Meteora
1 Diamond Eyes
Notas iniciais
Os dias de treinos andavam puxados, ainda mais sendo época de mundial. O time do Shinsei Inazuma Japan vinha treinando bastante mesmo tendo recebido um longo período de descanso e treinos para a próxima partida. Cada treino, cada jogo o time ia se unindo mais, mas ainda faltava pouco para tal coisa, ainda restava alguns do time ficarem realmente unidos do que intrigados, outros só precisando se acertar e ficarem de bem. Quem ainda faltava se acertar eram Ibuki e Shindou, e também Manabe com Minaho, faltava apenas isso.
— Pessoal, o treino de hoje acaba aqui! Faremos uma pausa uns dias então podem descansar a vontade. – Aoi anunciava.
— Certo! – todos responderam juntos.
Do outro lado do campo estava Shindou, conversava com Tenma e Tsurugi, os três estavam andando sempre juntos desde que o Shinsei tinha sido formado e só entraram eles da Raimon. A conversa estava correndo bem, então alguém se aproximou... Shindou ficou calado.
— Shindou-senpai. – Era Ibuki, parecia um pouco sério.
— Ibuki-san! – Tenma o cumprimentou sorrindo.
— Tenma, olá, oi também Tsurugi-san.
— Olá também, tudo bem? –Tsurugi também sorria como de costume, sempre calmo.
—C-claro, eu só queria falar com o Shindou-senpai.
— O que foi?
— M-mas em particular. Tudo bem Tenma? Tsurigi? – ele encarou os dois, eles confirmaram com a cabeça.
— Bom, a gente se vê depois. Vamos Tsurugi. – Tenma e Tsurugi saíram, e continuaram a conversar.
— A-até. – Ibuki acenou rapidamente, agora estavam apenas ele e Shindou, os demais membros estavam do outro lado próximo a Aoi e do banco, bebendo água, enxugando o suor, batendo um papo.
— Diga, o que você quer? – Shindou com a sua costumeira seriedade no rosto, braços cruzados e aquele olhar direto.
—Senpai... Você me odeia ou algo do tipo?
— Hã? O que disse? – piscou confuso.
—I-isso mesmo, notei desde que começamos nesse time. Ou você me odeia, ou então eu fiz sei lá alguma coisa e você não se agradou.
— Eu não sei do que você está falando, sério. – Shindou desviou o olhar, fechando os olhos.
— Então por qual motivo você me ignora? Mesmo quando eu dou uma melhorada sendo goleiro ou faço uma boa jogada durante uma partida eu te olho e... –Ibuki foi tirando a faixa que usava na cabeça e ficou segurando-a, como se procurasse algo, mas apenas distraidamente.- Você faz essa mesma cara fria e nem diz nada, o resto do time me elogia.
— Ibuki, — Shindou se virou e foi andando, ficando de costas para Ibuki.- não temos nada para falar aqui, até mais tarde no jantar. – Shindou começou a andar quando sentiu que Ibuki o tocou no ombro.
— Então por que o gelo comigo? E-e-eu realmente te fiz algo? Caramba cara me diz, eu juro que me desculpo.
— Se não me soltar eu te chuto, e não vai defender da forma e jeito que eu pretendo fazer. – Shindou estava sério, parecia estar incomodado com esse assunto.
—S-sendo assim, e-eu o procuro mais tarde! – Ibuki se afastou, Shindou foi embora e nem deu ouvidos. Ibuki estava determinado, era o dia que enfrentaria essa barreira e botaria as cartas na mesa para descobrir o problema.
Era hora do jantar, time reunido. Um clima bom, conversas, risadas, brincadeiras. Ibuki ainda estava incomodado, fazia dias que vinha tentando falar com Shindou e nada, nem mesmo um sinal o pista do porquê disso estar acontecendo. Qual seria a razão desse gelo? Ninguém mais notou esse clima tenso entre os dois?
— Eu ainda consigo, nem que eu leve um soco! – Ibuki começou a comer ferozmente.
— Hã? Levar um soco de quem Ibuki-kun? – Minaho estava sentado à direita de Ibuki, e logo fez a sua pose de costume com a mão perto do queixo, procurando pistas.
