Metamorphosis

19 Capítulo - Chosen One



Em primeiro lugar, o clima sóbrio desencorajava conversas fúteis. E, em segundo, proporcionava-lhe sensação de controle do qual ela necessi­tava desesperadamente. Sentia-se como uma marionete nas mãos de Matt, mas ali, era ela quem devia estar no controle.

– Foi você quem matou Laszlo? – questionou.

Matt andava de um lado para o outro naquele quarto mal iluminado, mas ao ouvir aquelas palavras parou bruscamente e a encarou.

– Não, realmente não o matei, por mais que desejasse fazer isso com minhas mãos.

Cass ficou assustada, sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha.

– E de onde o conhecia? – quis saber.

Matt aproximou-se com passos lentos e cautelosos.

– Laszlo Vendelstein era um dos Alphas. – disse pausadamente – Aquele desgraçado desejava meu lugar na matilha, a sua família era a terceira na linhagem. Mas você quem me escolheu.

Aquela resposta pairou em suspenso no ar entre eles, Cass franziu o cenho confusa, como assim tinha o escolhido? Ele só podia estar de brincadeira.

– E-Eu escolhi você. Quer dizer que a morte de Laszlo é culpa minha? – perguntou espantada.

Matt sentou-se ao lado da jovem e segurou sua frágil mão, estava gélida feita à mão da morte.

– Ele apenas queria usá-la por causa de sua herança genética. Os Velkans é uma das tradicionais famílias dos Vârcolac que abria todos os festivais da Lua Cheia, até que seu tataravô Nicoleta fora traído pelo caçula dos Vendelstein, mas esse assunto é pra outra ocasião. Sua avó sabia e decidiu escondê-la por todos esses anos, afastando-a das velhas tradições, poupando-a.

A jovem ergueu ambos os olhos e o encarou.

– Eu matei o Laszlo, Deus! – grunhiu.

Lembrava-se do homem vigoroso, de quem o sorriso brotava fácil. Afável e romântico, ele adorava seu super Ego. Sem dizer que algum dia amou aquele homem com todas suas forças. Cass levantou-se bruscamente e se afastou na direção da janela.

– Aquela noite da festa da ONG “Lună” na montanha fora a primeira noite de sua transformação, e seus instintos fizeram o que deveria.

Cass virou se bruscamente na direção de Matt.

– Tá maluco, eu matei ele. Mas que droga, será que isso não entra na sua cabeça, eu sou um monstro. Por quê? – grunhiu.

Ela mal conseguiu esconder a profunda surpresa.

– Você não é um monstro, diferente. É minha escolhida que sempre procurei, mesmo se o destino não lhe fizesse matá-lo, eu faria com minhas próprias mãos. – disse.

Cass respirou fundo tentando acordar daquele pesadelo, mas em vão.

– Sua força é magnífica minha cara. Não pode deixar-se sucumbir, você iniciou uma nova era para nossa matilha, enfim cumpriremos nosso destino.

Ela desviou seus olhos para um canto, eram visíveis o lagos que afogavam aquele belo par de olhos castanhos, sentia-se vulnerável. Matt tentou se aproximar da jovem, mas acabou ficando sozinho no quarto, Cass correu na direção da porta tentando esvaziar sua mente. Ela comprimiu os lábios enquanto era notável a expressão de desespero em seu rosto, mas parou no final do corredor. Para onde iria, agora que sabia que era um monstro? ergueu ambas as mãos e se entregou as lagrimas, sentia o sangue quente de Laszlo escorrer por entre elas.

Aqueles sonhos, na realidade eram reais e não fantasias. A jovem caiu sobre seus joelhos desesperada e não demorou a se entregar aos soluços do choro, precisava limpar sua alma ou acabaria louca.

As imagens surgiam em sua mente de forma rápidas e disformes, mas pode se ver transformar em um monstro e correr na direção de sua bela horta, e a destruir em questão de segundo. Podia ver Laszlo suplicar por misericórdia, aquele olhar de espanto escancarado em seu rosto pálido.

– Não! – berrou com toda a força de seus pulmões.

Agora era tarde! Nada poderia fazer para voltar atrás, havia matado. E todo esse tempo imaginara que Ecser Matt era um psicopata enquanto fora ela quem matara seu ex-noivo.

– Não tente lutar contra. – disse Matt.

Cass virou se na direção dele, seus olhos estavam vermelhos feitos fogo, eram visíveis as veias saltadas em seu pescoço pálido.

– Eu sou um monstro, um monstro. – grunhiu.

Havia uma razão para que ele tivesse aparecido em sua vida daquela forma, como pôde ter sido tão ingênua todo aquele tempo?. A lenda que envolvia seus antepassados, as histórias que sua avó e bisavó contavam quando ela ainda era apenas uma inocente criança.

Nunca subestime o poder de um Velkan – dizia sua bisavó Morgana.

Cass balançou a cabeça tentando se controlar.

– Eu sou fruto de uma monstruosidade, esse mal está na minha genética corre nas minhas veias, Por que eu?. – suplicou.

Matt permaneceu imóvel no canto.

– Precisa entender que isso é uma dádiva um dom e não uma maldição esqueça as velhas histórias que os tolos mortais vivem contando. A imortalidade é um dom e não uma maldição basta saber controlá-la. – disse Matt.

Cassandra continha um olhar perdido.

– Estou aqui para ajudá-la. – ofereceu-se Matt.

Gotículas de suor banhavam-lhe a fronte, suas mãos tremiam descontroladamente. Sabia que querendo ou não teria que conviver com aquilo, a jovem respirou fundo e balançou a cabeça tentando controlar seus sentimentos.


Notas finais
Boa Leitura!