Metamorfose

4 Capítulo 4 - O Segredo do Príncipe.


Notas iniciais
Capítulo dedicado à @Onuki_Yumi que pacientemente aguardou meus 300 séculos de hiatus -exagerada e que me fez colocar muito mais amuhiko/amushiko do que eu planejava por num primeiro momento.

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Depois de 28912308123091238 anos, a Tenshi columbia pictures orgulhosamente apresenta..... tadadadãaaa Q

Parei. Por motivos que todos já devem saber (ou talvez não, mas não vem ao caso) eu super demorei de atualizar essa história. De qualquer forma, eu não a havia abondonado, como disse. E aqui estou. Capítulo 4.

Milagres acontecem, fellows ;) espero que não estejam [risca] querendo me matar[/risca] muito chateados. Aqui está mais um capítulo de Metamorfose, a qual eu apelidei carinhosamente de 'metal' XD

Espero que gostem :*

Depois de mais um mês, todos já haviam se acostumado com meu jeito ‘Nadeshiko’ de ser: Polida, refinada, solitária... Uma mulher perfeita, de fato. Contudo, algumas vezes meu lado masculino acabava vindo à tona, e eu perdia a cabeça – se eu fosse ‘completa’ isso seria o que chamam por aí de TPM – Era uma espécie de segunda personalidade que me aflorava, como a “Cool and Spicy” da Amu-chan.

Meus colegas de classe me chamavam de ‘Mad Queen’.

Esse apelido, no entanto, não havia sido em vão: Em nosso conselho estudantil, cada membro possuía uma espécie de identificação, de acordo com sua importância.

Eu era a rainha, Tadase o rei (irônico, huh?). Kukai era o valete, Yaya, o ás. A Amu-chan era o joker, coringa – uma espécie de “pau para toda obra”.

Eu só entrei nessa bagunça a pedidos da Amu-chan e do Kukai, mas começava a me arrepender.

Falando em Kukai, desde nosso pequeno... incidente que não nos falávamos. Eu o estava evitando. O motivo? Eu me sentia desconfortável....

Apesar disso, ele e Tadase pareciam às boas, como sempre. Era incrível perceber como entre garotos era tudo mais fácil.

Sim, tudo muito mais fácil, maldita hora em que decidir ser uma garota.

Mas eu não era de desistir tão facilmente, e, além disso, eu estava começando a entender o Hotori – por incrível que pareça, poderíamos ser até considerados como.... amigos.

Tal palavra ainda era estranha para mim, pelo menos, no que dizia respeito ao Tadase.

Nos últimos dias, ele me ajudou nas tarefas do conselho – fazíamos tudo juntos – o reizinho fajuto teve até a audácia de me convidar para um lanche em sua casa; recusei educadamente. Amu-chan disse-me que estava tudo bem, que eu deveria aproveitar sua cortesia – apesar de eu saber que ela ainda gostava dele. Não queria ariscar perder uma amizade. Mais uma.

Mesmo porque, para todos da classe, eu e Tadase Hotori somos um casal, ainda que não tenhamos feito nada para fomentar tais fofocas.

E isso me deixava muito irritada.

No entanto, eu não entendia o porquê de minha irritação: Quando ocorria com Amu-chan, na minha época de garoto, eu me sentia feliz.... embevecido, até. Não conseguia compreender porque com Tadase era diferente, com Tadase era tudo muito diferente. Mas eu não o odiava, na verdade, meu coração parecia bem feliz e saltitante quando ele se dirigia a mim.

Talvez esse fosse o motivo da minha irritação.

Ou talvez, eu só houvesse tomado maior consciência da minha condição feminina neste último mês; aliás, depois do que Kukai fizera, tudo parecia muito claro: Eu era uma garota e deveria tomar cuidado com minhas atitudes.

Era o que eu havia decidido fazer...

-Então... O que você acha, Fujisaki-san?

-Pois não...? – Estava tão perdida em pensamentos, que nem ouvi Tadase me chamar – nem sabia sobre o que ele estava tagarelando; não que precisasse.

Já que minha mente, incontáveis vezes, perdia-se no castanho-avermelhado daqueles olhos com tanta facilidade.

Corei.

-Perdão, Hotori-kun, acho que não ouvi sua pergunta. – sorri, me desculpando.

Ele também sorriu, um sorriso envergonhado.

Oh, não.

-Na verdade, bem... É que hoje minha avó me deu algum dinheiro e... eu gostaria de saber... Se você... talvez...