—Tá tudo bem Ibuki-san? – Quem estava à esquerda era Tenma.
— Sim! Por que a pergunta? – voltou a comer, disfarçando.
— Pelo motivo de você ter dito que tentaria algo mesmo que sofresse danos. – disse Minaho.
— Isso mesmo, você tá intrigado de alguém? Podemos te ajudar. –Tenma botou a mão sobre o ombro de Ibuki, como sempre estava tranquilo.
— Não sei caras, nunca tive esse tipo de problema com alguém e não sei como resolver.- Ibuki parou de comer, apenas encarava o prato e a mesa.
— Problemas sociais? Amizades? Alguma intriga? — Minaho ia indagando.
— Uma intriga, eu acho.
— Mas você sabe o motivo Ibuki-san?
— Não capitão. – Ibuki suspirou.- Não consigo entender essa pessoa, mesmo que eu me saia bem em algo ou me esforce pra que essa pessoa me note.
— Presumo que seja alguém que você goste ou admire, certo? – cada vez que indagava Minaho ia adorando, ele realmente gostava de investigar.
— M-mais ou menos. – Alguns dos outros membros do time foram saindo conforme iam terminando de comer, quem saíram foram Konoha, Sakura, Tetsukado, Aoi e Kasuka, eles acenaram e logo saíram conversando.
— Se quiser falar a gente pode tentar te ajudar, não é Minaho? – Tenma sorriu para Minaho.
— Sim capitão, isso é um caso que merece uma boa resolução.
— O-obrigado. – Ibuki levantou a cabeça, olhou pra um e para outro e aí sorriu.
—Conta vai, quem é a tal pessoa?
— B-bem capitão... É... – Ibuki ia falando quando viu Shindou se levantar, já havia terminado o jantar, eles se entreolharam uns segundos, mas como sempre Shindou lançou um olhar frio e tornou a ir embora, acompanhado de Tsurugi e Matatagi, Manabe não estava presente.
— Eu tenho um palpite, você está tendo problemas com o Shindou não é? – Ibuki sentiu o peito acelerar, mas manteve a postura.
— É-é, não nos damos bem desde que nos conhecemos.
— Isso que você falou de ser notado, é em relação à defesa e de ele te reconhecer como goleiro?
— Isso capitão! Mas eu não entendo, acho que pode ter mais coisa.
— É provável e também não provável.
— Como assim? – Ibuki e Tenma ao mesmo tempo.
— Bem, há uma chance de ser só o Shindou querendo testar o Ibuki, ou então ele tem algum problema em querer aceitar as habilidades do Ibuki, ou talvez tenha um problema mais afundo que some com outro e aí ele anda agindo assim.
—Ou ele está frustrado com algo, problemas misturados provavelmente. – Manabe ia chegando e como sempre, ajeitando o óculos.
— Manabe-kun, onde você estava? – Minago indagou.
— Meus pais queriam conversar comigo, recebi autorização, fomos jantar num restaurante.
— Caramba, parece demais! – os olhos de Tenma rilhavam.
— Capitão foi apenas um jantar, tudo saiu como planejado.
— Você se divertiu lá no fundo não foi, Manabe? – Tenma sorriu.
— T-talvez... – Manabe se sentiu sem jeito e ajeitou o óculos para disfarçar, lá no fundo ele realmente tinha gostado.
— Mas vocês ainda não me falaram como vão me ajudar, capitão.
— A-ah foi mal, continuando. Bem... – Tenma coçou a nuca meio sem graça.
— Você precisa encarar isso, estar frente a frente com ele e por tudo pra fora, é a minha teoria mais provável. – disse Minaho.
—Eu também imagino algo assim. Mesmo que nos meus cálculos tenham algumas complicações, é preciso ir atrás e resolver a questão. Minaho-kun está certo também.
— Galera, então eu deveria ir falar com ele?
— Exato. E o quanto antes melhor, analisando a situação a coisa parece meio feia.
— Capitão... E-então eu deveria ir tipo agora ou um pouco mais tarde? – Ibuki sorriu, meio sem jeito, mas estava se animando.
