Notas iniciais
Hey! Me desculpem por não ter postada nada semana passada. Probleminhas pessoais me impediram de escrever, e quando eu finalmente comecei a escrever, a bateria do meu notebook e a minha internet resolveram me sacanear. Enfim, aproveitem o cap.

Annabeth levou mais tempo que o normal para processar as palavras de Percy. Como ele sabia daquilo? E quem ele pensava que era para lhe dizer algo assim?

– O que?- foi tudo que ela conseguiu dizer.

– Luke contou para o Grover que vocês dois vão transar hoje. Não faça isso. Por favor.

– Que droga. Que droga! Não acredito nisso.

– Você não pode perder sua virgindade com esse cara.

– Não? Por que?

– Você está falando sério?

– Já te falei Percy, sexo é supervalorizado. Minha virgindade não é um tesouro especial que eu tenho que guardar para alguém, e ser virgem ou não, não me define. Eu não quero esperar sei lá quanto tempo pela pessoa certa. Se é que existe uma pessoa certa. É serio. A primeira vez não é igual um filme pornô cheio de prazer e nostalgia, é estranho e um até um pouco desconfortável. Um dia vai ser incrível, completamente incrível, mas eu só vou chegar nesse dia, se eu der o primeiro passo hoje.

– Eu não acho que é assim. Eu acho que existe a pessoa certa. Quero dizer, o ser virgem ou não, não me define, você está certa nisso. Mas como eu vou perder minha virgindade diz muito sobre mim. O modo como isso vai acontecer vai fazer parte da minha historia. Algum dia no futuro eu vou contar isso para alguém e eu não vou querer dizer, “Aconteceu com uma garota ai, nem lembro o nome dela, foi bacana” Não é assim que eu quero lembrar. Encontrar a pessoa certa é importante. E essa pessoa não é o Luke!

– Percy! Você está apaixonado pela Rachel, okay? Você é completamente apaixonado pelo sorriso dela, e pelo cabelo dela! Aquela cor é natural?

– É sim.

– Ela é completamente encantadora! Chega a ser ridículo! Quem é assim? – Annabeth se dividia entre um olhar perdido, e depois olhar fixamente para Percy, e depois voltava ao olhar perdido. Todas as vezes que seus olhos se encontravam, Percy percebia que Annabeth queria lhe dizer algo mais, mas ele não conseguia captar a mensagem.

– Eu também gosto do seu cabelo.... – ele disse.

– Você nunca viu a quantidade de produtos que eu uso para meu cabelo. Esse não é o ponto Percy.

– Então qual é o ponto?

– O ponto é que... você é apaixonado pela Rachel, e eu vou com Luke. – Annabeth disse por fim. Ao falar isso, ela olhou para chão, esperou uma resposta de Percy, mas ele não disse nada.

Ao levantar a cabeça ela viu Percy sorrindo.

– Por que você está sorrindo? – ela perguntou confusa. O que ela tinha feito de engraçado?

– Você gosta de mim. – ele disse ainda sorrindo.

– O que?

– Você gosta de mim. Tipo, gosta de verdade.

– Não.... Quer dizer, não! Pirou? Quando você virou essa cara metido e confiante?

– Desde a nossa primeira conversa, eu tenho trabalhado nisso.

– Acho que esta fazendo isso com a pessoa errada, se lembra?

– Talvez não. Talvez eu esteja sendo metido e confiante com a pessoa certa. – ele disse se aproximando.

Esse era um movimento arriscado, mas Percy não pensou muito nisso.

– Eu... é que... Percy, eu... – Annabeth não tinha muito tempo para pensar, Percy estava cada vez mais perto e ela tinha que tomar uma decisão. Podia beijar Percy e deixar as coisas na mão do destino, ou poderia evitar cometer um grande erro com Luke. Sentir o perfume de Percy confundia seus pensamentos.

– Annie! – chamou Luke no cômodo ao lado.

– Oi! – ela respondeu empurrando Percy para longe.

– Já podemos ir? – Luke perguntou entrando na cozinha.

– Agora? – ela perguntou.

– Sim.

– Você realmente vai fazer isso? – perguntou Percy para Annabeth em tom mais baixo.

– Você pode dirigir? Quer dizer, você bebeu, parece um pouco alterado – comentou Annabeth. Mas era obvio que Luke tinha bebido e que não estava nas melhores condições para dirigir.

– Eu consigo te levar para casa. – Luke disse.

– Hum... não, você não consegue – disse Percy.

– Claro que consigo! – disse Luke.

– Não, Luke. Você bebeu um pouco demais. Não vou entrar no carro com você. – disse Annabeth.

Percy fazia o possível para permanecer neutro, mas por dentro ele vibrava, a cada minuto que passava, os planos de Luke de dormir com Annabeth estavam cada vez mais longe de acontecer. Mas ele ainda precisava fazer mais algumas coisas para garantir que isso não acontecesse.

