Meu Acampamento de Verão

56 Capítulo 56: Adeus. Oi!


Notas iniciais
Demorei graças a escola gente, desculpa mesmo, mas consegui terminar, confesso, eu chorei um pouco. Quem leu o livro extra de Lauren Kate- Apaixonados, irá saber o motivo.

A balança foi a pior coisa que podia ter acontecido ao decorrer do caminho. Conseguimos despistar aqueles velhos depois de dar milhares de voltas pela América Central.

Minhas asas em cansaço extremo ainda mais com o peso extra de Phoebe em meus braços. Toda a agitação só me fazia lembrar de uma única coisa: Não havia lugar seguro no céu ou em terra para a Phi poder começar de fato sua busca pela Lucy.

Não me lembro de como foi minha adolescência, talvez os anjos nunca tivessem sido adolescentes, mesmo amando e com toda a “glória” a flor da pele, talvez nunca tivéssemos sido adolescentes. Descontávamos essa falta por toda a vida.

Eu estava enraivecida com o vento que só fazia jogar o cabelo na minha cara, cuspia-o, mas sempre voltava em chicoteadas finas tapando minha visão.

–Ariane, falta muito? –Gritou Phoebe por cima do vento, a semideusa também estava com o mesmo problema que eu, os cabelos negros tapavam-lhe a cara fazendo uma cortina ondulada.

–Mais alguns quilômetros. –Exaltei a voz para ser ouvida, mas o vento soprava fortemente zunindo como disparos de canhões nos ouvidos.

A esta altura tínhamos parado para descansar pela quinta vez, sem comida, sem água, sem lugar para cair morta. Todos estávamos fedendo a suor e a cheiro de defunto.

Campos do Jordão ainda estava longe, mesmo para nós, anjos, quebrar a barreira do som era impossível, mas fazíamos o que podíamos para ir o mais rápido possível.

–Meus braços estão dormentes. –Queixou-se Molly apertando o tórax do pai de Phoebe na tentativa de não soltá-lo. –Cam, leve Jordan, já estou dolorida de tanto carregar esse cara.

O anjo revirou os olhos fazendo uma careta, tava na cara que ele detestava carregar homens, mas não discutiu com a Molly, pois conhecia seu temperamento explosivo.

Começamos a descer a altitude, nos direcionamos levemente para o chão pretendendo pousar no campo aberto de um morro de barro cheio de sucos áridos na terra.

Continue, Ariane. Esta tão perto, não pare de voar, A balança ainda esta a caminho. –Sussurrou uma voz fina e adormecida em minha mente.

Esta voz esquecida que já perdia o sentido, mas mesmo assim ainda continuava firme e presente. Não sabia de quem era, mas conhecia-a. De alguma forma era familiar.

Meu corpo inteiro se arrepiou. Os pelos se levantaram de baixo para cima, indo das pernas até a nuca dando uma sensação térmica de que água fria caía sobre meu corpo quente e febril. Minhas asas se reprimiam e alargavam por um breve momento enquanto as grandiosas penas se abriam e esticavam, logo voltando ao normal depois do arrepio.

–Não, Molly, jogue ele para o alto, Cam, sugiro que o pegue no ar, ou a Phi nunca mais vai falar com você. –Acelerei o ritmo cheia de excitação e temor.

Qualquer anjo racional não iria querer problemas com A Balança. Não passam de anjos fazendo sua própria justiça. A escória angelical que se acha importante.

Agem como diretores de uma escola. Assinam papeladas com cada merda que qualquer ser angelical tenha feito, dizendo eles que o tal anjo infligiu alguma regra. Regras as quais ninguém liga ou se importa, tão insignificantes que me dão nojo.

Mas mesmo com este fato, eram uma organização grande, os anjos temiam o abraço de suas capas, não se podia soltar do laço daquelas coisas. Por pouco não fomos pegos em Malibu, o abraço mortal é imenso, somente um anjo da Balança pode desfazer os nós das capas, isso torna tudo ainda pior.

O grito de Jordan quebrou minha linha de raciocínio, ele despencava pelo ar abaixo de nós. Foi o tempo deu abaixar o rosto e ver Cam pegá-lo incrivelmente rápido e segurá-lo firme contra o próprio corpo para que não caísse.

–Os cachorrinhos do céu se aproximam de novo. –Virei a cabeça olhando para trás, nenhum sinal de céu manchado, mas ainda sim era bom manter-se alerta.

–Despistamos eles no México, lembra? –disse Molly.

–Não são tão burros assim. –retrucou Cam nivelando a sua altitude junto a minha e a de Molly, suas asas douradas eram imensas e forte como duas incríveis velas douradas de um navio português.

–Estamos quase chegando, faltam só três horas. –o cansaço pesava nos olhos, a cada piscada se tornava mais difícil de abrir os olhos novamente.