— Sim! Qualquer coisa pode me procurar depois,ou ao Minaho e Manabe.
—Mesmo gente? Eu já teria desistido, mas eu vou atrás. – Ibuki se levantou.
— Oh, ponha em prática, queremos ver o resultado.
— Isso mesmo Manabe-kun, vamos ver se a sua equação está certa.
— E também a sua perícia.
— Vocês dois parecem bem unidos. –disse Tenma, coçando o queixo meio pensativo.
— É?!- Minaho e Manabe ao mesmo tempo.
— Agora que você falou capitão, vocês dois ai pareciam brigados uns tempos atrás.
—M-mesmo?! Não reparei! – Manabe ia ajeitando mais uma vez o óculos e sem jeito.
— Bem, eu e o Manabe-kun nos desentendemos sim, mas nos acertamos e estamos como sempre estivemos.
—S-sim, M-minaho-kun.
— Bom,eu vou pro meu quarto, ver um pouco de Tv e ir cochilar quem sabe. Ibuki boa sorte como Shindou-san.
— Capitão obrigado, eu irei assim que sair daqui. Vocês dois também, M-minaho e M-manabe, obrigado. – Ibuki fez uma reverência.
— Tudo bem, tudo bem. Ficamos feliz em ajudar. – Minaho sorriu, Manabe também.
— Bom, vamos Ibuki. – Tenma e Ibuki foram saindo, ainda conversando e planejando um pouco. Agora Minaho e Manabe estavam sozinhos na cantina.
—Acho que é hora de irmos também não é Manabe-Kun? – Minaho ia se levantando quando Manabe o puxou um pouco pelo braço.
—P-precisamos conversar Minaho-kun.
— Heh, algum problema?
— Sobre antes, quando falamos dos meus pais e ficamos meio sem nos falar e depois na partida quando você falou aquilo, sabe, eu fiquei meio sentido... – Manabe as mãos no colo.
— Eu já falei que não tem com o que se preocupar, mesmo que eu o inveje em parte por ainda ter o seu pai presente.
— M-mas você estava certo n-no final das contas. E quero que saiba de uma coisa... – Manabe foi abaixando o rosto.
—O quê? – Minaho piscou confuso.
— Mesmo que você não almeje mais alguma coisa por não ter em quem se espelhar, — e Manabe levantou o rosto, agora encarava Minaho.- você ainda pode c-chegar longe, você é inteligente, pode chegar onde o seu pai chegou.
— Manabe-kun, você...
— E-e saiba que eu o admiro, e muito! – Manabe ia corando aos poucos, até deu uma ajeitada discreta nos óculos e viu as bochechas de Minaho ficarem meio rosadas.
— Eu o admiro bastante também, você é bastante inteligente também, entende números e equações, já eu sou aspirante a detetive. –Minaho sorriu.
— M-mesmo? – Manabe sorriu, era muito bom ouvir aquilo.
— Mas sabe, — Minaho fez mais uma fez sua pose com a mão perto do queixo, deduzindo.- tenho uma teoria para com outra coisa, em relação a você.
—A-a-a mim?!
—Sim, a você mesmo Manabe-kun.
—M-mas como assim?! Se explique! – Manabe ajeitava os óculos, e se levantou ficando ao lado da mesa.
— Bom, — Minaho também se levantou, foi até Manabe e ficou na frente deste.- quer na prática ou teoria?
— Teoria e prática? M-medo até de perguntar como seria essa prática, seguimos com a teoria, vou apostar nos meus cálculos que é a opção mais viável.
— Segundo minha teoria, analisando a conversa que estamos tendo, fora outros fatores eu acho que você...
— Acha que eu... ? — Manabe cruzou os braços.
— Que você nutre algum sentimento por mim, não é só admiração. – Minaho foi se aproximando, ficando mais perto de Manabe.
—Q-Q-QUÊ?! Que teoria mais ridícula! De o-onde você tirou a sua base para teorizar isso?! — Manabe ia arrumando os óculos.
— Em suas reações ao falar isso, lembre-se Manabe-kun que os pequenos detalhes são sempre os mais importantes.
— Mi-minaho-kun, o que você quer dizer?- desviou o olhar.
