Mentiras e Decepção
15 Dor
Notas iniciais
Alice saiu do carro e correu até o irmão o abraçando sem se importar com a chuva forte que caía ou com o fato de que ele estava totalmente ensopado. Era desesperador vê-lo tão quebrado daquele jeito mesmo ela sabendo que isso aconteceria quando ele soubesse de toda verdade, sabia que ele sofreria muito mas não estava preparada pra ver aquela explosão de dor e desespero em que ele se partiu.
Ela podia ver o quão despedaçado ele estava, tinha seguido ele desde o hospital e quase sofrido um infarto com medo de que ele sofresse um acidente devido a velocidade em que dirigia, buzinou como uma louca para chamar sua atenção mas de nada adiantou. Quando ele parou ela respirou aliviada porém seu coração se afundou ao vê-lo cair e gritar de dor. Ela já tinha um discurso de eu te avisei pra dizer a ele mas vendo o tamanho do seu sofrimento, ela só podia abraça-lo como se assim pudesse juntar os seus pedaços.
— Alice! O que foi que eu fiz ? — Ele sussurrou em meio a um soluço. — O que foi que eu fiz ? Eu a condenei. Meu Deus Alice, ela nunca me traiu, nunca. Como eu pude ter acreditado em tamanha blasfêmia ? – Ele se agarrou a irmã, desejando que ela pudesse salva-lo da dor.
— Shiii, vai ficar tudo bem. — Ela tentou consola-lo enquanto apertava seus pequenos e delicados braços em volta dele.
— Não Ali, não vai. – Soluçou. – Ela nunca vai me perdoar e eu preciso dela Alice, eu sempre precisei. Eu não vou suportar conviver com tanta dor, com tanto remorso, eu não posso viver sem ela e sem seu perdão. — Ele se afastou um pouco pra olhar a irmã. — Você acha que têm alguma chance dela me perdoar ? Alguma chance dela voltar pra mim ?- Alice não conseguiu responder, como poderia dizer a ele que isso era praticamente impossível e quebra-lo ainda mais ? Alice sabia que Bella apesar de uma pessoa extremamente altruísta e com um coração que não cabia em seu peito de tão bondoso, guardava muita mágoa do irmão e seria muito difícil ela perdoa-lo um dia. Quanto a voltar pra ele isso era praticamente impossível, conhecia a amiga o suficiente pra saber que ela é perdidamente apaixonada pelo marido.
Edward não precisou da resposta dela, seu silêncio foi o suficiente e ele gemeu de dor, era tanta dor que chegava a ser física.
— Eu sinto muito, sinto muito. — Era tudo que ela podia dizer.
— Vamos Alice, vocês precisam sair da estrada e dessa chuva. — Foi só quando Jasper falou que ela percebeu que ele estava em pé do lado deles e com um guarda-chuva na mão os protegendo.
Edward no entanto não se moveu do seu aperto, seu corpo tremia devido a intensidade do seu choro doído.
— Vamos meu irmão, precisamos sair daqui. — Ela falou mas ele não se moveu. — Edward por favor, olha pra mim. — Ela pediu segurando seu rosto entre as mãos e olhando em seus olhos, ela viu tanta dor ali que a fez perder o ar. — Vamos sair daqui ok, vamos sair dessa chuva se não vai acabar pegando uma gripe ou coisa mais grave. Pense na Quim, ela precisa do pai bem. – A menção na filha pareceu desperta-lo mas também o fez lembrar da filha que renegou e que agora o odiava. Esse pensamento o atingiu com tamanha força que o fez cambalear quando tentou se levantar, se não fosse Jasper os segurando ele teria caído e levado Alice junto.
Ele apertou os olhos com força e deixou ser guiado até seu carro. Alice o encaminhou até o lado do passageiro abrindo a porta e o fazendo entrar, ele não ofereceu resistência.
— Eu vou com ele e você segue a gente, tudo bem ? – Ela perguntou ao futuro marido.