– Por que eu não te levo para casa? – Percy se ofereceu.

– Parece uma ideia incrível! – disse Annabeth. – Percy pode levar você Luke!

– O que?! – disse Percy confuso/indignado. A oferta era para Annabeth. Percy queria levar Annabeth para casa! Não Luke! Para Percy, Luke podia se fantasiar de Batman e dormir na calçada, ele não se importava.

– Seria ótimo, hein? Percy, você é um cara tão legal! Obrigada por fazer isso! – disse Annabeth o abraçando.

– Você esta de sacanagem comigo? – perguntou Percy cochichando em seu ouvido.

– Por favor.

– Você me deve uma.

– Tanto faz.

Eles se soltaram e Percy recebeu um olhar nada agradável de Luke.

Parte de Annabeth queria entrar no carro com Percy e ir para qualquer lugar que ele quisesse, sem se importar. Mas ela sabia que não podia fazer isso. Ela não sabia o que poderia acontecer se ela saísse dali com Percy. Ela realmente não queria se arrepender de nada e nem magoar Luke. Ela só viu ele duas vezes na vida, não podia estar se envolvendo desse jeito com um “desconhecido”

– Eu levo Luke para casa, sem problemas – disse Percy. – Mas e você? Quem vai te levar para casa?

– Eu me viro – disse Annabeth.

– Perai! – disse Percy saindo da cozinha

– Você está brava comigo? – perguntou Luke para Annabeth.

– Por ter bebido? Não. Por ter contado para um cara que você uma vez na vida que a gente ia transar hoje? É claro que sim.

–Me desculpe. Sério.

– Quando você estiver sóbrio, a gente conversa, ta bom? – disse Annabeth. – Você vai para casa agora, tomar banho, comer bem, e dormir. A sua ressaca de amanhã já será um bom castigo para você.

– Eu não te mereço.

– Talvez não. Enfim, onde está o Percy?

– Estou aqui, voltei! E achei uma carona para você – disse Percy entrando na cozinha.

Annabeth pensou que seria Nico, e se fosse, não teria problema, eles conversaram, e ela gostou dele. Ele era um bom amigo. Mas não foi Nico que entrou na cozinha.

Foi Rachel.

– Não precisa! Eu já ia ligar para minha amiga vir me buscar! – disse Annabeth.

– Claro que não! Eu posso te levar, sem problemas. – disse Rachel.

– Eu tinha pensado em chamar o Nico, ou até o Grover, mas eles dois parecem pior que esse ai – disse Percy apontando para Luke.

– Vamos lá? – disse Rachel, convidativa para Annabeth.

Annabeth apenas sorriu. Deu um beijo no rosto de Luke e acenou para Percy. Depois que Rachel e Annabeth saíram, Percy começou a pensar se aquilo tinha sido uma boa ideia. Mas agora era tarde demais.

– Pronto para ir? – perguntou Percy para Luke.

– Claro.

Ao sair da casa de Nico, andaram silenciosamente até o local onde o carro de Percy estava estacionado. Luke tropeçou algumas vezes no caminho , mas conseguiu chegar (aparentemente) ileso ao carro.

– Por favor, se você vai vomitar, agora é a hora – disse Percy antes de abrir a porta do carro.

Luke levou um minuto para refletir e enfim respondeu.

– Não, estou bem.

– Não, você está bêbado. E o meu carro está limpo. E eu te proíbo de batiza-lo antes de mim.

– Relaxa garoto. Não vou fazer nada – Luke disse.

Ao entrar no carro, Luke indicou o caminho que Percy devia seguir.

– Como você conheceu minha namorada? – Luke Perguntou.

– Hum... em uma... festa – disse Percy. Ele realmente não queria compartilhar toda a historia com Luke, saber que foi em uma festa já era uma quantidade boa de informação.

– Annabeth é... incrível – disse Luke.

– Sim, ela é – concordou Percy.

– Garotas do colegial são todas iguais sabe? Imaturas. Mas ela? Totalmente diferente. Annabeth é tão...

– ... inspiradora? – sugeriu Percy, porque essa seria uma palavra que ele usaria para descrever Annabeth.

– Sim. Inspiradora.

– Brilhante...

– Isso também.

– Dedicada...

– Ok, já é o bastante – disse Luke.

– Ok.

– Eu estraguei tudo essa noite. Íamos transar pela primeira vez, sabia?

– É mesmo? – disse Percy, sem surpresa. – Quanta pressão...

– Eu queria tanto que as coisas dessem certo! Eu queria que a primeira vez dela fosse... perfeita! Quer dizer, ela merece.

Percy não esperava ouvir isso de Luke.

– Eu sou um babaca. Ela vai terminar comigo. Droga. – Luke continuou falando. – Agora me fala, se ela terminar comigo, onde eu vou encontrar outra garota igual ela?

– Não vai. Annabeth é única.

– Você tem uma lista de adjetivos para ela, não é?