—Eu digo que você também pode chegar longe como eu, mesmo que não seja conseguindo ou não algo almejado desde cedo. Você é meio fechado, isso é normal dado à forma de sua criação e convivência com seus pais.
— Então quer dizer que você teve mais liberdade? Digo, t-tem mais liberdade?
— De fato. Meus pais não queriam criar um filho que ficasse preso a algo ou fosse induzido. O motivo é que algumas pessoas mesmo tendo crescido em uma coisa, uma hora vão mostrar que sua vocação ou talento é em outra área, ou descobrir o que realmente quer ou gosta. Eu e você, temos nossos talentos em relação à inteligência e intelecto.
— M-mesmo? Não reparei. – Manabe olhava para Minaho, mas disfarçando ele virava o olhar, tinha entendido mesmo e ‘calculou’ o que ouviu e a ‘equação’ deu um resultado.
— E saiba que eu não fiquei com raiva de você por ter agido daquela forma comigo.
— Sério? A-ah então que bom, fico feliz.
— Eu também gosto de você, e bastante até Manabe-kun.
— Q-Q-QUÊ?! O-o que quer dizer?! – Manabe meio que ficou travado, o rosto vermelho, suas pernas tremiam e uma sensação engraçada pela barriga.
—Sim, isso mesmo. – Minaho sorriu, até a orelha dele se mexeu um pouco, as bochechas meio rosadas.
—Mi-minaho-kun, c-como consegue falar i-isso a-assim naturalmente?!
—Não sei, da mesma forma como conversamos no campo durante a partida aquele dia, eu também não sei explicar. Deve ser o meu jeito, quem sabe.
— Bem d-direto você. – Manabe ajeitava de novo os óculos,mas conseguiu encarar Minaho finalmente.
— Mesmo? Mas te contar isso prova minha teoria sobre os seus sentimentos.- ele sorriu.
— M-mas qualquer um ficaria constrangido ou constrangida c-com uma coisa dessas!
— Ficariam? Sim, elas ficariam, mas tem uma coisa que reforça o que eu digo que são as suas reações.
— C-como?!
—Eu sou filho de um detetive, eu aprendi com o meu pai e desenvolvi minhas habilidades sozinho com o tempo, errando ou acertando. Observar faz parte disso, e está em seu semblante.
— Minaho-kun! E-e-eu... Bem... – Manabe negava e aceitava, queria falar, mas sua voz não vinha, resolveu fitar o chão.
— Eu fiz bem em tentar a teoria primeiro, na prática essa conversa nem teria existido e provavelmente brigaríamos de novo.
—E-e o que seria a prática?
— Um contato direto e próximo... –Minaho foi se aproximando, estavam próximos por alguns centímetros.
— Ti-tipo o quê?
— Me aproximar alguns centímetros e ter um contato lábio com lábio. –Minaho deu uma piscadela, e ouviu claramente Manabe engolir a seco.
— B-beijar? M-mas...
— Oh Manabe-kun, nunca beijou ninguém? Fique sabendo que eu também não assim.
—Mi-minaho-kun... – agora os dois estavam bem perto, podiam ver a íris de cada um claramente.- N-não sei...
— Você também nega que gosta de alguém, tem medo?
— É-é a primeira vez que eu me interesso e gosto de alguém assim, d-d-dessa forma.
— Não fique com medo, é só ficarmos sempre perto um do outro como sempre fazemos, nos treinos e até nas partidas.
—M-mesmo? – os lábios de Manabe tremiam, ele com as mãos juntas na altura do peito, não conseguia se mover também.
— Bom, eu ainda posso tentar?
— B-bem, já que estamos sozinhos. T-tudo bem Minaho-kun. – Manabe fechou os olhos.
— Então ok, lá vou eu.
