Mestiça
14 Capítulo 14: Eu sou obrigada a te amar?
Notas iniciais
Eu não sabia o que pensar.
Ele me fez de imbecil todo esse tempo. Mas também me protegeu dos inimigos. Uma lágrima solitária percorreu sobre a maçã de meu rosto.
– Katherine, eu...
– Não me toque!Te odeio tanto por me ter feito amá-lo, para depois descobrir que esse sentimento não é recíproco.
– Mas eu te... — Interrompe-o.
– Não ouse dizer essa frase da boca pra fora! — Passei os dedos em meu rosto molhado — Não entendo o que eu estou sentindo! Você é o culpado de tudo. Estou odiando amar e amando odiar ao mesmo tempo, e nem sabia que isso era possível! — Queria dizer mil coisas nesse momento, mas creio que nenhuma sílaba sairia de minha boca.
– Você acha que eu não estou confuso? Eu odeio ser contrariado, odeio ser chamada de mentiroso. Odeio tudo o que você faz comigo! Se eu realmente não te amasse sua cabeça não estaria junto do seu corpo! — Ele "cuspiu" as palavras em meu rosto.
– Você é um grosso! Imbecíl! Bipolar! Quer saber de uma coisa? Nós nunca daríamos certo!
– Acontece que você só pode e só vai ficar comigo! — Agora, meus braços estavam doendo, pois sua mão os apertavam com muita força.
– Do que esta falando? — Encarava as suas orbes verdes, cheias de fúria.
O que aconteceu a seguir foi um pouco confuso.
Ele me deu um beijo, mais uma de suas incoveniências. Pediu passagem e eu cedi.
Eu sabia muito bem que ele queria que eu parasse de brigar e no impulso, causado pela raiva, eu mordi sua língua. Pude sentir o gosto de sangue imediatamente.
– Olha o que você fez garota! Qual o teu problema?
Saiu batendo a porta com força, bufando.
Afundei minha cabeça no travesseiro.
A única coisa que eu desejava era poder chorar.
Ouvi batidas na porta.
– Vai embora Thommas! — Joguei a primeira coisa que vi por perto em direção a porta.
– Hey! Não é o Thom, é a Natasha.
– Desculpe-me.
– Que nada. Pelo visto a sua situação com o meu irmão só tem piorado...
– O Wolfree é um idiota! E ainda vem me dizer que eu só posso ficar com ele.
– Nesses últimos dias ele anda muito nervoso, e isso é ruim para vampiros.
– Mas precisa descontar em mim? — Perguntei indignada.
Ela estava dando razão para o mesmo?
– Sabe Kath, vampiros só se apaixonam uma vez na vida. E você foi a escolhida.
– Como assim? — Franzi o cenho.
Ela sentou-se ao meu lado.
– Ele se apaixonou por você, e quando um vampiro se apaixona ele passa a sentir tudo o que sua amada sente. Se cortarem sua garganta pela metade, ele irá sentir o mesmo. Se sentir fúria, tristeza, confusão, ele também sentirá o mesmo. Você esta conectada a ele Katherine.
– E se eu não o quiser mais, mesmo amando-o.
– Ele morrerá, querida. — Sorriu de lado.
Eu não o deixaria morrer, pois eu amo-o, de qualquer maneira.
– Já que diz que ele me ama, explique-me o motivo de não termos uma relação fixa.
– Um namoro quer dizer?
Assenti.
– Ele não pode viver sem você, mas você pode viver sem ele.
– O que quer dizer?
– Ele tem medo, Katherine. Medo de morrer nessa jornada e te deixar sofrendo.
– E mais uma vez ele escondeu algo de mim.
– Thommas só não queria te colocar contra a parede sabe? Ele quer ser uma escolha sua, não uma obrigação.
– Mas como eu posso confiar nele, se esconde tudo de mim?
– Encontre um modo, Katherine. Encontre um modo. — Falou com sua doce voz.
– Onde ele esta?
– Foi esfriar a cabeça.
– Com esfriar a cabeça você quer dizer caçar?
– Exatamente isso.
– Quando ele volta?
– Vai demorar um pouco.
Saiu e fechou a porta delicadamente atrás de si.
Eu não sei o que farei quando o Thommas chegar.
Não sei se beijo-o ou mato-o.
Nesse momento o mesmo merecia ambas as coisas.
Nunca me imaginei ficando com alguém para o resto de minha vida. Até porque, pelo o que sei, ela pode ser muito longa. Pois exite a possibilidade de eu ser uma imortal.
Resolvi dormir. Sempre é uma boa solução para esfriar a cabeça. Pelo menos pra esfriar a minha.
Acordei e dei de cara com suas belas orbes esverdeadas nas minhas. Sua expressão estava indecifrável.
Ficamos nos encarando por um longo tempo. Eu tinha que quebrar aquele gelo.
– Sabe, eu suponho que não posso ler mentes. Se puder falar o que veio fazer aqui eu agradeço.
– Eu estou esperando suas desculpas. Eu escutei direito? Ele quer que eu me desculpe?
– Mas essa é boa! Você esconde várias coisas de mim e ainda quer que eu me desculpe?
– Esse é o único argumento que tem sobre mim? Você deveria me agradecer por tudo que eu fiz! Eu te protegi!
– Que ótimo! Onde esse mundo vai parar? Em pleno século XXI, as pessoas acham que mentir é proteger!
– Olha Katherine, eu posso até ser bipolar, mas sei quando estou certo. Eu tento ser tolerante ao máximo, mas tem uma certa pessoa que não ajuda. Assim fica difícil!
– Eu não vou pedir desculpas!
– Ta vendo só? Fazendo birra de criança! Acho que você esqueceu de crescer. Em pleno século XXI, as pessoas ainda têm a dificuldade de se desculpar. — Me imitou.
Bufei.
– Quantas vezes eu já não me desculpei com você? — Riu sem humor- Quantas vezes meu orgulho se foi pelos ares por sua causa?
– Ok! Já que você quer tanto que eu faça isso, eu faço. Desculpe-me senhor certinho. Agora pode me explicar que história é essa de que vampiros morrem se não tiverem sua amada por perto?
– Natasha te contou?
Assenti.
– Por que você se apaixonou por mim, Thomas? Não vê que brigamos à toa?
– Eu sei, mas agora já foi. Não tem mais volta.
– Então, eu tenho que ficar com você pra sempre?
– Não, pois se você tivesse que ficar comigo sem me amar, eu me mataria.
– Então eu sou obrigada a te amar?
– Ambos sabemos que você não é obrigada a tal, pois já me ama.
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