Meu Acampamento de Verão

9 Capítulo 9: Desagradáveis filhas de Afrodite


Um barulho horrível vinha da porta, abri os olhos lentamente acordando de um tranquilo sonho.

–Abre essa porta! –Gritavam múltiplos socos e chutes na porta.

Então me dei conta de que estava na banheira. Dei um pulo e minhas roupas encharcaram o piso. A água não estava branca e a nem o meu corpo.

Caminhei lentamente até a porta, a abri devagar e uma menina parecia mais do que irritada na porta. Ela segurava uma toalha vermelha contra o corpo e segurava shampoo, condicionador, sabonete liquido e uma garrafa térmica escrito água oxigenada.

O cabelo dela era um fraco loiro tingido com produtos químicos, soube disso quando analisei a raiz do seu cabelo.

–Garota! –Ela gritou de raiva e me empurrou para sair da sua frente. –Que diabos você tava fazendo aqui por duas horas? –Cerrou os dentes e esvaziou a banheira, depois pois suas coisas em cima da pia.

–Eu acabei dormindo na banheira... –Abaixei a cabeça e me observei no espelho.

Meu cabelo queimado agora estava somente molhado e com um leve cheiro de cavalo.

–Ah, não me diga, você é a garota que caiu na pegadinha da buzina? –Ela começou a rir e apontar para mim se contorcendo não se aguentando em pé.

–Calada. –Concentrei minha voz e limpei a garganta. –Pare de rir, pare de falar nisso. Chega de todos dizerem o quanto sou boba e infantil! –Gritei enfurecida.

A garota congelou e fechou a boca. Seguiu enchendo a banheira e tirou uma muda de roupas de dentro da sua toalha; deixou uma camisa laranja do acampamento junto a um short jeans azul em cima da privada branca. Quando ela ia tirar a toalha eu saí do banheiro e caminhei pelo corredor estreito do segundo andar.

Meus passos marcavam o chão com pegadas molhadas. Segurei-me no corrimão e então senti algumas lagrimas a mais escorrerem pelo o meu rosto. O restante da minha sombra preta toda se borrou e saiu marcando o meu rosto com as típicas lagrimas negras.

O chalé até era aconchegante, mas tinham sacos de dormir dobrados e empilhados por todas as partes. Ignorei isso e saí do chalé.

O doce e melancólico sol das 4h marcavam o horizonte deixando o céu laranja e as nuvens meio rosadas como algodão doce.

Alguns campistas que passavam não me notaram, pareciam ocupados demais carregando arcos, escudos ou lanças. Alguns passavam apressados tentando pôr suas armaduras gregas ou ajudando alguém a coloca-las.

Um grupo de garotos se aproximava, pelo físico eram filhos de Ares, o deus grego da guerra. Me encolhi com medo de que me vissem toda molhada.

Uma garota de cabelos castanhos repicados guiava a frente do grupo; com uma armadura completa de batalha com exceção do capacete de crista vermelha que ela carregava em uma das mãos. Era a Clarisse. Conselheira do chalé de Ares. Tinham quatro rapazes atrás dela.

Um deles era Chris Rodrigues. O outro ao lado tinha um topete curto preto estilo militar. Armadura vermelha de couraça bem pesada, porém a mais grossa e resistente em uma batalha. Ao seu lado os outros dois trocavam alguns socos no abdômen se suas armaduras para ver se estava rígido e não sairia do lugar na hora da luta. Os dois também tinham cabelos negros em corte militar, porém, um deles era mais baixinho e era descendente asiático.

–Olha só, a novata já foi “batizada”? –Clarisse brincou rindo da minha cara.

–Ela caiu numa brincadeira do chalé... –Chris suspirou.

–Aquela do “ou acabe louco de tanto pensar”? –Ela riu aos soluços. –Finalmente, agora eu sei, -Ela não conseguia nem falar direito de tanto rir. – não ficarei louca sem saber pra que a campainha servia. –Ela olhou para os outros três atrás dela. –Pra que serve, garotos?

–Para pegar otários! –O asiático berrou.

–Só imbecis tocariam a campainha sabendo que não se deve mexer em nada no chalé e Hermes. –O mais alto pigarreou e riu da minha cara.

–Ah gente. Ela ainda é nova, não precisa disso. –O mais musculoso que estava logo atrás de Clarisse se pronunciou e caminhou lentamente até mim.

Engoli em seco. Ele foi parado por Chris que lhe entregou três camisas laranjas e sussurrou algo ao filho de Ares.

–Podem ir na frente. –Ele falou a Clarisse.

–Prefere essa idiota do que agente? –Clarisse endureceu a face, parecia que seu rosto era feito de cobre por estar com cutículas de suor e cada gotinha brilhar sobre algumas rajadas do sol preguiçoso da tarde.

–Daqui a pouco encontro vocês. –Ele acenou com a mão e veio de encontro a mim.

Clarisse revirou os olhos e bufou de raiva. Saiu pela colina em direção a praia junto a Chris e os outros dois dos seus irmãos.

–Você é legitima de Hermes? –Ele perguntou.

–Não... eu já tenho um pai, ele é o meu herói, mas não um deus grego.

