Meu Acampamento de Verão
19 Capítulo 19: As palavras de um anjo
Notas iniciais
-Iryena... –Paralisei diante da bela garota congelante.
-Não são inimigos, Phoebe. –Ela lentamente se aproximou, seus passos faziam um som rouco contra o chão de madeira.
-Onde está Gabbe? –Perguntei com certa raiva.
-Aqui, veja. –Ela apontou para minha direção.
Me virei olhando para trás, mas tudo o que vi foi um vazio corredor que dava para uma escadaria onde se encontravam os meus amigos.
-Aonde!? –Gritei procurando.
-Você é Gabbe, você é o arcanjo Gabriel. O mensageiro de Deus, o mesmo anjo que foi morto pelos anciões. –Indagou Iryena fixando aqueles olhos gélidos nos meus fazendo-me congelar por dentro e por fora.
-D-do que você esta falando? –Fitei-a.
-Que você morreu e voltou nesta forma. –Ariane surgiu atrás de mim.
Saltei para longe dela. Iryena não se moveu, continuou me encarando esperando uma reação.
-A Gabbe que conheci foi morta por uma flecha como esta. –Ariane sacou uma fina e delicada flecha azul de algum compartimento em sua calça apertada. –Anjos existem, eu e o garoto lá em baixo somos anjos. Quer dizer... –Ela se desconcertou trocando o peso do corpo de uma perna para a outra e gargalhou levemente. –Ele é um demônio.
-Não...
-Eu sou real, nós somos reais e realmente existimos. –Ariane prosseguiu. –Lúcifer, Deus, anjos e demônios. –A garota mantinha-se séria e com uma aura misteriosa no rosto.
-Todas as histórias tem algum fundamento, senão, de onde elas viriam? –Começou Iryena. –Os deuses gregos. O deus criador também. Ele nunca interferiu no nosso mundo, até agora.
-Até agora? –Perguntei ainda apontando o meu marchado para a anja na porta.
-Os anjos não podiam ressuscitar quando morriam, simplesmente era escuridão. Fim, esquecimento completo. –Ariane endureceu. –Mas Ela, voltou a dormir e então finalmente sonhou com uma maneira para seus filhos voltarem a vida.
-“Ela”? –Perguntei.
-Sim, Deus, O trono, Ela, Ele, tantos nomes distintos para chama-lo. –Ariane parecia calma demais para quem estava na mira de um chicote flamejante e um marchado negro com lâminas de bronze.
-Deus é mulher? –Arregalei os olhos.
-Deus é Deus. Assim como os seus deuses tomam a forma que querem, O Trono toma a imagem que deseja. Seja homem ou mulher, objeto ou ser vivo. –Explicou Ariane.
-E o que isso tem haver comigo? –Perguntei.
-Tudo. Você, Phoebe Battler é a encarnação do Arcanjo Gabriel. –Iryena recuou e se sentou em uma lata de tinta que estava pelo galpão empoeirado.
-Não... eu não sou encarnação alguma.
-Sim você é, você é a encarnação da minha amiga, Gabbe e o atual arcanjo mais poderoso abaixo de Deus. –Ariane me fuzilava seriamente.
Um raio irrompeu o céu lá fora, isso não só deixou-me inquieta mas também Iryena que começou a suar frio se contorcendo sentada na lata de tinta.
-Tem alguém tentando derrubar a pátina.
-Como imaginei. –Ariane assentiu e olhou em volta do galpão como se estudasse cada curva e canto do escuro local.
-Onde estão Nico e Gabriela? –Gritei rangendo os dentes.
-O garoto eu não faço ideia, nunca entramos em contato com o filho de Hades, a garota esta bem, levamos ela por um tempo. Só foi um breve passeio para dar tempo suficiente de você chegar aqui e sozinha.
-Onde Gabbe esta? –Investi contra a anja, mas ela foi mais rápida e desviou-se da lâmina de bronze.