Suspirei, torturando-me por dentro:

-Hotori-kun, acredito que temos fofocas o suficiente. Eu não quero que você... que nós... Bem, eu acho melhor não. Melhor não confundirmos as coisas.

-Entendo.... – Mas ele não parecia entender, ele parecia extremamente abatido. Pior do que das outras vezes em que eu o havia dispensado.

Seria hoje algum dia especial?

- NADESHIKOOO!!

-Amu-chan...!? – Congelei. Eu deveria estar muito vermelha, mas acho que ela não desconfiou de nada.... Apesar do olhar que me dirigiu antes de prosseguir;

-Nadehsiko, preciso de você!! – Seu tom era tão urgente que fez meu coração comprimir.

-Hotori-kun, se você me dá licença... – sorri apologeticamente e segui minha melhor amiga. Saímos da sala do conselho estudantil (uma sala no formato de um pequeno castelo de cristal, chamado por nós de ‘Royal Garden’ ) andando calmamente pelo vasto jardim que se estendia... Amu-chan escolheu um lugar reservado entre algumas árvores – onde Tadase poderia nos ver, mas não nos ouvir – e confessou:

-Bom, então... – Minha melhor amiga olhou de relance para o ‘príncipe’, batendo os indicadores, muito corada – É que... É que hojeéaniversáriodopríncipeeeunão....!!

-Amu-chan, não vou conseguir entender nada com essa sua afobação – sorri, quase maternal.

-Aniversário!! Do príncipe.... Hoje... eu...

-Espere, HOJE É ANIVERSÁRIO DO HOTORI TADASE-KUN!? – Gritei em puro espanto, entendendo a razão do olhar tão triste que ele me dirigira há alguns minutos.

-Psiiu! Não grite! – Amu-chan alertou. — Eu gostaria de fazer uma festa surpresa, mas não vai dar tempo. O que você sugere então... de presente....

-Por que me pergunta? Como eu poderia saber? – Perguntei, realmente embaraçada.

-Bom, é que vocês estão sempre juntos, e vivem conversando... eu pensei – Uma amargura evidente se alastrava em sua voz, misturado a uma insegurança tão característica de Amu. Um tanto receosa, eu a abracei – isso era normal entre garotas, não era?

-Calma, calma.... Amu-chan.... – O cabelo da Amu-chan cheirava a morangos. O mesmo shampoo que o Tadase usava, percebi no ato.

Também percebi o quanto estava sendo egoísta: Eu não queria abdicar da amizade da Amu, nem do Tadase.... Escolher entre eles era uma provável missão impossível sem chances de sucesso.

-Você.... bem.... Não precisa se preocupar, entende? Eu e o Ta... Hotori-kun não somos... Nós não somos...

Senti sua cabeça girar em negativa, apoiada em meu peito.

-Então... Que tipo de presente você tem em mente? – Ela me encarou. Sorri.

-Nadeshikooo.... – Ela começou a chorar, voltando ao meu abraço.

-A-Amu-chan!? Eu fiz... Eu disse algo errado?

Mas um meneio negativo, ela me encarou novamente e sorriu, entre lágrimas:

-Bobagem, a culpa é minha. Eu só acho... Bem, todos acham que... Vocês se completam, sabe?

Eu nunca havia pensado dessa forma.

-A-mu-chan, não precisa se sentir insegura. Você é especial, é maravilhosa. E eu, jamais, sabendo que você gosta do Hotori-kun, me aproveitaria da situação. Você deveria saber disso – Lhe dei um peteleco no nariz, de leve, e sorri.

-Desculpe.... – Ela sorriu – Não deveria, certo?

-Certo. Amu-chan, na verdade...

Ela me interrompeu, fazendo a última pergunta que eu gostaria de responder naquele momento:

-Nadeshiko, você tá apaixonada? Quero dizer...

-Anh!? – Devo ter ficado muito vermelha, conclui pelo olhar que minha amiga me dirigiu – É claro que não, Amu-chan, eu... – ri nervosamente, balançando as mãos.

-Nem por mim? – Ela corou, encarando o chão – Quero dizer, não que eu... Bem, você gostava, não é!? Ou não!? Eu... Eu....

Foi sua vez de ficar boba e atrapalhada.

Corei – o que aquilo tinha a ver com o Tadase? Por que ela me perguntou se eu gostava dela!?

Quero dizer, justo agora....

