Metade de mim

7 Rasgado, primeira parte.


Patrick notou que não estava em casa, o banheiro era sujo e úmido ele levantou os olhos e viu vários escritos na porta e na parede da cabine onde estava. Se levantou com a cabeça ainda doendo e encosto a testa na pequena divisória que antes chamara de parede: era fria e fazia com que ele desviasse a atenção de sua atual situação.

Fechou os olhos por alguns instantes e percebeu que ainda era madrugada, um homem de pouco mais de trinta anos limpava o chão do lugar com uma expressão de nojo e tamanha má vontade que ele pode sentir compaixão. Quando o desconhecido o viu, ele ficou mais desanimado e largou o esfregão no chão, o entorpecido e pai de dois filhos: Patrick, o seguiu o mais rápido que pode e saiu pela rua pela porta que o homem lhe abriu contrariado.

“É cada idiota que me aparece” O homem disse irritado e apagou a luz do lugar, andou devagar realizando o trabalho que fazia a cerca de 5 meses, andou pelo corredor que dava em direção ao banheiro masculino quando ouviu um barulho na direção oposta.

O ruído se parecia com alguém esfregando um pano molhado no chão, quase como se tivessem pego o seu esfregão para brincar um pouco com a sua cara, ele riu e ficou sério novamente. Ele era o único funcionário trabalhando naquele horário, o bar havia fechado a cerca de duas horas antes, sentiu o sangue ir para a cabeça e respirou fundo. As pernas já não funcionavam mais, ele dava passos obrigados em direção ao barulho.

“Na hora que eu pegar você, não vai sobrar um pedaço para contar história! ” Ele gritou e ouviu o barulho ficar cada vez mais alto, mais alto e mais perto, até que sentiu uma dor excruciante e fechou os olhos.

Tudo ficou escuro e algo foi rasgado.