Minaho ficou uns segundos encarando Manabe que estava de olhos fechados, aproximou mais o rosto ao do garoto e foi pondo as mãos nos ombros dele, agora que estava tão perto via cada detalhe, os lábios de Manabe abrindo lentamente, meio trêmulos, sentia a respiração acelerada dele, um momento meio tenso, porém bom. Logo Minaho aproximou os lábios ao de Manabe, e o garoto abriu os olhos, se entreolharam por uns instantes e começaram aos poucos a trocar um beijo, as mãos que antes Manabe ficava segurando contra o peito agora ficavam agarradas na jaqueta de Minaho, sentia o garoto o apertar um pouco nos ombros, mas o beijo ali era o mais importante. Pouco depois Minaho e Manabe pararam o beijo, se abraçaram e ficaram um de frente pro outro, as mãos dadas, um silêncio mágico, apenas trocando olhares e sorrisos.
—B-bom, e-e agora M-minaho-kun o que faremos? – a clássica arrumada de óculos.
— Que tal darmos uma volta e conversamos um pouco? Falar de coisas para o treino e a próxima partida, o que acha?
— É, temos algum tempo ainda, só não podemos ficar até tão tarde quando bater o toque de recolher.
— Sim sim, tem razão. Bem, vamos? — Minaho foi andando até a porta.
— Minaho-kun...
— Hã, o que foi?
— E-eu gostei de hoje. B-bem, se quiser que a gente repita outra hora pode me falar.
— Oh sim, eu ia pedir o mesmo, mas não tinha certeza se você perguntaria também e ai esperei um pouco.
— Então o-ok, vamos indo.
E assim foi a noite dos dois, passear pelo alojamento, ir um pouco na cidade, trocar ideias para o treino e partida, teorias e mais teorias, trocavam olhares as vezes e ficavam brincando um com o outro, mas dessa de um jeito diferente e ainda terminaram se beijando de novo.
Naquela mesma noite, enquanto Minaho e Manabe estavam tendo esse momento, Ibuki também estava agindo, ia tentar falar com Shindou de qualquer jeito. Ibuki estava sozinho no corredor dos quartos, parado em frente à porta do quarto de Shindou, estava pensativo. O que faria? Não conseguia pensar em nada, queria entrar ali e falar com ele, mas Ibuki meio que “travou” no meio do caminho. O que iria fazer? Ibuki respirou fundo, esperou um tempo ali em frente à porta e depois a abriu em seguida, deu alguns passos à frente.
— S-shindou-senpai!
— Quem... Ah, é você Ibuki. – Shindou estava na escrivaninha, lendo.
— E-eu disse que viria falar com você mais tarde. – Ibuki entrou de vez no quarto e fechou a porta.
— É, estou vendo não é mesmo? – Shindou fechou o livro e se virou na cadeira, encarando Ibuki.
— Não saio daqui enquanto acertar as coisas com você! – Ibuki foi se aproximando ficando um pouco perto
— Falando assim até parece que quer me bater.
— Não! E-eu quero apenas tirar a limpo umas coisas.
— Que seriam... ? – Shindou cruzou os braços, não mudava a expressão.
— Shindou-senpai, você me odeia ou algo do tipo? Preciso saber!
— Hã? Do que você está falando Ibuki? – Shindou se levantou.
— Você sempre me trata de um jeito diferente, até quando eu me esforço.
— Ah vai embora... – Shindou se virou.
— Ei me escute! Quando eu me esforço e faço algo de bom durante um treino ou partida você me trata assim, o resto do time me elogia, reconhece o meu esforço. Menos você.
— Eu não sou o resto do time Ibuki.
— Então tinham razão com o que me falaram.- Ibuki suspirou profundamente.
— O quê? Quem falou o quê? – Shindou se virou novamente, estava sério.
—Parece que você tem alguma frustração, algo pessoal. Desde que estamos nesse time você tem agido assim e ainda mais comigo.
— E daí que eu me dou bem com os outros?
— Você menospreza minhas habilidades também.
— O resto do time também joga bem, inclusive o Tenma e Tsurugi que estão comigo desde o Holy Road.
— E quanto a nós? Os novatos no time, o que acha da gente?
— Bem, no começo achei que seriam ruins demais. Mas sendo sincero, eles tem algo a mostrar. Podem despertar algum talento no futebol.
— Eu estou incluído nisso também?
— Quem sabe. – Shindou lançou um sorriso, mas debochado.
— Eu não sou um bom goleiro? Não sou adequado? É isso Shindou-senpai?!
— É o que você acha, não o que EU disse.