Eu achei que a tivesse esquecido, eu achei que, me tornando uma garota, eu não precisaria me preocupar como ela se sentia e relação à mim.... Eu achei que seríamos sempre amigas...

No entanto... Por mais que eu quisesse negar, tudo que eu fiz....

Eu estava fugindo.

Fugindo do ódio ao Tadase, fugindo dos meus sentimentos pela Amu, fugindo da minha antiga vida e, nessa ‘nova vida’, fugindo de um dos meus melhores amigos.

Eu era covarde.... Desprezível.

-Nade... shiko...?

Senti quentes lágrimas brotarem de meus olhos castanhos. Desde quando eu havia me tornado tão fraca!? Desde quando meu coração... Meu coração se tornou tão...

-Então... Você .... não gosta? – Seu tom era preocupado e exigente ao mesmo tempo. Eu não podia compreender.... — Quero dizer, agora você gosta.... De garotos, certo?

Eu meneei minha cabeça, enxugando as lágrimas.

Segurei em seus ombros e a sentir tremer sob minhas palmas:

-Amu....

Suas orbes distenderam, surpresas.

-Me desculpe por fugir – Admiti, sincera – Para mim, a pessoa mais importante sempre será.... você. Não importa que sexo eu escolha.

Sorrimos,

-Amuuu-chaaan, Fujisaki-saaaaan....!! – Ouvi a voz de Tadase ao longe, ele corria em nossa direção rapidamente.

-Bem, — Tratei de me recompor – Chega de drama, vamos ver o que o Hotori-kun quer.

Ela me sorriu de novo, dessa vez, um sorriso tristonho.

Senti vontade de deixar minha vida de garota para trás e ampará-la.

Não como amigo, como homem.

Bem, mas agora já era tarde. E o Tadase estava vindo.

-O que há, Hotori-kun? – perguntei, polidamente.

-As aulas... Elas vão começar.... Vocês estavam demorando, então... – Ver o falso príncipe suado e esbaforido daquele jeito me fez ter pensamentos que eu prefiro não compartilhar. – Fu-Fujisaki-san... Você estava... cho...

-Está tudo bem agora, não é, Nadeshiko!? – Amu-chan interviu, o que foi de grande alívio. Sorri:

-Sim, está tudo bem. Vamos para aula antes que o sensei se irrite.

Ambos concordaram, silenciosamente.

Corremos para aula o mais rápido que pudemos, lado a lado.

Não deixei de pensar que minha vida seria assim daqui por diante. No meio de tudo. Dividida entre a Amu e o Tadase.

Ou talvez pior.

* * *

-Seeeenseeeeeeei!

-Nag... Quer dizer, Nadeshiko!? Não me lembro de ter lhe pedido para vol...

Eu o agarrei com todas as minhas forças, afundando meu rosto seu peito. Umeda-sensei era como um pai para mim. O único a quem eu poderia mostrar minhas fraquezas, confessar meus medos, expor meu verdadeiro eu.... Sendo homem ou mulher.

-Ei, ei... Achei que estivesse de mal comigo – Senti alguns tapinhas na cabeça – E depois... Mesmo com esse cosplay de garotinha, ainda há um homem aí dentro, viu? Eu posso tentar te agarrar...

Eu o encarei, sua feição brincalhona mudou de imediato:

-O que houve? Por que está chorando, hein? Isso não é coisa para nós homens, você sabe... – Brincou.

-Até o homem mais forte... – Dei um pequeno sorriso, desafiadora, entre lágrimas – Tem o direito de fraquejar. Não tem, sensei!? – Abafei minha voz feminina enquanto afogava meu choro sem sentido em seu jaleco branco.

Mais tapinhas. Dessa vez, em minhas costas. Umeda-sensei não era bom em consolar pessoas ou em dar conselhos. Nunca fora.

Mesmo assim, era um alívio saber que eu poderia contar com ele, de qualquer forma:

-Se apaixonou por aquele Tadase Hotori, não foi!? Como eu previ...

-Sensei!? – Soltei-o num impulso, assustada – Por que o senhor acha iss....?

-Ora, ora, Nadeshiko. Eu lhe conheço desde que nasceu. Por que não acharia!? Está estampado na sua cara, idiota – Ele sorriu, cutucando minha testa afetuosamente.

Fiz uma careta:

-Nem vem com essa, sensei. Eu gosto da Amu-chan, e o senhor sabe disso.

