Mesmo Que Não Venha Mais Ninguém

14 O lobo finalmente vai soprar


Notas iniciais
I´m still alive and breathing. Gente, mil desculpas. Sério. Eu estava passando as férias na casa da minha mãe no interior, e lá não tinha computador e muito menos internet. E, além disso, eu tirei um tempinho pra curtir ela e minhas amigas de lá, eu não as via a muito tempo. Por isso nem respondi aos comentários do capítulo anterior, que só pude ler agora, desculpa mesmo gente. Mas agora eu voltei, e voltei para ficar. (p.s: Esse capítulo é dedicado à Asheley Dream, que fez um recomendação linda para a fic, muito obrigado, sua linda!)

Artie abriu a janela e afastou a cortina. Sentiu um arrepio, não por causa da brisa gélida que lhe tocou a pele, mas sim pelo som da porta sendo trancada às suas costas.

Click.

Virou-se plenamente e encontrou um par de olhos claros que parecia brilhar na penumbra daquele cômodo. Engoliu em seco, a realidade daquilo que estava para acontecer o atingiu como um soco no estômago. Mas ele não sentia medo, era algo mais próximo do ceticismo. Afinal, se alguém dois meses antes tivesse lhe contado que ele iria estar em quarto de hotel de beira de estrada com um garoto, onde ele faria sexo pela primeira vez.

O quarto era simples, apenas uma cama, uma mesa de cabeceira e um pequeno banheiro conjugado. Havia também um tapete poeirento e um ventilador no teto, e as paredes eram pintadas em um padrão de cores verdes com a tinta descascando. O ambiente inóspito não era um problema, mesmo que não estivessem deitamos em um campo aberto sob as estrelas de suas fantasias, seu coração vacilava do mesmo modo.

Artie desviou os olhos para a cama e foi até ela, o silêncio de Andrew estava começando a incomodar. Quando estava prestes a perguntar se havia algo errado, o garoto começou a dar passos dolorosamente lentos para mais perto. Artie engoliu suas palavras. Andrew parecia tão ameaçador e atraente ao mesmo tempo, com seu topete dourado iluminado pela luz prateada da lua. Ele era como um lobo caminhando até a presa. E Artie, que sempre fora um porquinho indefeso escondido dentro de sua casinha de tijolos, estava mais do que radiante por saber que o lobo finalmente vai soprar aquela casinha para longe.

— Hum, eu... essa é a parte em que tiramos as roupas? — Perguntou Artie.

Andrew sorriu.

— Essa é a parte em que eu pergunto se você tem certeza disso.

Ha, nunca tive tanta certeza de algo na minha vida inteira, pensou Artie. Talvez desejo fosse uma palavra fraca demais para descrever aquele sentimento, era algo mais como uma necessidade. Ele queria beijar Andrew, e mapear o corpo dele com seus lábios, um centímetro de pele de cada vez.

— Eu tenho. Eu tenho certeza.

Andrew não respondeu nada, apenas se aproximou mais, lentamente, para então estar ajoelhado na frente de Artie, com a mão na sua bochecha e com a boca próxima à sua orelha.

— Tudo bem. Então sim, essa é parte em que tiramos as roupas.

Ele selou a frase com um beijo e Artie de repente esqueceu do que era respirar.

Um. Dois. Três segundos se passaram e eles ainda se beijavam. E então, aos poucos, suas peças de roupas iam caindo sobre o tapete. Artie ficou um pouco constrangido de ter que ficar sem roupa na frente de outra pessoa, mesmo no escuro. Mas o prazer dos lábios de Andrew beijando aquele lugar abaixo da sua clavícula era maior.

E, além disso, havia o corpo de Andrew sobre ele. Maravilhoso e quente. Ele tinha suas tatuagens: uma fênix queimando no seu peito musculoso e o desenho de uma arma que começava no quadril e descia para onde o elástico da cueca preta escondia. Artie corou com o caminho que sua imaginação tomou.

— É linda — falou, tocando a tatuagem da fênix com a ponta dos dedos. Podia sentir a vibração do coração batendo por baixo da tinta.