— Pode falar na minha cara que eu não ligo.
— Eu contando a verdade, ou mentindo, vai fazer alguma diferença hein Ibuki?
— Você se sente triste por não ter o resto do seu antigo time com você não é?
— O que disse? Repete. – Shindou se levantou e se aproximou, punhos fechados, semblante sério.
— E ainda me menospreza mesmo quando eu me esforço, eu venho fazendo isso com toda a minha vontade Shindou-senpai!
— QUERO QUE REPITA O QUE DISSE ANTES!
— EU TRABALHO DURO PARA QUE VOCÊ ME RECONHEÇA CARAMBA!
— O quê... ? O que disse? – Shindou piscou confuso.
— Eu vou sempre continuar em frente com isso, vou fazer isso até você me reconhecer e me tratar melhor! – Ibuki fechou os olhos com força, era um alívio grande por aquilo pra fora do peito.
— Ibuki...
— Senpai , se algo incomoda você com esse time, comigo ou com os outros membros me diga! EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO! – Ibuki se ajoelhou e ficou com a cabeça abaixada.
— E-e-ei Ibuki v-você...
— POR FAVOR! Shindou-senpai, por favor...
— O que e-e-eu posso dizer? – Shindou se ajoelhou também, sentir aquilo, Ibuki expondo seus sentimentos se dor o deixou sem chão. Importava-se com ele afinal?
— Dói...
— Tá sentindo algo?
— Dói muito se esforçar para ser reconhecido por uma pessoa, ainda mais uma pessoa que você admira e gosta! – Ibuki levantou o rosto, lacrimejava. Shindou piscou surpreso.
— E-e-ei...
— S-se você está com algum problema em relação a mim ME DIGA, VAMOS NOS ACERTAR AQUI!
— IBUKI ME ESCUTE AGORA!
— S-senpai...
— Eu também não aguento mais guardar isso, quero que me escute alto e claro.
—Tá bom, t-tá bom. – Ibuki se acalmou, respirou fundo e ficou esperando.
— Eu realmente estou frustrado. Esperei que nessa seleção do time para representar o Japão nesse mundial seria o pessoal da Raimon como foi na época do Técnico Endou. Odiei a seleção que foi feita no começo, até o Sangoku que era o goleiro tentou se mostrar otimista, mas eu notei que ele estava triste assim como eu.
— Hum...
— As coisas mudaram, só tendo eu Tenma e o Tsurugi. E-e-eu não tenho mais — Shindou começou a chorar.- uma certa pessoa ao meu lado, não tenho mais aquela pessoa que eu gostava perto de mim, estamos longe um do outro.
— Quem era essa pessoa, Shindou-senpai? – Ibuki agora nem chorava mais, ficou passando a mão no rosto para enxugar as lágrimas.
— Kirino, Ranmaru Kirino. Somos da mesma turma além de sermos colegas de time e... E-e-e... – Shindou desviou o olhar, fitava a parede e o chão ao lado.
— Tinha alguma outra coisa também?
— B-b-bem, eu e ele sabe, a gente se gosta, não sei se ainda rola isso... – Agora Shindou encarava Ibuki, não chorava, mas os olhos ficaram vermelhos.
— Por quê não?
— E-e-estamos distantes lembra? A-acho que as coisas não seriam como antigamente assim que nos encontrássemos...
— Você acha?
— Acho, e tenho motivo.
— Certo. Qual seria esse motivo?
— E-e-eu m-me... – Shindou tinha desviado o olhar, começou a se desesperar então olhou para frente, respirou fundou econtinuou.- E-estou interessado em outra pessoa, daí eu acabei ficando com raiva de mim mesmo por causa do Kirino.
— Nossa, deve ser doloroso.
— Demais e cara, aconteceram tantas coisas que me deixaram mais frustrado e você sabe.
—E-eu acho que sei de algumas. – Ibuki coçava a nuca sem jeito.
— E Ibuki, t-tenho que te confessar uma coisa antes que e-eu desabe chorando ou isso acabe se tornando um equívoco maior do que já é.
— O quê?