-Hm... Será mesmo!? – Ele provocou. Não resisti e lhe dei um soco. – Ai, ai! Vejo que continua com os punhos fortes, Nadeshiko-chan.

-Eu ainda não te perdoei, ouviu!?

-Hahaha, Nagi, Nagi... Opa, desculpe. Força do hábito.

-Tudo bem. Só não faça isso na frente dos outros ou terei problemas.

Ele anuiu e continuou:

-De qualquer modo, sinto muito por tudo isso, mas, aquele garoto... – Ficou quieto. Quem não o conhecia poderia equivocar-se, pensando que ele diria algo realmente sério. Ledo engano;

-Ele era tão fofinho que nem eu poderia resistir!! – sorrira descaradamente – E também, ele parecia bem preocupado – pigarreou.

-Sei, sei... – Dei-lhe um leve tapa no braço, sentando-me na cama da enfermaria, pensativo – Dois meses, tantas coisas....

-No que está pensando – Ele começou, sentando-se ao meu lado. Dei de ombros:

-Numa porção de coisas. Ser garota é mais difícil do que pensava. A única vantagem –– se há uma, é que não preciso mais temer seu assédio.

-Você nunca pode ter 100% de certeza – Ele olhou para cima, parecendo distraidamente sério, encarando-me com um de seus grandes e convidativos sorrisos logo em seguida enquanto dizia – Afinal, como eu disse antes... ainda há um homem aí dentro – finalizou, apontando para o meu coração.

Risos.

-O que farei agora, sensei?

-Seguir, eu acho – deu de ombros – Não é tão ruim se apaixonar por um homem –– ou um outro garoto. Mesmo porque, você deu a sorte de cair nas graças de alguém fofo daquele jeito – piscou.

-Sensei...

-Como você se sente com relação a tudo isso?

-Sinto-me como se tivesse pulado de um penhasco em direção ao alto-mar. Com os olhos completamente vendados. – Disse simplesmente.

-Incrível!!! Uma frase digna de filmes melosos, algo digno de ser proferido por uma tola e apaixonada garotinha! Trocou os campeonatos de basquete pela novela das seis, minha jovem?

Mais risos.

-Esquece, sensei. Você é um bobo mesmo.

-Sente-se melhor?

-Um pouco. Continuo confusa com relação a outras coisas.

-Você vai superar isso, Nagi. E, se não superar...

-Hm?

-Eu vou estar aqui.

-Eu sei que sim.

Compartilhamos outro longo e cúmplice sorriso. Em meu âmago, já me descobrira perdoando-o afinal. Era por essa e outras razões que Umeda-sensei sempre seria meu ‘adulto’ predileto.

-Bem, então sensei – Levantei-me da cama rapidamente, sacudindo de leve as minhas saias – Vou indo.

-Tão cedo?

-Bem – dei de ombros – Hoje é aniversário do Tadase, acho que não posso bancar a insensível para sempre.

Seu olhar queria me dizer algo mais, mas ele apenas sorriu, enigmático:

-Certo.

Eu me dirigi à porta da pequena sala. No entanto, mal havia terminado de tocar a maçaneta e a porta se abrira – como mágica, ele estava parado à minha frente.

Tadase Hotori

-Ta... Hotori-kun!?

-Fujisaki-san?

Coramos.

-Tadasee! Que faz aqui? – Umeda-sensei não parecia surpreso, tampouco assustado. Ele parecia radiante.

-Na verdade – ele sorriu meio sem-jeito – Eu vim... Conversar com o senhor.

Como assim, “conversar com o senhor”!? Eu não posso acreditar!! Meu melhor amigo e confidente também ouvia os desabafos de... Tadase Hotori!?

Era incrível notar como essas coisas me acontecem sempre. Desde que decidi me tornar Nadeshiko, pelo menos.

Olhei rapidamente para meu médico, enviando-lhe um olhar assassino, nada digno de uma dama. Seu olhar, em resposta, me parecia misterioso.

Ainda que um tanto divertido.

Um suspiro cansado escapou de meus lábios. Os grandes olhos vermelhos de Tadase passaram rapidamente para mim, aflitos:

-Algum problema, Fujisaki-san?

-Bem, na verdade...

-Na verdade – Umeda-sensei me interrompeu rapidamente – Eu soube que hoje é seu aniversário, Tadase-kun. Estou certo?

-D-De fato, hoje...

