Metamorfose Do Amor

9 Sentimentos e mais sentimentos


Notas iniciais
capítulo 9!! Boa leitura!! Edneide Oliveira

Ponto de vista de Laila

Acordei em um lugar desconhecido, estava deitada em uma cama grande e muito macia. Esfreguei os olhos e me sentei para observar melhor o local onde me encontrava. Era um quarto grande, luxuoso e tinha uma porta em um canto. Levantei-me um pouco tonta e caminhei até a porta, abrindo-a devagar e avistando um pequeno corredor. Caminhei devagar pelo corredor e comecei a ouvir uma voz masculina muito conhecida, era Robert falando com alguém. Continuei caminhando lentamente e cheguei a uma sala grande e, como o quarto, muito luxuosa. Robert estava de costas para mim falando ao telefone e eu fiquei por um tempo observando tudo ao meu redor, tentando me lembrar de como eu havia chegado aquele lugar. Sem querer esbarrei em uma mesinha e derrubei um vaso no chão, quebrando-o em vários pedacinhos. Robert se virou rapidamente e me olhou, eu não sabia o que dizer, nem o que fazer, estava confusa e ainda me sentia um pouco fraca.

“Podemos terminar essa conversa mais tarde? Ok...a reunião pode ser amanhã sim, levarei o projeto para ser avaliado. Tenha uma boa tarde.” Robert falou e desligou o telefone.

“Está se sentindo bem?” Ele perguntou e eu não respondi. Sentia uma mistura de sentimentos, raiva, tristeza e infelizmente a dor do amor que eu ainda sentia por ele.

Robert caminhou até mim e olhou para meu ventre.

“Então estava mesmo grávida.” Ele falou e esperou que eu falasse algo, mas as palavras não saíam da minha boca.

“Sabe de quem é essa criança?” Robert perguntou e eu senti uma fúria crescer dentro de mim, me dando coragem para falar.

“É minha apenas, somente minha”. Falei entre dentes deixando Robert surpreso. Como ele podia me perguntar uma coisa dessas? Ele achava que eu era uma qualquer, que me envolvia com vários homens.

“Não precisa ficar assim, eu só fiz uma pergunta, afinal você causou uma grande confusão em minha vida por causa dessa gravidez.” Robert disse me deixando ainda mais nervosa.

“Eu quero sair daqui.” Falei andando em direção a uma porta, mas Robert segurou meu braço.

“Espera, precisamos conversar, Richard quer você de volta a empresa e...” Robert parou de falar, pensou um pouco e continuou. “Preciso saber se essa criança é minha, Richard me fez abrir uma conta bancária pra você e me fez prometer que lhe encontraria, caso contrário me mandaria pra cadeia.” Essa fala dele só me deixava ainda mais chateada, pois Robert deixava claro que não tinha o mínimo de interesse em seu filho, tudo que fizera era por puro medo de ir preso.

“Eu não quero nada de você e como disse, essa criança é minha, apenas minha.” Falei tentando sair de perto dele, mas Robert estava parado na minha frente.

“Será que você não vê o que está causando garota? O que aconteceu entre a gente foi uma transa apenas, não é possível que você tenha engravidado logo na primeira vez, essa gravidez foi um erro.” Eu comecei a tremer de raiva, como eu podia amar um cara tão idiota assim. Minha raiva foi tanta que comecei a falar alto com ele.

“ERRO FOI EU TER ME ENVOLVIDO COM UM CARA COMO VOCÊ!” Fui pra cima dele, falando próximo ao seu rosto. “NUNCA MAIS DIGA QUE MEU FILHO É UM ERRO! EU NÃO QUERO NADA DE VOCÊ, COMO NÃO QUERIA NAQUELE DIA, MAS VOCÊ NÃO ME OUVIU, EU PEDI PRA VOCÊ PARAR, EU PEDI...DOEU MUITO, E NÃO FOI SOMENTE DOR FÍSICA, DOEU AQUI DENTRO, MEU CORAÇÃO FOI FERIDO, POIS EU SONHAVA EM TER UM MOMENTO BOM COM VOCÊ, MAS NÃO DAQUELE JEITO.” Comecei a chorar e Robert só me olhava espantado com a minha reação. “EU ODEIO VOCÊ, ODEIO!” Neste momento senti uma tontura forte e Robert me segurou, evitando que caísse no chão. Não desmaiei, mas fiquei sentindo meu corpo fraco.