–Hum... –Ele me estendeu a mão segurando as camisas laranja. –Acho que isso é seu.

Peguei as camisas e o agradeci.

–Obrigada...

–Por que você está molhada? –Ele observou-me.

–Entrei de roupa na banheira... –Abaixei a cabeça em quanto ele soltava um sorriso involuntário.

–Se quiser podemos ir falar com Piper e ver se ela consegue alguma calça pra você... –Por um momento ele ficou pensativo. –Bem, hoje é uma noite importante para os filhos de Afrodite, Ares e Hermes se uniram a Afrodite esta noite para derrotar as caçadoras de Artemis.

–Uou, calma, espera. Caçadoras de Artemis? –Fiquei meio confusa.

–Sim, são as castas e jovens eternas que se uniram a Artemis como caçadoras. –Ele falou o obvio. Eu sabia quem eram pois sou uma grande fã dos mitos das caçadoras.

–Vamos pegar essa calça e ir nessa tal captura a bandeira. –Sorri para ele e segui caminhando na direção da praia.

–O chalé de Afrodite é por aqui. –Ele apontou para o lado oposto ao qual eu estava indo. O filho de Ares soltou uma risada contagiosa, logo eu e ele riamos de absolutamente nada.

Voltei até ele e fomos juntos até o chalé de Afrodite.

Era um chalé rosa, absolutamente azul bebê e rosa. Colunas gregas de mármore branco. Cortinas rosas seda enfeitando as janelas e a entrada. A baixo das janelas ilustrações idênticas de dois cisnes brancos “beijando-se” formando um coração com seus pescoços e entre eles um espelho dourado feito de ouro puro. Lindas roseiras rodeavam as colunas gregas. Em cima da entrada azul marinho estavam entalhados dois cisnes formando um coração e entre eles uma linda casca de ostra pérola.

–É aqui... –Ele suspirou. –Pelo menos não está com o mesmo cheiro de perfume doce como antes. –Ele sentiu-se aliviado e bateu na porta do chalé.

Alguns instantes depois uma garota asiática abre a porta.

Cabelos lisos castanhos escuros, unhas vermelhas escarlate. Duas pulseiras douradas de ouro branco cintilavam em seus pulsos. Os olhos castanhos dela eram atraentes e sedutores. A camisa do acampamento dela estava amarrada por cima da gola V e isso deixava sua barriga toda a mostra. Seu jeans azul justo e colado realçava suas finas coxas e sua cintura perfeita. Ela estava sem sutiã pois dava pra ver o apertado vale entre os seios dela pela gola da camisa.

–Ah! Que horror! –A garota colocou a cabeça para dentro do chalé e gritou. –Mary, desce aqui, acho que é a sua avó aqui na porta!

Alguns passos de salto alto foram ouvidos batendo contra as escadas. Logo outra garota surge na porta.

Já essa tinha cabelos loiros lisos no inicio e nas pontas formavam cachos estilo anos 80 bem glamorosos e charmosos, uma franja perfeita cobrindo sua testa. Olhos azuis cristal. O batom vermelho cobria seus lábios finos e delicados. A camisa laranja do acampamento estava coberta por um pequeno e fino top branco transparente de seda bordado em algodão. Um shortinho preto de náilon deixava metade da sua coxa exposta e contornava a curva da sua cintura magra e perfeita. Suas unhas estavam pintadas de preto.

–Minha avó não é tão feia assim, Drew! –Berrou a tal Mary. –Onde já se viu minha vó ter esses olhos inchados e vermelhos de lagrimas e essa maquiagem borrada. Me poupe –Ela colocou o dedo perto demais do meu rosto, consegui sentir o cheiro do esmalte que ela tinha acabado de pintar nas unhas. –Garota, evapora, some, chispa. Se está procurando o seu chalé é mais lá no fundo. Pergunta pra algum dos seus irmãos filhos de Hefesto. Eles vão saber o que fazer com você. –Ela e Drew riram e eu ficava com raiva de novo.

Num movimento rápido, puxei a espada de bronze a bainha do filho de Ares; saltei contra as duas. Prendi a Mary em baixo de mim sentando em seu busto e fixando seus braços ao chão com força sendo segurados pelos meus joelhos. Pus a ponta da espada contra o chão e o pescoço como se fosse uma alavanca.

–Se minha mão escorregar agora, sua cabeça será decepada. –Fuzilei-a com o olhar.

Mary engoliu em seco e ficou vesga tentando olhar para a lamina de bronze que estava entre centímetros do seu pescoço.

Dois braços se engancharam a baixo dos meus e me puxaram para longe me imobilizando. Era o filho de Ares que havia me tirado de cima da maldita megera loira.

–Ninguém insulta o meu pai, me larga! –Me debati contra os braços dele, tentando me soltar, mas ele era muito mais forte, não tinha nem mesmo como comparar minha força a dele.

Drew olhava horrorizada em quanto ajudava a sua irmã a se levantar.

Concentrei minha voz e foquei-me em cada palavra subindo o tom para deixar mais intenso e parecer raivoso.

–Me larga.

Notas finais
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