Metamorfose Do Amor
1 Laila
Notas iniciais
Ponto de vista de Laila
Meu amor por ele era tão intenso que não conseguia me imaginar com outro homem. Sempre amei Robert, desde os meus 15 anos quando consegui uma bolsa de estudo no colégio onde ele também estudava. Ele era daqueles rapazes que todas as meninas corriam atrás, vivia no grupo dos rapazes mais populares do bairro. Eu o observava sempre de longe, e mesmo estando na mesma classe que ele, nunca tínhamos nos falado, somente uma vez que ele esbarrou em mim no pátio e eu falei um “oi”, mas ele nem me respondeu e saiu sem ao menos se desculpar.
A temporada de colégio terminou e eu me sentia triste, pois não veria mais Robert todos os dias. Não entendia porque esse amor tão grande por uma pessoa que nunca me deu atenção, ele se relacionava sempre com o mesmo tipo de garota, as “gostosonas”. Eu? Até parece! Sempre fui uma garota simples, de família humilde, não gosto muito de me arrumar, uso o básico todos os dias. Os meus pais, Rita e Charlie, sempre me ensinaram que o melhor da vida não é o dinheiro, mas sim o amor e o bom caráter.
Hoje estou com 25 anos, não consegui fazer faculdade, pois fui mal na prova para ganhar uma bolsa e como os meus pais não tem boas condições financeiras, preciso ajudar com o pouco salário que ganho no meu emprego de secretária na empresa “Ranson”, sendo esta do grande e admirável Richard Ranson, pai de nada mais nada menos que Robert, meu sempre e único amor. Robert trabalhava para o pai, desde que terminou o colégio e a faculdade de administração de empresas. Eu fui contratada para ser segunda secretária de Vinicius Ranson, irmão do meu amor. Minha função era atender telefone e anotar os recados direcionados ao Vinícius. As informações que eu registrava eram passadas para a secretária principal dele, a Juliette.
Juliette era bem simpática, sempre me tratava bem, ao contrário da 1° secretária de Robert, a Vânia, ela é uma vaca, sempre que me encontra conversando com Juliette me ignora e às vezes me manda voltar para o trabalho. Dizem pelos corredores da empresa que ela se sente assim, porque tem um caso com o Robert, mas eu prefiro não acreditar nisso, seria sofrimento demais pra mim.
Robert, quer dizer Rob, parecia nem se lembrar de mim, sempre que eu o encontrava pela empresa, não falava comigo e na verdade, nem me olhava. Eu pelo contrário, ficava o admirando de longe, pois sua beleza era incomparável. Ele era alto, com um corpo não muito forte, mas com músculos em locais estratégicos, tem cabelos cor de bronze, sempre desalinhados e olhos azuis. Sua boca tem lábios finos e possui um maxilar de matar qualquer mulher. Confesso que tenho sonhos pervertidos com aquele maxilar dele.
Nunca tive um namorado, meu único beijo na boca foi em uma festa, com um carinha que ninguém se sentia atraída, mas como eu já estava cansada de ser a única BV (boca virgem) com mais de 18 anos, então decidi arriscar, mas foi horrível, o carinha quase me engoliu e ainda me babou toda com uma língua de um metro pra fora da boca. Sonhava todas as noites em como seria beijar Rob, ele deveria saber beijar muito bem, afinal, já namorou muito. Seus relacionamentos eram sempre passageiros e nunca conseguia ter muitas informações sobre a sua vida amorosa. Juliette me contou uma vez que de todos os irmãos, Robert era o que mais dava trabalho, Vinicius e Tyson, seu outro irmão, que também trabalhava na empresa, eram dedicados ao trabalho, não faltavam, mas Robert sempre faltava e às vezes sabíamos de algumas brigas que aconteciam entre ele e o Senhor Richard por motivos que nunca ninguém soube. Dizem que o Senhor Richard colocou seu filho para trabalhar na empresa como uma forma de tentar corrigi-lo, ensinando a ter mais responsabilidades.
Quando eu estava procurando emprego, a empresa Ranson foi a primeira que entreguei meu currículo, e para minha sorte logo fui chamada, fiquei muito feliz, pois trabalharia ao lado do homem da minha vida, não tão ao lado, mas só de poder vê-lo de longe já ganho o meu dia.
