Mestiça
7 Capítulo 7: Procurada pela polícia
Notas iniciais
Acordei animada com o fato de que começarei meu “aprendizado” hoje.
Levantei-me.
Thommas estava dormindo. Sorria levemente no canto dos lábios. Gostaria de saber o que estava sonhando. Decidi não acordá-lo. Eu odiava quando minha mãe berrava pelo meu nome, para que eu acordasse. Mas ela deve estar gritando o meu nome por outra razão agora.
Fiz minha higiene matinal, como de costume.
Estava preparando panquecas.
Ele deveria ter ido ao supermercado recentemente porque algumas coisas ainda estavam na sacola. Pergunto-me como um vampiro se controla no meio de tantas pessoas, ainda mais um que fugiu de casa com 12 anos de idade.
Fui tirada dos meus devaneios por uma mão que tocou na minha cintura e apertou-a delicadamente.
– Sabe com quem eu sonhei hoje?- Era Thommas, sussurrando em meu ouvido, enquanto massageava minha cintura.
– Claro que não. Posso ser meia-bruxa, mas não tenho bola de cristal. Pelo menos ainda não. – Ironizei. Sabia o que viria pela frente. Ele diria que foi comigo e me viraria, fingindo que iria me beijar, mas apenas pegaria alguma coisa que estava atrás de mim, na pia.
– Você sempre acorda mal-humorada não é?
– Nossa! Bom observador! Já foi medir o teu QI? – Hoje eu estou meio sarcástica.
Ele soltou uma perfeita risadinha de leve. Idiota. Bonito, mas idiota. Sentou-se.
– O que esta fazendo? Panquecas? Deu pra sentir o cheiro lá do sofá. – Fiquei em silêncio – Você também estava cozinhando no meu sonho – Ótimo. Ele sonhou comigo. – Mas não cozinhava apenas para nós dois. – Pausou – Para nossos filhos também.
– Ai! – Foi o som que eu emiti ao ter cortado meu dedo, depois dele falar que tivemos filhos.
– Deixe-me cuidar. – Levantou-se.
– Não vai enlouquecer e quer me morder por causa do cheiro do meu sangue não é? – Saiu da minha boca. Ultimamente não ando pensando antes de falar.
– Nós não estamos dentro de um livro, Srtª Dixon. – Debochou
– Como sabe o meu nome?
– Eu fui ao supermercado hoje bem cedo e vi um cartaz com uma foto sua, onde havia escrito Katherine Dixon, procurada pela polícia.
– Como assim? Acreditaram no fato de que eu matei
– Bem. O fato é que eu perguntei a algumas pessoas o que houve e tinham fatos concretos para que você seja culpada de mata-la. Pelo visto os seus inimigos a acharam. Acho que daqui a pouco os conhecerá, Kathy. Você tem que aprender a usar seus poderes rapidamente.
– Depois do café da manhã nós vamos começar? – Perguntei meio que afirmando
– Claro. Mas antes quero provar a sua panqueca. Estou faminto.
– Já está pronto.
Coloquei o leite e a panqueca em cima da mesa.
Pela rapidez que ele avançou em cima da comida parecia que não comia há dias. Esfomeado.
– Até parece que não jantou ontem. – Brinquei
– Acontece que para um vampiro que esta há três dias sem tomar uma gota de sangue isso é normal. Eu não vou querer o leite, agora eu vou caçar.
– Por favor. Leve sua vítima para longe. Me dá agonia escutar os gritos de alguém e não poder ajuda-la.
– Tem alguém há 357 metros daqui. – Arqueei a sobrancelha. Como ele poderia estar tão certo disso? – Eu sinto a presença de pessoas. Fica mais fácil para os vampiros capturarem suas presas.
– Isso é...
