Metamorfose

8 Capítulo 7 – Emoção


Notas iniciais
Olá! Quero agradecer muitíssimo aos reviews do capítulo anterior, obrigada mesmo!! E quero abrir um parenteses aqui para a leitora: be grey, porque como ela mesma disse "sai do status de leitora fantasma para leitora" e acho que muitos dos leitores fantasmas da fanfic poderia se inspirar nela, afinal são 54 pessoas acompanhando e no máximo 5 comentam, isso é desanimador. Mas obrigada be grey por essa iniciativa, fiquei muito feliz *-*

Boa leitura!

Emoção s.f. Abalo moral ou afetivo; perturbação, geralmente passageira, provocada por algum fato que afeta o nosso espírito.

E aqui estamos nós, em uma cidade que jurei nunca mais pisar, em um táxi com a vizinha maluca ao meu lado. Eu poderia ser hipócrita ao ponto de negar estar completamente ansioso e nervoso com a possibilidade de rejeição dos meus pais, porém nem eu mesmo posso me enganar dessa forma.

A verdade é que estou uma pilha de nervos! Estou tentando disfarçar, ao máximo, todo esse desconforto olhando para a paisagem excessivamente verde e úmida de Forks enquanto o taxista decide por fazer uma viagem mais tranquila e lenta por conta da estrada molhada. Não sei se isso é bom ou ruim, afinal em alguns momentos penso que seja melhor acabar com isso logo de uma vez e em outros acho que ainda não estou preparado.

Suspirei resignado. Porque fui me deixar levar por Isabella? Sei que essa é a coisa certa a se fazer, mas isso não altera o fato de minhas mãos estarem suando, minha perna balançando loucamente e meu coração estar acelerado. Senti uma delicada e macia mão envolver a minha e ergui meus olhos para ela, que continua com esse sorriso doce e encorajador.

Como é possível uma mulher dormir o voo inteiro entre Portland e Seattle, acordar apenas para entrar no taxi e voltar a dormir sem ficar feia? Pois bem. Não sei a resposta pra essa pergunta, à única coisa que sei é que Isabella Swan consegue essa dádiva.

– Chegamos – a voz rouca do motorista me despertou e minha cabeça voltou-se para a casa grande e branca ao lado direito do carro.

– Vamos nessa – Isabella disse animadamente, apertou minha mão e sorriu ainda mais – Obrigada.

Ela pagou a corrida, pegou as malas e percebeu que eu nem ao menos consegui me mexer no lugar. Percebi que ela mexeu com a cabeça de forma incrédula e voltou-se para o lado esquerdo do carro dando um risinho envergonhado para o motorista, abriu a porta e me puxou pelo braço. Como não tenho muito que fazer, se não ir – caso contrário ela seria capaz de me arrancar o braço, literalmente – saí do carro relutante.

O taxista arrancou rapidamente sem me deixar a chance de mudar de ideia e manda-lo acelerar para o aeroporto. Isabella ao perceber minha tensão segurou minha mão e apertou forte, tentando me passar algum tipo de coragem, até que deu certo, mas isso não é o suficiente pra sufocar toda a vergonha que carrego comigo.

Respirei fundo, já que me desloquei até aqui vou ir até o final. A passos contidos e tímidos subi os três degraus para a varanda da casa e toquei a campainha logo de uma vez, sem ficar pensando muito nas consequências.

Assim que ouvi o barulho da maçaneta parece que o tempo ficou em câmera lenta, minha respiração é a única coisa que continua de forma rápida e descompassada. E então a figura de Esme Cullen, minha mãe, apareceu em minha frente. Várias emoções passaram por sua fisionomia, primeiro o choque por me ver parado aqui e logo depois a surpresa.

– Oi – murmurei baixinho ainda incerto sobre as reações dela.

– Edward... – ela sussurrou baixinho, para si mesma, ergueu uma mão lentamente e encostou delicadamente em meu rosto e então a alegria apossou-se de seu semblante – CARLISLE!

Ela simplesmente berrou a plenos pulmões o nome de meu pai, como se tivesse acabado de deparar-se com um animal muito exótico e perigoso. Talvez essa seja uma boa definição para a minha pessoa. E então, Carlisle Cullen, meu pai, apareceu rapidamente atrás de Esme e todas as emoções que ela expressou, passaram pelo rosto dele também.

Fiz uma careta, posso até imaginar todas as coisas que eles querem me falar agora, as broncas por ter simplesmente jogado tudo pro alto e ido para outro lugar, sem dar satisfações para ninguém e depois disso parar de atender as ligações. Tanto que os dois só começaram a receber noticias minhas novamente quando Alice me encontrou.

