Metamorfose Do Amor
3 A aproximação
Notas iniciais
Seis meses depois
Ponto de vista de Laila
A dor ainda é enorme, sento muito a falta dos meus pais, toda vez que chegava em casa era como se ainda os visse pelos cômodos. Angela e Juliette me ajudam muito, me fazem companhia sempre que podem. Juliette se aproximou mais de mim depois do acidente, pois antes éramos apenas colegas de trabalho. Ela estava passando por uma nova fase em sua vida, a fase do amor, pois enquanto eu corria com as coisas do acidente, me adaptando a minha nova e solitária vida, ela se entendia cada vez mais com seu chefe, o Vinicius. Eles estavam namorando e pareciam muito felizes. Um dia Juliette trouxe Vinicius na minha casa, fiquei muito envergonhada, pois ele morava em uma mansão, e minha casa era simples e com vestígios do incêndio ainda. Vinicius foi super simpático e depois disso fiquei mais a vontade com sua presença. Juliette me contava o que ficava sabendo sobre Robert, por acaso claro, pois ninguém, além de Angela, sabia do meu interesse por ele. Robert havia se mudado para um apartamento. Ainda continuava na empresa, mas suas faltas eram frequentes e eu quase não o via por lá.
Cheguei ao trabalho e Julie logo veio me falar.
“Amiga vamos sair, quero ver você feliz hoje.”
“Julie, não quero sair, vou para casa.” Disse desanimada.
“Nada disso, não vai ficar chorando sozinha em casa, Vini e meu cunhadinho com Rosália vão para um bar novo que abriu e disseram que é bem legal.”
“Eu não vou de vela.”
“Você não será vela. Vamos Laila, isso vai te fazer bem.”
“Não desculpe, espero que se divirta.”
Neste momento Vinicius aproxima-se de nós.
“Oi Laila, oi amor...e então, animadas para o passeio?”
“Ai amor, Laila não quer ir, quer ficar em casa sofrendo, já falei pra ela que os pais dela não iriam gostar de vê-la tão triste.”
Antes de Vinicius falar alguma coisa o celular dele tocou e ele atendeu.
“Sei não Robert, mas estaremos lá. Você vai? Ok ,lá conversamos.” Vinicius estava falando com o meu amor, meu coração logo pulou.
“Era o Robert amor?” Julie perguntou.
“Sim, ele irá também, to preocupado, espero que não arrume nenhuma confusão. E então Laila irá?”
Rob estaria lá e com certeza ficaria com os irmãos, fiquei muito balançada em ir, afinal seria uma oportunidade e tanto de ficar mais perto dele.
“Tudo bem, depois combinamos Julie.”
“Isso Laila, vai ser demais.”
A noite, quando já estava em casa, comecei a me arrumar para a balada. Não parava de pensar na possibilidade de ver meu amor. Coloquei uma roupa simples, a calça social do trabalho, o sapato de sempre e uma blusa que era da minha mãe. Julie tinha me emprestado o dinheiro da entrada do bar, ela sabia que eu não podia pagar um lugar tão caro.
No bar
Julie e Vini não paravam de dançar, Tyson e Rosália estavam no maior love na mesa e eu sentada olhando tudo a minha volta. Rob ainda não havia chegado e eu já estava ansiosa para vê-lo. Será que ele iria se lembrar de mim? Será que vamos poder conversar? Para acabar com meus pensamentos, Julie e Vini chegam à mesa.
“Laila, vamos dançar?” Disse Julie.
“Eu não sei dançar, você sabe, prefiro ficar aqui só olhando.”
“Garota vamos sacudir o esqueleto.” Disse o grandalhão Tyson, mas antes de conseguir responder, alguém fala atrás de mim.
“Quem vai sacudir o esqueleto mano?” Disse alguém que eu conhecia muito bem.
“Rob, meu irmão do avesso, senta aí.” Tyson falou sempre brincalhão.
“E então? Como vão?” Rob perguntou olhando para todos na mesa, mas quando me viu, parou o olhar no meu e falou.
“Você é?”
“Essa é minha amiga Laila, Rob, ela trabalha na Ranson com a gente, é a segunda secretária do Vini, nunca a viu por lá?” Disse Julie.
“Como ele vai ver se quase não aparece na empresa amor.” Vini logo falou.
“Se vão começar com a cobrança, vou me levantar e sair.” Rob disse sério, demonstrando não ter gostado do comentário do irmão.
Eu observava tudo e estava totalmente calada, não tinha coragem de emitir nem um som, sentia muita vergonha. Robert estava lindo, de camiseta branca e calça jeans escura. Sua barba estava começando a crescer, o que o deixava ainda mais lindo. Minha vontade era de pular no pescoço dele e beijar aquele maxilar lindo, mas só em sonho mesmo, porque não tinha coragem nem de dar um simples tchauzinhu.
“Vou ao bar, preciso beber.” Rob disse e foi se levantando. Fiquei um pouco triste, pois ele nem disse se lembrava de mim ou não.
