Metal
1 Metal
Notas iniciais
A arma,
Que dispara,
A bala,
Que mata.
Prateada,
Fria,
Mortal,
Metal.
O avião,
Que solta,
A bomba,
Que devasta.
Prateada,
Fria,
Mortal,
Metal.
O metal que fere,
Que fura,
Sua pele,
Que tritura,
Sua alma.
Que te faz sangrar,
Até a morte,
Eternamente na mão,
Do mais forte.
Do dinheiro que nos roubam,
Das grades que nos prendem,
Das armas que nos matam,
Das correntes que nos atam.
Das gaiolas que nos aprisionam,
Dos carros que nos atropelam,
Dos prédios que nos cercam,
Das facas que nos cortam.
Metal esse, que suga sua vida,
De fininho,
Consome toda a sua energia,
Te domina.
Sem que você perceba,
Invade sua mente,
Te pica em pedaços,
Bem na sua frente.
A espada que tanto matou,
O machado que tanto cortou,
E o sangue que escorre,
Jamais morre.
Porque, agora, é uma maldição,
O metal em todo lado,
Cobrindo seu coração,
Mal amado.
Metal esse, que não vai deixar barato,
Que não é barato,
Que não faz trato,
Que é o trato.
No sino da coleira do seu gato,
Nos talheres sobre meu prato,
No zíper do meu sapato,
Na fivela do meu cinto.
Na torneira, na ponte,
No celular, Na corda do meu violão,
No meu pingente,
No canto da estrada na calota caída da roda de um caminhão.
Metal esse, que gosta do gosto de sangue, que tem gosto de metal,
Cuja cor favorita, é vermelho,
Banal,
Reflete teu reflexo no espelho.
Do aparelho na minha boca,
De toda moeda do troco,
Do despertador que toca,
De tudo aquilo que te deixa louco!
Agora deita nessa lata fria,
Deita e dorme,
Sorria,
Daqui a pouco você some.
Se deixe consumir,
E enganar,
Só vá dormir,
Sim, você precisa se preocupar.
Socorro! Me ajude!
Estou afundando em todo esse mal,
Mesmo tendo feito tudo que pude,
Estou me tornando metal.
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