Andrew olhou por um longo segundo e puxou uma respiração pesada. Eles estavam tão próximos que Artie era capaz de enxergar o próprio reflexo nos olhos que o encaravam.

— Ela significa o modo como tenho renascido das cinzas durante toda a minha vida, de novo e de novo. É o único momento de sobreviver.

Artie sorriu.

— Você não pode dizer esse tipo de coisa para mim.

— O quê? Por que não?

— Porque me faz gostar ainda mais de você?

— Você gosta de mim? Eu achava que só gostava de me beijar.

— Ah, mas eu gosto disso também. Gosto muito.

Para dar ênfase em suas palavras, forçou o corpo de Andrew para o lado e subiu em cima dele, se gratificando com a expressão de surpresa no rosto dele. Estava na hora de mapear aquele corpo com a sua boca.

Começou pelo pescoço e então desceu. Beijou a pinta no ombro de Andrew, a tatuagem de Fênix, as ondas do abdômen. Os gemidos contidos de Andrew e a mão dele acariciando seu cabelo eram os incentivos que o fizeram irem frente.

Mas antes que chegasse lá Andrew o segurou pelos ombros e o puxou para cima, voltando os dois para a posição inicial. Artie franziu a sobrancelha.

— O que foi? — Perguntou.

— Acho que devemos ir com calma, uma coisa de cada vez.

Artie ficou agradecido por aquilo, na verdade ele não sabia se estava preparado para aquilo.

Tudo bem.

E então o espaço entre eles desapareceu novamente e eles voltaram a se beijar. Artie tremia, com uma sensação entranha e deliciosa de que iria derreter ali naquela cama, e que todo o amor e prazer dentro dele iria transbordar pelos lençóis brancos. Havia tanta pele se tocando, que ele se confundia com onde acabava seu corpo e começava o de Andrew. Talvez não existisse um limite ali, naquele momento, talvez eles tivessem se tornado uma só pessoa.

Andrew interrompeu o beijo e ergueu o corpo para ficar no nível dos olhos de Artie. Havia uma pergunta escondida naquele olhar, e a resposta para ela era sim, sim e sim.

— Sim eu estou pronto — falou, ficando surpreso por conseguir encontrar sua voz no meio naquela névoa de prazer.

Andrew deu-lhe outro beijo rápido e se afastou da cama. Artie ficou encarando o ventilador no teto rodando, mas conseguiu ouvir o barulho de um papel sendo rasgado. Oh, meu Deus. Isso realmente está acontecendo?

Sim, estava. Pois sentiu a presença quente de Andrew sobre ele novamente logo em seguida. Sentiu sua cueca ser arrancada do seu corpo. Corou e desviou os olhos.

— Ei, não precisa ficar com vergonha. Não comigo.

Artie acenou com a cabeça e então olhou para Andrew, e para sua ereção apontando para cima. Sem saber de onde sua ousadia surgiu, ergueu a mão e a tocou, puxando para baixo. Andrew gemeu e enterrou o rosto na curva do seu ombro, era incrível como se encaixavam perfeitamente.

Então com alguns movimentos leves e sutis, eles eram um só, desta vez em um sentido mais literal. Artie mordeu o lábio inferior para conter um gemido de dor e segurou os lençóis com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Andrew o beijou novamente e começou a acariciar um ponto sensível no seu pescoço, e assim, aquela dor se transformou em um prazer, algo mais profano e maravilhoso do que qualquer coisa que ele havia sentido em todas a seja vida. Foi como se seus cinco sentidos tivessem acordado de um sono profundo e começado a dar uma festa. Era demais sentir aquilo tudo: a pele quente de Andrew tocando a sua, a visão do olho dele espelhando o mesmo prazer, o barulho do ranger da cama, o gosto dos lábios de Andrew devorando os seus, e o cheiro de suor e perfume de seus corpos.

Olhando para o teto novamente, enxergou luzes coloridas brilhado no teto. Imaginou poemas sobre aquele momento, o que o fez se perguntar se Andrew estava imaginando desenhos em muros.