-Ótimo! – Meu médico uniu as mãos com um sorriso largo como o de um crocodilo, prestes a alcançar sua presa – Que tal sairmos os três para comer alguma coisa!? Já que hoje é um dia tão especial... – Sua falsa expressão solidária me irritou de forma indescritível.

-Sensei, seu energúmeno – acabei soltando – nem. pense. nisso. – Meu olhar era –– ou, assim queria eu que fosse –– assassino.

Percebi que ele segurava o riso. Fui segurando Tadase pelo braço, sem pensar muito.

-Vamos, Hotori-kun – Meus olhos não desgrudavam dos de Umeda Haruto.

-Bom... é...

-Diviiirtam-seee – cantarolou, enquanto fechava a porta lentamente. De soslaio, vi meu mais precioso amigo virar-se e piscar para mim. Aquele bastardo!

Eu lhe mostrei minha língua como resposta.

Fora do consultório, pude respirar um pouco mais tranquilamente –– apesar da presença de Tadase ao meu lado.

Continuamos andando, mais por falta do que fazer do que por qualquer outra coisa quando ele finalmente dissera:

-Fujisaki-san?

-Pois não? – Tentei não soar furiosa, sabendo ser quase impossível; vi seu olhar alargar-se e seus ombros comprimirem.

Massageei minhas têmporas, esperando pelo óbvio:

-Eu só gostaria de saber se você...

-Hotori-kun – meu sorriso era polido, tão falso quanto o de uma Barbie – eu já lhe expliquei que minha vida anda mesmo uma bagunça desde minha... decisão. Encontros e coisas do tipo, portanto...

-Na verdade – ele me interrompeu, corado – Eu só gostaria de saber quando você vai soltar a minha mão.

-Ah, isso! – Soltei-o tão rápido quanto possível, virando-me de costas, muito vermelha – Me desculpe.

-Tudo bem – respondeu, quase num sussurro – Então...

Suspirei, sentindo-me mais cansada:

-Já que estamos aqui mesmo. Ouvi dizer que aquela lanchonete famosa aqui perto está com uma promoção ótima. Soltei, rápido demais para não me arrepender.

-Sério? – O brilho de felicidade nos olhos dele fez meu coração pesar dentro do peito, mas foi só um pouquinho.

-Sim, no entanto...

-Eu pago. Já vim preparado para isso, quero dizer... – O rosto de Tadase estava mais vermelho que a cor de seus olhos, se é que isso era possível.

-Tudo bem, então – Rendi-me finalmente. Vamos lá!

E corri. Porque queria esquecer os sentimentos confusos dentro de meu peito ou se, por apenas um breve momento, queria olvidar-me das regras, não poderia dizer. E antes que pudesse aperceber-me, Tadase corria ao meu lado, com uma expressão realmente aliviada.

Corríamos exultantes, como duas crianças.

* * *

-Então.... O que vai ser?

-Escolha o que for de sua preferência, Fujisaki-san.

-Mas o aniversário...

Ele meneou a cabeça de leve:

-O que quiser, afinal, o meu presente eu já ganhei.

A intensidade que seus olhos me encaravam, transmitindo um ademais que não fora dito me fez querer fugir o mais rápido possível.

Eu estava sentindo as famosas borboletas no estômago. Era quase impossível que eu pudesse comer alguma coisa agora.

-Certo, então...

Acabamos por pedir um combinado A – fritas, hambúrguer e refrigerante. E, apesar do jovem ‘príncipe’ parecer um tanto apreensivo à menção do último, recebemos nossos lanches com rápida eficiência.

A jovem garçonete era toda sorrisos:

-Aqui está o que vocês pediram, bom apetite ao casal!

-CA-CASAL!? – Era a primeira vez que eu e Tadase concordávamos em alguma coisa, se bem me lembrava –– o fato de que era completamente inconcebível sermos um casal.

Por Deus, se eu tivesse tocado em qualquer coisa daquele menu naquele momento, certamente teria engasgado.

-Ah, não são um casal, então... – A garçonete fez bico, olhando demoradamente para Tadase, o que me fez querer socá-la.

Nada feminino, de fato.

Saíra pensativa da mesa, como se algo entre nós a incomodasse. Eu preferi guardar as palavras que borbulhavam em minha mente sobre ela para mim mesma – até porque seria de extrema deselegância se eu ousasse as proferir naquele local lotado.

Mordisquei uma batatinha, mandando ao meu acompanhante o sinal explícito de que não estava para conversas; apesar de ser uma atitude rude, visto que era seu aniversário, mas tentei não pensar nisso.