Bom, chega de pensamentos, afinal estou a caminho da empresa, a pé, pois dinheiro pra condução todos os dias não dá, além das despesas de casa, estou ajudando minha mãe no seu tratamento de saúde, ela tem um problema nos rins e tem que tomar remédios caríssimos todos os dias e fazer tratamento de hemodiálise. Meu pai é marceneiro, mas ultimamente consegue pouco trabalho, faz um serviço aqui e outro lá, desta forma não consegue pagar as contas de casa. Por isso me sacrifico a ir a pé para a empresa, ando quase uma hora todos os dias, feliz da vida porque vou ver o meu amor e assim economizo o dinheiro que recebo para transporte.
“Aí está a mocinha. Bom dia!” Disse Angela, a segunda secretária de Tyson, ela era doida por ele, mas o rapaz já era comprometido com Rosália, sua secretária principal. Ela era muito simpática, como Juliette.
“Bom dia! Chegou cedo.”
“Vim de carona hoje com meu irmão, aliás, ele perguntou de você.”
“Mike? O que ele perguntou?” Mike era o carinha que eu beijei na festa, aquele da língua de metro. Pior que depois do beijo ele sempre tentava um jeito de conseguir aquilo de novo. Acho que era porque eu tinha sido o único beijo dele também.
“Queria saber quando poderá te ver.”
“Angela, fala para seu irmão esquecer o que rolou entre a gente, não quero me envolver com ninguém, só quero me concentrar no trabalho.” Não iria falar que o irmão dela me dava nojo.
“Sei essa história de só trabalho, se fosse o bonitão Rob você queria né?” Angela já tinha percebido meu interesse por Robert.
“Angela não começa com essa história. Vou subindo que quero sentar um pouco antes de passar meu cartão de ponto, meus pés estão doendo.”
“Deve ser esse seu sapato Laila, ele já tá muito velho, qualquer dia vão reclamar aqui na empresa, pois eles querem todos os funcionários bem vestidos.”
Quando eu fui contratada, me falaram que teria que usar calça social preta, camisa branca e sapato preto. Então meu pai gastou o que não podia e comprou duas trocas dessa roupa para mim, somente o sapato que ele comprou apenas um. Desde então, uso o mesmo sapato e agora ele já está bem velhinho, pois já faz um ano e meio que estou na Ranson, e como ando muito já está na hora de comprar pares novos. Mas isso só quando eu puder, agora o dinheiro não sobra pra nada.
Cheguei ao meu andar e logo fui organizar minhas coisas. Foi quando ouvi pessoas falando alto na sala do Vinicius. Juliette estava assustada e me olhava atentamente. Notei que o Senhor Richard falava alto e Robert, meu Deus! Robert. O que será que aconteceu? Fiquei quieta ouvindo, quando a porta da sala em que estavam abriu e meu lindo sai de lá furioso.
“Já disse que não gosto dessa merda aqui, você me obrigou a fazer o que eu faço, agora não reclama e me deixa em paz.” Robert disse olhando para o Senhor Richard que também tinha saído da sala.
“Você tem que crescer seu moleque, era pra ter entregado esses relatórios há três dias, quer nos levar a falência?”
“Que se dane tudo!” Foi a ultima coisa que Robert falou antes de sair como um furacão.
O Senhor Richard ficou olhando para eu e Juliette que estávamos estáticas sem saber o que fazer.
“Desculpa meninas, continuem com seus trabalhos.” Falou e saiu em direção a sua sala.
“Julie o que será que deu no Robert?” Eu perguntei preocupada.
“Laila, Robert nunca levou a empresa a sério, não sei por que o Senhor Richard insiste em mantê-lo aqui.”
“Deve ser porque é filho dele, ele se preocupa com o Robert, o Senhor Richard parece ser um pai muito zeloso. Ele deve sofrer muito com essas atitudes do filho.”
“É você tem razão, mas mudando de assunto, me deixa ver os recados pra hoje.”
Entreguei as minhas anotações para Juliette e fiquei na minha mesa trabalhando e pensando em tudo que tinha acontecido.
O que será que acontece com Robert? Por que se comporta assim?
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