Messed up kids
9 Capitulo 9
Notas iniciais
Desde de pequeno, Percy sempre gostou de nadar. Ele adorava quando seu pai o levava ao clube e o deixava ficar na piscina. Gostava ainda mais de ir para a praia, porque o mar parecia infinito e ele podia nadar mais e mais, sem se preocupar com o momento que ele teria que dar meio volta.
Ele sentia falta desse tempo. Antes, nadar era uma diversão, ele sempre amou fazer isso. Agora isso era uma obrigação, uma responsabilidade, ele ainda amava nadar, mas era diferente.
Este ano Percy precisava se destacar no campeonato para conseguir uma bolsa para a faculdade. Mas o problema era que... ele nem sabia se queria ir para a faculdade. Ele não tinha feito essa escolha. Foi simplesmente imposto a ele. Um dia ele foi visitar o conselheiro da escola e ele disse que as notas de Percy não eram boas os suficiente para entrar em uma boa faculdade e que sua única chance agora era conseguir uma bolsa.
Além disso, Nico e Grover iam para a faculdade. A diferença era que eles queriam isso. Eles sabiam o que queria fazer da vida, tinha sido escolha deles.
Sem falar em Annabeth. Para Percy era incrível com ela já tinha tudo planejado. Qual seria sua profissão, onde estudaria, e como ela era corajosa por ir para outro pais, longe de seus amigos e família, para realizar um sonho.
– Vamos jogar vídeo game depois da aula? – perguntou Grover quando encontrou com Percy no corredor da escola.
– Tenho treino de natação hoje, não dá. – Percy respondeu.
– Você pode passar na minha casa depois do treino
– Ok.
– Olá garotos – disse Rachel se aproximando.
– Ei Rachel – disse Percy.
– Eu estive pensando sobre o que você disse Percy.
– Quando?
– Na festa do Nico. Sobre parar de ficar com os gostosões e populares. Sobre dar chance para alguém mais normal.
– E...?
– Você estava certo.
– Você vai parar de ficar com os bonitões? – perguntou Grover.
– Correção: eu parei de ficar com esse tipo de garoto.
– Já pensou em para de ficar com garotos por um tempo?
– Já. Mas eu sei que não vai dar certo. Enfim, eu quero que você, Percy, seja meu monitor.
– Monitor?
– Sim. Toda vez que estiver me aproximando de alguém que eu não devo, você vai me impedir.
– Então você quer dizer babá. – disse Grover.
– Grover, você não tem nenhuma arvore para salvar? Nenhuma aula para ir? – perguntou Rachel.
– Entendi o recado. Tchau — disse Grover se afastando.
– Não precisava falar com ele desse jeito – disse Percy.
– Foi sem querer. Voltando ao assunto, eu realmente vou começar a olhar para os outro garotos, os normais, os não-tão-populares.
– Que ótimo Rachel.
– Tudo bem com você? – ela perguntou.
– Você o que fazer na faculdade?
– Minha vida na faculdade se resume a duas palavras: American Pie – disse Rachel imitando Nico. Essa foi a resposta que ele deu, quando Percy fez a mesma pergunta para ele.
– Falando sério.
– Você sabe que eu vou fazer artes plásticas.
– Por que?
– Porque eu gosto, porque eu sou boa nisso. – Rachel respondeu.
– No que eu sou bom?
– Você é um ótimo amigo Percy. Preciso ir para minha próxima aula, até logo – Rachel deu um beijo no rosto de Percy e foi embora.
“Ótimo amigo” Você não pode cursar isso na faculdade.
Annabeth estava quase subindo pelas paredes. Tanta coisa para fazer! Ela tinha que estudar para sua grande prova, tinha dois relatórios para entregar, uma pesquisa para fazer, era a representante da turma, e tinha que resolver assuntos sobre o baile dos veteranos. E Luke ligava a cada 15 minutos, e ela realmente não queria falar com ele naquele momento. Ele já tinha pedido desculpas, e ela já tinha aceitado, mas ele parecia não acreditar.
Seu celular tocou mais uma vez.
– Estou ocupada, pode parar de me ligar?! Eu realmente tenho muitas coisas para fazer, e você não me deixa em paz. – ela disse estressada.
– Ok, desculpe. Não vou te incomodar mais.
– Percy?
– Quem pensou que era?
– Luke.
– Bem não é o Luke. Sou eu.
Annabeth não podia acreditar que tinha sido tão grossa com Percy.
– Tudo bem?
– Você realmente está muito ocupada? – Percy perguntou.
– Hum... – Annabeth olhou para a pilha de folhas espalhadas sobre sua cama. – Não.
– Tem tempo para conversar?
– Claro! Onde e quando?
– Agora, no meu carro.
– Hum?
– Olha pela janela.
Annabeth correu até a janela e viu o carro de Percy estacionado do outro lado da rua.
– Já estou descendo – Annabeth respondeu.
Ela não podia acreditar. Desceu as escadas correndo, sem se importar com a roupa que estava usando, saiu de casa e foi até o carro de Percy.
