Meu Acampamento de Verão

41 Capítulo 41: Queimando as Cinzas


Notas iniciais
Graças a manutenção do servidor não pude postar. Agora que tudo se estabilizou estarei seguindo o ritmo de postagens.

–Não parem só pela minha chegada. –A garota vermelha desceu o ultimo degrau com um sorriso envenenado no rosto. –Por favor, continuem.

A música voltou a tocar e todos voltaram a dançar na mesma hora.

–O que ela é? –Perguntei a Hermes.

–Marriy é a filha de Asmodeus e Laila. –Hermes olhou em volta procurando por alguém na multidão. –É, acabo de ver meu pai.

Segui seu olhar e me deparei com um homem de meia idade em um terno azul grafite com uma gravata borboleta. Seus cabelos estavam escovados para trás.

–Hera não esta aqui. Pelo menos alguma coisa boa no meio desta loucura. –Hermes levantou-se levemente suspirando. –Phi, daqui a pouco eu volto, preciso falar com meu pai.

–Então pretende me deixar sozinha com um monte de demônios e seres bizarros do inferno? –Levantei o nariz tentando ficar brava mais do que sendo sarcástica.

–Você é uma garota forte, ou será que precisa de proteção para enfrentar suas batalhas? –Ele me fitou sorrindo com “um quê” de vitória no rosto.

–Odeio quando você responde uma pergunta com outra. –Fiz um bico e cruzei os braços arfando na cadeira de sabugueiro.

–Você supera. –Ele se curvou e me deu um leve beijo. Em seguida levantou-se e antes de sair piscou o olho esquerdo. –Logo voltarei.

Com um sorriso no rosto ele sumiu na multidão infernal que bailava sutilmente com o ritmo da música.

–É, parece que somos só eu e eu... –Fitei os babados do meu vestido.

Longos minutos se passavam, eu estava entediada. Pude ver a tal Fada Vermelha dançando com um vampiro com o cabelo peso em um rabo de cavalo preto. Usava terno preto e era muito charmoso. Parecia ter cerca de 30 anos e conduzia uma mulher como nenhum outro.

Observei os leves e frágeis movimentos daquela garota. Não parecia ser mais velha do que eu. Devia ter cerca de 14 anos, mas realmente era bonita demais para a aparência frágil, doce e inocente. Aqueles olhos intensos continuavam a vaguear pela multidão, seu intenso olhar era como uma águia a procura de uma presa.

Um surto de adrenalina correu pelas minhas veias no instante em que a fada pousou seus olhos em mim. Marriy Champoudry piscou para mim como se estivesse me alertando de algo. Foi quando minha mente parou de pensar, sentia algo mudando naquele local, algo realmente sério mudando. Olhei em volta inquieta. As paredes se transformaram lentamente ficando em um tom de dourado. Os andarem a cima de nós estavam sumindo, um a um podia ver sumindo em pleno vazio, o teto se abaixando cada vez mais perto junto ao lustre que foi diminuindo de tamanho e se adaptando ao novo local.

Leviatã que sobrevoava os andares desapareceu evaporando no ar, assim foi também com os outros príncipes feiosos que estavam pela multidão, de um em um sumiu. As súcubos que serviam as bebidas também sumiram com um sorriso diabólico no rosto. Vi Hermes correndo em minha direção mas ele evaporou no ar. Tive a impressão de ver os cabelos ruivos de Hebe também sumindo junto a Apolo.

Me levantei drasticamente derrubando a cadeira de madeira a qual estava sentada. Não entendia nada do que acontecia. Janelas gigantescas surgiram nas paredes que antes eram completamente lisas e vermelhas. Escadas redondas surgiram a volta do enorme salão dourado.

Marriy olhou assustada para o local alienígena ao qual estávamos. Olhando confusa e com espanto para todas as direções.

O seu parceiro agora estavam correndo se distanciando dela, abrindo caminho empurrando todos os vampiros, lobisomens ou qualquer coisa que essas pessoas fossem.

–Traidores! –Gritou a garota em quanto rasgava as longas babas pesadas do seu vestido.