Agora que o lobo havia derrubado sua casinha, Artie percebeu o quanto a vida podia ser incrível. Não somente pelo sexo, seria muito limitante pensar assim, mas pelo fato de ter alguém. Alguém para se ter do lado em cada dia entediante da rotina, que faça a mesmice desaparecer com alguns beijos. Alguém para limpar suas lágrimas e dizer, sussurrando, que tudo ia ficar melhor. Sim, era incrível.

Os minutos passavam, lentos e rápidos. Suas mãos percorriam o corpo de Andrew, e suas unhas roídas tentavam arranhar as costas dele. Os movimentos antes lentos foram ganhando um ritmo mais desesperado. Era como mudar uma estação de Soul para uma estação de punk rock. E Artie adorou. Cada segundo, cada pedacinho de prazer. Queria gravar a memória daquela noite em uma caixinha e guardá-la embaixo da cama, para poder lembrar de como era ser feliz sempre que quisesse.

E então os dois atingiram o êxtase, juntos. Artie de repente não sentia mais suas pernas e deixou-se afundar no colchão. Sua respiração estava difícil e seu coração estava a ponto de explodir. Sentiu o colchão afundar ao seu lado no espaço onde Andrew se deixou cair, ele também parecia estar com dificuldade para respirar.

Artie ficou um tempo olhando para o nada no teto. Apenas seu corpo físico estava presente no quarto naquele momento. Pois sua alma estava lá de fora, acima da estrada, dando piruetas no ar em sinal da felicidade, ela subiu e subiu, até seu brilho se perder na poeira das estrelas.

Então era sobre isso que todo mundo falava?

— Ual — ele se flagrou falando, com um sorriso bobo se infiltrando no meio da sua expressão de surpresa.

Andrew riu baixinho.

— Sim, ual. Se eu soubesse que transar com você seria tão bom eu teria te comido naquela primeira noite no carro.

Foi a vez de Artie rir.

— Não seja convencido, naquele tempo eu não estava tão desesperado assim.

Andrew fez um muxoxo exagerado e subiu sobre ele novamente.

— Então você só ficou comigo porque está desesperado?

— Talvez.

— Artie. Você é um péssimo mentiroso. Eu consigo te ler como se você fosse um livro.

— Mesmo? E no que eu estou pensando nesse momento?

Andrew levantou um pouco o corpo papa poder vê-lo melhor, e estreitou os olhos como se realmente o estivesse lendo.

— Bem, você parece surpreso. Como se o que acabou de acontecer não tivesse sido do jeito que você havia imaginado. E, pelo sorriso que você estava há minutos atrás, você gostou. E está surpreso por isso. Por que você está surpreso?

Artie desviou os olhos.

— Eu não sei, acho que só são as mesmas velhas inseguranças. Você sabe, eu nunca mantenho expectativas altas sobre nada na minha vida. E... — ele voltou a fixar os olhos nos de Andrew, para tentar fazer as suas palavras soarem ainda mais verdadeiras. — E eu nunca me permiti desejar nada, pelo menos não antes de você.

— Esse é o ponto, Artie. Você não precisa manter expectativas sobre nada, principalmente sobre mim. Não por medo de sofrer alguma decepção, mas para conseguir se concentrar no presente, viver intensamente o agora, e se esquecer do amanhã.

Andrew selou sua fala com um beijou, e então Artie já estava se "animando" mais uma vez. Um pensamento se esgueirou por entre aquele beijo: a ideia de como seria fácil viver daquele jeito. Estar em uma cama com Andrew, tendo conversas humoradas e sérias com ele, trocar beijos e carinhos com ele. Enquanto todos os problemas da vida do lado de fora do quarto pareciam pequenos, tão pequenos como uma cidadezinha vista do espaço. Parecia tão certo. Tão fácil. Ele poderia continuar fazendo aquilo para sempre.

Andrew interrompeu o beijo e sorriu para Artie, sua expressão séria de momentos atrás havia desaparecido.

— Artie?

— Sim.

— Eu quero perguntar uma coisa.

Ou Artie estava ficando louco ou Andrew realmente estava corando.

— Fala.

— Você... você está pronto para você sabe... para outra rodada?