– Procurando o posto de gasolina novamente? – ela perguntou ao entrar.
– Sim senhorita, e acho que dessa vez vou precisar de uma guia. – respondeu Percy.
– Me desculpe por ontem Percy. Eu realmente não esperava que minha aparecesse.
– Não se preocupe. Você já está se redimindo.
– Sobre o que você quer conversar?
– Por que você escolheu arquitetura? – Percy perguntou dando partida no carro.
– Porque... eu sempre gostei disso. Quando eu era criança, andava na rua com meus pais, vendo aqueles prédio enormes que pareciam tocar o céu, eu... sei lá... ficava encantada. Então um dia eu decidi que quando eu crescesse, eu ia construir um prédio que tocasse as nuvens. Tipo uma Torre de Babel. Eu gosto da ideia de que um dia alguém vai olhar para uma construção minha e ficar tão encantado quando eu ficava quando via aqueles prédio quando era criança.
– Quem é Babel? – Percy perguntou.
– Hum... de forma resumida, Babel era a capital da Babilônia. O Rei da Babilônia decidiu que construiria uma torre tão alta que alcançasse o céu. – Annabeth explicou.
– Como você sabe dessas coisas?
– Não sei se você vai acreditar mas, na minha escola temos uma matéria chama Historia.... não sei se você já ouviu falar.
– Engraçadinha. Historia nunca foi meu ponto forte. Nem matemática, nem biologia, nem física e química...
– Por que você quer saber porque eu gosto de arquitetura?
– Grover vai estudar ciências biológicas porque ele... bem, ele ama a natureza. Beckendorf vai fazer engenharia mecânica porque ele é ótimo nisso, ele pode construir qualquer coisa que você imaginar. Rachel ama fazer pinturas, então ela vai fazer artes plásticas....
– E você Percy? – Annabeth perguntou.
– Eu não sei. Provavelmente já perdi minha chance de ser um nadador profissional, e eu não faço ideia do que eu quero fazer com a minha vida. Eu não sei no que eu sou bom, e ultimamente eu não consigo parar de pensar nisso.
– Percy, você bom em um monte de coisas, eu tenho certeza que vamos encontrar alguma cois...
– Annabeth, eu não te procurei porque eu quero ajuda com isso. Eu queria conversar com você porque... porque quando eu estou com você, eu consigo me distrair. Eu fico ouvindo você falar, e então eu esqueço sobre a faculdade, sobre a escola, sobre Rachel...
– Você esquece da Rachel? Piada né? Quando estamos juntos, você fala muito, muito mesmo, dela. – Annabeth protestou.
– Vou tentar não falar tanto dela hoje, tudo bem?
– Tudo bem. Para onde estamos indo?
– Não sei. Alguma sugestão?
– Não me importo em ficar dando algumas voltas de carro. Sempre gostei de viajar de carro.
– É mesmo? Eu sempre gostei de viajar também, de carro, trem avião...
– É. Eu gosto de ver o caminho, fazer paradas, comer coisas diferentes. Na verdade, eu acho que a parte mais chata de qualquer viajem é chegar ao destino. A jornada sempre é mais interessante.
– “A jornada é sempre mais interessante” . Vou fazer isso adesivo com essa frase e colar no meu carro.
– Bobo.
– Nunca pensei por esse lado. Quer dizer, quando você faz uma viajem, o destino é o seu objetivo.
– E se você não tem destino?
– Toda vez que alguém sai de algum, ela tem um destino, uma parada.
– É mesmo Percy?
– Sim Annabeth.
– Diga-me, qual é o nosso destino agora?
– Ok, um a zero para você, dona sabidinha.
Annabeth apenas riu. E mais uma vez ficou impressionada como era fácil conversar com Percy. Não havia pressão nem vergonha, era simples.
– Sabe quando eu percebi isso?
– Não, conte-me.
– Quando eu tinha 12 anos minha antiga escola fez uma excursão e aminha turma seria dividida em 2 ônibus. Eu e todos meus amigos ficamos no mesmo ônibus, e isso nunca tinha acontecido antes. E foi fantástico. Todos nós juntos, conversando e cantando. Acho que nunca comi tantos doces, como naquela dia. Eu me senti... feliz. Naquela ano poucas coisas boas aconteceram, mas aquela excursão, sem duvida, foi um dos melhores dias da minha vida. E quando chegamos ao nosso destino, tudo o que eu pensava eram em voltar para o ônibus com meus amigos, porque lá, era muito mais legal.
– O que aconteceu naquele ano? – Percy perguntou.
– Meu pai se casou com minha madrasta. Não quero falar sobre isso.
– Então vamos falar sobre outra coisa.
– Sua vez de me contar uma viajem épica.