As janelas explodiram com uma torrente de vento forte e poderoso assim como um furacão. As portas duplas de madeira do local foram abertas. Pessoas começaram a entrar no local, todas cobertas de preto e com mantos negros sobre a cabeça. Não paravam de entrar, de dez em dez mais encapuzados tomavam o local, subiam as escadas e ficavam na frente de todas as janelas como se fossem impedir de sair dali.

Pude ouvi-los sussurrando em quanto acanhavam os convidados que não haviam sumido. Sobraram apenas algumas damas de honra que estavam em volta de Marriy, o clã de lobisomens que havia sido convidado e os vampiros primogênitos.

As damas de honra não passavam de mulheres com cerca de 20 anos em vestidos vermelhos claros com rostos magros. Sentia seu instinto assassino em quando rondavam a garota no centro delas. Mantinham aquele tom ameaçador e esmagador. Com um rápido movimento sincronizado, todas sacaram em pleno ar uma bola cristalina que parecia ter sido feita de água. Tremeluzindo em negro, as bolas cristalinas começaram a tremer e do chão surgiu um pequeno escorpião fazendo rachaduras cortando o mármore. Era pequeno, mas sentia o ar venenoso e letal que se formava ao redor dele. De pouco em pouco ele foi crescendo, crescendo e crescendo até ter o tamanho de um cavalo. O seu veneno transparente pingava do grande ferrão que se estendia no alto.

Levei a mão esquerda rapidamente ao meu pulso direito, senti o frio ouro branco contra a minha pele que agora estava cheia de cutículas de suor graças ao grande espanto. Pressionei a safira azul escuro da pulseira e rapidamente senti a joia se estender. A cabeça o pescoço do cisne se alongou e serpenteou pela minha mão direita. O bico rapidamente afiou-se mais e mais tornando-se uma lamina, ainda podia ver a cabeça do cisne, juntamente aos olhos de safira que reluziam num azul intenso. O chicote condensou e irrompeu em chamas, podia sentir o calor aquecendo minha mão.

vragte en waai weg my vyande. –Todos os encapuzados falaram ao mesmo tempo.

A rajada de vento surgiu mais uma vez, invadindo o salão e varrendo todos aqueles que se pusessem no caminho. A chama no meu chicote não suportou tanto ar, as próprias chamas se sufocaram e por fim apagaram. Meu corpo foi soprado pelo vento, levando-me rapidamente para longe. Minhas costas se chocaram contra um piano negro que havia surgido depois da mudança de lugar. Eu gemia de dor e chorava ao mesmo tempo.

–Raah! –Rosnou Marriy em quanto ateava fogo pelas mãos. –Como ousam invadir meus domínios?! –Gritou a garota vermelha lançando uma bola de chamas meio esverdeadas em uma multidão de encapuzados.

O mesmo ao qual seria atingido simplesmente levantou a mão em quanto a bola de fogo desintegrava e evaporava no ar.

–Você esta no mundo material, não é forte o bastante e nem mesmo pode contra todos nós.

–É o que veremos. –Seus olhos vibraram em vermelho sangue.

O chão se rachava com uma gravidade devastadora, sentia meu corpo sendo comprimido e lançado para o chão com um impacto monstruoso. Rachaduras surgiram em volta de cada um dos homens pretos. De cada fenda brotou rosas vermelhas pulsantes, suas pétalas ardiam e brilhavam em vermelho amarelado como lava em um vulcão em erupção. Em chamas, todos pegos pelas rosas entraram em combustão e queimaram até os ossos.

–Vocês, bruxos menores acham que podem me desafiar só por estarem em maior número? –Marriy manteve o olhar maléfico mesmo em quanto via um a um reduzir-se a cinzas.

Um dos tais bruxos que ainda ardia em meio as chamas conseguiu forças para se colocar de joelhos.

–Pode até conseguir nos matar, mas jamais irá inteira. –O homem caiu e inchou, de pouco em pouco seu corpo tomava uma forma arredondada e inflava como um balão.

Bum!

Ele explodiu em chamas vermelhas, nem mesmo as damas de honra escaparam da explosão. Foram desintegradas. A única coisa que percebi foi um campo rosa se projetando a minha volta, sentia um abraço apertado e carinhoso.

–Mãe... –Sussurrei antes de me afogar na inconsciência.