— Tudo bem! – Respondeu Jasper Alice ligou o carro e deu a partida colocando o carro em movimento, olhou para o lado vendo o irmão encolhido no banco com o olhar perdido enquanto as lágrimas desciam por seu rosto.
O caminho até Seattle foi feito em um silêncio agonizante, mal Alice estacionou o carro e Edward abriu a porta e correu pra dentro da mansão. Foi direto em direção ao seu quarto, fechou a porta se encostando nela e se deixou escorregar até o chão e simplesmente chorou.
As lembranças dos momentos que teve ao lado de Bella só aumentava a dor alucinante em seu peito, Alice até tentou ir atrás dele mas foi impedida pelo noivo.
— Deixa ele Ali, Edward precisa ficar sozinho e você precisa tirar essa roupa molhada.
— Mas Jasper, eu não posso deixar ele assim. – Alice estava aflita com o sofrimento do irmão, por mais que ele tivesse errado ele ainda era seu irmão e lhe doía a alma ver ele tão quebrado assim. — E se ele cometer alguma loucura ?
— Ele não vai, ele sabe que a Quim precisa dele e ele a ama demais para fazer alguma coisa que vá fazer ela sofrer.
Com essas palavras ele conseguiu convencê-la, porém ela só foi embora depois de conversar com os empregados e pedir que ficassem de olho no seu irmão e que avisassem caso alguma coisa acontecesse.
X—x
Bella aproveitava o banho quente e perfumado que seu marido tinha preparado pra eles, suas costas repousavam no peito forte dele e a cabeça em seu ombro enquanto ele a banhava passando uma bucha macia em seu corpo.
— Amor, preciso ver as crianças. – Ela falou.
— Não se preocupe, depois eu vou dar uma olhada neles. Tenho certeza que estão bem, afinal Maria está com eles, e você precisa comer e dormir um pouco. – Seu marido retrucou de forma suave.
— Você têm razão. Me sinto tão cansada, não tenho dormido muito bem nos últimos dias.
— E por quê não ? — Ele perguntou enquanto passava a bucha em seus seios com movimentos suaves, ela suspirou e fechou os olhos.
— Eu não sei, vinha sentindo um aperto no peito, uma sensação ruim e agora sei por quê. – Bella comentou.
— Você sempre teve isso né, lembro que dias antes de papai morrer você dizia que tinha um pressentimento ruim. — Ele lembrou.
— Sim, eu me lembro disso.
— E dessa vez foi por causa do seu pai. – Não era uma pergunta mas mesmo assim ela respondeu.
— Eu realmente não sei, acho que não foi só por isso. Você estava longe e eu não conseguia falar com você, ainda teve aquela visita estranha que a Victoria me fez, acho que foi tudo junto.
— Eu fiquei sabendo da visita dessa mulher e já estou tomando as devidas providências para saber como ela conseguiu entrar, não posso permitir que essa gente chegue perto de você. — Ele disse seriamente, não poderia nem cogitar a ideia de que essas pessoas se aproximassem de sua mulher ou de sua família.
— Mas afinal de contas, o que ela queria ?
— Ela queria pedir perdão e dizer que estava feliz por mim. – Bella respondeu enquanto se lembrava da cena.
— Você não deveria nem ter conversado com ela, deveria ter chamado Felix e mandado ele a colocar pra fora.
— Eu ia fazer isso, foi a primeira coisa que pensei mas ela me parecia tão séria e aflita, que fiquei curiosa. Ela me pediu perdão e disse que estava feliz em ver que eu tinha conseguido me reerguer.
— E você acha que ela estava sendo sincera ? -Alec perguntou.
— No começo eu não acreditei em nada mas quando olhei em seus olhos vi sinceridade neles, seu sorriso também era verdadeiro. Você se lembra o que meu sogro dizia sobre saber decifrar o olhar das pessoas. — Ela falou se virando um pouco para olhar pra ele, ele acenou com a cabeça e depositou um selinho em seus lábios. — Então, ela estava sendo realmente sincera.
— Você a perdoou ? – Seu marido quis saber.
