Meticulosamente Espetados

1 Meticulosamente Espetados


Notas iniciais
Então... Eu estava sem nada para fazer, daí decidi fazer algo útil e tentei escrever algo. Mas, quando você está sem idéia, só pode surgir coisa idiota.

Se não gosta, não leia. Se gosta, boa leitura XD

Quando a mulher entrou na loja e deparou com uma cena diferente da qual conhecia, arqueou uma sobrancelha.

Aquela loja, Devil May Cry, localizada nos confins de San Francisco era uma agência que lidava com casos ligados a demônios e o proprietário sempre poderia ser encontrado em sua cadeira, com os pés em cima da mesa.

Costumava ler alguma revista indecente, comer pizza ou esperar algum telefonema.

Naquele dia em especial, Dante encontrava-se erguido sobre as próprias mãos, de cabeça para baixo enquanto mantinha-se ereto.

-Decidiu que precisava fazer alguns exercícios e não procurou uma orientação adequada, é?- ela indagou, irônica.

-Estou testando uma hipótese. –ele respondeu, sério.

Hipótese. Claro. Dante geralmente testava hipóteses sempre que Trish aparecia na loja. E ela era a fada dos dentes.

Era um homem alto, de músculos bem definidos e de pele alva, com cabelos anormalmente brancos, mas que eram características de sua condição de meio-demônio, meio-humano.

-Hm- ela sorriu, aproximando-se e se sentando em cima da mesa que havia ali, cruzando as pernas.

Trish era uma mulher-demônio de longos cabelos loiros e lisos, pele bronzeada e olhos azuis elétricos. Dona de sinuosas curvas, sempre evidentes pelas roupas de couro que usava.

-Sabe... –o mestiço voltou os pés para o chão e a encarou -... Queria saber como o cabelo do meu irmão é sempre espetado daquele jeito.

-E... Você estava de cabeça para baixo... Por quê?- ela franziu o cenho, perguntando lentamente, tentando entender a linha de pensamento do homem.

-Pensei que poderia ser por causa da gravidade- ele respondeu.

-...! –a mulher escondeu o rosto entre as mãos e conteve a vontade explosiva de rir compulsivamente.

-Sei que parece idiota- ele fechou a cara- Mas eu nunca encontrei gel no quarto dele, nem um fixador...

-Provavelmente ele só jogue o cabelo para trás depois de lavar- a loira encolheu os ombros, parando de rir aos poucos.

-Não pode ser só isso... Eu tentei- o homem fez uma careta- Lavei o cabelo e tentei jogar para trás, mas não ficou.

-E por que diabos você iria querer imitar o penteado do seu irmão?- Trish arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

-Para testar essa teoria- ele deu de ombros- Além disso, acho legal o jeito que o cabelo dele fica meticulosamente espetado o dia inteiro...

-Ou seja, você estava sem nada para fazer- ela revirou os olhos.

-Bingo- o mestiço sorriu, maroto.

-E por que você não pergunta diretamente a ele?- Trish permitiu-se um sorrisinho divertido. Dante sempre conseguia surpreendê-la com suas idiotices.

-... –ele franziu o cenho- O Verg me ignorou quando eu perguntei.

-Ai, ai... –a loira revirou os olhos. –Então eu pergunto. Onde o Vergil está?

-Saiu.

*****

Vergil odiava o fato de que não havia um único livro na Devil May Cry e obrigava-se a ir à biblioteca locá-los eventualmente. Quando abriu a porta, viu Dante e Trish, que pararam de conversar o que quer que estivessem conversando e viraram-se para ele.

Vergil era igual a Dante. Eram gêmeos idênticos, mas o que os diferiam eram os cabelos espetados do gêmeo mais velho e seu sobretudo em um tom azul gélido, enquanto o do mais novo era vermelho escarlate.

Ele arqueou as sobrancelhas com a repentina atenção que lhe deram e cruzou os braços.

-Vergil- a loira chamou, o que era estranho, considerando que era Dante quem geralmente lhe dirigia a palavra. –Eu queria te perguntar uma coisa.

-... –ele franziu o cenho. –E o que seria?

-O que você usa no cabelo para deixá-lo espetado?- ela perguntou, no que Vergil franziu o cenho e fulminou o irmão com o olhar.

-Foi idéia dela- Dante gesticulou, movendo os lábios sem emitir som.

-Não entendo esse interesse repentino- o homem passou por ela e sentou-se no sofá, pegando um dos livros que acabara de locar, O primeiro homem de Roma, e abrindo-o na intenção de começar a ler.

-Ora, Verg... –o mais novo deu um sorrisinho. –Ambos sabemos que o seu cabelo ficar assim sempre é contra as leis da física.

-Desde quando você se importa com as leis da física? –o outro ergueu os olhos e encarou-o.

-... –Dante fez uma careta.

-Me conte, Vergil- Trish abriu um sorriso que poderia levar qualquer ser humano para a cama e sentou-se ao lado dele. –Você usa gel ou fixador?

-... –ele franziu o cenho- Vocês dois estão me aborrecendo. Eu realmente quero ler, então procurem algo melhor para fazer.

