Notas iniciais
Oe, gente, boa madru pra vcs aí! Daqui a pouquinho eu vou postar mais uma fanfic sobre MJ, então se for do seu interesse, dá uma passadinha lá na minha lista de histórias u3u vou ficar feliz em te ver por lá tbm ♡ Sem mais delongas, bora pro cap! Boa leitura! ♡ ♡ ♡

Estrada de St. Peter — 15:42 hrs

Estavam chocados o suficiente. Ninguém ousou iniciar um assunto. Michael torceu para que continuasse assim, porque sabia, no fim, que a culpa cairia nele.

Suspirou. Luna era a mais próxima dele, Prince parecia estar tentando se conter, pois estava a uns passos à frente da dupla. Ele não queria sequer olhar nos olhos do moreno.

— Luna… me perdoe.

Sussurrou. A garota o encarou de canto, mordeu os lábios para segurar um palavrão, estava muito enfurecida, mas ao mesmo tempo estava feliz por vê-lo.

— Você tem sorte que o Prince não quer conversa contigo, senão eu ia ter que conter vocês dois.

— Você acha que conseguiria?

Provocou em uma brincadeira. Luna revirou os olhos e deixou um sorriso de canto escapar.

— Você é um idiota mesmo… Quando a gente conseguir parar pra descansar, você vai ter que se explicar, hein? Foi muita loucura o que você fez, Michael, a gente podia ter morrido.

— Eu sei, eu sei… eu vou contar tudo a vocês, eu prometo. Eu só preciso que me compreendam…

— Compreender…?

Ouvir aquelas palavras, mesmo que em uma distância considerável, fez o sangue do jovem cantor ferver. Michael não sabia se havia sido seu sexto sentido, mas desviou com maestria de um sapato que sobrevoou sua cabeça. Luna percebeu que precisaria fazer o que havia dito minutos atrás, ela teria que conter os dois marmanjos de se atracar.

Prontamente ficou entre os dois.

— Tudo isso é CULPA SUA!!! SEU… Ah, Luna, agora não!

— Prince, para!! A classe, esqueceu??? A classe, postura…

— QUE SE FODA!! Seu filho da puta, eu não devia ter voltado pra você! Você vem falar de compreensão quando QUASE TENTOU NOS MATAR NO LAGO!! Se a Luna morresse, eu juro que o próximo seria você!!

— Ela não ia morrer! Eu…

Desviou de outro sapato antes mesmo de terminar a frase. Prince avançou sobre o rapaz, mas foi contido por Luna. Ele tinha mais força que a garota, porém não se perdoaria se a machucasse naquela brincadeira, estava tentando manter o mínimo de sanidade e consciência consigo.

— Eu podia estar trabalhando no meu estúdio agora! Puta merda, MALDITO DIA que eu resolvi ajudar você!

— Então por que não ficou lá?? Eu não pedi a sua ajuda!

— Porque eu tentei te compreender, caralho!! Você fala como se nós não estivéssemos te dando apoio o suficiente, isso me deixa puto!! Eu tô encharcado! Minha roupa é cara e você fodeu ela toda! Você fodeu minha roupa, meus sapatos, meu cabelo, MEU CARRO, meu dinheiro, meus cartões…!

De repente, ele congelou. Michael estava esperando mais uma salva de gritos e Luna simplesmente havia desistido, achou que seria melhor que Prince desabafasse mesmo, querendo ou não, ele não estava errado, porém o cantor pareceu recobrar a consciência nesse curto período de tempo em silêncio.

— Meus… cartões…

Logo, passou a revistar os próprios bolsos. O cartão que usou para pagar o almoço mais cedo naquele dia ainda estava lá, lindo e intacto. Prince, em um gesto de desespero e euforia, deu vários beijinhos no objeto de plástico antes de comemorar mentalmente.

— Prince…

— Não perdemos tudo! Não perdemos…

Passou a mão nos cabelos e, num instante, aquele Prince mais são e elegante parecia ter retornado.

— Graças ao bad boy aí, poderíamos ter ido dormir na rua! Mas isso não vai acontecer… não enquanto eu estiver aqui.

Balançou o objeto de plástico, e então Luna sorriu e correu até o homem, pulando em seus braços e o abraçando com força.

— Isso! Nós vamos pra casa!!

Michael não podia negar que estava feliz por eles, mas quando ouviu a palavra “casa”, o receio tomou conta de seus pensamentos.

Lentamente deu alguns passos para trás, o que fez a dupla perceber.

— O que foi, Michael?

Indagou Luna. Ele suspirou.

— Eu estou feliz por vocês, de verdade. E eu sinto muito que tudo isso terminou dessa forma, eu não queria ter diretamente envolvido vocês nisso, essa era a minha maior preocupação. Bom… vocês podem ir pra casa se quiserem, eu não posso, eu não tenho casa.

Aquelas palavras fizeram a garota, preocupada, encarar Prince como se esperasse alguma resposta dele. O rapaz apenas a encarou de volta e voltou a contemplar Michael.

— E você vai pra onde?

Ele deu ombros.