— Eu não pude e não sei se poderei um dia. Ela ajudou a armar aquilo tudo, eu perdi muita coisa e sofri muito. — Ela respirou fundo e balançou a cabeça para afastar as lembranças. — Mas foi o que ela me disse depois que me deixou intrigada.
— E o que foi ? – Alec continuava alisando o corpo da esposa com a bucha, em uma doce carícia.
— Ela disse que eu não deveria ter voltado, que eu corria perigo aqui. Disse que tudo que aconteceu não foi apenas uma armação de uma mulher rejeitada para destruir a relação do homem que ela queria, falou que a intenção não era separar o Edward de mim e sim eu dele. Eu não entendi nada e quando eu ia confronta-la pra que ela me explicasse, ela recebeu uma mensagem e ficou toda estranha e nervosa e disse que tinha que ir, que o tempo dela tinha acabado mas pediu para eu não confiar em ninguém. Foi muito estranho. Alec ficou tenso, parou os movimentos que fazia com a bucha e ficou pensativo.
Sempre achou essa história toda muita estranha, sempre teve a sensação de que tinha algo a mais. Lembrava muito bem o dia em que encontrou Bella, e a forma como aqueles dois homens a abordaram não parecia ser mera coincidência, parecia que estavam a seguindo a muito tempo. Ele tinha começado a investigar mas só conseguiu as provas da inocência de Bella e nada mais, agora teria que começar de novo. Pelo menos dessa vez já sabia por onde começar, tinha que encontrar Victoria e a fazer falar, se alguém estava atrás da sua esposa ele iria descobrir e acabaria com a raça dele ou dela de uma vez por todas.
— Alec, tudo bem ? – Foi tirado de seus pensamentos pela voz dela.
— Sim, só estava pensando mas chega dessa conversa, vamos sair que a água já está fria. — Ele disse se levantando, não queria que ela se preocupasse com isso pois ele resolveria tudo.
— Espera aqui. — Ele saiu e logo voltou vestido em um roupão e com outro nas mãos. — Vem amor.
Ela se levantou e ele respirou fundo indo até ela e colocando o roupão em seu corpo o fechando. Seu membro pulsava dolorido mas ele tentou ignorar e a pegou no colo.
— Eu posso andar. – Bella respondeu de forma descontraída.
— Quentinha, deixa eu cuidar de você.
— Mas... — Ela tentou dizer.
— Mas nada, você passou por muita coisa e eu não estava aqui para você. Cuidar de você agora é o mínimo que eu posso fazer. — Ele falou sem dar uma chance pra discussão.
Ele a levou até a cama e a depositou ali, foi até a pequena mala que ela tinha arrumado e pegou uma calcinha e camisola preta de seda. Viu o creme corporal que ela usava, mas isso seria tortura demais e ele não era forte o suficiente para espalhar creme em seu corpo sem toma-la no percurso, já tinha sido uma tortura ficar com ela naquela banheira sem possuir aquele corpo delicioso que ela tem. Respirou fundo e voltou até a cama onde ela estava deitada, ela olhou pra ele e sorriu docemente, parecia tão frágil e cansada.
Ele abriu o roupão passando a calcinha de renda minúscula que não ajudava em nada o seu alto controle por seus pés e a deslizou por suas pernas, ela levantou os quadris para o ajudar. Depois, ele a puxou com delicadeza pelos braços pra que ela se sentasse, lhe tirou o roupão e ela levantou os braços para que ele deslizasse a camisola por eles, estava tão esgotada que nem se lembrou que não passou o creme.
Ela adorava quando ele a cuidava assim, se sentia tão amada e desejada. Viu quando ele foi até sua necesserie e pegou sua escova e seu creme de pentear e voltou a se sentar atrás dela, com uma toalha lhe secou os cabelos com cuidado e quando achou que já estava o mais seco que poderia, colocou um pouco de creme nas mãos e espalhou pelos cabelos mogno dela. Pegou a escova e com muito carinho começou a desembaraçar os nós.
— Hum. — Ela gemeu em contentamento. — Adoro quando você pentea meus cabelos. — Ela falou e ele sorriu.