– Vejamos... acho que já sei. Um ano e meio atrás, nossa equipe de natação fez uma viagem para Espanha. Todos estavam completamente animados porque aquela foi a primeira vez que fomos competir internacionalmente. Dois dias antes da competição, eu sem querer me separei do grupo, e quando eu percebi, eu estava perdido no meio de Barcelona. E então, no começo eu entrei em pânico, porque diferente de você, eu não falo 15 línguas diferentes, quer dizer, meu espanhol é horrível! Eu não sabia o que fazer, eu não sabia como voltar para o hotel e nem como encontrar minha equipe, e pensei que estava completamente ferrado porque perderia a competição. Para me acalmar eu me sentei um banco e olhei ao redor. Foi ai que eu percebi... como aquela cidade era bonita. Realmente bonita. E pensei em todas as coisas que eu estava perdendo enquanto estava tendo meu ataque de pânico. Eu comecei a notar... tudo. Como as pessoas conversavam, o formato das casas, os desenhos nas calçadas, como as crianças brincavam. Era tudo tão diferente. Tudo era tão vivo. E naquele momento, eu me senti... livre. Como se eu não pertencesse a um lugar fixo, como se eu fosse do mundo e o mundo fosse meu... Foi a melhor parte da viajem, ficamos em segundo lugar na competição. Mas toda vez que eu lembro disso, eu tenho vontade de voltar lá. E me perder de novo, e ver tudo aquilo que eu não tive oportunidade de ver.
Annabeth olhava fixamente para Percy enquanto ele falava e não conseguia entender o que sentia no seu coração. Era como se ela conseguisse sentir em sua pele as coisas que Percy descrevia, por um segundo em sua imaginação, ela perdida com Percy em Barcelona e não queria voltar...
– Então, o que acho da minha historia? – perguntou Percy.
– Empatamos. Um a um. – Annabeth disse, desviando seu olhar para janela.
– O que foi?
– É que... eu fiquei ouvindo você e por um momento... eu quis estar lá com você.
– Eu gostaria que você estivesse lá comigo. Você com certeza ia amar Barcelona.
– Não estou falando especificamente de Barcelona... – disse Annabeth. — Eu gostaria de me perder em qualquer parte do mundo com você...
Percy não sabia o que falar, queria olhar para Annabeth, mas estava dirigindo. Ele também gostaria de se perder com Annabeth. Ele sentiu a mão de Annabeth sob a sua, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, Annabeth a tirou.
– Nossa, o que eu estou falando? Deixa pra lá! – Annabeth disse recompondo-se.
Percy não sabia o que falar, ele queria de alguma forma resgatar aquele momento de intimidade que tiveram.
– Como está Luke? – Percy perguntou.
– Melhor. De ressaca, mas melhor. Ele já me ligou umas 20 vezes hoje. Por isso não trouxe meu celular.
– Você vai terminar com ele? — Percy perguntou.
– Você acha que eu devia terminar com ele?
Percy se sentou em uma encruzilhada. Uma voz na sua cabeça dizia : Sim! Você devia terminar com ele, agora. Mas essa voz não era sua consciência. Sua consciência dizer para ele não se envolver, porque ele sabia o quanto Luke gostava de Annabeth.
– Acho que você devia fazer o que achar melhor – Percy respondeu.
Essa não era a resposta que Annabeth esperava. No fundo, ela tinha um pequena esperança que Percy dissesse a ela que era certo terminar com Luke.
– Hum... Percy. Embora a ideia de sair por ai sem rumo com você seja muito interessante, eu preciso voltar para casa. Eu preciso terminar algumas coisas... Pode me levar para casa por favor? — Annabeth pediu.
– Claro... claro — disse Percy.
Ele não queria levar ela para casa. Ele sabia que tinha estragado tudo. Cerca de 30 minutos de puro silencio depois, Percy estacionou na frente da casa de Annabeth.
– Chegamos — disse Percy.
– Obrigada.
– De nada. Deviamos fazer isso mais vezes — Percy sugeriu.
– É... talvez — Annabeth respondeu sem olhar para ele.
Mais um minuto de silencio. Os dois imoveis.
Annabeth olhava fixamente para a janela, e Percy acompanhou o seu olhar. Luke estava parado na frente da casa de Annabeth.
– Sabe Percy — começou Annabeth. — Você é bom em ouvir as pessoas, você é bom em ajudar os outros. Talvez você devesse fazer isso na faculdade. Psicologia, pedagogia, assistente social. Você poderia tentar — ela terminou de falar, deu um beijo em seu rosto e saiu do carro. — Obrigada pelo passeio. — e fui em direção a sua casa onde Luke a esperava.
– Você devia terminar com ele — Percy disse sozinho no carro, enquanto Luke dava um grande abraço em Annabeth.
Ele deu partida no carro e seguiu seu caminho.
Percy se sentia um idiota. Por que não disse aquilo quando teve chance? Termine com ele. Larguei ele. Dá um pé na bunda dele!
Mas... se eles terminassem, qual era a garantia que Percy tinha que ele e Annabeth ficariam juntos?
Ele e Annabeth... juntos.
Percy se surpreendeu como essa frase soou bem na sua mente.
– Eu estou me apaixonando por Annabeth — ele disse para si mesmo, freando bruscamente o carro. Esse era um sentimento novo, para ele, diferente do que ele sentia por Rachel.
Gostar de Annabeth era diferente. Era agradável, interessante, engraçado... era um sentimento libertador.
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