Na verdade, tentei não pensar em nada enquanto o observava comer com o canto de meus olhos castanhos – era incrível que em cada coisa que fazia, ele parecia perfeito.

E essa perfeição me irritava. Será que ele não possuía mesmo, nenhum ponto fraco?

Passei longos segundos, minutos talvez, analisando-o, a procura de uma mancha, uma mácula; qualquer coisa.

Até que reparei algo bem... Curioso.

-Hotori-kun, você não vai tomar seu refrigerante? – Ele já havia acabado o hambúrguer e as batatas, no entanto sem tocar no líquido, o que me deixou curiosa.

Será que ele era diabético, ou não gostava de doces? Isso não combinava com seu perfil.

-Hm? Ah, sobre isso... – Ele parecia um tanto constrangido.

-Quer o meu? – Ofereci sem pensar. Talvez ele simplesmente não gostasse de cola, o meu era limão. Depois que parei pra pensar vi que isso seria um beijo indireto, caso ele aceitasse minha oferta.

Tentei esconder meu rubor, porém nem foi preciso: No segundo seguinte ele havia destampado e virado o copo, tomando tudo num gole só.

Acredito que esta tenha sido a coisa mais deselegante que ele já fez em sua vida. E a mais máscula.

O ‘príncipe’ nunca me pareceu tão desconfiado e pouco confortável.

Minutos depois eu pude entender o porquê. E percebi a grande “burrada” – como diria Amu-chan – que havia cometido:

-Hotori-kun.... Você está...?

-Não.

-Não o quê? – repeti, confusa.

-Você é idiota? – Ecoou, como se soubesse dos meus pensamentos. Meus olhos saltaram das órbitas.

-Como...!?

-Eu perguntei se você é idiota, e parece-me que estou certo – pontuou – Onde está meu Dom Perignon!? Como você, plebéia, ousa me oferecer esta bebida gaseficada de quinta, não, décima categoria!? Não sabe que pertenço à realeza!?!?

Eu não podia acreditar. Estava delirando!? Qual era o problema dele?

Alheio aos meus pensamentos conturbados e espanto aparentes, continuou:

-Aliás, que tipo de espelunca horrorosa é essa!? Quais são suas verdadeiras intenções, afinal? Sequestro? Extorsão? Não espera que eu pague por isto, certamente.

Umeda-sensei tinha razão: Ainda havia alguma coisa dentro de mim que clamava como um garoto. Porque no mesmo momento eu havia me levantado, apontado-lhe o dedo na cara e pirado. De um jeito muito, muito ruim:

-QUEM DIABOS VOCÊ ESTÁ CHAMANDO DE PLEBÉIA SEU... SEU... TAMPINHA!!! – Dois meses como garota enferrujou meu vocabulário de palavrões – PRA COMEÇAR FOI VOCÊ, TODO EMO E ETC QUE VEIO QUERENDO QUE EU COMEMORASSE CONTIGO A DROGA DO ANIVÉRSARIO, VOCÊ DISSE QUE IA PAGAR, E POSSO ATÉ AFIRMAR QUE ESTÁ TOTAL E COMPLETAMENTE APAIXONADO POR MIM!!! – explodi. E, antes que continuássemos nosso pequeno show, Umeda-sensei irrompera pela porta, num misto de preocupação e alívio.

A essa altura, o delicado “membro da realeza” Tadase estava com um pé em cima da mesa gargalhando, megalomaníaco. Se aquilo não era um sonho então meus pesadelos eram melhores do que eu imaginava.

-Todos para trás, para trás, sou médico – Umeda-sensei saiu abrindo caminho pela multidão de curiosos que havia se formado, mostrando suas credenciais. Ao chegar na mesa em que eu e Tadase estávamos, retirou uma injeção de um dos bolsos e rapidamente aplicou-a em Tadase. Que caiu inerte sobre a mesa, como uma boneca quebrada.

Terror. Tudo que meus olhos transmitiram era o puro e genuíno terror.

Depois disso, não me lembro de ter visto ou ouvido mais nada. Provavelmente, aquela deveria ser a parte em que eu acordava.

Provavelmente.

• Continua...

Notas finais
Leiam, opinem, mandem reviews, o que é de praxe.
E divulguem *-*

É isso aí, não posso prometer uma atualização relâmpago, mas assim que der, o capítulo 5 também será postado. Vejo vocês numa próxima galáxia.