“Para com isso, quer desmaiar de novo? Vem, senta aqui.”

Robert me colocou sentada no sofá e falou:

“Eu sei que forcei a barra naquele dia, mas você também queria, deixou que eu avançasse e depois queria voltar atrás, poxa sou homem!”

“Me deixa ir embora, por favor.”

“Você não tá entendendo, preciso que volte, Richard...” Não deixei ele continuar.

“Não quero saber de nada, não vou te cobrar nada, só quero ir embora e poder nunca mais olhar pra você.” Levantei e caminhei rapidamente até a porta abrindo-a e saindo por ela sem olhar para trás.

Ponto de vista de Robert

Laila havia saído e eu não sabia o que fazer, fiquei surpreso com a forma como ela havia falado comigo, pois ela sempre foi muito calada, nunca me respondia e agora pareceu tão diferente. Richard tinha sido muito claro comigo, ele queria que eu assumisse a minha responsabilidade sobre aquela gravidez e pela atitude de Laila, aquela criança era minha mesmo. Minha cabeça estava muito confusa, não sabia o que pensar, o que estava sentindo, confesso que fiquei um pouco preocupado quando a garota desmaiou, Laila parecia muito sensível, estava pálida. Ela havia falado que sonhava em ter um momento bom comigo, então realmente ela sentia alguma coisa por mim, mas nós somos muito diferentes, Laila não tem nada a ver com as mulheres que eu já me envolvi até hoje. Ela quase não se arruma, não é extravagante, não se insinua pra mim. Lembro que no dia em que transamos, eu tive que fazer tudo, ela quase não se mexia, estava muito tímida e como era virgem não tinha conhecimentos práticos sobre aquilo. Eu não queria ser pai, poderia muito bem omitir para Richard que havia encontrado Laila, mas a ideia de ter uma criança minha por aí estava me deixando muito incomodado. Não entendia o que estava sentindo, eu não queria aquela criança, mas...como viver bem sabendo de sua existência? Eu realmente não estava me reconhecendo, em outros tempos eu simplesmente deixaria tudo pra lá. Seria bem mais fácil.

O celular tocou e me tirou de meus pensamentos.

“Alô” Falei.

“Filho? Por que não me ligou? Eu estava preocupada.” Era a mamãe, eu poderia falar pra ela sobre Laila, mas decidi não contar nada.

“Oi mãe, eu acabei esquecendo, pois estava resolvendo as coisas da empresa.”

“Se é assim, a mamãe te perdoa querido, cuide muito bem dos negócios da empresa, fico orgulhosa em saber que está se empenhando.”

“Ok mãe, agora vou deitar um pouco, estou cansado da viagem, do trânsito que enfrentei quando cheguei.”

“Pode ir meu filho, depois nos falamos, beijo.”

“Beijo”

Deitei no sofá mesmo e acabei dormindo.

Dois dias se passaram depois do encontro com Laila, hoje eu estava voltando de uma reunião e decidi passar no farol que ela trabalhava. Parei numa esquina procurando-a de dentro do carro e a vi em pé na calçada, com a sua bandeja na mão, aguardando o farol fechar. Quando este ficou vermelho, ela foi em direção aos carros oferecendo seus doces. Ela sorria para as pessoas, nem parecia aquela garota triste que estava falando comigo no hotel. Às vezes ela se encostava em um poste que ficava na calçada e passava a mão sobre a barriga, parecia acariciá-la. Sua barriga estava realmente grande, será que ela já sabe se é um menino ou menina? Se for menino e parecer comigo, será pegador...mas...o que eu estava pensando? Balancei a cabeça espantando esses pensamentos e decidi ir embora.

Ponto de vista de Laila

Reencontrar Robert não foi nada bom pra mim, como era possível eu ainda me sentir apaixonada por ele? Eu precisava me libertar deste sentimento, mas agora com ele por perto seria mais difícil. Todos os dias enquanto trabalhava no farol, ficava com medo de encontrá-lo de novo, mas dias se passaram e felizmente ele não apareceu mais. Isso me deixava feliz e triste ao mesmo tempo, pois no fundo eu ainda tinha uma pequena esperança de poder tê-lo ao meu lado, junto de mim e do meu filho.

“Laila menina, vamos!” Era a Dona Dulce me chamando para mais um dia de trabalho.

“Estou indo!” Respondi e me aprecei para sair.