– Parece que sim... Eu não acho que ela vai terminar com você.

– Sério?

– Não agora, pelo menos. Mas logo ela entrar para aquela faculdade na Inglaterra, então eventualmente, vocês não vão ficar juntos.

– Vamos dar um jeito. Você é do último ano?

– Sim.

– Não se preocupe, vai acabar logo, e você vai começar a viver de verdade. Já sabe para universidade você vai?

– Ainda não. Estou esperando uma oferta de bolsa.

–Hum-hum... interessante... Você é uma pessoa legal, vai se dar bem nisso.

Percy percebeu o quanto Luke gostava de Annabeth, e percebeu também que Luke não era o grande idiota que ele esperava. Percy odiou perceber isso. Ele queria manter aquela má primeira impressão que tinha de Luke, mas ouvi-lo falar de Annabeth, fez seus pensamentos mudarem.

Luke era legal e estava tão arrependido, que Percy não conseguia odiá-lo.

Rachel não tinha nenhuma musica legal em seu carro. Annabeth não tinha nada contra Taylor Swift, mas sentia falta de algo diferente.

– Então, Annabeth... você conhece Percy a muito tempo? – Rachel perguntou.

– Não, pouquíssimo tempo, na verdade.

– Sério? Vocês parecem serem tão... próximos. Eu vi vocês conversando. Não sei se você sabe, mas Percy não se dá muito bem com as garotas.

– É mesmo? – depois daquele dia, Annabeth não acreditaria nisso.

“Você gosta de mim” disse a voz e Percy em sua mente.

– Sim! E eu não entendo o motivo. Ele é bonito e legal.

– Ele também é um bom amigo, dedicado, esperançoso e romântico – completou Annabeth.

– Wow, parece que você o conhece bem! Percy é tudo isso, e mais. Ele é um fofo. O melhor amigo que uma garota deseja.

– Acho que sim...

– Ele dá os melhores conselhos! E parece ter uma paciência infinita. E sempre está por perto quando você precisa. Ele é um pouco lento as vezes. Mas você pode contar qualquer coisa para ele, ele nunca vai te julgar. E como nenhuma garota pode se interessar por ele?

– Acho que o problema não são as garotas. Talvez Percy esteja tão focado em algo, que não percebe as coisas ao redor... – comentou Annabeth.

– Ele te falou isso?

– Não. Apenas supondo.

– Você é bem esperta. Acho que é a pressão do último ano. Vestibular, provas finais, baile de formatura, acho que Percy deve estar preocupado com campeonato de natação desse ano. Vai ser a ultima chance dele de entrar em uma boa universidade.

– Talvez seja isso... – Annabeth concordou.

Como Rachel não conseguia ver que Percy era apaixonado por ela?

– Eu gostaria de vê-lo nadar.

– Ele é incrível na piscina!

– Percy é incrível de muitas formas.

– Nossa, se você já não tivesse um namorado, eu diria que vocês formariam um bom casal.

– Vocês também – disse Annabeth.

NÃO! NÃO! NÃO! Por que diabos ela disse isso?! O que tinha de errado com ela?!

Rachel apenas começou a rir.

– Percy e eu? Sem chances. Eu não gosto dele desse jeito. Eu o amo, claro, mas como um irmão. Não consigo ver ele de outra forma.

– E nunca vai conseguir?

– Espero que não. Nunca ia durar. E além disso, Percy merece alguém bem melhor do que eu. Acho que eu não faria bem para Percy...

Annabeth percebeu que fato de Rachel não ter nenhum sentimento além de amizade por Percy, era seu próprio modo de protege-lo.

Percy era um bom amigo, mas Rachel também.

– Chegamos – disse Rachel estacionando na frente da casa de Annabeth.

– Obrigada Rachel.

– De nada. Foi bom conversar com você. Agora eu sei porque Percy gosta de você.

Annabeth ficou parada na calçada, vendo o carro de Rachel se afastar. Quando o carro virou a esquina, seu celular começou a tocar. Era Percy.

– Checando se eu te dei o número certo? – Annabeth perguntou ao atender.

– É sempre bom checar essas coisas. – respondeu Percy. – Seu namorado está entregue em casa, são e salvo... na medida do possível...

– O que quer dizer com isso?

– Ele levou um tombo ao sair do meu carro.

– Ele está bem?

– Acho que sim... foi bem engraçado – disse Percy rindo.

– Percy!

– Mas é verdade!

– Não sabia que você era maldoso assim...

– Sinto muito que seus planos não deram certo...

– Mentiroso.

– Já chegou em casa?

– Sim. Rachel acabou de sair. Onde você está?

– Estou rodando por ai... Não quero ir para casa agora, e também não quero ir para a casa do Nico... É bom ficar andando de carro, sem rumo. É bom para pensar.

– Então acho que você não precisa de companhia... certo?

– Na verdade, sempre é bom ter companhia...