– Estranho. Eu sei. – Completou – E por falar em coisas estranhas, a cova de Caroline estava aberta e vazia esta manhã. Achei que gostaria de saber. Algum bruxo deve ter retirado seu corpo e a ressuscitou. – Falou normalmente antes de fechar a porta
“A cova de Caroline estava aberta e vazia esta manhã”. Essa foi a frase que ficou ecoando na minha cabeça. Como alguém tem coragem de tirar um defunto de um cemitério? Para que fins essa pessoa faria isso? É tipo Jack o estripador? Ele coleciona corpos? Estou viajando demais. Mas não existe uma explicação lógica para isso. Poderia ser para algum ritual para fins ruins. Ou alguém a ressuscitou, como Thommas falou.
Momentos depois Thommas apareceu com uma mochila e roupas femininas meio avermelhadas. Sangue. Constatei.
– Gostou da refeição? – Puxei assunto
– Não muito. Ela já estava morta. Caiu de uma árvore. Ela não sentiu dor, pelo menos não por causa de mim. – Fiz cara de interesse – Achei que gostaria de saber.
– Algo mais interessante para me dizer? Porque eu gostaria de começar a aprender como manusear os quatro elementos.
– Se você quer realmente saber de algo interessante eu vou lhe contar. Eu fui à casa em que você morava.
– Como assim, na minha casa? Você por acaso fez algumas coisa com os meus pais seu sanguessuga? – Me irritei. O que, por Deus, ele foi fazer na minha casa?
– Primeiro, é sua ex-casa. Segundo, eu não pego pessoas velhas como sua mãe, nem homens. Eu só pego garotas bonitas e que mereçam morrer. – Gesticulava com os braços, enquanto ia falando.
– Eu não quero saber disso. Eu quero saber o que você foi fazer naquela casa.
– Pegar algumas coisas. – Jogou as roupas ensanguentadas em cima do sofá e abriu a mochila que antes estava em suas costas, mas agora habitava a mesa – Documentos como certidão de documento, identidade, CPF. Tudo da sua utilidade como perfume, hidratante, maquiagem e outras frescuras – Deixou escapar um risinho – Também peguei roupas, porque eu sei que você não gosta de vestir as minhas camisas ou as roupas das mortas. – Peguei outras coisas sem importância também.
– Quando você diz pegar, quer dizer roubar não é? – Zombei
– Não é roubo quando se entrega algo para o próprio dono. – Retrucou – Eu apenas peguei algo que vai ser de alguma utilidade. – Parou de falar, para pensar algo – Você já reparou que os animais estão fazendo ceram na porta daqui de casa? Eles dobraram a vigilância. As coisas vão ficar feias em alguns dias.
– Você pegou minhas roupas íntimas – Falei pegando-as. Ele afirmou com a cabeça, sem se importar – Isso é um pouco constrangedor. – Corei um pouco.
– Não. Seria constrangedor para você se eu te visse nua. E esse não foi o caso, infelizmente – Fez questão de falar lentamente a última palavra. Corei brutalmente. Ele deve estar de sacanagem com a minha cara. Acabou de confessar que gostaria de me ver nua. Safado.
– Tarado – Joguei o meu batom, a única coisa que tinha em mãos, na sua cara.
– Desculpe. – Falou abrindo o batom – Eu não uso esse tipo de cor – Entregou-me – E essa marca resseca os meus lábios — Demos uma boa gargalhada. Ele fica lindo rindo com vontade
– Ok, engraçadinho. Já pode parar de ser lin... – Ele arqueou a sobrancelha, esperando eu continuar a palavra — Palhaço. Eu disse palhaço. – Corei um pouquinho
– Pensei que iria dizer outra coisa. – Pude ver a malícia em seus olhos, enquanto ele se aproximava.
– Sugiro que eu comece rapidamente a aprender os quatro elementos. Não quero ser morta tão rapidamente. – Desviei do assunto.
– Não se preocupe. Não deixarei você morrer – Pegou o livro na estante – Nem que eu tenha que dar a minha vida para isso – Pude ouvi-lo sussurrando.
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