O dia foi como sempre, cansativo, o sol estava muito forte hoje e ficar em pé o tempo todo não era fácil. Quando terminei meu dia, havia vendido todos os doces, a Dona Dulce ficaria feliz comigo. No caminho de casa passei em frente a uma grande doceria, sempre passava por ela e ficava olhando a vitrine que era farta de todos os tipos de bolos, tortas e pudins. Eu queria muito experimentar um daqueles bolos, mas nunca comprei um, pois eram muito caros. Hoje eles tinham colocado na vitrine um bolo de chocolate muito bem decorado que me deixou com água na boca, meu bebê até mexeu na minha barriga, acho que estava com um desejo de grávida.

“Calma meu amor, esse mamãe não pode te dar.” Falei acariciando minha barriga e permaneci ali de frente para a doceria por mais alguns minutos.

Ponto de vista de Robert

Tentei não pensar mais em Laila, mas sempre que iria para as reuniões da empresa, passava no farol em que ela trabalhava. Hoje, no caminho para mais um compromisso de trabalho não foi diferente, passei por lá para ver se ela estava vendendo seus doces. Procurei mais não a encontrei, acho que eu havia saído antes do seu horário. Na volta para o hotel, passei por lá novamente, mas não a encontrei. Andei mais um pouco com o carro e a vi parada de frente a uma doceria. Laila olhava a vitrine atentamente e acariciava a barriga. Ela permaneceu por lá por alguns minutos e depois saiu. Sem que percebesse, a segui para ver onde morava e fiquei espantado quando a vi entrando em um lugar nada bonito. Era uma pequena porta que ficava entre duas lojas velhas e que pareciam fechadas. Parei o carro e fui até lá observar melhor o local. Logo após a porta, havia uma grande escada, entrei e fui subindo. O local era mal iluminado e tinha um cheiro horrível, as paredes eram mofadas e a limpeza deixava a desejar. Quando subi a escada, cheguei a um andar cheio de portas, que deveriam ser casas onde as pessoas moravam. Fiquei parado pensando em qual delas moraria Laila, mas de repente uma das portas se abriu e a Senhora que trabalhava com Laila saiu rapidamente e desceu a escada. Ela estava com muita pressa e por isso não me viu. Decidi ir embora, não iria ficar batendo em todas as portas atrás de Laila, mesmo porque não tinha nada pra falar com ela. Na verdade nem estava entendendo o que eu estava fazendo ali. Desci a escada e novamente encontrei a Senhora, mas dessa vez ela subia a escada calmamente. Ela me olhou e parou no mesmo instante.

“O Senhor aqui?” Ela falou surpresa “Deseja alguma coisa Senhor?”

“Não nada, eu já estou indo.” Falei e sai antes dela me perguntar algo.

O lugar onde Laila morava me deixou surpreso, como alguém consegue morar ali? Eu não vi sua casa por dentro, mas não deveria ser muito diferente do que eu vi por fora. Lembrei da imagem de Laila parada em frente aquela doceria, ela parecia estar apreciando aqueles bolos da vitrine. Dizem que grávidas tem desejos, será que ela estava com desejo? Será que meu filho queria um daqueles bolos? Meu filho? Pensar na frase MEU FILHO me deixou nervoso.

Cheguei em casa, comi algo e decidi não pensar mais em nada, felizmente os dias em Nova York estavam acabando, seriam apenas mais dois dias e eu estaria em casa novamente.

Laila ficaria livre de mim e eu dela.

Ponto de vista de Laila

Eu estava me sentindo muito mal hoje, sentia muita tontura e uma fraqueza muito grande, minhas pernas estavam cansadas e eu também sentia uma leve cólica no pé da barriga. Fui comer algo antes de sair para trabalhar, mas minha geladeira estava sempre vazia, tinha apenas um pouco de leite e dois ovos. Eu não queria comer os ovos agora pela manhã, pois estava guardando para o meu almoço ou jantar, caso não vendesse os doces e não pudesse comprar mais alguma coisa para comer. Resolvi tomar o leite e comer um pedaço de pão que estava sobre a mesa. Meu bebê estava quietinho hoje, e isso me deixou preocupada.

“O que aconteceu amorzinho? Por que não se mexe? Mamãe te ama muito, desculpa não poder te dar uma alimentação adequada, estou fazendo o máximo que posso, mas juro que vou tentar melhorar essa situação. Hoje mamãe vai trabalhar até vender todos os doces, então poderei comprar algo gostoso pra gente comer, o que acha?”