Porém, os dois apenas jogaram-se em minha direção e apertaram-me fortemente. Um estranho abraço coletivo, onde não sei qual braço é de Esme e muito menos qual é o de Carlisle, mas a sensação de estar aqui, entre os dois é maravilhosa e não posso acreditar que fiquei tanto tempo com medo de aparecer.

– Que saudade! – Esme disse com a voz embargada.

– Desculpem-me, por favor – murmurei alto o suficiente para que os dois ouçam.

– Está tudo bem querido – eles afastaram-se de mim e Esme passou a mão por meu rosto novamente – Mesmo que eu queira bater em você por ficar tanto tempo sem nos dar noticias, entendemos que você precisava de um tempo.

Apenas assenti concordando. A sensação de estar novamente em casa é muito boa, sentir-me acolhido novamente e amado. São nesses momentos da vida que paramos parar pensar o porquê de tomarmos iniciativas idiotas, como a minha, de ficar anos sem todo esse amor e carinho.

Talvez, porque eu achasse que não era merecedor de todo esse amor, afinal a culpa estava me corroendo as veias, dilacerando o coração e me enlouquecendo aos poucos. Porém, com o passar do tempo acabei por me acostumar com todo o ressentimento comigo mesmo e aceitar o fato de que errei, tirei a vida de uma pessoa que me amava e principalmente, de uma criança. Meu filho.

Não irei me perdoar por isso, talvez nunca me perdoe por ter feito tal coisa, mas comecei a aceitar e reconhecer que de nada adiantaria. E bem, digamos que passar todos esses dias com uma vizinha maluca, abusada e completamente sincera me fez abrir os olhos para várias coisas, tanto que estou aqui, diante dos meus pais, novamente.

– Vejo que trouxe companhia – a voz suave de Esme me tirou dos devaneios e segui a direção do seu olhar.

Isabella está parada a alguns metros de nós, em uma árvore de tronco grosso onde há muitos anos eu e meus irmãos decidimos fazer marcas para nos representar. Ela está passando a mão levemente pelo tronco e olhou para o céu nublado com um sorriso de canto, perdida em pensamentos.

Não reparei o momento em que ela decidiu nos dar privacidade, apenas sei que agora é hora de apresenta-la aos meus pais.

– Sim – murmurei com um sorriso de canto – Isabella – chamei um pouco mais alto atraindo sua atenção pra mim e com um movimento com a mão, a chamei para se aproximar.

– Olá – ela disse tímida.

– Pai, Mãe essa é Isabella Swan – falei com um sorriso ainda maior nos lábios – E esses são Carlisle e Esme Cullen.

Todos os três ficaram me encarando por longos segundos até caírem na gargalhada, ergui uma sobrancelha. Qual a graça?

– Já nos conhecemos Edward – Isabella revirou os olhos ainda rindo – Seus irmãos já me apresentaram aos seus pais.

– Ah – foi tudo o que saiu de meus lábios. E eles continuaram a rir.

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Gastamos horas conversando, praticamente me obrigaram a contar tudo o que vivi nesses quatro anos longe. Esme ficou fascinada quando contei que tomei a iniciativa de voltar a fazer faculdade por vontade própria. Carlisle ficou orgulhoso com o meu estágio no tribunal de justiça em Portland.

E em todo esse tempo Isabella manteve um sorriso orgulhoso nos lábios, como se tudo isso fosse uma meta que ela precisava atingir na vida. E estou surpreso comigo mesmo por ter reparado tanto nela – mesmo que tenha sido com o canto dos olhos, disfarçadamente – todas essas horas.

Agora estamos os quatro na cozinha, Carlisle está falando alguma coisa pra mim, mas não estou prestando a mínima atenção devo admitir, pois Isabella está ajudando Esme com o jantar enquanto distribui seus maravilhosos sorrisos. Ela está com um avental rosa que originalmente era de Alice, porém minha irmã sempre foi um desastre na cozinha e esse avental mais ficava pendurado atrás da porta do que era utilizado por alguém.

Devo admitir que a Swan está uma gracinha com o cabelo preso em um coque alto, avental rosa todo sujo de molho e algo branco que deve ser farinha e rindo junto com minha mãe.

E mais uma vez a sensação de familiaridade me vem com força, como se fossemos uma família, todos nós e isso inclui certa mulher de cabelos castanhos e olhos incrivelmente verdes. Ao sentir ser observada, sua atenção desviou-se para mim e seu sorriso aumentou.

– Acho que estou falando com as paredes – ouvi meu pai murmurar com divertimento na voz – Ela é uma bela moça.

– É – concordei com a cabeça – É sim.

– Estão juntos há quanto tempo? – a pergunta veio com naturalidade, mas não evitou o susto que levei.

Desviei meus olhos para ele, seu semblante sereno levando o assunto com calma e naturalidade, voltei meu olhar para Isabella concentrada nas instruções que Esme passa para ela.