O tempo no bar foi passando, Julie e Vini começaram a namorar no canto da mesa, Tyson e Rosália estavam na pista dançando romanticamente e Robert depois que foi ao bar não voltou mais. Meu passeio estava horrível, poderia ter ficado em casa, seria melhor do que ficar aqui de vela. Comecei a sentir vontade de ir ao banheiro, não fazia ideia de onde seria, mas como estava “praticamente” sozinha, tive que me virar. O lugar estava escuro, tinha muitas luzes piscando que deixavam a visão ainda mais atrapalhada. Vi em minha frente duas portinhas e pelos símbolos na placa seriam os banheiros. Então, sem conseguir ver direito entrei em um, o que foi um pesadelo pra mim. Ao entrar, vi um homem alto de costas próximo à parede, o pior fazendo xixi, pior ainda era o banheiro masculino e pra me matar o homem era nada mais nada menos que Robert. Ele notou a minha presença e se virou, foi quando meus olhos desceram e pude ver algo um pouco constrangedor.
“Desculpa eu...acho que...” Não conseguia me explicar.
Robert fechou o zíper da calça com calma e olhou fixamente nos meus olhos.
“Calma amiga da namorada do meu irmão, parece que nunca viu um membro masculino. Você deveria estar no banheiro feminino e não aqui.”
“Sim, desculpa”
“Desculpa, desculpa, é só isso que sabe falar?” Robert falava e se aproximava de mim, eu podia sentir o cheiro de álcool em sua boca, ele deveria ter bebido bastante, pois estava com os olhos vermelhos também.
“Nunca vi você na empresa, ou nunca reparei, às vezes sou desligado mesmo.” Robert estava muito próximo, me deixando totalmente sem jeito.
“É já tem um tempo que trabalho na sua empresa e também estudamos juntos...é...bom você não deve se lembrar mesmo.”
“HUmmm... então temos uma história, será destino?”
Não sei onde aquela conversa iria dar, mas eu estava começando a ficar animada, pois Robert parecia se insinuar. Será que ele também sentia alguma coisa por mim?
Ponto de vista de Robert
Aquela garota era uma anta mesmo, parecia não ter língua, pois quase não falava. Notei que ela ficou um pouco envergonhada ao ver meu membro, deveria ser daquelas garotas que nunca namoram por opção dos homens. Ela não era feia, era até bonitinha, mas se vestia muito mal e tinha um ar de pobre. Será que meus irmãos estão fazendo alguma caridade? Eu estava sem sexo a uma semana e confesso que ver aquela garota, mesmo que sem graça, toda perdida e sozinha comigo no banheiro me deixou excitado. Eu poderia fazer uma caridade também, afinal ela iria me agradecer se eu transasse com ela, porque com aquele jeito jeca nunca iria conseguir um homem na vida.
“Pois é, eu sempre vi você, mas nunca conversamos.” Disse ela toda tímida.
“E porque nunca puxou assunto comigo?”
“Sei lá, acho que faltou coragem, você sempre estava acompanhado, sempre foi tão popular.”
Acho que temos uma paixonite aguda aqui. Putz! Não acredito! Essa garota é uma daquelas jecas que tive que ignorar no colégio.
“Então você sempre prestou muita atenção em mim, pelo jeito que fala.”
“É um pouco, sempre admirei...” Ela iria falar, mas parou, deve ter ficado com vergonha de se declarar.
“Sempre admirou a mim?”
“Acho que sim” Ela disse sem me olhar nos olhos. Eu estava rindo por dentro e senti uma vontade enorme de brincar um pouquinho.
“Tá vou falar uma coisa, eu me lembro de você sim no colégio e na empresa, mas nunca tive coragem de falar com você.” Ela me olhou espantada.
“Você tá falando sério? Por que nunca teve coragem de falar comigo?” Não é possível que ela fosse acreditar.
“Sei lá, você era sempre tão comportada que achei que nunca iria querer algo com alguém como eu.” Falei abaixando a cabeça, fingindo timidez.
“Alguém como você? Mas você é tão...” Novamente a garota não teve coragem de falar.
“Tão o que?” Ela sorriu, mas não falou.
“Eu vou falar o que sempre achei de você...é...Linda.” Falei olhando em seus olhos a mais pura mentira.
“E não conta pra Julie, mas...eu vim hoje por sua causa, pois ela me falou que você viria, então...” Disse a ela.
“Não acredito, sério?” Ela acreditava direitinho.
“Sério, mas eu queria te contar mais coisas, só que aqui no banheiro masculino não é o lugar, podemos ir conversar no meu carro, o que acha?” Eu precisava ver até onde aquela bobinha iria comigo.
“No carro? É...mas...Julie pode...” Antes dela terminar coloquei meu dedo indicador em seus lábios e falei.
“Eles estão se divertindo, vem vamos nos conhecer melhor.”
“Tá” Ela respondeu tímida.
Peguei em sua mão e a conduzi até o meu carro que estava nos fundos do estacionamento, num lugar bem reservado.
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