As pálpebras dormentes gritavam por descanso, assim como as minhas asas, elas ansiavam para pararem de bater.

O tempo se perdeu a medida do caminho, trinta minutos, uma hora, alguns meros segundos, não sabia dizer. A paisagem mudava junto com as diversas nuvens de chuva e frio carregadas.

Molly brincava por entre as nuvens brancas, entrava por elas e saia molhada, parecia estar tomando “banho”.

As asas completamente encharcadas, o cabelo desgrenhado, as roupas rasgadas, ela é estilosa, mas sempre esconde oque pensa, isso é oque me assusta, a mesma cara, os mesmos costumes, não há como saber oque ela esta realmente querendo.

Em sua vida passada ela salvara Lucinda e Daniel, ela e Gabbe se sacrificaram a frente daquelas flechas estrela... Se jogaram na frente delas para poupar os dois... Agora Molly estava tão tranquila, o rosto sereno exausto de cansaço.

–Molly, como foi voltar a vida? – minha garganta extremeseu no mesmo instante em que perguntei, parecia um assunto nada gentil para a anja a qual havia morrido e retornado, assim como Gabbe.

Ela não hesitou em responder, simplesmente ficou com uma expressão vazia no rosto.

–Foi como dormir, dormir para sempre, mas nenhum sonho surgia. – sua voz tremeu, ela limpou a garganta e voltou a erguer o rosto. –Depois do escuro algo me puxou para fora, me senti caindo, como quando nós todos despencamos do prado.

Notei que Phoebe havia dormido, apoiei a cabeça dela em meu braço fazendo-a ficar rente e firme para seu pescoço não tombar pro lado. Minhas asas tremiam levemente com o frio.

Cam estava completamente desconfortável carregando o pai de Phi. Mesmo com a estranheza de carregar um homem em seus braços, pareceu se interessar pela conversa e se aproximou de nós.

Fomos desacelerando já com a vista da cidade logo abaixo, as luzis refletiam em meus olhos, meus cabelos marrons já desbotavam a tintura e voltavam ao seu natural loiro nas raízes.

–Parei de cair quando senti uma piscina quente me rodeando, me abraçando por dentro e por fora, e foi a primeira vez que consegui sonhar na escuridão, porque na verdade não era a minha morte, era o inicio da minha vida.

Meu sono se perdeu a alguns quilômetros atrás quando a ideia de que Molly nasceu numa família normal quase me fez vomitar. Ela estava fora desta loucura, como havia voltado? E como estava tão velha já que havia nascido de novo?...

–Eu não tinha consciência própria, eu realmente era uma bebezinha de um ano quando encontrei Karen. – um sorriso brotou do seu rosto, esta era a segunda vez que a via sorrindo. –Bem, ela não me encontrou literalmente.

–Como assim? – perguntou Cam piscando os olhos pesadamente.

–Ela é minha meia-irmã. Meus pais são humanos, mas ela é semideusa.

Adentramos Campos do Jordão logo após sair de São Paulo, era completamente movimentada, parecia New York, mas de um jeito muito mais bagunçado e sem graça, sem a elegância dos nova-iorquinos, só fumaça, prédios, carros, luzes fortes e buzinas que não paravam junto a xingamentos de motoristas indignados com o trânsito absurdo.

–Ela nunca vinha para casa, mas quando veio e me tocou, recobrei o controle do meu corpo e soube quem eu era. – o impacto das luzes agrediram os olhos de Molly obrigando-a a fechá-los. –Completei um ano quando Lúcifer veio a casa dos meus pais. Meu corpo entrou na fase adolescente no mesmo instante.

–Qual foi a sensação de crescer tão rápido? – Cam empolgou-se rapidamente vasculhando sua cabeça a procura de respostas para a própria pergunta.

–Foi como adiantar a cena de um filme. Simplesmente pulou anos da minha vida. – sua respiração acelerou enquanto cortávamos trilhas siando de São Paulo e adentrávamos Campos do Jordão. –Minhas asas estavam brancas, intocadas, nem pelo céu, nem pelo inferno.

–Por isso Lúcifer foi atrás de você? – perguntei.

–Sim, e foi assim que minhas asas ficaram douradas.

A regra essencial que eu nunca esqueceria: Asas douradas para os demônios, asas prateadas para os anjos.

Agora comecei a encaixar as peças do quebra-cabeça. Aconteceu o mesmo com Gabbe. Ela foi o primeiro anjo a voltar dos mortos, viveu cada ano da sua nova vida simplesmente como uma semideusa, até o dia em que Phoebe apareceu, recobrou sua forma divina.

–Depois disso senti que deveria proteger a Karen, não consigo explicar.. ficar perto dela, só pensar em seu bem estar.. é como ser um anjo da guarda.