— Eu não sei… mas pra longe. Eu vou sair de Minnesota e, depois, eu vejo o que eu faço. Vocês podem pelo menos me deixar naqueles ônibus de viagem?

Silêncio. Prince sabia que não podia deixá-lo naquela situação, e Luna sabia que o cantor tomaria a melhor decisão, eles não eram amigos por qualquer motivo, ela confiava plenamente nas decisões dele. O encarou mais uma vez, apenas para ter certeza do que ele falaria.

Suspirou.

— Você vem conosco.

Michael arqueou a sobrancelha.

— O quê…? Não, eu não…

— Se tentar se explicar, vai ser pior. Vem… vamos embora daqui.

Calçou seus sapatos mais uma vez antes de dar as costas e balançar o cartão novamente. Luna sorriu, encarou Michael por alguns segundos e, radiante, seguiu em direção ao seu amigo, esperando que o ex bad boy os acompanhasse. Michael acariciou os próprios braços por alguns segundos, parecia relutante, ele ainda temia pela vida deles, mas discretamente sorriu ao ver o que estavam tentando fazer para ajudá-lo. Queria compensar de alguma forma.

Sem dizer mais uma palavra, os seguiu.

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(3 anos atrás) — 17:10 hrs

Michael afastou um pouco os braços do corpo e permitiu que o estilista e sua assistente dessem os toques finais em seu traje. Estava usando uma jaqueta vermelha com brilhantes, braçadeira preta de cetim, calças escuras, sapatos lustrosos, os cabelos presos e um Fedora acompanhado. Ele gostava daquelas roupas, mas não quando estava usando para aquele tipo de compromisso, não quando o seu pai o forçava a usar.

Mexeu de propósito, apenas para atrasar a coletiva que teria daqui a pouco. O feitiço acabou virando contra o feiticeiro e a agulha que a assistente estava manipulando acabou por furar sua pele.

— Ei!

— D-desculpe, senhor…

— O senhor fez de propósito.

Disse o estilista, já um pouco mais acostumado com as pirraças do rapaz. Michael suspirou e ficou em silêncio, errado ele não estava.

— Meu pai falou alguma coisa pra vocês? Alguma coisa tipo “podem torturar o Michael com uma agulha, eu deixo”.

O mais velho deixou uma risada discreta escapar, enquanto trabalhava. Lentamente balançou a cabeça em negação.

— O seu pai não é um carrasco. Ele está fazendo isso pro seu bem.

— É, eu gosto de sentir que não tenho controle sobre minha vida. Agora sei como um Tamagotchi se sente.

— Michael, você é um jovem talentoso. Ele só está querendo se certificar de que você não precise passar por todas as dificuldades que ele passou na juventude. Ser uma pessoa comum não é fácil.

Michael suspirou.

— Ser uma pessoa famosa também não é.

— Pessoal, cinco minutos!

Um outro funcionário chegou para avisá-los. O estilista passou a se apressar um pouco mais, dando menos atenção às palavras do jovem.

— Mariela, termine isso aqui. Eu só vou pegar o desenho do projeto e fazer a revisão final.

A assistente assentiu e continuou trabalhando no traje enquanto o homem se retirava. Assim que a porta bateu, alguns instantes depois, ela encarou Michael discretamente.

— Senhor…?

Sussurrou. Ele a encarou de volta.

— O seu pai… ele…

Ela suspirou.

— Cuidado quando for envolver outras pessoas nessas fugas. Ele está furioso.

Michael a encarou com um pouco mais de seriedade. Logo, lhe deu o dobro de atenção.

— O que ele te disse…?

Ela mordeu os lábios, como se perguntasse a si mesma se devia contar. Era novata, tinha medo de Joe Jackson, mas a sua empatia era maior do que o conformismo dos demais funcionários já acostumados com aquele jeito sujo de trabalhar.

— Ele não pode te machucar, o senhor dá dinheiro pra ele… mas ele pode machucar as pessoas à sua volta. Só… tome cuidado.

Murmurou. A porta se abriu, os dois tremeram em silêncio. Michael percebeu que ela estava falando a verdade quando viu o pavor em seu olhar, mesmo que fosse só o estilista retornando com os projetos.

Ele jamais esqueceria aquelas palavras.

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(Atual) — 16:35 hrs

Após alguns instantes de caminhada, Prince, Michael e Luna estavam diante de uma pequena e confortável ruazinha pouco movimentada e ensolarada. Aquela era a cidade de St. Peter. Encararam todo aquele lugar por alguns momentos, buscando hotéis de luxo, lojas ou restaurantes badalados, mas não encontraram muito além de casas históricas, igrejinhas, parques e florestas.

Já morrendo de frio, os três tentavam cada um abraçar a si próprio a fim de manter o calor do corpo. Prince suspirou bem fundo e passou a mão nos cabelos mais uma vez, em seguida puxou os outros dois para um canto.

— Okay, ouçam o plano…

— É melhor mesmo, porque não tô vendo nada que pareça com a vida de luxo de vocês nesse lugar.