Meus olhos encheram de lágrimas, meu bebê não mexeu e eu sabia que estava me alimentando muito mal nestes últimos meses, o dinheiro quase não dava pra comprar comida.

“Calma Laila, nada de chorar, vamos trabalhar.” Falei pra mim mesma e saí, mesmo me sentindo fraca.

Ponto de vista de Robert

Estava voltando de uma reunião, já havia fechado o contrato com a Still, amanhã iria apenas assinar os últimos papéis. Passei próximo ao farol onde Laila trabalhava, eu iria apenas olhar pra ver se ela estava lá. Laila estava sentada em um banco, parecia cansada e sua bandeja estava ao seu lado. Lembrei novamente dela em frente a doceria, então decidi fazer algo, seria apenas um ultimo contato até eu voltar para casa.

Cheguei a doceria e comprei um pedaço grande de bolo, pedi para embrulhar para viagem e fui de encontro a Laila. Ela continuava sentada no mesmo lugar e nem percebeu quando eu cheguei por perto.

“Laila” Falei e ela me olhou surpresa.

“Acho que vai gostar disso.” Estendi o embrulho com o bolo pra ela, mas ela não pegou e se levantou.

“Não quero nada de você.”

“Será que não pode ao menos ver o que é?” Falei e lhe ofereci novamente o embrulho. Laila pegou receosa e abriu ficando espantada com o que viu.

“Não sei se era esse bolo que você estava vendo naquele dia na vitrine, mas acho que vai gostar desse de qualquer jeito.” Laila ficou por um instante segurando o embrulho, mas de repente me entregou nervosa.

“Já disse que não quero nada de você! Me deixa em paz!” Ela gritou e voltou a se sentar no bando de costas pra mim.

“Ok, vou te deixar em paz, eu prometo. Adeus!” Coloquei o embrulho próximo a ela e saí. Andei até o meu carro e olhei mais uma vez para onde Laila estava. Fiquei observando-a de longe, ela continuava de costas, mas fez algo que me surpreendeu. Ela pegou o embrulho rapidamente, o abriu e começou a comer, ela comia com pressa, parecendo estar degustando de algo muito bom. Logo ela se levantou e jogou o embrulho em um cesto de lixo, saindo em seguida com sua bandeja.

Cheguei em casa pensando que no dia seguinte já estaria arrumando as minhas coisas pra voltar para casa. Eu só queria esquecer tudo aquilo. Tomei um banho e fui dormir, pois assim deixaria de pensar besteiras.

O lugar era escuro, eu caminhava tentando ver algo, mas não conseguia, ouvia um choro baixinho e aquilo me deixava agoniado. Continuei caminhando e vi uma porta meio aberta, tinha uma leve iluminação e percebi que o choro vinha de lá. Andei até a porta e abri entrando em um lugar com um gramado cheio de flores e uma árvore grande e bonita. Olhei o local maravilhado com a beleza, mas vi debaixo da árvore um garotinho sentado, cobrindo o rosto e chorando. Percebi que era o choro que eu ouvia, não conseguia entender o que estava acontecendo e o que eu estava fazendo ali. Me aproximei do garotinho e quando estava perto, ele levantou a cabeça e me olhou com os olhinhos cheios de lágrimas. Olhei suas feições e percebi que...ERA EU QUANDO PEQUENO! Como aquilo poderia estar acontecendo? O garotinho estendeu a mãozinha pra mim e falou: Me ajuda papai! Tentei me aproximar dele, mas comecei a sentir algo molhando os meus pés, quando olhei era sangue, muito sangue, fiquei apavorado e comecei a tentar me limpar, mas não conseguia, de repente tudo ficou escuro e eu caí.

Acordei muito suado e assustado com o sonho. Comecei a pensar em Laila e aquilo me deixou mais incomodado.

“Por que? Droga!” Tentava ignorar aquele sentimento, mas não conseguia, eu não estava acreditando na vontade que estava sentindo, eu...queria ir ver ela, mas...pra que? Não estava entendendo, mas estava sentindo uma vontade muito grande de ir até Laila. Eram 2h00 da manhã, estava tarde, mas eu precisava ir vê-la. Troquei-me e fui até o meu carro. Eu precisava fazer isso, mesmo sem entender.