Mencionado isso comecei a pensar na relação de Gabbe e Phoebe. Depois do acampamento não pararam de andar juntas, Gabrielle sempre ia atrás da semideusa.

Quando menos esperei, lá estava Campos do Jordão. A casa de Katie Gardner exibia luzes acesas, elas saiam pelos vitrais das janelas fazendo o desenho delas refletirem no quintal, pareciam sombras de vários animais em comunhão no mesmo ambiente.

Dó lado de fora já sentia a presença de demônios e anjos na residência, assim como alguns semideuses.

Não podia dizer quem era, não dessa distância. Além deu não ter uma memória tão boa quanto a de Luce..

Pensar nela parecia como um castigo, assim como pensar em Daniel. Sentia como se tivesse dado tapas na cara dos dois. Afastei aquelas lembranças distintas tão fácil quanto o vento soprava meu cabelo para milhares de direções.

Curvei meu corpo despencando em um mergulho diagonal para o chão. Cam e Molly repetiram e seguiram meus movimentos, mas Cam tinha asas mais desenvolvidas, além de ser mais pesado, ele me ultrapassou com facilidade.

Antes de bater no chão, abri minhas asas de vez, luz divina emanava ao meio da noite. A luminosidade da lua refletia prateada nas minhas asas alumínio branco.

Pude ver meu próprio reflexo em uma das janelas com algumas pequenas plantas carnívoras dentro de potes de jardinagem.

Meu cabelo estava bagunçado, torturando como se um tornado tivesse parrado pela minha cabeça. Minhas roupas estavam geladas, assim como o corpo de Phoebe, que dormia em meus braços. Minhas asas eram lisas e lustrosas. As pontas eram bem pronunciadas, quase como as asas de uma gigantesca borboleta pálida e prateada. Brilhavam e refletiam inconstantes prismas opalescentes de luz na grama a qual estava abaixo de mim. Refletiam minha personalidade, estranha, bonita e diferente, individualista e sedutora.

Mais a frente a porta foi aberta, só percebi o movimento quando um garoto de cabelos marrons de mechar loiras apareceu nas escadarias ao lado de fora daquela mansão.

Usava um jeans surrado, uma camisa marrom amaçada por baixo de um casaco da seleção brasileira. Olhos azuis claros. O cabelo caia meio ondulado até a nuca, recentemente pintado de loiro, já estava desbotando. Era Connor Stoll, então Travis deveria estar lá dentro junto a Katie.

Connor estava descalço, reclamava do frio desse chão de pedra do lado de fora da casa.

Fui a passos largos até a entrada, não me preocupei em olhar para trás e ver os outros. Só queria algo para esquentar o corpo e uma cama para descansar.

Recolhi minhas asas com pressa percebendo que o filho de Hermes recuou ao ver minhas asas.

Adentrei sem nem olhar para o garoto. Phi parecia uma boneca de pano em meus braços, acho que o cansaço anestesiara-os completamente. Não sentia mais dor alguma neles.

Segui pelo corredor iluminado por um lustre de teto dourado. Vozes ecoavam pela sala.

–Ela chegou. –A voz feminina parecia amedrontada, mas eu a reconhecia de algum lugar. Um lugar muito distante.

–Não tenha medo. É esse o momento certo para o futuro que se perdeu no passado. –o agridoce som da voz de Francesca aconchegou meus ouvidos.

Então ela também estava aqui. Steven não está longe, já que Francesca veio também, ele não consegue ficar tanto tempo longe dela.

E para confirmar minha dúvida, lá estava ele, parado no arco de gesso que levava até a sala principal.

Vestindo uma camisa de cetim algodão: Sócrates não nos deixou. Calça preta tactel e óculos no rosto. Uma tiara pequena prendia seu cabelo grande para não cair na frente do rosto másculo e belo.

Cumprimento-o com um aceno de cabeça e um sorriso. Olho a sala. Quatro sofás apênas, os quatro um de frente para o outro formando um quadrado. Um tapete de algodão no meio entre eles. Na parede atrás do sofá uma lareira crepitava. Quadros e fotos preenchiam as paredes levemente.

O vento soprava nas janelas fazendo um barulho de assobio medonho. Fitei cada rosto ali dentro. Gabbe, Roland, Francesca, que por sinal usava uma camisa de moletom e uma calça de pijama azul marinho. Katie estava sentada no colo de Travis no canto do sofá branco de costas para a lareira.

Um violino repousava na mesa de centro feita de vidro azul. No outro braço do sofá onde se encontrava Katie, estava uma garota ruiva de cabelos volumosos e cacheados, volumosos demais, brilhavam em um vermelho tão doentio parecendo que poderia arder em chamas a qualquer momento. Aqueles olhos azuis brilhando como cristais. Tesseriel, o anjo do trovão que atravessa a Eurásia.