– Não faz muito tempo – murmurei incerto – Não é bem um relacionamento.

– Eu sei – um risinho escapou pelos lábios do meu pai – Se fosse você a teria apresentado como namorada.

Namorada. Quanto tempo faz desde que namorei pela ultima vez? Quer dizer, conheci Tania quanto tinha 23 anos e entramos em um relacionamento sério, como o namoro, depois de um ano nos casamos e três anos depois eu lhe tirei a vida. Ou seja, fazem exatos oito anos que não sei o que é me relacionar com alguém, não sei como é namorar, pois perdi a prática depois que casei com Tania, as coisas ficaram monótonas e chatas.

Apesar de Isabella ser completamente diferente da Denali, não sei se estou pronto e se confio em mim mesmo pra voltar a ter algum compromisso sério. Não por medo de cometer o mesmo erro, isso não, sei que não seria imprudente e idiota de fazer aquilo novamente. Mas por receio de acabar fazendo a vizinha maluca sofrer e ser infeliz, da mesma forma que eu fazia com Tania.

Não quero tornar a vida de outra pessoa um inferno, apenas porque a minha é um inferno. Mesmo que essa pessoa em questão esteja abafando aos poucos meus medos, auxiliando-me a ver a vida de uma forma diferente, um pouco distorcida do que eu rigorosamente enxergava.

– O jantar está pronto – Esme disse um pouco mais alto para escutarmos, deu um sorriso sacana – Edward pare de encarar a Bella com esse olhar de boboca apaixonado e venha jantar.

Meu pai e Isabella não seguraram a gargalhada. Poderia até mesmo negar essa afirmação idiota de Esme, não estou apaixonado, mas resolvi ficar quieto, afinal o que vai adiantar discutir?

Suspirei resignado e me aproximei da mesa de jantar, ainda posso ouvir as risadinhas abafadas que os três estão dando as minhas custas.

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Depois do jantar, a louça acabou sobrando pra mim e então resignado fui para o meu martírio resmungando coisas incompreensíveis. Mas agora, aqui, embaixo do chuveiro apenas sentindo a água quente escorrer por minha pele me dando a sensação de relaxamento dos músculos, a única coisa que consigo pensar é: Finalmente falei com meus pais!

E nada mais importa, na realidade. Eles não estão brabos, talvez estivessem magoados, mas ao que parece deixaram esse sentimento de lado ao me verem parado no batente da porta. Desliguei o chuveiro e ouvi risadas no andar de baixo, o que estão aprontando agora?

Acho que essa foi a primeira vez que me vesti rápido em toda a minha vida, mas ao chegar ao primeiro andar não consegui deixar de revirar os olhos, Esme está com a caixa onde guardamos todas as fotos. Como os Cullen sempre apreciaram eternizar o momento, os membros da família geralmente carregam uma câmera fotográfica pra cima e pra baixo e nada daquelas modernidades não, sempre aquelas antigas que devemos levar para revelar.

Tudo a moda antiga.

Esme está mostrando as fotos de nossa adolescência. Isabella a cada nova foto que vê solta uma gargalhada empolgante e apenas de ouvi-la dá vontade de acompanhar. Aproximei-me aos poucos e elas estão vendo uma foto de Emmett fantasiado de pintinho amarelinho para um teatro na escola. Não contive o sorriso, aquela foto era realmente hilária.

Mas minha atenção foi desviada para as fotos espalhadas ao redor delas, no chão. Sim, as duas estão sentadas no chão feito duas crianças entretidas. E uma das muitas fotos pelo chão, prendeu minha atenção. Arregalei os olhos, como pude me esquecer de que essa foto existe?

Com a mão ridiculamente tremula seguro a foto. Nela estou eu, com meus treze anos completos, de perfil e encarando uma garota. Meu sorriso na foto é verdadeiro que chegou a mostrar meus dentes brancos e levemente tortos na época, mas o que realmente me impressionou foi à garota, também de perfil e com um sorriso tão grande quanto o meu.

Lembro-me perfeitamente, ela tinha dez anos na época. E essa foto foi tirada um mês antes de perdermos o contato um com o outro. Engoli em seco, eu havia me esquecido dessa foto, a virei e encarei as letras tortas e quase ilegíveis escritas atrás.

“Pra sempre, Ed. Não se esqueça disso e não desista!” – B.

Notas finais
E então? Mais mistérios chegando e mais fantasmas sendo desenterrados. Estamos quase chegando ao fim, próximo capítulo mais coisas sobre a vida do Edward virá a tona. Eu odeio apelar, então, por favor, não me obriguem a fazer isso. Gosto muito quando os leitores participam por vontade própria e deixam os reviews. Enfim. Até o próximo capítulo!!