— Nós podíamos nos hospedar em qualquer hotel 3 estrelas, não vamos ficar por muito tempo.

Prince suspirou.

— Crianças, calem a boca! Michael, vamos lembrar que nós dois somos mundialmente famosos, correto? Então se começarmos a andar por aí, vão nos reconhecer e você vai ser mandado pra casa. Por isso, vamos fazer o seguinte… Vamos procurar um lugar decente para passar a noite. Amanhã, eu vou alugar um carro, te deixar em Rochester e seguir com Luna de volta pra Chanhassen, okay? Tá bom pra você?

Michael revirou os olhos e assentiu.

— Okay.

— Por que eu sinto que só estamos varrendo os problemas pra debaixo do tapete?

Indagou Luna, cruzando os braços.

— Não vamos dificultar mais esse plano, okay? Michael concordou, eu concordei, estamos de acordo. Agora vamos, estou ficando com frio. Se dermos sorte, esse pessoal é simples e não vai nos reconhecer, mas, só para prevenirmos, Michael, levanta esse capuz.

— Ah, você fala demais…

— Não mostra as garras agora, Daryl…

Brincou Luna, o que fez o rapaz deixar uma risada muito discreta escapar. Ele fez um movimento negativo com a cabeça e levantou o capuz, também tentou manter a cabeça baixa.

Sem mais delongas, seguiram em frente.

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Paisley Park, Chanhassen — 19:09 hrs

Já era noite, porém toda a Paisley Park estava acesa. Nenhum funcionário conseguia dormir sem notícias de seu patrão, que havia saído àquela tarde, não disse para onde foi e ainda não havia retornado. Dentre eles, Ted era o mais apreensivo, perambulava de um lado para o outro, completamente nervoso, ligando para todos os amigos do cantor que tinha conhecimento.

Antes de chegar à mídia, essa notícia se espalhou como uma doença. Era muita coincidência um desaparecimento atrás do outro, e isso era algo que havia passado despercebido pela atenção falha do Ted.

Todavia, não poderia-se dizer o mesmo de Jones Jr.

Ainda naquela noite, completamente transtornado, Ted recebeu a visita do empresário. Ele teve sua entrada permitida antes mesmo que o homem pudesse tomar alguma atitude.

— Ted, meu caro! Alguma notícia do Prince?

Indagou, a voz na tonalidade certa. Se estava mesmo preocupado, ele não sabia, porém toda ajuda era bem-vinda àquela altura do campeonato.

— Ele deixou tudo, tudo! Levou o celular, mas ninguém atende!

— Isso não parece normal, mas ele não é uma criança, Ted. Se eu fosse você, esperaria o dia clarear. Ele deve ter ido dormir na casa de alguma namorada, nada fora do comum. Você sabe como Prince é “passeador”...

— Jones, ele não é inconsequente assim! Ele não sai sem avisar, principalmente porque ele está cheio de trabalhos…!!

— Shh…!

Fez o empresário, em seguida suspirou.

— Escute, se ligar para a polícia agora, eles irão rir da sua cara. Prince é um homem adulto, vamos tratá-lo como tal! Por que não dá uma olhada nas contas bancárias dele? Se Prince estiver dando uma volta, com certeza está pagando as coisas, ele é muito orgulhoso para deixar que paguem pra ele.

O olhar de Ted pareceu se iluminar com as palavras do mais velho. Ele viu uma esperança naquele momento, logo estalou os dedos e aquiesceu.

— Isso, isso! Mas é claro!! Nanda, verifique as contas bancárias do senhor Nelson agora!!! Todas elas!! Verifique os últimos movimentos…

Exclamou, já alertando a secretária particular do cantor. Jones suspirou, pelo menos esse detalhe estava sob controle. Ele não tinha problemas com Prince, mas sabia que o seu sumiço era muito suspeito e sentia que, se conseguisse encontrá-lo, consequentemente também encontraria o seu alvo.

Bastava agora esperar no que isso ia dar e torcer para que suas suspeitas estivessem corretas.

Notas finais
Próximo capítulo: St. Peter era mais agradável do que parecia. Quando saiu do hotel, as primeiras coisas que passaram por seu olhar foram as construções que mais pareciam ter saído de algum filme de Sessão da Tarde [...] Michael inspirou o ar gostoso daquela cidade e iniciou sua caminhada, levou as mãos aos bolsos e começou a visitar algumas lojas. Não podia se esquecer que o seu pai podia rastreá-lo se usasse o cartão, precisaria marcar um momento certo para poder comprar e sair daquele lugar o mais rápido possível, não podia vacilar agora. Mas um detalhe, por um segundo, o fez esquecer todas essas preocupações: ele estava livre. [...] Luna suspirou. — Nós não estamos no interior, né? E Paisley Park não tá tão distante. — Nem pensar, não vou pegar transporte público. Ou vamos de carro, ou nada feito. Ela gargalhou. — Você é esperto, hein? Eu nem falei disso. Bom… eu ia chamar o Michael também, mas ele não tá no quarto. Prince suspirou. — Eu espero que ele não faça nenhuma besteira hoje.