Mesmo Que Não Venha Mais Ninguém
20 O início, o fim e o meio
Artie quase chorou quando teve que se despedir dos seus discos e dos seus pôsteres, mas sua mãe o confortou prometendo que os manteria intocados para sempre que viesse visita-los. Ele até conseguiu separar seus CDBs favoritos para levar na viagem, o difícil seria convencer Andrew a coloca-los para tocar. Também foi difícil dizer adeus paras uma linda máquina de escrever, que agora seria substituída pelo bom velho casal do papel e caneta. Na sua caderneta nova que agora serviria como diário de viagem já estava com a primeira página preenchida.
10 de outubro de 1996
Querido diário,
Quando eu escrevi na sua velha versão de metal que não iria mais escrever porque eu não conseguia escrever sobre coisas que me deixavam feliz eu estava sendo um idiota, como sempre. Bloqueio de escritor era desculpa para eu não parar para pensar nas coisas que me faziam feliz. Era só a minha mente bloqueando qualquer chance de descanso de suas paranoias e manias de tristeza.
Pela primeira vez desde sempre(?) eu estou afirmando com todas as letras: eu estou feliz. Sim, é verdade. Eu estou amando e estou feliz. Se eu soubesse que o amor era a resposta eu teria dado uma chance para o Josh no primeiro ano (espero que Andrew não leia isso). Pois agora eu sei que O amor é abstrato demais, e difícil de entender. Ele depende de nós dependemos dele. Se nós não existíssemos, ele não existiria. O amor nos imita, somos inconstantes e ele também é inconstante. O amor se inflama, morre, se quebra, nos destroça, se reanima… mas reanima. O amor talvez não seja eterno, mas nos torna eterno.
Estou saindo e levando muito amor na minha bagagem, o que me dá uma visão mais otimista sobre a vida. Sinto que estou escrevendo o fim, o início e o meio de várias fases que vivi, estou vivendo eu vou viver.
Espero que isso que eu escrevi não tenha soado tão confuso quanto os meus pensamentos, talvez eu precise de mais uma dose de café. E espero também que minhas próximas escritas não sejam tão breves. É isso, até a próxima.
Com amor,
Artie
Robert o ajudou a carregar suas malas pesadas para a rua, onde Andrew já esperava com o porta-malas aberto. Tomara que ele fosse grande o suficiente para que todas as malas coubessem, pois Artie não tinha certeza se conseguiria deixar mais qualquer coisinha para trás.
Andrew lhe deu um beijo rápido antes de pegar as suas malas — que por algum milagre desafiador das leis da física, couberam todas ali.
Depois Artie se virou para se despedir da mãe, que estava com uma cara engraçada tentando não chorar. Artie não disse nada, apenas a abraçou e lhe deu um beijo na bochecha. Então entrou no carro antes que ele próprio começasse a chorar.
— Está pronto? —Perguntou Andrew, assim que entrou no carro.
— Sim.
— Tem certeza?
— Anda logo Andrew, quero chegar em York antes da meia noite, eu fiquei sabendo que vai ter um eclipse por lá.
Andrew deu partida no carro e eles começaram a avançar pela rua. Artie fechou os olhos, pois não queria ver sua mãe parada na calçada lhe acenando um adeus. Não queria os fantasmas do seu ´passado parados na calçada lhe acenando um adeus. Toda uma vida estava sendo deixada para trás, mas uma nova estava parada na frente deus lhe desejando boas-vindas.
— Andrew, o que eu falei sobre fumar dentro do carro? É uma das nossas regras de viagem.
— Espera um pouco, nós temos regras de viagem?
— Sim.
— Desde agora.
— Você não pode me impedir de fumar!
— Tudo bem, você pode fumar... com uma condição.
— Qual?
— Vai me deixar tocar um dos meus CDs.
— Droga.
— É pegar ou largar.
— Eu te odeio, Artie.
Andrew se aproximou para dar um beijo e ligar o rádio do carro. Artie estava com o rosto quase doendo de tanto sorrir.
— Eu também te amo, Andrew. Vou te amar pelos menos até próximo cd.
FIM
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