, passando pela bochecha e terminando sobre eu lábio superior, a cabeça raspada, as faixas de escravo de sangue nos punhos e pescoço, e quase dois metros de altura, mais 125 quilos de puro músculo. Ainda assim, era seu papa. O macho a quem ela mais amava no mundo, e que a protegeria para sempre. Ele sorriu quando seus olhos se encontraram.

Sentiu o amor por ele transbordar seu ser, e levantou-se para abraçá-lo correndo. Ela nunca o abandonaria. E sabia que ele não queria que ela tivesse um parceiro por medo que não o amasse mais. Mas Nalla sabia que quando achasse alguém para si, e ela acharia, seria completamente diferente.


*



Zsadist abraçou sua filha com força. Deus, ele a amava demais. Era sua princesa, e o tinha na palma da mão... Ele tinha pavor de perdê-la. E depois que Bella havia perdido o segundo bebê, parecia ainda mais urgente para Z. manter sua primogênita longe de qualquer perigo. Passou a mão pelos cabelos multicoloridos dela, iguais aos seus e de Phury, beijou sua cabeça e levantou seu rosto.


“Vamos para casa, preciosa.”

Ela abriu os olhos, assustada.

“Não vou encontrar ninguém hoje?”

Z. exalou, sem gostar muito da importância que sua filha dava para conhecer caras que Bella arranjava pra ela. Mas que coisa, havia tempo, ainda. Ela não precisava se preocupar, e ele poderia pedir que algum de seus Irmãos...

Pensando bem, era melhor ela conhecer alguém. Mas ele arrancaria a cabeça do bastardo se encostasse qualquer parte de Nalla que não fosse seu pulso na boca dela. Um rosnado saiu dele, e abraçou a moça com mais força. Ela era só dele.

“Não, nós vamos pra casa.”

Nalla soltou-se dele e se afastou para arrumar as malas.

Z. viu que Ahgony ainda estava na sala, sentado, e conversava com Butch alegremente. Ele colocou a mão sobre o ombro do sobrinho.

“Ei, Trahyner.” Ele sorriu para o macho pré- trans e sentou-se em frente à Butch. O garoto o cumprimentou, e eles continuaram a conversar sobre amenidades.


*



Andhras estava sentado na academia do complexo, tendo acabado de terminar seus exercícios diários. Querida Virgem do Fade, há quantos anos nisso...? Vinte e cinco? Logo que passara pela transição, os Irmãos o chamaram para se juntar aos soldados que já trabalhavam com a Irmandade.


Ele os adorava. Eram todos uma grande família. Especialmente Qhuinn e Butch, a quem ele adorava. E Zsadist. Ele era simplesmente incrível. Desde a noite em que fora pego o observando no ginásio, anos atrás, seu corpo se movendo como a máquina de matar que era, decidiu que seria tão forte como o macho. Oh, sim. E agora, 25 anos depois, lutavam lado a lado. Faziam ronda juntos, malhavam juntos, e Z. o ensinava vários truques quando não estava em reunião com seus Irmãos e sua família.

Por falar em família... Andy olhou por cima do ombro. Seus melhores amigos, Gahel e Arcthurius, malhavam atrás de si. Gahel corria desembestado na esteira rolante. Saía fumaça das roldanas. Artie fazia sua milésima série de abdominais. Os caras eram show. Do tipo que poderia contar pra sempre. Cresceram juntos, filhos da Glymera. Com irmãos e irmãs que adoravam se exibir. Mas eles, não. Eram reservados e focados. E por isso a Irmandade os havia selecionado.

Tomou um grande gole d’água e limpou o rosto com o antebraço. Seus músculos estavam todos rígidos, e ele estava ansioso por sair e lutar. Estivera fora da rotação por duas noites, não aguentava mais esperar. Enquanto seus amigos terminavam, ele foi tomar uma ducha e se arrumar. No vestiário, mais cinco soldados, colegas de diferentes idades, se preparavam para sair, também.

Andy tomou banho, vestiu suas roupas de couro e se armou.

Fez o caminho de volta para o escritório do Irmão Tohrment e seguiu direto para a passagem que subia para a Mansão, por baixo da escada.

Assim, que pisou no hall de entrada, a porta da frente foi aberta por um doggen. Z. passou por ela, ao lado de sua filha pré-trans, Nalla. A garota era o orgulho e amor da Irmandade, por ser a primeira fêmea, dentre os herdeiros. Andy conhecia-a bem. Ele a observava de longe, e tomava cuidado para que Z. não percebesse. A primeira vez que a viu foi na mesma noite que decidira seguir os passos de Zsadist. Ela estava no colo de sua mahmen, chorando pelo seu treinador. E Andy só vira um bebê, àquela noite. Anos depois, quando ele pôde respirar um pouco do treinamento, estava na piscina interna, durante o dia, quando ela entrou seguida de Z. Deveria ter por volta dos 15 anos. Foi uma tarde divertida, àquela. Eles brincaram, e foi quando Z. e ele realmente se aproximaram. Agora, aos 25, era uma fêmea e tanto, e arrastava os olhares dos soldados. Muitos receberam xingamentos e ameaças por parte dos Irmãos quando se demoraram muito olhando pra ela. Imaginou que seria ainda pior depois da transição, e quem iria alimentá-la. Um sorriso se insinuou em seu rosto ao imaginar Z. com uma adaga, ameaçando o macho que alimentaria sua filha.

“Andhras” Zsadist caminhou em sua direção, estendeu-lhe a mão e Andy segurou-lhe o antebraço, num cumprimento. Eles trocaram sorrisos e brincadeiras antes de Z. subir e deixar a filha. Andhras a havia ignorado propositalmente, mas agora, ouvia seus passos ecoarem pelo andar superior, prestando atenção a cadencia de suas passadas. Quando elas sumiram, ele se dirigiu para a sala de bilhar.


Vinte minutos depois, seis guerreiros estavam reunidos no saguão, prontos para sair à caça de Redutores.


Notas finais
Espero que tenham gostado.
Beijo!
06 abril 2013