O marchado cravou-se na parede bem ao lado da porta do galpão.
-A tal Gabbe já esta de volta ao Acampamento. Ela não se lembrará de nada, assim como todos naquele acampamento, nem de você.
Engoli em seco sentindo o arrepio e o frio na espinha.
-Jason! Piper! –Gritei correndo as escadas a baixo.
Me deparei com a cena de um anjo com asas douradas tão grandes que pareciam velas de um navio abertas. O demônio carregava Piper e Jason para dentro e repousava-os no sofá marrom café da entrada. Por um breve momento consegui ver um Pégaso negro sobrevoando o edifício. No chão estava Percy, Annabeth e Jherfrey Rodrigues brigando contra uma fina camada transparecida em forma de cúpula que circundava todo o edifício.
A porta se fechou em um tremendo Bac!
O anjo se aproximava com um sorriso pálido no rosto. Aqueles olhos verdes eram tão hipnotizantes. Cada passo que ele dava parecia atrair cada musculo do meu corpo, era como um imã.
-Phoebe Battler. –Ele suspirou e riu. –Filha de Afrodite hein... –Cam trancou a porta da saída e caminhou para perto de mim repousando no primeiro degrau da escadaria. O demônio não parava de fitar-me. –Se você não fosse a Gabbe...
A porta se abriu com um estrondo. Jherfrey havia arrombando-a com um único chute. Ele com um rápido movimento me puxou para longe do demônio, quase caí, mas consegui me segurar na cintura do filho de Ares.
Seus olhos eram ferozes como o de um javali protegendo seu território. Ele abriu uma lata de refrigerante, na mesma hora a lata se metamorfou em aspirais de bronze até formar um escudo completo. Uma espada de bronze surgiu em sua mão direita e ele investiu com tudo.
Tudo ficou escuro e esfumaçado. Sentia arrepios e um cheiro horrível de mofo. O frio agonizante e inquietante junto a algo escorregadio e nojento roçando sobre minha perna. O nevoeiro negro e fedido sumiu, foi se acalmando e abaixando, mas eu não conseguia me mover. Levei meu olhar até minhas pernas, sombras negras, úmidas e escamosas serpenteavam pelas minhas pernas prendendo-me ao chão de sombras em formato de cobras asquerosas e toscas.
-Aonde vai tão cedo? Ainda não viu o restante dos convidados. –Cam brincou rindo diabolicamente.
Ele podia ser um demônio, mas era um demônio atraente e charmoso. Pelo menos ao meu ponto de vista.
Percy entrou dando uma cambalhota para evitar as serpentes negras. Abriu duas garrafas d’água e despejou-as sobre o local. A água ao redor começou a flutuar, levemente fazendo círculos em volta do filho de Poseidon.
Sua espada de bronze em mãos, sua postura perfeita e admiradora. Os olhos esmeralda de Percy agora tinham um concorrente, um concorrente que se chamava Cam.
A água esguichou pelos nossos pés varrendo completamente as sombras serpente que nos prendiam. Annabeth me puxou para fora correndo pela calçada.
Ouvi mais barulhos de jatos d’água e gritos de fúria vindos lá de dentro. Logo Jherfrey saiu carregando Jason nas costas e Piper nos braços tentando ser o mais rápido possível.
As pessoas na rua paravam incrédulas tentando entender o que estava acontecendo. A tal névoa devia estar trabalhando, não faço ideia do que eles estavam vendo, mas que continue assim.
Ouvi um som de motor, um motor que eu reconhecia de algum lugar. Um navio viking surgiu a cima de nós seguido por uma rajada de vento e remos gigantes automáticos que remavam em pleno céu.
-Alguém chamou a companhia de voo e reforço Leo Valdez? –Leo surgiu do convés rindo.
-Hora de ir, boneca. –Brincou Jherfrey acordando Jason e Piper.
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