Mercy
4 confusões
Notas iniciais
Arnold
Depois da aula Gerald e eu decidimos ir para a pensão assistir alguns filmes, entramos e subimos direto para o meu quarto com o Abner meu porquinho logo atrás de nos.
— Cara, que prova foi aquela? – Gerald diz se jogando no sofá e pegando a bola de basquete que estava no chão
— Nem me fala, nunca pensei que o Sr Simon sendo tão legal poderia passar uma prova tão demoníaca – sento em frente ao meu computador e começo a esfregar o pescoço de Abner.
—Man, por que eu tenho que saber como achar a hipotenusa? Eu vou ser jogador de basquete não preciso saber isso- Gerald diz jogando a bola de uma mão para a outra.
— Também não sei para que serve a droga da hipotenusa, quando eu descobrir eu te conto – ligo o meu computador – qual filme? – Pergunto para Gerald me afastado um pouco para que ele pudesse ver a tela.
— Sei lá, mano- passo os filmes – esse – Gerald aponta para a tela do computador que mostra um filme de terror- vamos assistir esse.
— Esse? – “ Que merda, tinha que ser filme de terror”- por que não vemos um de ação?
— O que foi, Arnold? Ta com medo de um filme? — Gerald me olha com um sorriso zombeteiro no rosto “ agora se eu não assistir ele vai ficar me zoando “
— Não estou com medo
Dou play no filme Gerald, Abner e eu começamos a assistir sentados no sofá, para minha surpresa o filme não assustava tanto então estava tudo indo bem entre um susto e outro, até que em uma das cenas mostrar o demônio atrás de um porco e nessa hora Abner que estava no meu colo não aguenta e sai correndo para de baixo da cama, Gerald e eu continuamos assistido até acabar, levanto desligo o computador, chamo por Abner, mas ele não vem, tento mais duas vezes sem resposta.
— Acho que o filme assustou mesmo o Abner- olho para Gerald ainda sentado olhando fixamente para a tela desligado do computador – parece que o filme não assustou só o Abner.
—Ah – Gerald fala meio assustado.
— Esquece –vou até a cama e me abaixo – Abner? Você já pode sair, o filme acabou- ofereço minha mão para ajudar ele a sair, mas ele recusa e vai mais para o fundo, vejo ele segurando uma coisa vermelha entre as patas, esticou o meu braço para pegar o objeto não identificado, para a minha surpresa era um sapato de salto alto vermelho “ o que isso está fazendo aqui”
— O que é isso Arnold? Porque você tem um sapato de menina no seu quarto? –Gerald parece ter se recuperado do filme e agora estava atrás de mim
— Não sei
— Será que é de um dos inquilinos? Talvez o Abner tenha trago ele para cá- Gerald diz pegando o sapato da minha mão.
— Não pode ser, Abner prefere meias e não costuma roubar sapatos – respondo olhando para o objeto na mão do meu amigo.
”As vezes os melhores presentes vêm nas embalagens mais simples”
— Cecile – falo de repente assustando Gerald – esse sapato é da Cecile, eu o peguei naquela noite- disse sorrindo ao lembrar daquele dia.
— Ótimo, além de gostar de aparecer nos seus sonhos essa garota também gosta de dá uma de cinderela – Gerald fala me entregando o sapato.
— Eu tinha me esquecido dele, então era ali que ele estava –disse ignorando o que Gerald tinha dito.
— Bom, eu já vou – ele pega a mochila dele do chão e coloca na costa – até amanhã príncipe encantado.
— Até amanhã meu leal súdito – rimos e fazemos o nosso toque, Gerald vai embora deixando Abner e eu no quarto.
...
Estou novamente sentado à mesa do Nes Paris, e Cecile está sentada na minha frente com o seu belo sorriso, ele se desfaz.
—Arnold – Cecile começa a falar olhando nos meus – tem uma coisa que eu tenho, que eu preciso dizer ela desvia o olhar – Arnold, tenho que dizer que gosto realmente de você e preciso saber se você também gosta de mim- ela estende sua mão sobre a mesa
Mais uma vez vem aquela sensação de que a conheço desde de sempre e a certeza de que segurar sua mão é coisa que eu mais quero na vida, e como todas as noites o sonho se repete, estico minha mão para segurar a dela em resposta a sua pergunta, mas diferente de todas as outras vezes Cecile afasta minha mão, o ambiente fica meio sobrinho e vejo Cecile levantar, olho para seus pés e percebo que um de seus sapatos está faltando.
— Quem sou eu Arnold? — Ela diz se aproximando de mim – por que você nunca me responde essa pergunta, mesmo sabendo a resposta? — Cecile me pergunta parando na minha frente seu cabelo cobria boa parte de seu rosto
— Eu não sei quem você é Cecile? – Respondo sendo sincero
— Verdade? Então eu espero que você descubra antes que seja tarde demais – ela ergue um pouco a cabeça revelando as suas lagrimas e novamente sinto meu corpo cair...
Abro meus olhos e estou de novo no chão de meu – Cecile... – o sentimento ruim que eu senti durante o sonho não passou, e não parece que vai passar tão cedo.
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