Sim, qualquer ser humano. Vergil era um mestiço mesmo.

-Deixa de ser chato e conta aí- o mais novo se inclinou e deu um sorrisinho maroto- Nos conte o seu segredo.

-Você quer saber o meu segredo, é...?- o mais velho estreitou os olhos e conteve um sorrisinho que ameaçou se formar.

-Aham- os dois responderam em uníssono.

-Primeiro... –Vergil marcou a página do livro e o abandonou em suas pernas, cruzando os braços em seguida. –Vocês vão ter que me falar por que querem saber.

-O Dante quer imitar o seu penteado para fazer mais sucesso com as garotas- Trish falou e, quando o mestiço ameaçou protestar, ela pisou em seu pé.

-... –o outro franziu o cenho, ainda sem se convencer. Mas ignorou. Afinal, a intenção inicial era contar a eles. –Certo. Vamos fingir que eu acredite no que vocês tenham dito...

-Hm- os dois fizeram, incentivando-o a continuar.

-... E que o Dante precise agradar algumas garotas. –Vergil reiterou, no que o mais novo fez uma careta.

-Pare de fazer mistério, Verg!- Dante implorou.

O mais velho revirou os olhos, então trocou olhares significativos com a Trish; originalmente, sua intenção era inventar uma razão bem idiota que o convencesse, mas não lhe veio nenhuma à mente.

Então recorreu à loira. Quem sabe ela tivesse o poder de tirar o irmão de sua frente.

-Ora, Dante... –ela comentou, fazendo um meneio. –Ainda não percebeu...?

-Percebeu o quê?- o mais novo indagou.

-Vergil provavelmente usa chapinha no cabelo e penteia para trás, para só depois passar o fixador. –sugeriu aleatoriamente. –Por isso que seu cabelo não ficou espetado só com o gel.

Aquela sugestão era esdrúxula demais para ser crível.

-Sério, Verg?- Dante indagou, incrédulo, e o outro conteve a vontade de revirar os olhos, tamanha a ingenuidade do irmão.

-Claro, Dan- concordou, disfarçando quase que completamente sua voz. –Só não te contei porque diria que não é coisa de homem.

-Nossa... Bem que eu suspeitei!- o mais novo falou, convicto. –Sabe, com toda aquela modinha de Justin Bieber e tal... Acabou tornando-se comum que cada garoto tivesse uma chapinha em casa.

-... –Vergil cerrou os punhos com força. Justin Bieber...? Também não ofende, né... Reiterou mentalmente, mordendo o lábio inferior para conter milhares de respostas ariscas que lhe vieram.

-Tudo bem, Verg... Apesar de ser uma modinha adolescente, eu te entendo- Dante comentou, dando batidinhas amigáveis no ombro do irmão como uma forma muda de consolo.

-Então... –Trish interveio antes que Vergil socasse o irmão mais novo por ter acreditado em uma besteira que ela mesma contou. -... Já que você quer experimentar, por que não pede a chapinha da Lady?

-Ela tem uma chapinha? –o mestiço arqueou as sobrancelhas.

-Claro- a loira sorriu falsamente, vendo o irmão mais novo sair pela porta dizendo que voltaria depois. –Então...

-Eu não sei se agradeço ou amaldiçôo... –o homem cruzou os braços, dando um muxoxo impaciente.

-Deixa quite- ela sugeriu.

-A inocência do Dante chega a ser irritante- ele retrucou- Foi assim desde pequeno... Pode até se dizer experiente, mas é um idiota quando se trata de ler nas entrelinhas.

-Percebi- Trish riu, então virou-se e olhou-o com o livro em suas mãos, aberto na primeira página. –E então?

-E então, o quê?- ele repetiu.

-Não me faça de boba, Vergil- ela sorriu, marota. –O que você faz para o seu cabelo ficar sempre assim?

-... –Vergil a encarou, como se questionasse a seriedade da pergunta. Vendo que sim, suspirou e disse. –Nada de mais... Eu sempre tive o hábito de passar a mão neles para que não caíssem no olho.

-Dante dizia que era porque você não queria ficar igual a ele- ela comentou.

-De fato- concordou.

-E que acentuava a semelhança que tinha com seu pai- reiterou, hesitante, como se esperasse ser fuzilada com o olhar por entrar em terreno proibido.

-É... Talvez- o mais velho comentou vagamente. Trish não teve certeza se era ou não uma afirmação verdadeira com aquela resposta. Então se levantou e foi até a saída. –Aonde vai?

-Passear por aí- ela encolheu os ombros. –Dante provavelmente vai descontar em mim todos os projéteis que Lady lançar contra ele por perguntar se ela tem uma chapinha.

-Ter uma chapinha é algo tão ofensivo? –o mais velho arqueou uma sobrancelha.

-Só se você tiver cabelos lisos de nascença- ela deu de ombros.

-E você tem uma?- perguntou, zombeteiro.

-Talvez –a mulher sorriu e saiu, no que Vergil suspirou e voltou a ler o seu livro. Cabelos espetados? Não havia grande mistério nisso, havia?

Notas finais
Não me batam XD

Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!