— Eu sei e sei também que sempre que faço isso você dorme, então trate de ficar acordada que você ainda precisa comer. — Ele falou divertido sem parar com seu trabalho, ela soltou um risinho.
— Pode deixar, até porque eu estou realmente com fome. Ele terminou de pentear os cabelos dela e os beijou, foi abrir a porta onde um dos serviçais do hotel o aguardava com a refeição que ele havia pedido, agradeceu dando uma generosa gorjeta ao rapaz.
— Nosso jantar chegou, você quer comer aí mesmo ou vem para mesa ?
— Podemos comer aqui.
— Claro que podemos, mi vida. – Ele falou e levou seus pratos até a cama, percebeu que ela mal conseguia manter os olhos abertos. — Eu vou alimentar você, mi amor. — Então levou o garfo cheio até a boca dela que nem se preocupou em saber o que estava comendo, só se deixou ser alimentada.
Ele se revesou entre alimenta-la, comer a própria comida e manter ela acordada. Quando ela não quis mais, ele lhe deu um copo com água e a levou no colo até o banheiro para que ela escovasse os dentes e quando a colocou de volta na cama e a puxou pro seu peito, ela já dormia.
— Eu te amo tanto mi vida, muito e muito. Você e nossos filhos são tudo pra mim e eu não vou deixar que nada nem ninguém lhe faça mal ou que tire você de mim. — Ele falou lhe beijando a testa e a aconchegando mais em seus braços.
X--x
Edward abriu os olhos e ficou perdido por alguns minutos, chorou até dormir ali mesmo no chão do seu quarto.
Queria que tudo tivesse sido um pesadelo mas a realidade dos fatos invadiam a sua mente e lá estavam as harpias sádicas e sanguinárias com suas garras afiadas lhe esmagando o coração e as palavras de Isadora girando em sua cabeça. “A Bella nunca te traiu, foi eu o tempo todo. Tudo não passou de uma armação.”
As palavras de sua filha agora o atingiam como uma bola de canhão, abrindo um grande buraco negro em seu peito. “Eu te odeio, eu te odeio Edward Cullen.” Então veio a revolta, o ódio já era seu velho companheiro, só que agora ele era dirigido as pessoas certa.
E foi a esse ódio e ao desejo de vingança que ele se agarrou, precisava tirar forças de algum lugar. Ele se levantou percebendo que ainda estava com as roupas molhadas, sentiu o corpo dolorido e sabia que era quase certo que pegaria uma gripe.
Foi pro banheiro se livrando das roupas molhadas, entrou no box e ligou o chuveiro deixando a água quente destravar seus músculos, ficou um bom tempo ali desligou o chuveiro, se enrolou em uma toalha e foi até seu closet.
Depois que já estava vestido, tomou um anti gripal e desceu até a cozinha, preparou um sanduíche e encheu um copo com suco de laranja e os levou até mesa, puxou uma cadeira e se sentou. Ele comia com movimentos automáticos, seu olhar estava distante e então um plano se formava em sua cabeça, ele se vingaria de todos aqueles que participaram de toda essa merda e ele sabia exatamente por onde e por quem começar.
Olhou o pequeno relógio que ficava em cima do balcão da cozinha e viu que era pouco mais das duas da manhã, terminou sua refeição e levou o prato e o copo até a pia, voltou pro seu quarto e pegou seu celular em cima da mesinha de cabeceira e procurou pelo contato que precisava. Apertou para discar e esperou, no quinto toque a pessoa atendeu.
— Jenks, quero que me escute com atenção. — Ele passou todas as instruções ao homem do outro lado da linha. — Quero isso pronto para amanhã e não me importo como você vai fazer, apenas faça.
— Ele desligou e foi pra cama, se deitou e puxou o cobertor até a sua cintura, colocou as mãos atrás da cabeça e olhou para o teto.
— Eu vou faze-los pagar Bella, todos eles. Eu vou fazer por merecer seu perdão minha menina, seu e de nossa filha e vou lutar pra ter vocês duas de volta meu amor! -
Fale com o autor