— Eu queria falar que, n-n-não é que eu te odeie ou te ache um mal goleiro, você melhorou bastante, reconheço suas habilidades, mas a questão é que...
— V-v-você me reconhece?! Caramba, o-obrigado! – Os olhos de Ibuki chega brilhavam de tamanha felicidade.
— S-s-sim, mas eu não quis contar isso por outro motivo. – Shindou mais uma vez, desviando o olhar, mas não escondia o quão corado estava. Ibuki também estava vermelho.
— O-o quê? – Ibuki tinha um pressentimento, sentiu o coração acelerar.
—E-e-eu não te odeio nem nada, é que...
— E-eu to ficando com m-medo senpai, fa-fala logo!
— É QUE EU ACABEI GOSTANDO DE VOCÊ! PRONTO! E-e-eu fiquei com raiva por isso e não consegui te tratar bem por não saber como a-a-aceitar! – Shindou desabou em choro.
—S-s-shinoud-senpai...
— En-então eu tentei te t-t-tratar de uma forma para ver se você se afastava de mim e eu desistia disso e tentava me focar no Kirino de volta.
— M-mas... – Ibuki sentiu própria respiração pesar, era bom ouvir aquilo mesmo com o misto de coisas que estava sentindo.
— E-e ao mesmo tempo acabei descontando isso e a raiva de não ter mais o meu time comigo e só ter ficado com o Tenma e o Tsurugi-kun! – Shindou cobria o rosto com as mãos.
— Senpai...
— M-m-m-me desculpa tá?! E-eu não queria que você me odiasse ou a-algo assim. S-sei que nenhum de nós previu que acabaríamos a-aqui. V-você gostando de mim ou n-n-não eu precisei contar isso e...
— SENPAI! –Shindou que cobria o rosto agora não fazia mais isso, levantou a cabeça e começou a encarar Ibuki assim que ele exclamou.
—I-ibuki-kun...
— Em nenhum momento eu falei que o odeio, já falei que te admiro bastante.
— M-mesmo que admire e...
— E e-eu também gosto de você! – Ibuki falava com clareza, o tom de vermelho que tinha alcançado era indescritível.
— E não gos... O-O-O QUÊ?! – Shindou ficou da mesma forma.
— É-é-é isso. – Ibuki engoliu a seco e procurava manter a postura.
— Ibu-ibu-ibuki m-mas... – Shindou se desesperou, não esperava ser correspondido dessa forma e ficou olhando para um lado e para o outro procurando uma forma de responder.
— A-apenas entenda isso... – Ibuki ia se aproximando.
— O-o-o quê?! – Shindou agora apenas fitava o chão, respirava acelerado, o peito queimava.
— Fica quieto! – Assim que Ibuki se aproximou segurou o rosto de Shindou e lhe deu um longo beijo. O chão sumiu para os dois, Shindou arregalou os olhos, apertou as mãos no colo, ele correspondeu o beijo e ficaram nisso por quase um minuto.
— Ibuki... – Shindou encarava o menino bem surpreso, ainda tinha o rosto sendo segurado. – Você...
— S-se não gostou desculpa, mas eu precisei fazer isso. – Ibuki desviou um pouco o olhar e logo tirou as mãos do rosto de Shindou.
— E-ei! Eu não falei isso!
— Então o por que não diz nada?!
— Eu não esperava ser correspondido assim de imediato caramba! N-ninguém espera, e muito menos um beijo junto!
— E-eu não devia ter te beijado? – Ibuki coçava a nuca.
— N-não é isso! – Shindou ficou mais perto, segurava Ibuki pela camisa e o encarava.
— Você g-gostou então?
— E-e você ainda pergunta, eu gostei sim!- Shindou o abraçava, Ibuki o correspondeu.
— Então, o-o que faremos agora senpai? – Ibuki ficou passando uma das mãos nas costas de Shindou, sendo carinhoso.
— Temos muito o que conversar, f-fica mais um pouco. – Shindou apertava o abraço.
— E-então eu fico. – Ibuki respondeu o abraço apertado.
E essa foi à noite que os dois casais se resolveram. Um mero desentendimento de um e o outro apenas uma falta de iniciativa, mas que se cumpriram e conseguiram se acertar.
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