Um movimento rápido e, diga-se de passagem, nada delicado. Havia me jogado contra a parede num movimento de necessidade, ao mesmo tempo que tentava ser gentil. Sentia a maçaneta do meu lado, mas eu nem ligava pra ela. O que me importava agora eram os lábios que me atacavam com uma urgência insana, as mãos fortes deslizando sobre mim.

A turnê do Voyage estava no meio, e, como já era de costume, Gackt invadia o meu quarto. Se é que pode ser considerada invasão, uma vez que eu havia deixado a porta destrancada, já prevendo o que viria a seguir.

Eu me agarrava naqueles cabelos longos, aspirando seu perfume, inebriando-me naquele aroma. Suas mãos tão ágeis no piano despiam-me numa velocidade incrível. É, talvez eu não devesse tê-lo atiçado tanto no palco.

Já estávamos juntos a algum tempo, mas ainda tudo era mantido em segredo. O único que talvez soubesse de algo, pra variar só um pouco, era Közi. Mas quando é que eu conseguia esconder algo dele? Mas o que me importava agora não era o que Közi pudesse ou não saber. Tinha coisas mais importantes para me concentrar...

Gackt arrancou-me as últimas peças de roupa, jogando sua própria camisa em algum canto do quarto. Deslizei minhas mãos sobre aquele tórax que sabia que era meu. E de mais ninguém. Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, ou até mesmo protestar, meus dentes estavam cravados em seu ombro. Ah, o gosto dele. Ouvi um pequeno gemido incontido, numa mistura de prazer e dor que em muito me agradava. Lambi a mordida logo em seguida, satisfeito ao pensar que aquilo levaria semanas para sair.

- Meu. — o meu comentário o fez rir, aquela risada baixa e curta.

- Sempre.

Agarrou-me, soltando-me apenas na cama, enquanto ele lutava contra as calças. E que calças. Não que a visão dele sem elas não me agradasse, de forma alguma; mas elas davam um ar misterioso, aguçando a curiosidade sobre o que haveria dentro delas. E que visão. Um corpo escultural e uma voz divina. Às vezes eu me perguntava se ele era real.

Afastou as minhas pernas delicadamente, posicionando-se no meio delas. Penetrou-me a seco, mas eu já havia me habituado a isso. É, talvez eu devesse atiçá-lo mais nos shows.

**********

- Mana-san. Parece estar tão feliz hoje.

Olhei para Kami, com uma sobrancelha erguida. Estava ficando assim tão óbvio? Como se já não bastasse Gackt ir pro show de aliança, eu agora dava mostras grátis de felicidade?

- Por que diz isso, Kamimura?

- Por nada. — ele sorriu meigamente, como sempre fazia. Ele ainda mataria uma fã qualquer dia desses. — Mas é bom ver que está animado. Viu Gackto-san? Queria repassar com ele o nosso solo...

Gackt saiu dos bastidores, rindo junto com Közi. Lançou-me um olhar que só não tinha mais malícia por falta de espaço, mas cumprimentou-me normalmente antes de se dirigir à Kami.

- Vamos lá, Kami-kun! Temos muito trabalho a fazer.

Os dois foram se posicionar, enquanto eu ia afinar a minha querida guitarra azul. Logo em seguida Közi juntou-se a mim.

- Tem uma aí desafinada, não tem não?

Olhei pra cara de Közi, que mantinha aquele ar zombeteiro de sempre. Toquei as cordas uma por uma.

- Impressão sua. Está tudo em ordem.

- Eu sei.

Franzi o cenho, enquanto via o sorriso largo de Közi se ampliando. Devia tirar daquela frase um outro sentido? Se tratando de Közi, a resposta era mais que óbvia.

- Eu sei de muitas coisas, Mana-chan. — ele continuou. — Talvez até coisas demais... Mas fazer o quê? É divertido!

Continuei em silêncio, pra variar. Não queria me deixar levar pelo jogo de palavras de Közi -novamente-. Esperei que ele continuasse seu discurso que, por mais sem sentido que fosse, certamente fazia algum sentido. Paradoxal, não?

- Manabu... Há certas coisas que você não percebeu. E talvez seja mesmo melhor que você não tenha percebido. — ele suspirou, e então olhou para a minha mão direita. — O silêncio nem sempre é a melhor das alternativas, meu caro. Nem sempre.

Sem me dizer mais nada, ele se levantou e foi posicionar-se do lado dele do palco, para repassarmos alguns trechos antes de mais um show. Fiquei ali, tocando quase que mecanicamente enquanto ponderava sobre as palavras de Közi. "Coisas que eu não havia percebido"? O que ele queria dizer sobre isso?

Olhei de soslaio pra Kami, do alto de sua bateria. Ele parecia um pouco mais animado, como não havia visto nos primeiros dias. Yu~ki estava o mesmo de sempre. Közi brincava e ria com Gackt enquanto tocava. O que raios eu ainda não havia percebido? Deveria haver um modo de eu extrair alguma coisa de Közi. Claro que havia, mas eu sinceramente não estava disposto a ir pra cama com Közi.

Balancei a cabeça, tentando afastar tais pensamentos de mim e me concentrando na próxima música. Talvez um pouco de trabalho me ocupasse a mente e me faria esquecer dos engimas do meu querido e ao mesmo tempo temido pierrot.