Mesmo Que Não Venha Mais Ninguém
7 Onde as lágrimas derretem o gelo no oceano de culpa
Quando uma pessoa está na lama, o mundo todo parece feito de areia movediça, ele era apenas um solado tentando não afundar. Oh, os céus sabia o quanto ele tinha medo de se afundar no esquecimento. E o pior, ninguém parecia se importar.
Foi como uma experiência extra-corpórea. Estava ali e não estava. Voava acima das estrelas e caía nas lavas de um vulcão. Seu suor era quente e era frio. Um pedacinho de Sol parecia ter decido para brilhar perto dele. Queria estender a mão para tocar aquela luz, mas não queria se queimar. E sentia-se... feliz... Livre... Leve... Solto.
Puta. Que. Pariu.
— Artie?
Uma voz.
Negava a si mesmo, mas amava aquela voz. E amava o poço escuro cheio de desconhecimento de onde aquela voz vinha.
Estava fazendo aquilo de novo: se apaixonar. Mais uma caminhada pela estradinha de tijolos amarelos até descobrir que Oz era uma farsa. O amor era uma farsa.
Ignorou a voz. Estava ocupado demais nadando onde as lágrimas derretem o gelo no oceano de culpa. As lágrimas eram artificiais, só que a culpa era orgânica. A culpa era real. Havia tanta culpa vermelha sendo bombeada pelo seu coração. Enxergou as auras de vários rostos: sua mãe, Trace, seu pai, Stanley, Lynn, Hathaway, Andrew. Este último era um rosto invasor, não devia estar ali.
E então caiu em desespero.
Sua culpa era quente e queimava como um relâmpago.
Onde ele estava?
O que estava acontecendo com ele?
Quem ele era?
A resposta veio num sinal de vomito que ele depositou no chão, tinha gosto de remédio.
— Artie?
Desta vez, queria ter respondido. Mas estava ocupado demais perdendo os sentidos e desmaiando ali, onde quer que fosse aquele lugar.
Fale com o autor