Minha mente acelerou disparando junto ao coração, adrenalina fluiu pelas minhas divinas veias, era como veneno, minha boca foi invadida pelo gosto salgado do meu próprio sangue quando mordi meu lábio inferior com muita força, só para ter certeza de que aquilo não era uma alucinação, uma brincadeira da própria mente causada pelo cansaço.

Ela não era apenas o anjo do trovão, ela era sua amante, sua amada, o seu amor que dedicou-se por toda a eternidade. O primeiro e o último deles.

Tess havia morrido depois dela ter se aliado ao inferno e eu ao céu, depois da nossa briga final pelas complicações entre as rixas eternas. Tentamos manter em segredo nossos amor, mas nada pode se guardar do Trono ou de Lúcifer.

Ela mutilara sua própria asa, derramado sangue em mim, ela é o motivo desta queimadura causado pelo contato do sangue dela ao meu.

Minha mão subiu rapidamente ao pescoço para tocar a enorme cicatriz enfadonha que manchava minha pele como fogo.

A minha amante morreu quando nosso amor não suportou a discórdia dos dois lados. E agora... ela estava sentada a minha frente, estava a apenas cinco metros de distância.

Minhas asas volumosas se abriram derrubando dois jarros de cerâmica em cima de uma prateleira de vidro. Não pude contê-las a tempo, dispararam irradiando uma luz pálida bizarra.

Tesseriel se levantou também, abriu suas asas longamente, sem querer derrubou os dois sofás junto a todos que estavam sentados neles. As penas eletrizantes estalaram de alegria soltando cargas elétricas em Katie que na mesma hora caiu junto a Travis para o outro lado do sofá.

Repousei Phoebe no chão de encosto ao sofá caído, arrodeei a mesa e fui de encontro aos lábios da amada. Ela abraçou-me enlaçando minha cintura e eu seu pescoço. Nossas línguas brigando por espaço, lutando uma contra a outra dentro das nossas bocas. O fôlego sendo levado dos nossos pulmões fez minha respiração acelerar drasticamente.

Tess abraçou-me com suas pesadas asas, passou-as por cima das minhas como se fosse um cobertor de luz e calor. Estalavam descargas de choque contra minhas costas, mas eu já havia me acostumado a isso, aprendi a gostar dessa dor deliciosa e prazerosa.

Fiz o mesmo com ela, passei minhas asas por baixo das suas e a abracei confortavelmente sem hesitar.

Não importava mais nada, ela estava aqui, aqui comigo. A plateia que nos assistia já não me constrangia mais.

Assim que nos separamos consegui tomar foco das suas asas envolta de mim. Linhas azuis pálidas desciam e subiam pelas suas penas prateadas, era pura eletricidade correndo pelas suas asas. Ao invez do dourado que me acostumei a admirar por toda a vida, agora era prateado, um prateado gélido e charmoso, as penas arrepiavam a cada cortina de eletricidade como se fossem nuvens macias, porém, perigosas, pois estavam trovejando.

Ela não era mais um demônio, assim como Molly tivera uma escolha, Tess também teve, mudou de lado, aliou-se a Ele para ficar ao meu lado.

Lágrimas encheram meus olhos, escorreram pelas minhas bochechas frias e pálidas. Meus lábios tremendo enquanto eu soluçava graças ao choro.

–Lembra da nossa brincadeira? –perguntou Tess sorrindo e também derramando lágrimas. –A do Adeus?

Tess era mais alta do que eu. Seu queixo tocava a minha cabeça pesando ali levemente, mas dessa vez ela não encostou minha cabeça em seu seio para que eu deitasse, ela olhou fundo nos meus olhos extremamente azuis e eu fitei os dela encarando-a.

–Como poderia esquecer? –revirei os olhos alegremente.

–Então.. –ela suspirou recuperando o fôlego e falou –Adeus. –fechou os olhos fortemente derramando um rio seco de lágrimas e os abriu de novo. –Oi.

Fiquei na ponta dos pés e tomei seus lábios mais uma vez.

–Nunca mais vá embora, não vale a pena viver sem ter com quem dividir minhas alegrias. –sequei os olhos.

–Não irei a lugar algum sem você. –anunciou a anja.

–Adeus. –fechei os olhos e voltei a abri-los. –Oi!

Ela beijou-me sorrindo curvando-se um pouco para alcançar minha boca.

Notas finais
Gostaram da Tess? Bem, esta tudo perfeitinho, mas já estamos quase perto do fim dessa fic, ainda haverá mais coisas, mas já penso em como terminar a saga, só falta chegar ao clímax. Beijos leitores. Amo cada um de vocês.