Meu Amargo Amor
2 Xadrez
A manhã que se seguiu no Instituto Saint Laurent foi marcada por uma tensão quase palpável. Helena não conseguia tirar Gabriel de sua mente. Ele havia se sentado na frente da classe, mas ao invés de se concentrar nas aulas, todos pareciam estar atentos a cada movimento seu. Seus olhos estavam em todos os cantos, observando, calculando, e até mesmo lançando olhares furtivos para aqueles que ousavam estudar sua presença.
Helena respirou fundo, tentando afastar o que sentia. Não podia se permitir ser vulnerável, não ali, não naquele lugar. Ela sabia como jogar o jogo, sabia como se manter invisível entre os poderosos, mas havia algo diferente em Gabriel. Algo que a fazia sentir como se estivesse sendo observada, como se ele soubesse exatamente quem ela era e o que ela representava.
O sino tocou, e os alunos começaram a se dispersar para os intervalos. Helena estava indo em direção ao jardim quando ouviu uma voz baixa e familiar chamar seu nome.
"Helena."
Ela parou imediatamente, o som da sua respiração aumentando em seu peito. Virou-se lentamente, encarando Gabriel. Ele estava ali, parado a alguns passos, os olhos fixos nela com uma intensidade que a fazia sentir uma espécie de calor desconfortável.
"Eu não sabia que você ainda estava aqui", ele disse, seu tom calmo, mas carregado de um significado que ela não conseguia entender.
"Eu ainda estou aqui", Helena respondeu, tentando manter a compostura. "Eu nunca fui embora."
Gabriel sorriu de forma sutil, mas não era um sorriso amigável. Era algo mais sombrio, como se ele tivesse descoberto um segredo que ela nem sabia que existia.
"Você acha que está invisível, não é?" Ele deu um passo em direção a ela, o som de seus sapatos ecoando no corredor silencioso. "Mas eu vejo tudo, Helena. Eu vejo você."
Helena sentiu uma leve onda de tensão subir pela sua espinha. Ela odiava o fato de ele ter a abalado com uma simples frase. Ela era mais inteligente do que isso, mais forte. Ela não podia deixar Gabriel Saint Laurent ganhar essa vantagem.
"Eu não preciso de ninguém me observando", ela disse, tentando manter sua postura firme. "Mas, se isso é o que você faz, então está perdendo seu tempo."
Gabriel apenas a observou por um momento, os olhos penetrantes e intensos. Ele parecia sorrir por dentro, como se estivesse satisfeito com a forma como ela reagia.
"Eu só estou tentando entender você, Helena", ele disse finalmente, com uma leveza na voz que não combinava com o olhar fixo que mantinha sobre ela. "Mas, se quiser continuar jogando de forma escondida, tudo bem. Eu também sei como jogar esse jogo."
Com isso, ele virou-se e começou a caminhar em direção ao outro lado do corredor. Cada passo parecia um eco em sua mente. O que ele queria dela? Helena não sabia, mas algo dentro de si dizia que ela acabara de ser arrastada para algo muito maior e mais perigoso do que qualquer jogo de poder que já conhecera.
Ela se sentiu tonta por um momento, tentando processar o encontro. Mas logo se recuperou, sabendo que agora não havia mais como voltar atrás. Helena não tinha mais escolha. Ela estava no centro de algo que a consumiria, algo que ela nem sequer entendia.
No dia seguinte, as coisas pioraram. Gabriel estava cada vez mais próximo, seus olhares se cruzando mais frequentemente, suas palavras carregadas de um mistério irresistível. Os outros alunos começaram a notar as trocas silenciosas entre eles, os sussurros nos corredores. Não demorou para que começassem a especular sobre o que estava acontecendo. Helena não sabia o que dizer, mas sentia que as perguntas não parariam tão cedo.
Na aula de História, Gabriel foi o primeiro a responder uma pergunta do professor. Sua voz ecoou pela sala, firme e cheia de confiança, e foi impossível não notar a atenção que ele atraía de todos ao seu redor. Ele estava no centro de tudo, não apenas porque seu sobrenome o fazia especial, mas porque ele sabia como se fazer notar.
E então, ele olhou diretamente para Helena. O contato visual foi rápido, mas o suficiente para fazer sua respiração falhar. Helena não sabia se ele queria deixá-la desconfortável ou se estava apenas testando os limites. O que ele queria dela, afinal? E mais importante, o que ele sabia sobre ela que ela mesma ainda não havia descoberto?
"Você realmente pensa que vai conseguir se esconder em meio a tudo isso?" Ele murmurou mais tarde, quando todos haviam saído da aula. Ela estava indo em direção ao seu armário quando o viu novamente, parado na porta.
Helena parou e olhou para ele, sentindo uma tensão crescente.
"Eu não me escondo, Gabriel", ela respondeu, sua voz firme. "Eu só sei o que é melhor para mim. E você não vai me fazer cair."
Gabriel deu um pequeno sorriso, um sorriso que não chegava a ser simpático, mas carregava algo de mais profundo.
"Eu não quero que você caia, Helena", ele disse suavemente. "Eu só quero ver até onde você vai chegar."
E então, ele se afastou, deixando Helena ali, com mais perguntas do que respostas.
Mas uma coisa ela sabia com certeza agora: o jogo estava apenas começando, e ela não tinha a menor ideia de até onde ele a levaria
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