Ponto de vista de Laila

Cheguei em casa e deitei em minha cama, não fui encontrar a Dona Dulce para lhe entregar os doces que não vendi. Eu chorava muito, queria ficar sozinha, não estava aguentando mais, estava cansada, me sentindo mal e pra ajudar meu coração estava despedaçado por encontrar Robert novamente. Uma raiva foi crescendo em mim e eu comecei a me sentir enjoada, corri até o banheiro e vomitei todo o pedaço de bolo que havia comido. Em seguida deitei em minha cama e dormi, sem ao menos consegui trocar de roupa.

Algumas horas depois acordei com uma pontada muito forte no pé da barriga.

“Ai!” Foi o que eu consegui falar enquanto colocava a mão sobre meu ventre. A pontada aumentou e eu comecei a me contorcer de dor.

“O que está acontecendo bebê?” Falei chorando e segurando a minha barriga. Tentei me levantar, mas senti um líquido sair de mim. Fui até o banheiro pra ver o que estava acontecendo e vi um pouco de sangue na minha calcinha.

“Sangue?” Falei e entrei em desespero. Eu estava perdendo meu bebê, isso não poderia estar acontecendo. A dor era muito forte, fui até a minha cama e deitei para ver se a dor melhorava, mas ela só piorava. O que eu iria fazer?

Ponto de vista de Robert

Dirigi rápido até a casa de Laila, não sabia como eu iria encontrá-la entre todas aquelas portas, mas eu tentaria. Cheguei ao local e subi a escada. Fiquei olhando para todas aquelas portas e decidi bater em uma delas. Um homem de muito mau humor atendeu.

“O que quer?” Ele perguntou.

“Sabe onde mora uma moça chamada Laila?” Perguntei.

“Amigo, são quase 2h30 da manhã, não poderia procurar essa pessoa amanhã?” O homem falou meio nervoso.

“Senhor eu realmente preciso falar com essa pessoa.”

“Pois então se vira cara, não vou ficar a essa hora procurando alguém que nem conheço!” O homem gritou e entrou, batendo a porta na minha cara. Neste instante, uma outra porta se abre e de lá sai a Senhora que estava com Laila na calçada.

“De novo o Senhor aqui? O que quer?” Ela perguntou.

“Preciso falar com Laila, onde posso encontrá-la?”

“Agora? Não pode ser amanhã? Se é doces que o Senhor quer eu reservo alguns pra amanhã e...” Ela estava falando, mas eu a interrompi.

“Senhora não quero doces, quero falar com ela, onde Laila mora?”

“Ali” Ela apontou para uma porta que ficava em um canto. “Mas ela deve estar dormindo.”

Fui até lá e bati na porta, mas ela não atendeu.

“Se quiser tenho a chave, quer entrar?” A Senhora falou e eu aceitei. A Senhora entrou em sua casa e logo saiu com uma chave na mão. Veio até a porta e abriu saindo em seguida e dizendo.

“Diga pra ela que amanhã quero o dinheiro dos doces que vendeu hoje, pois ela nem veio falar comigo quando chegou.”

Entrei em um cômodo meio escuro, vi que tinha uma cama no canto que estava vazia, tinha também uma pia, um fogão e uma geladeira. Num outro canto tinha uma porta meio aberta, me aproximei dela e chamei por Laila.

“Laila? Está ai?” Falei e ouvi um gemido. Abri a porta e vi Laila caída no chão, com as mãos na barriga.

“O que aconteceu?” Perguntei, mas ela não me respondeu, apenas gemia e chorava. Ela estava com uma camisola e notei que em suas pernas tinha um pouco de sangue. Fiquei apavorado, pois lembrei do sonho que tive. Peguei Laila no colo e corri com ela até o meu carro. Ela precisava de um médico urgente!

Dirigi até um hospital e chegando lá, pedi ajuda e logo vieram com uma maca e levaram Laila. Um médico se aproximou de mim e começou a me fazer perguntas.

“O que aconteceu com ela?”

“Eu não sei, a encontrei caída no chão e parecia estar com muita dor, tinha sangue em suas pernas.” Falei preocupado.

“Mas ela caiu?”

“Não sei Doutor, só a encontrei no chão caída.”

“O que você é dela? É o pai da criança?”

“Não...quer dizer, acho que sou...” O médico me olhou sem entender e disse.

“Ok, eu entendo, fique aqui aguardando, vou ver como ela está e logo conversamos.” O médico saiu e eu fiquei em uma sala de espera.

O tempo parecia não passar, e ninguém vinha me falar se Laila estava bem ou não.