Metade de mim
3 Dia entediante
Notas iniciais
A aula tinha sido reduzida por conta de um imprevisto que a nossa professora particular teve com um de seus familiares, eu acho.
“tá um dia maravilhoso lá fora e você vai ficar lendo” a interrompo assim que começa a ler jogada no sofá, tínhamos alguns momentos antes que o sol se retirasse. Momentos esse que serão melhores aproveitados se formos andar um pouco”
“Já vou, agora eu tô quase terminando! ” Não levanta os olhos para falar isso e eu olho para o livro em suas mãos, tenho vontade de rir ao perceber como ela mente mesmo sem pensar.
“Não tá terminando nada” Respondo e deito no outro sofá.
“Tô sim” Ela diz e vira mais uma página.
“Não tá” Eu respondo segurando o riso e ela não me olha.
“Eu já disse que tô terminando” Ela responde e respira fundo e dessa vez levanta os olhos em minha direção.
“Você está na primeira página, na porra da primeira página! ” Eu digo rindo e ela ri também, me acompanhando.
“Então tá que a gente pode fazer agora? ” Ela me pergunta depois de marcar a página do livro em que tinha parado.
“Estava pensando em ir caminhar um pouco” Eu digo e me levanto num pulo, vejo que ela não gostou da ideia por que se aninhou no sofá, eu ri um pouco com a cena”.
“vai dá não” ela responde e dá as costas para mim.
“Só isso... vai dá não? ” Eu retruco, tenho que convencer ela a sair um pouco, sinto que vou acabar mofando enfurnado em casa.
“Acho que a gente deveria assistir a um filme” Eu senti uma sensação boa imediata quando ela antes dela começar a falar, senti algo quente no peito e sorri com a ideia.
“Qual? ” Eu pergunto em resposta e ela se levanta indo em direção ao móvel que o aparelho de televisão e o leitor de filmes ficam. Ela começou a mexer em uma caixa e eu fui em direção a cozinha pegar alguma coisa para comer.
Ela tinha escolhido um filme e eu a vi andando de um lado para o outro, com certeza pegando cobertores e negócios para a gente ficar mais confortável, eu peguei um pão recheado e um suco de caixa que estava na geladeira, mas eu decidi na hora que queria fazer pipoca e ela gritando para que eu fosse logo.
“Você já ta terminando? ” Ela me perguntou mais uma vez e eu ri disfarçando meu saco cheio, mesmo ela estando longe.
“Não se apressa a perfeição! ” Eu gritei pela última vez e desliguei o fogão.
[...]
“É tão bonito lá fora! ” Ela me diz olhando para as cenas em que a personagem caminha pela cidade, papai me explicou porque era tão importante que nos conservássemos dentro na nossa propriedade. Mas, não para ela que parecia imaginar como esse “mundo” desconhecido seria.
“Eu não sei, eu gosto do que a gente tem aqui” Eu comecei “Das coisas que temos a nossa disposição” Eu digo e começou a fazer movimentos circulares em seu cabelo, ela está deitada ao meu lado e o meu braço está em suas costas. “E das coisas que a gente tem liberdade e segurança para fazer aqui” Eu termino e uma cena que imagino ser importante começa a acontecer.
“Você acha que a gente vai viajar em algum dia? ” Ela pergunta meio incerta e não tira os olhos da tela da tevê, paro um pouco para pensar sobre sua pergunta me lembrando de fragmentos da conversa que tive com o papai.
“Hey , olha aqui” digo depois de uns momentos “Não estamos presos, aqui é nossa casa e não uma prisão! ” Eu encerro o assunto e ela se aninha no meu peito, começo a prestar atenção no filme.
“Se você tá dizendo! ” Ela termina o assunto e me sinto não incomodado.
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